Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!
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sexta-feira, junho 06, 2014

Metroviários pedem salário mínimo do DIEESE e fim da privataria









O que querem os metroviários em SP?
Expansão do sistema desabou nas gestões tucanas. Falta de investimentos e suspeitas de corrupção levam transporte sobre trilhos ao colapso. Metroviários querem salário e mais segurança e conforto para a população

A greve dos metroviários coloca novamente São Paulo diante de um de seus maiores problemas: o da mobilidade urbana.

A capital paulista é uma cidade em que as linhas do transporte sobre trilhos foram implantadas tardiamente. Enquanto metrópoles como Londres, Paris ou mesmo Buenos Aires começaram a instalar seus metrôs entre 1890 e 1910, São Paulo somente colocou em operação suas linhas em 1974. Mas os primeiros projetos remontam a primeira gestão do prefeito Prestes Maia (1938-45).

Os planos iniciais foram deixados de lado e somente na segunda metade dos anos 1960, quando apopulação da cidade já ultrapassava a marca de cinco milhões de habitantes, é que se iniciou a construção sistema.

Pequena extensão
Do início dos anos 1970 até hoje, a cidade implantou 75 quilômetros de linhas.

Se compararmos com metrópoles da periferia, que assentaram seus trilhos no mesmo período, como Seul e Cidade do México, a cidade brasileira faz feio. Os dois municípios estrangeiros têm, respectivamente 287 e 226 quilômetros de vias, que cobrem boa parte da malha urbana.

O ritmo de construção diz muito sobre a dinâmica dos investimentos. Nos primeiros 17 anos de operação – entre 1974 e 1991 – foram implantados 57 quilômetros de linhas. Um ritmo de 3,35 quilômetros por ano.

Nos 22 anos seguintes – entre 1992 e 2014 – foram assentados apenas mais 18 quilômetros. Aqui, o ritmo desabou para 770 metros por ano.

Este segundo período coincidiu com as administrações do PSDB, que fizeram do ajuste fiscal e da falta de investimentos sua pedra de toque.

Em 1970, a cidade tinha 5,9 milhões de habitantes. Em 1991, eram 9,6 milhões os moradores da capital e hoje temos 11,25 milhões dividindo esse imenso chão.

O que isso indica? Que enquanto a população crescia e a urbanização se espalhava de forma desordenada, o investimento no mais moderno sistema de transportes para grandes cidades se reduziu. E pior: uma das linhas, a amarela, que liga a Estação da Luz ao Butantã, é privada. Ou seja, o poder público não tem controle sobre planos de investimento e gestão.

Mesmo assim, esse metrô de reduzidíssimo tamanho é vital para a cidade.

A pauta de reivindicações
Os metroviários foram à greve como último recurso, após várias tentativas de negociação com o governo do PSDB.

O que querem?
Nada demais.

Pedem um piso salarial equivalente ao salário mínimo – isso mesmo, mínimo! – calculado pelo DIEESE, o que dá R$ 2.778,63 por mês e o reajuste dos salários para acompanhar a inflação.

A pauta de reivindicações estende-se por 98 páginas. A maior parte das demandas versa sobre direitos trabalhistas. Mas á solicitações de interesse cidadão, que devem merecer especial atenção. Entre elas estão:

– Uma gestão empresarial democrática;

– O fim à privatização, “para que todo o investimento em sistemas metroviários seja realizado através desta, com a imediata suspensão do projeto de expansão (…) através de PPP’s” [Parcerias Público-Privada];

– Combate à corrupção, com demissão e “confisco dos bens e cadeia para todos os corruptos e corruptores envolvidos nas denúncias de cartel no Metrô”;

– Deve-se também “reverter o dinheiro confiscado em investimento e em expansão do metrô público e com redução da tarifa, rumo à tarifa zero”.

Os metroviários não estão aí para atrapalhar a vida de ninguém. Querem retomada de investimentos, para que o sistema não entre definitivamente em colapso.

Para isso é preciso expandi-lo rapidamente.

Quem quiser ver a pauta dos metroviários, deve clicar neste endereço.

FONTE: VIOMUNDO / Gilberto Maringoni

LEIA TAMBÉM: 

Salário mínimo teria que ser (no mínimo) de R$ 3.079,31, aponta Dieese


terça-feira, abril 15, 2014

Trabalhadores do serviço público preparam marcha a Brasília-DF em 7 de maio













Último ato dos SPF em Brasília-DF, em 19 de março, contou com participação do SINASEFE

O Fórum Nacional do Funcionalismo Público Federal se reuniu na última sexta-feira (11) e aprovou os próximos passos da luta da Campanha Salarial 2014 dos servidores. A principal atividade será uma marcha em Brasília-DF no dia 7 de maio, com concentração às 9 horas, em frente à Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida. No mesmo dia, à tarde, será realizada uma Plenária Nacional dos SPF, com local ainda a definir.

Outra importante ação será no dia 12 de junho, com a participação e preparação das atividades do Dia Nacional de Lutas aprovado no Encontro Nacional do Espaço Unidade de Ação, realizado em São Paulo no dia 22 de março.

Servidores mobilizados
Diversos segmentos do funcionalismo realizaram na semana passada ações e prometem mais mobilização para todo o mês de abril.
Os servidores do judiciário federal de São Paulo fizeram uma paralisação de 24 horas na quinta-feira (10). Os do judiciário de Alagoas também paralisaram suas atividades no mesmo dia. No Maranhão, a categoria fez paralisação por duas horas.

Educação em luta
O Andes-SN se reuniu com representações da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (Sesu/MEC) e apresentou os pontos específicos da pauta da categoria.

O SINASEFE, por deliberação congressual, tem deflagração de greve nacional marcada para a próxima segunda-feira (21 de abril). Assembleias que acontecem em todas as nossas Seções Sindicais demonstram que a maioria absoluta das nossas bases deverá aderir a movimento paredista.
Os técnico-administrativos da Fasubra Sindical já estão em greve há quase um mês e fortalecem a Campanha Salarial. A paralisação cresce a cada dia e conta com adesão de quase 90% dos servidores. Como parte das atividades que integram o Fórum, a categoria irá levar caravanas a Brasília-DF nos dias 6 e 7 de maio.

A CSP-Conlutas, o SINASEFE e diversas entidades classistas já demonstraram seu irrestrito apoio à greve dos técnico-administrativos da base da Fasubra, aprovando, inclusive, uma moção de apoio ao movimento no dia 21 de março. Confira aqui o documento.

Histórico de 2014
Essa será a terceira marcha de 2014 da Campanha Salarial dos SPF que reunirá caravanas de todo Brasil na capital federal. A primeira, no lançamento da Campanha, aconteceu no dia 5 de fevereiro. Durante o Dia de Paralisação Nacional do movimento, em 19 de março, foi realizada a marcha mais recente.

Ambos os eventos reuniram milhares de servidores em Brasília-DF e contaram com a participação do SINASEFE. A tendência é que a marcha do próximo dia 7 seja ainda maior e o SINASEFE convoca, desde já, todas as suas bases à essa luta.

FONTE: SINASEFE NACIONAL

domingo, abril 13, 2014

No Rio, os garis “amotinados” iniciam nova luta









Os garis que, segundo o prefeito Eduardo Paes (PMDB), fizeram um motim, entram em uma disputa pelo controle do sindicato

Atropelada por uma jovem liderança que se forjou a partir da campanha salarial em janeiro, a diretoria do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Manutenção do município do Rio de Janeiro, que engloba os garis da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb) e trabalhadores de empresas privadas, se vê ameaçada de perder o poder que mantém há mais de duas décadas.

Estes jovens empregados da Comlurb, muitos dos quais só se conheceram na campanha salarial, além de imporem ao prefeito Eduardo Paes (PMDB) uma das suas maiores derrotas políticas – após recusar negociar com o movimento que classificou de motim ele teve que ceder o aumento que recusava dar – agora estão de olho na entidade de classe.

No fim de março, o grupo composto de dez pessoas que liderou na prática a paralisação dos garis deixando a cidade repleta de lixo no carnaval carioca, foi ao sindicato em busca do seu Estatuto. Embora seja um documento que todos deveriam conhecer, ele era guardado a sete chaves. A movimentação deles tem por finalidade as eleições de abril, quando tentarão trocar a diretoria que há mais de vinte anos reveza-se nos cargos, mantendo-se no poder. Hoje, o presidente é Luciano David de Araújo e seu vice, Antônio Carlos da Silva, que antes ocuparam outros cargos.

De olho nas eleições, eles começaram a lutar por postos chaves para a mobilização das chamadas bases. Entraram na disputa pelas vagas nas Comissões Internas de Prevenções de Acidentes (CIPAs) – conquistaram pelo menos 10 das 35 existentes – e, por meio de abaixo-assinados da categoria, cobram eleições para os 35 cargos de delegados sindicais junto às gerências da empresa, hoje ocupados por indicações da diretoria do sindicato. Nos dois casos há estabilidade no emprego, o que facilita a mobilização dos trabalhadores.

Durante duas semanas, CartaCapital procurou o presidente Araújo. Além de não conseguir encontrá-lo no sindicato, não obteve retorno das ligações telefônicas. Quem falou pela entidade foi seu vice, Silva. Ele reconhece que o movimento – por ele classificado de “maluquice que deu certo” – foi vitorioso: 37% de aumento no piso salarial que dos 803 reais pulou para 1,1 mil reais. A reivindicação era de 1,2 mil reais, mas se prevalecesse o acordo assinado por Paes com o sindicato, o reajuste ficaria em 9%, com um piso de 847 reais. Além disso, o tíquete de refeição de 12 reais, que o prefeito quis passar para 16 reais, chegou aos 20 reais.

Mas, Silva aposta que a categoria continuará acreditando nas antigas lideranças, respaldando-se no que chama de importantes conquistas: “de toda a pauta negociada, apenas estes dois itens não estavam no acordo feito pelo sindicato”, afirma.

O que ele e Araújo parecem não enxergar é o sangue novo que surgiu na categoria. Prova disso foi o movimento do último Carnaval que, demonizado pelo prefeito com a ajuda de órgãos de comunicação como a Rede Globo, ganhou apoio popular. O próprio prefeito, conforme relatou um desses líderes, o gari William Rocha de Oliveira, 10 anos de Comlurb, admitiu, na presença dos atuais presidente e vice da entidade, que o “sindicato me ferrou”.

Essa nova liderança, que surpreendeu aos próprios cariocas, tem gente que talvez nem permaneça por muito tempo na empresa de limpeza urbana. São trabalhadores que sonham mais alto e estão prestes a conquistar o diploma universitário. Bruno Lima, 28 anos, solteiro, pai de uma menina, há oito anos como gari, hoje cursa o sétimo período de Serviço Social do Centro Universitário Augusto Mota e divide seu tempo em um estágio atendendo a dependentes químicos. Leonardo Mendes de Magalhães, 28 anos, trocou o Citibank em 2012 pela estabilidade nas cozinhas das escolas municipais na função de Agente de Preparo de Alimentos (APA), que no Rio são contratados pela Comlurb. Casado com uma professora do estado, sem filhos, está concluindo o curso de Ciências Contábeis. Já Wladimir Fonseca frequenta uma Faculdade de Direito.

Embora sejam bastante politizados, a quase totalidade deles foge a qualquer ligação com partidos políticos. A exceção é Célio Viana, 12 anos de Comlurb, filiado ao PR de Anthony Garotinho, pelo qual já concorreu, sem sucesso, a uma vaga de vereador na cidade. “Mas não relaciono a filiação partidária com o movimento”, diz. Os demais evitam contato com os políticos e deixaram sem resposta as mensagens de felicitações de Garotinho, enviadas para seus celulares, durante a greve.

Outro ponto em comum é não aceitarem doações financeiras e ajuda de desconhecidos. Penam fazendo “vaquinhas” entre uma categoria que ganha mal e tem pouca politização. Na paralisação, só admitiram a verba do Sindicato dos Petroleiros, gasta na compra de quentinhas e de garrafas de água, necessárias nas mobilizações realizadas nas ruas da cidade. Do Sindicato dos Trabalhadores em Universidades Federais – Sintuf, contaram com a ajuda do carro de som. De outras entidades, aceitaram apenas a impressão de panfletos e boletins distribuídos entre os colegas.

Para desespero da atual diretoria, essa nova liderança se mostra disposta a desvendar as possíveis relações esdrúxulas de alguns diretores sindicais com a empresa de limpeza urbana do município ou mesmo a prefeitura. Falam em possíveis verbas que o sindicato receberia. Mas não só isso. Viana, no fim de março, registrou queixa de ameaça, na 18ª Delegacia, contra o vice-presidente do sindicato. A ameaça teria surgido após questioná-lo sobre o emprego do filho, há 12 anos, em um cargo de confiança – portanto, sem concurso – na Comlurb.  “Isso é nepotismo da diretoria do sindicato”, denunciou. Silva, a CartaCapital, admitiu que o filho tem esse emprego, mas considera que isso não é uma tentativa da empresa em cooptá-lo: “se fosse esse o caso, eu teria a minha família toda na Comlurb. Não é por aí”, esbravejou.

FONTE: CARTA CAPITAL / Marcelo Auler 

domingo, junho 30, 2013

Centrais Sindicais convocam Dia Nacional de Lutas em 11 de julho









As centrais sindicais brasileiras, CSP-Conlutas, CUT, UGT, Força Sindical, CGTB, CTB, CSB e NCST, juntamente com o MST e o Dieese, realizaram uma reunião nesta terça-feira (25) para discutir o processo de lutas que tomou conta do país. Foi definido que 11 de julho será o Dia Nacional de Lutas com Greves e Mobilizações, com o tema “Pelas liberdades democráticas e pelos direitos dos trabalhadores”.   

A pauta de reivindicações consensual é redução das tarifas e melhoria da qualidade do transporte coletivo, mais investimentos em saúde e educação públicas, contra os leilões das reservas de petróleo e em defesa do patrimônio público, fim do fator previdenciário e valorização das aposentadorias, redução da jornada de trabalho e contra o PL 4330 (que regulamenta a terceirização), reforma agrária.   

A luta da juventude pela redução da tarifa deu exemplo ao conquistar a revogação do aumento em diversas cidades brasileiras, principalmente as maiores, Rio e São Paulo.   

A CSP-Conlutas já esteve nas ruas com greves, paralisações a manifestações de diversas categorias, do movimento popular e dos estudantes nos dias 26 e 27 de junho. Vamos fortalecer esse nosso dia de luta nacional para que ele sirva de preparação para o dia 11 de julho.   

É hora de os trabalhadores irem às ruas unificados e levantarem bandeiras comuns de suas demandas. Além da participação nas mobilizações que estão acontecendo, entrará de forma organizada nesta luta. Precisamos cobrar do governo Dilma atenda demandas que não tem sido ouvidas. Essa mesma cobrança devemos fazer aos governos estaduais e municipais, sejam eles do PT, do PSDB, do PMDB ou outro partido, pois eles os responsáveis pela difícil situação do nosso povo.

FONTE: CSP-CONLUTAS

domingo, junho 23, 2013

Esta quinta-feira (27) é Dia Nacional de Luta pelas reivindicações dos trabalhadores













Organizar em todo país, greves, 
paralisações e manifestações de rua

Vivemos um momento muito importante em nosso país. A juventude brasileira deu o exemplo e foi às ruas protestar contra o preço e a qualidade do transporte coletivo nas grandes cidades. Desencadeou com isso um amplo processo de mobilização popular que sacudiu o Brasil nos últimos dias, em protesto contra todas as mazelas que tem afligido a vida dos trabalhadores, trabalhadoras e da juventude.   

Todo este processo de mobilização já conquistou vitórias importantes, como a redução do preço das tarifas em várias cidades, incluindo as maiores do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro. No entanto, a luta deve continuar, precisamos transformar esta vitória na primeira de uma série de muitas outras. Só dessa forma poderemos transformar para melhor o nosso país e a vida dos trabalhadores brasileiros.   

Para isso é muito importante, além da participação nas mobilizações que estão acontecendo, que a classe trabalhadora entre de forma organizada nesta luta, trazendo suas reivindicações e cobrando dos governos o seu atendimento. 

Precisamos cobrar do governo Dilma que ao invés de ficar fazendo propaganda na TV, atenda as demandas dos trabalhadores. 

E a mesma cobrança devemos fazer aos governos estaduais e municipais, sejam eles do PT, do PSDB ou do PMDB.   São estes governos, do federal aos municipais, os responsáveis pela situação em que se encontra o país e vida do nosso povo. Eles tem muita agilidade e disposição política quando é para atender aos interesses das empreiteiras, dos bancos, das indústrias e do Agronegócio. Mas quando se trata de atender às nossas demandas parecem uma lesma paralítica!   

Por esta razão a CSP-Conlutas, e as entidades que compõem o Espaço de Unidade de Ação, decidiram convocar seus sindicatos, movimentos populares e organizações estudantis, a organizarem uma dia de lutas em todos o país, no dia 27 de junho. A orientação é fazer greves, paralisações e manifestações de rua, aquilo que for mais adequado à situação concreta de cada categoria, cidade ou região. O que é fundamental é que, por todo o país hajam manifestações dos trabalhadores cobrando o atendimento de suas reivindicações.   

Acreditamos que esta iniciativa da CSP-Conlutas e do Espaço de Unidade de Ação deve ser só uma primeira iniciativa, assim como fez também o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, que paralisou fábricas dias atrás para exigir melhoria e redução do preço do transporte coletivo). 

A necessidade do momento é generalizar iniciativas para por nossa classe em luta, organizar uma greve geral que possa obrigar o governo Dilma, os governos dos estados e dos municípios a atender as demandas dos trabalhadores e da juventude.   

Para isso é preciso que as centrais sindicais majoritárias no país se disponham a lutar contra o governo, pois são eles os responsáveis por toda esta situação e é destes governos que precisamos cobrar as mudanças e o atendimento das nossas reivindicações.Só dessa forma seria possível unir nossas forças para colocarmos a classe trabalhadora na direção de todos este processo de lutas e fazer dele uma força que mude para melhor o Brasil. 

É com essa compreensão que a CSP-Conlutas e as entidades que compõem o Espaço de Unidade de Ação, ao mesmo tempo que convocam o Dia Nacional de Lutas para 27 de junho, mantem a discussão com as demais centrais sindicais, propondo a convocação conjunta de uma jornada de lutas muito mais ampla, em base a uma pauta que possa ser comum.   

Nossas reivindicações:   

- menos recursos para a Copa e para as grandes obras / mais recursos para a saúde educação / plano de obras para construir moradias populares, hospitais e escolas /  

- redução do preço da tarifa de transporte e melhoria da qualidade / implantação da tarifa social ou tarifa zero / estatização dos transportes coletivos;   

- congelamento dos preços dos alimentos e das tarifas públicas;  

- aumento dos salários para compensar a inflação;   

- reforma agrária;  

- menos dinheiro para os bancos e mais recursos para políticas sociais como os 10% do PIB para a educação pública, já e pagamento do piso nacional dos educadores / para isso suspender o superávit primário e o pagamento da dívida externa e interna para bancos e especuladores;  

- redução da jornada de trabalho;  

- fim do fator previdenciário / recomposição do valor das aposentadorias / anulação da reforma da previdência de 2003;   

- defesa do patrimônio público / contra as privatizações e os leilões do petróleo / contra o PL 092 que privatiza o serviço público / revogação da EBSERH que privatiza os hospitais;  

- contra a precarização do trabalho e o PL 4330, das terceirizações;   

- contra a corrupção / contra a PEC 37;   

- contra a repressão, a violência policial e a criminalização das lutas e organizações dos trabalhadores.   

Trata-se aqui de uma plataforma base, que pode ser acrescida de demandas que estejam faltando, ou mesmo ser utilizada de forma parcial, de modo a focar nas questões concretas de cada categoria ou setor social.   

Organização das lutas 

Por outro lado, é preciso organizar a luta em cada estado e região. É muito importante que as entidades busquem construir, a exemplo do que vem sendo feito do Rio Grande do Sul e em Minas Gerais, uma coordenação(coordenação, comitê, assembleia, a forma não importa, importa o conteúdo) para as lutas que estão em curso, envolvendo todas as entidades e organizações que queiram lutar. A disposição de luta é fundamental, mas sem organização não iremos longe.   

São Paulo, 21 de junho de 2013 
CSP-Conlutas – Central Sindical e Popular Espaço de Unidade de Ação 

quarta-feira, abril 24, 2013

Manifestação dos movimentos sociais e sindicais reúne 25 mil pessoas












Três faixas do Eixão estão interditadas no sentido Congresso Nacional estão interditadas deixando a via bem engarrafada

Uma manifestação de vários movimentos sociais e sindicais complicam o trânsito no Eixo Monumental no fim da manhã desta quarta-feira (24/4). Quatro faixas estão interditadas deixando apenas duas para circulação de veículos. De acordo com a Polícia Militar, 25 mil pessoas participam do protesto. Pelo menos 200 homens da PM acompanham a ação, que segue pacífica.

Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e Movimento Fora Feliciano entre outros reúnem-se somando cerca de três mil pessoas em passeata até a Praça dos Três Poderes. 


Trabalhadores de todos os setores, inclusive do campo, estudantes e quilombolas reivindicam o fim do fator previdenciário e a anulação da reforma previdenciária de 2003. Eles defendem também educação e saúde públicas de qualidade, além do respeito aos povos indígenas e quilombolas. Há muitas bandeiras do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) e do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).

Segundo informações dos organizadores do evento, a expectativa é de que 20 mil pessoas compareçam à manifestação. Cerca de 70 ônibus vieram de São Paulo, 30 de Minas Gerais, 26 do Rio de Janeiro e 15 do Rio Grande do Sul.

Beijaço
A Assembleia Nacional dos Estudantes Livres (Anel) prometem um beijaço - ação em que pessoas do mesmo sexo se beijam - como protesto, pedindo a saída do deputado federal pastor Marco Feliciano da direção da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara. Antes do beijaço, o grupo defensor também fará a celebração simbólica de dois casamentos homoafetivos.

FONTE: CORREIO BRASILIENSE

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terça-feira, janeiro 22, 2013

Servidores Públicos Federais dão início à Campanha Unificada 2013






O Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais protocolou nesta terça-feira (22/01)  junto ao Governo Federal a pauta de reivindicações 2013, contendo os eixos da Campanha Unificada dos SPF para este ano. 

No mesmo dia, as entidades do Fórum se reuniram com demais centrais, movimentos sociais e outras entidades sindicais dos setores público e privado no “Espaço de Unidade de Ação”, para planejar a Jornada de Lutas de 2013, com base na plataforma unitária definida em dezembro do ano passado. 

Segundo o diretor do ANDES-SN, Josevaldo Pessoa da Cunha, a ausência de respostas do governo à pauta dos SPF em 2012 faz com que os eixos da campanha do ano passado sejam reforçados em 2013, entre estes a exclusão de dispositivos antidemocráticos da LDO/LOA, como o artigo 76 da LDO/2013, que visam obstruir a negociação com os servidores públicos sobre os seus direitos e a paridade entre ativos, aposentados e pensionistas.

“Vamos continuar a luta pela negociação coletiva e definição da data-base para o funcionalismo, além de cobrar mais uma vez do governo uma política salarial permanente com reposição inflacionária, valorização do salário-base e incorporação das gratificações”, destacou. 

Cunha lembra que além de não atender às reivindicações do movimento, o Governo Federal vem descumprindo a Constituição, que determina a revisão anual dos salários dos servidores públicos. 

“No ano passado, com a força da mobilização, os trabalhadores do serviço público conseguiram fazer com que o governo recuasse de sua política de reajuste zero”, observa.

O lançamento oficial da Campanha dos SPF ocorrerá no dia 20 de fevereiro, no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). No dia seguinte, representantes das três esferas do serviço público se unem para um seminário no auditório Petrônio Portela, no Senado Federal.

Regulamentação do Direito de Greve

O debate sobre a regulamentação do direito de greve será um dos desafios que os servidores públicos federais deverão enfrentar durante a campanha de 2013. 

A discussão acerca do tema voltou à tona, após a forte mobilização dos servidores, que resultou numa das maiores greves do funcionalismo nos últimos dez anos. 

“Existe um movimento de retirada e flexibilização de direitos dos trabalhadores, como forma de reação à crise que assola o capital. Nesse sentido, o governo continua utilizando instrumentos mais variados para coibir, e até mesmo impedir em alguns casos, a resistência da classe trabalhadora, cerceando o direito de greve”, ressalta Cunha. 

Confira o calendário de ações para o início de 2013

Fórum das Entidades Nacionais dos SPF:
• 22/01/2013: Protocolo dos “Eixos da Campanha Unificada dos SPF”, no MPOG; Esplanada dos Ministérios.

• 27/01/2013: Seminário sobre Negociação Coletiva, Direito de greve, e Acordo Coletivo Especial. Porto Alegre-RS, no Fórum Social Mundial. 

• 20/02/2013: Lançamento oficial da Campanha Unificada dos SPF; às 9 horas, no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados.

• 21/02/2013: Seminário das 03 (três) “esferas do serviço público”, no auditório Petrônio Portela, no Senado Federal. 

Espaço Unidade de Ação

• 22/01/2013: Reunião para definir atividades da Jornada de Lutas 2013

• 17 de abril de 2013: Grande Marcha a Brasília.

FONTE: Andes - Sindicato Nacional

segunda-feira, abril 23, 2012

CSP-Conlutas já é parte da tradição do movimento sindical e popular do país














O I Congresso da CSP-Conlutas vai ser a síntese de quase oito anos de uma nova experiência de organização da classe trabalhadora

Onze de dezembro de 2003. No primeiro ano do mandato do primeiro operário eleito presidente no país, a reforma da Previdência contra os servidores públicos é finalmente aprovado em segundo turno no Senado, apesar dos contundentes protestos da categoria. Uma vez no governo, Lula fazia o que sempre criticava, como ajuste fiscal e acordo com o FMI. E pior, com a ajuda da Central Única dos Trabalhadores, a CUT. 


A CUT, construída no calor do ascenso operário do final da década de 1970 e início dos 1980, deixava de ser um instrumento de luta e organização da classe trabalhadora para se tornar mera correia de transmissão do governo no movimento de massas. A nomeação do ex-presidente da entidade Luiz Marinho para o Ministério do Trabalho, em 2005, deixou ainda mais clara essa relação. A posse do governo do PT marcava assim o início de um processo de uma nova reorganização no movimento sindical do país.

Sindicatos e ativistas combativos começavam a olhar com ceticismo a CUT e iniciava-se um movimento de dispersão. Frente a esse processo objetivo, tornava-se necessário impedir a desagregação dessas forças e preparar os trabalhadores para novas batalhas. As reformas Sindical e Trabalhista estavam na pauta do governo e eram exigidas pelo conjunto da burguesia.

Foi nesse contexto que, em março de 2004, era realizado o Encontro Sindical em Luziânia (GO). A ideia de unir os setores que lutam encontrou eco tão grande que, para um evento em que eram esperadas de 700 a no máximo 1000 pessoas, compareceram 1700 ativistas de todo o país. O encontro aprovou um calendário de lutas e uma coordenação que passou a reunir todos os sindicatos e movimentos que se dispusessem a lutar contra as reformas. Era o embrião do que viria a ser a então Coordenação Nacional de Lutas, a Conlutas.

Em junho de 2004 a Conlutas teve seu batismo nas ruas, com uma marcha a Brasília contra as reformas Sindical e Trabalhista que reuniu cerca de 20 mil pessoas. A partir daí a central sindical e popular passou a se consolidar nas lutas e nos estados, constituindo uma alternativa nacional de organização e luta. 

Consolidação

Embora na prática já estivesse presente na luta de classes do país, a Conlutas foi apenas se firmar oficialmente enquanto entidade no Congresso Nacional dos Trabalhadores, o Conat, em maio de 2006 na cidade de Sumaré (SP). 

Quatro mil pessoas de todo o país representando um milhão e setecentos mil trabalhadores, estudantes e ativistas de movimentos sociais fundaram uma entidade que tinha por objetivo organizar não só os trabalhadores do mercado formal de trabalho, mas também os informais, desempregados e os que estão na base dos movimentos sociais e populares, ou seja, metade da força de trabalho. 

O processo de reorganização segue enquanto a CUT parece aprofundar sua crise. Setores ligados ao PSOL e ao PCB rompem a entidade em 2006 e, infelizmente, numa postura sectária, negam-se a integrar a Conlutas e formam a Intersindical. Pouco depois é a vez da corrente sindical do PCdoB, a Corrente Sindical Classista (CSC), sair da CUT, devido a uma disputa de aparatos, para formar a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB). 

A Conlutas, por outro lado, embora fosse naquele momento a alternativa mais consolidada à esquerda da CUT, manteve sempre seu chamado à unidade de todos os setores combativos. Em março de 2007, por exemplo, seis mil pessoas lotaram o ginásio do Ibirapuera em São Paulo no encontro impulsionado pela Conlutas e que reuniu setores como Intersindical, MTST, CSC, Cobap (Confederação Brasileira dos Aposentados) e até dirigentes do MST.

Em julho 2008, mais um passo para o fortalecimento da Conlutas. O I Congresso da entidade, realizado em Betim (MG), elege a luta contra a burocratização a principal tarefa para o período. A partir daí a entidade vai se firmando e se estruturando nos estados. Sua direção, contudo, refletindo o processo em aberto de reorganização e fragmentação da esquerda e dos movimentos sindical e popular, permanece aberta. Ainda que conte com uma direção executiva, a política geral da Conlutas era definida nas reuniões da coordenação nacional, aberta a qualquer entidade ou movimento.


C
ontradições
O processo de reorganização, porém, mesmo que esteja longe de terminar, não é uma via de mão única. Como tudo na vida, tem as suas contradições. Em novembro de 2009 um seminário de reorganização realizado em São Paulo reúne amplos setores, entre eles uma parte da Intersindical, e define as bases para um congresso de unificação em 2010. Durante meses, ricos debates de preparação ocorrem nos estados, reunindo uma ampla gama de ativistas. 

Em junho de 2010, o 2º Congresso da Conlutas em Santos (SP) aprova a unificação com a Intersindical e outros setores, no Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat). No entanto, a unificação não acontece. A Intersindical e setores como a Unidos Para Lutar (CST, corrente do PSOL), descumprem o que havia sido definido no seminário e não aceitam o critério de que os impasses sejam definidos através no voto na base. Sob o pretexto da polêmica do nome da nova entidade, decidem romper com o processo de unificação.

Por outro lado, o MTL (Movimento Terra, Trabalho e Liberdade) decide se integrar a esse processo, tal como o MTST. A nova entidade, sob o nome de CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular), é fundada no congresso que reuniu 3150 delegados. O nome resgata a tradição e experiência dos últimos anos na construção dessa entidade que se propõe a reunir os trabalhadores e setores oprimidos da sociedade. 

I Congresso
Coincidentemente, o I Congresso da CSP-Conlutas ocorre a poucos dias da aprovação do fundo privado da Previdência pública pelo Governo Dilma, o chamado Funpresp. Um complemento da reforma da Previdência do governo Lula em 2003. Por outro lado, a CUT no último período elegeu a defesa da indústria nacional sua principal prioridade, enquanto os trabalhadores amargam horas extras e precarização. Uma amostra que os desafios colocados à frente do conjunto da classe trabalhadora, quase uma década após a posse do governo do PT, continuam os mesmos.

FONTE: OPINIÃO SOCIALISTA



domingo, abril 15, 2012

Marinalva Silva Oliveira apresenta proposta da Chapa 1, apoiada pela CSP-Conlutas, para as eleições do Andes-SN


As eleições para a diretoria do Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições do Ensino Superior), do biênio 2012-2014, serão realizadas nos dias 8 e 9 de maio. Esse sindicato é filiado à Central e tem sido referencia de independência do governo e de luta em defesa da Educação e dos docentes em todo país.

Duas chapas se apresentaram para a eleição, mas somente a chapa 1 “ANDES – Trabalho Docente e Compromisso Social” apoiada pela CSP-Conlutas foi homologada. A chapa 2 “ANDES-SN para os professores” não atendeu todas as exigências para registro e, por isso, não disputará a eleição.

A chapa 1 tem como presidente  Marinalva Silva Oliveira,  professora da Universidade Federal do Amapá. Para conhecer um pouco mais sobre as propostas da Chapa 1, a CSP-Conlutas entrevistou Marinalva que apresentou suas opiniões, expectativas e proposta para a direção do Andes-SN. Confira:

 CSP Conlutas: Marinalva, você é candidata a presidente do ANDES-SN. Fale um pouco da realidade do trabalho docente.

Marinalva Silva Oliveira - A docência está vinculada à possibilidade de transformação da sociedade, de reinventá-la e reorganizá-la de uma forma mais justa, igualitária e solidária. Entretanto, ao mesmo tempo, luta contra sua submissão ao sistema. Quando se nega ao docente a possibilidade de tempo para pensar, este passa a funcionar para o sistema reforçando as ideologias da classe dominante e, consequentemente, o processo de subjugação do trabalhador.

O ensino superior no espaço privado há muito está nesta condição. No âmbito público, as políticas utilizadas pelos sucessivos governos têm gerado uma universidade de poucos recursos e elevada competitividade. Isso tem conduzido a preocupações comparativas entre os docentes a um ambiente competitivo e estressante e ao adoecimento docente. Os docentes, então, não conseguem mais transformar nada, pois toda a preocupação passa a ser parecer produtivo dentro do sistema adotado. Abandona-se a lógica da transformação e passa-se a construir um ambiente individualizado e auto-centrado onde não há tempo, espaço ou interesse para pensar a sociedade e sua transformação.

Não podemos acatar essa condição, temos que voltar a ser capazes de pensar o mundo, a realidade que nos cerca e de ter alguma possibilidade de transformação social. A universidade humboldtiana, aquela que se define pelo tripé ensino, pesquisa e extensão, como um lócus de resposta aos anseios sociais não pode morrer, não podemos deixar. Precisamos não nos tornar anacrônicos, precisamos ir além da lógica de preparar para o mercado de trabalho, precisamos reconstruir a universidade como um centro do pensar, para então, transformar a sociedade.

CSP Conlutas: O ANDES-SN acaba de realizar um Congresso que teve como um dos centros a defesa da educação pública. Como você vê o quadro da educação superior no Brasil e as políticas do governo federal?

M.S - As políticas do governo federal estão alinhadas com as políticas de organizações internacionais como FMI, BM e OMC que tem como centro de seus interesses o capital e seus donos. Toda a legislação e política adotadas visam entregar o sistema de educação ao mercado, a partir de uma lógica liberalizante, ou seja, tornar a educação um mecanismo rentável, muito rentável para os donos do capital. Para isso o governo vem sistematicamente implodindo as universidades públicas brasileiras. Reduz salários dos trabalhadores e trabalhadoras, reduz recursos diretos às IES, aumenta o número de discentes sem aumento proporcional de docentes e técnicos. Ao mesmo tempo incentiva a iniciativa privada por meio de fomentos como Prouni e FIES, permite cursos de curta duração, amplia a EaD, e amplia a abertura do sistema educacional brasileiro ao capital internacional.

Sob esta lógica, a educação deixa de ser direito, vira mercadoria e quem paga por ela somos nós a custa de endividamentos. A seguir o caminho que o governo vem implementando, só terão acesso a instituições de qualidade aqueles que fizerem empréstimos de longo prazo para bancar a educação dos filhos, como se faz para comprar uma casa.

O ANDES-SN sempre defendeu e continuará defendendo a educação como direito, o caderno 2 que atualizamos no 31º Congresso do sindicato é uma mostra disso. Um ensino público, gratuito, autônomo, democrático, de qualidade e socialmente referenciado que esteja a serviço da construção de uma sociedade justa e igualitária é a nossa meta, e é, além da defesa dos interesses da categoria, a razão de ser do ANDES Sindicato Nacional.

CSP Conlutas: Como está a situação do registro sindical do ANDES?

 M.S -  O Estado tem adotado mecanismos de controle sobre a organização dos trabalhadores e trabalhadoras com o objetivo de retirar direitos dos (as) mesmos (as). O ANDES-SN tem representado oposição a essas políticas e tem lutado arduamente na defesa destes direitos. O governo, por sua vez, tem utilizado contra o ANDES-SN e demais organizações que se lhe opõem, todas as ferramentas a sua disposição, incluindo aquelas oriundas das mudanças implementadas a partir da chamada reforma, ou como nós denominamos, contrarreforma sindical.

Dentre os mecanismos utilizados pelo governo na tentativa de fragilizar a ação dos opositores está o registro sindical, reconhecimento legal para funcionamento de uma entidade sindical. O ANDES-SN, por exemplo, viveu uma parte de sua história sem o registro sindical, embora felizmente nossas ações tenham suplantado esse entrave burocrático. Destaque-se que a tramitação da PEC 369, retomada no parlamento, tende a aprofundar esses mecanismos de controle sobre as entidades sindicais. Dessa forma, as ações quanto ao registro do ANDES-SN ocorrerão nos âmbitos político e jurídico para garantir a concepção sindical classista e autônoma. Ao mesmo tempo, precisamos fazer uma ampla discussão com a base do sindicato e atuar junto com a CSP-Conlutas e outras entidades denunciando os ataques e os objetivos dos mesmos que tem como central a caça da liberdade e autonomia sindical.

Em resumo, o governo tem buscado estabelecer controles rígidos, impedir a liberdade sindical e aprofundar os ataques à capacidade de organização sindical, especialmente contra entidades combativas como o ANDES-SN. Esta é a razão pela qual o registro do ANDES-SN foi suspenso pelo governo, mas isso não deterá os docentes, continuaremos mobilizando para enfrentar a repressão às atividades sindicais da categoria. Vamos resistir aos ataques ao nosso projeto e concepção sindical, pois a força do ANDES deriva não da burocracia, mas dos docentes que o compõem e que labutam na universidade diariamente.

CSP Conlutas: Marinalva, duas chapas se inscreveram para a eleição do ANDES-SN. Quais são os projetos em disputa?

M.S - Duas chapas se inscreveram, mas apenas a nossa Chapa foi homologada, pois a outra Chapa não cumpriu as exigências postas no Estatuto do ANDES e no Regimento Eleitoral.

Nós da Chapa 1 defendemos um sindicato livre, autônomo e combativo que nos represente e que enfrente esse modelo de educação privativa. Lutamos e lutaremos por uma universidade de qualidade, pública e gratuita como política de estado. Uma educação em que o governo invista de fato e não por meio de estratégias enganosas como os editais. Não é possível ficarmos nos digladiando por escassos recursos lançados por meio de editais, enquanto o governo prioriza os interesses do mercado. Defendemos uma entidade classista cujo papel deve ser o de transformação social para tornar a sociedade mais justa e igualitária.
  
CSP Conlutas: Como você vê as relações do ANDES-SN com o processo de organização mais geral da classe trabalhadora no Brasil e, em particular, a relação com a CSP Conlutas?

M.S - O processo de organização da classe trabalhadora é central para o ANDES-SN, pois entendemos não ser possível qualquer possibilidade de transformação social, a partir do interesse dos trabalhadores, sem que haja a aglutinação da classe. Lamentavelmente, com a política liberal e a cooptação sindical assumida por um governo que cresceu por dentro dos sindicatos, a aglutinação está fragilizada.

O ANDES-SN sempre assumiu como central o processo de organização dos diferentes segmentos da classe trabalhadora, de modo que este tema é presente nos nossos congressos e CONAD e em nossas ações cotidianas. Temos nos esforçado para que a luta conjunta dos SPF [Servidores Públicos Federais] ocorra, ocupamos espaços como a CNESF e estamos construindo a CSP-Conlutas que é um instrumento novo e importante na organização da classe trabalhadora.

O ANDES-SN participou ativamente da construção da CSP-Conlutas por entender, após amplas discussões na base, que essa central é fundamental no enfrentamento ao capital e em defesa dos interesses da classe trabalhadora. Só através da unidade de diversos setores que tem enquanto meta uma sociedade justa e igualitária, chegaremos à vitória. Assim, precisamos da CSP-Conlutas como uma organização autônoma, independente e combativa que nos permita enfrentar as condições de expropriação e espoliação a que a classe trabalhadora vem sendo submetida. O ANDES-SN filiou-se à CSP Conlutas, pois entende que ela é um polo agregador absolutamente necessário para a reorganização da classe.

CSP Conlutas: De 27 a 30 de abril teremos o I Congresso Nacional da CSP- Conlutas, em Sumaré/SP. Como vai ser a participação do ANDES-SN?

M.S - O I Congresso da CSP Conlutas, que tem como tema “Avançar na organização de base”, ocorre num momento ímpar para fortalecermos essa entidade classista, democrática para avançar na unidade da luta e na organização de base. Por isso o ANDES-SN participa ativamente de todas as instâncias da CSP-Conlutas. No I Congresso Nacional não será diferente, teremos delegados da diretoria nacional e de seções sindicais cujos posicionamentos quanto às normas estatutárias, organização, expansão e enraizamento da central buscarão tornar a CSP-Conlutas ainda mais forte e atuante no cenário nacional.

CSP Conlutas: Você é professora no Amapá? O que diferencia a atuação de uma educadora nessa região do país?

M.S- Um colega do Amapá escreveu um artigo na revista Universidade e Sociedade do ANDES-SN onde ele situava a nossa instituição na periferia da periferia do capital. De fato, essa é a condição em que nos situamos, estamos deslocados tanto no aspecto geográfico quanto em relação ao centro das decisões. Toda política educacional implementada no centro do sistema financeiro afeta o Brasil e se expressa com mais força em instituições periféricas como aquelas que estão no interior dos estados centrais ou nos estados mais distantes. O Reuni, programa de reestruturação do governo para as universidades federais, é um claro exemplo disso. A Unifap praticamente dobrou seu número de alunos e cursos, mas a contrapartida em termos de melhorias para a instituição é muito reduzida. Técnicos e docentes vivenciam fortemente a superexploração e a queda de qualidade resultante da falta de tempo para se dedicar aos detalhes da função. Por conseguinte, essa falta de qualidade afeta os alunos e o próprio desenvolvimento da região. Então, ser docente na periferia da periferia, significa ter que ser ainda mais forte na luta contra o desmonte da universidade.

CSP Conlutas: Fale um pouco de você, quem é Marinalva Oliveira?

M.S- É muito difícil uma auto-definição, mas vamos lá! Sou professora e pesquisadora com formação em nível de doutorado na área de Psicologia na Universidade Federal do Amapá. Minhas pesquisas estão centradas nos desafios da inclusão escolar e social de pessoas com deficiência, de forma mais específica, crianças com síndrome de Down e atuo na graduação e na pós-graduação. Iniciei no movimento sindical dos bancários e posteriormente no SINDUFAP, seção sindical do ANDES-SN. Sou mulher, mãe e trabalhadora dentro do sistema capitalista, portanto, sofro todas as atrocidades que o mesmo nos traz, mas luto diariamente para superá-las e sonho com outra universidade e sociedade. Uma sociedade livre das opressões e das discriminações!

CSP Conlutas: Quer deixar algum recado para aqueles que acompanham a página da CSP Conlutas na internet?


M.S - Para o contínuo fortalecimento do ANDES-SN e da CSP Conlutas, chamamos os professores e professoras de todo o país a votarem nos dias 8 e 9 de maio na Chapa 1, Trabalho Docente e Compromisso Social. As eleições são diretas, com urnas em todo território nacional possibilitando a todos os sindicalizados e sindicalizadas decidirem quem vai dirigir o Sindicato nos próximos dois anos. Essa forma democrática como o ANDES-SN se organiza, ocorre não só nas eleições, mas em todas as instâncias de deliberações através de CONAD e Congressos. Por isso convidamos todos e todas a se envolver com o contínuo fortalecimento do ANDES-SN votando em defesa da Universidade pública e da valorização do trabalho docente! 

FONTE: CSP-CONLUTAS