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sexta-feira, janeiro 09, 2015

Por que a polícia de Nova York vira as costas ao prefeito












Violenta, racista e acostumada à impunidade, 
corporação não tolera governante que
 optou por constituir uma família multirracial


Em setembro de 1992, a Associação Beneficente dos Policiais (Patrolmen’s Benevolent Association) organizou a invasão da prefeitura de Nova York, por  milhares de policiais, em protesto contra a proposta do então prefeito, David Dinkins, de criar uma agência civil independente para investigar abusos policiais. Os oficiais pisotearam carros, derrubaram barricadas e ocuparam a ponte do Brooklyn. Entre as queixas estava o fato de Dinkins recusar-se a dar-lhes armas semi-automáticas.
Uma das palavras de ordem era “O prefeito está quebrado” (“The Mayor’s on Crack”). O ex-prefeito relatou também que muitos agentes e oficiais o chamaram de “preto” [nigger]. Ele acusou Rudy Giuliani [que seria eleito prefeito em 1994] de estar envolvido com os policiais e levá-los quase ao motim.
“Será que os policiais teriam agido assim se o prefeito fosse branco?”, perguntou em seu livro de memórias, Vida de um prefeito: governando o magnífico mosaico de Nova York (A Mayor’s Life: Governing New York’s Gorgeous Mosaic). “De modo algum. Se tivessem feito isso com Ed Kock, teriam sido todos presos.”
Ironicamente, o Departamento de Polícia de Nova York (NYPD, na sigla em inglês) agiu com desrespeito semelhante com o prefeito atual, Bill de Blasio – que é branco. Embora não tenha chegado exatamente ao mesmo nível de violência e fúria com de Blasio, a luta contra ele não é menos virulenta. O ex-prefeito Rudy Giuliani, o presidente do sindicato do NYPD, Patrick Lynch, e muitos outros da elite do poder no Departamento de Polícia de NY veem em de Blasio o que enxergavam em Dikins: um político não-branco que ousa desafiar o velho e bom sistema de policiamento com impunidade.
Embora de Blasio não seja negro, sua família é. Sua mulher, Chirlane McCray, a filha, Chiara, e o filho, Dante, são parte da mesma população que o NYPD vem brutalizando há décadas. De Blasio fez campanha em favor de uma reforma no sistema policial e o adolescente Dante figurou numa peça publicitária declarando que, se eleito, seu pai acabaria com os “enquadros” para revistas. Uma vez prefeito, de Blasio colocou um fim à defesa dessa tática de policiamento na cidade. Os agentes e oficiais do NYPD viram nisso uma ofensa pessoal. Daquele momento em diante, ele tornou-se o Inimigo Público nº 1 do NYPD.
No começo de dezembro, depois de um tribunal decidir pelo não indiciamento do policial que causou a morte de Eric Garner, de Blasio expressou, numa igreja de Staten Island, aquilo que muitos pais negros nova-iorquinos vêm dizendo há anos a seus filhos: que teme pelo filho, se ele algum dia for parado pela polícia.
“Isso me toca profunda e pessoalmente”, disse ele. “Estava outro dia na Casa Branca e o presidente dos Estados Unidos, que conheceu Dante há alguns meses, virou-se para mim e disse que Dante o fazia recordar-se de si próprio na adolescência. Disse ainda: sei que você vê essa crise por uma lente muito pessoal. Respondi que sim. Porque, durante anos, Chirlane e eu tivemos de conversar com Dante sobre os perigos que ele poderia enfrentar. Um rapaz bom, jovem obediente à lei, que nunca pensaria em fazer nada de errado, e apesar disso, por causa da história que ainda paira sobre nós, enfrenta esse perigo. Tivemos que treiná-lo, literalmente, como têm feito famílias da cidade inteira, durante décadas, para ser especialmente cuidadoso em qualquer encontro que venha a ter com policiais – cuja função seria protegê-lo.”
Essa declaração – expressa cuidadosamente e articulando a vida como é vivida por muitos negros novaiorquinos – enfureceu o NYPD e sua enraizada cultura de supremacia branca. A polícia, em especial o chefe do sindicato, Lynch, declarou uma guerra vil ao prefeito que ousa questionar o status quo. A sugestão de que policiais possam ser despojados do seu ilimitado direito de agir como criminosos é assustadora para os agentes que vêm brutalizando minorias em Nova York, impunemente, há anos. O que há por trás dessa fúria? Não consigo pensar em nada além de racismo. Foi um desrespeito profundo os policiais virarem as costas a de Blasio quando ele falou no funeral do oficial Rafael Ramos [e de Wenjian Liu], mas eles vão mais longe, ao instigar o ódio de raça.
Como relatou Max Blumenthal, da Alternet, no fórum online On Thee Rant, oficiais do NYPD, da ativa e aposentados, costumam usar linguagem racista ao referir-se a de Blasio e a afro-americanos:
Quando o prefeito contratou uma ex-colaboradora de Sharpton, Rachel Noerdlinger, como chefe de gabinete de sua esposa, Chirlane McCray, e defendeu Noerdlinger de uma torrente de ataques da imprensa por seu relacionamento com um ex-presidiário e os posts no Facebook de seu filho referindo-se aos policiais como “porcos”, o ódio do NYPD explodiu.
No forum Thee Rant, os comentários concentraram-se na raça de Noerdlinger (ela é negra) e no seu gênero. Enquanto alguém a descrevia como “uma porra de uma erva daninha num depósito de lixo de vida baixa POS”, outro oficial escreveu sobre ela e seu parceiro: “A cadela vai cutucando a bunda do mofo [do inglês mother fucher], se é que ainda não fez isso, para fazer barulho de negros no tribunal e ele começará a massacrá-la, e então o júnior irá saltar e agarrar seu pescoço!”
“Eles nasceram PR_ _OS, vivem como PR_ _OS e geralmente morrem como PR_ _OS”, acrescentou outro policial. Essa linguagem era típica dos comentários no fórum quando o nome de Noerdlinger era mencionado.
Os fatos e números falam por si. Nos últimos 20 anos, o NYPD praticou brutalidade impunemente contra minorias, no governo dos prefeitos de Giuliani e Bloomberg. De 2001 a 2013, 81% dos que receberam intimações em consequência da política de “janelas arrombadas” eram negros ou latinos; nove entre dez dos que foram parados para revista não eram culpados de crime nenhum. Outro relato do New York Daily Newsrevela que, nos 179 tiroteios que envolveram policiais nos últimos 15 anos, 86% das vítimas eram negras ou hispânicas quando havia informação sobre raça. Apenas três policiais foram indiciados naqueles casos; só um foi condenado.
A mulher, o filho e a filha do prefeito de Blasio poderiam facilmente estar entre essas estatísticas, e de Blasio sabe disso. Seu desejo de promover uma reforma na polícia não se deve apenas à proteção das minorias; ele sabe que os membros de sua família negra correm sempre o risco de ser vitimizados por um policial perigoso. Para ele, é uma questão pessoal. Mas é também pessoal para a estrutura de poder branco no NYPD. Eles odiaram quando Dinkins tentou conter práticas abusivas e tornar a polícia mais responsável, e ficam talvez mais enfurecidos quando o prefeito tenta lhes dizer que têm de tratar melhor pessoas negras e mestiças.
O NYPD não gosta sequer dos seus próprios oficiais negros. Em 2004, 50 policiais negros e latinos entraram com uma ação coletiva contra o NYPD alegando preconceito racial no sistema disciplinar do departamento; a prefeitura fez um acordo de 25 milhões de dólares para encerrar o caso. Se o NYPD discrimina seus próprios policiais, não é exagero acreditar que não gosta nada de servir um prefeito que deseja acabar com a discriminação racial em suas fileiras. Creio que Lynch e muitos outros no NYPD não odeiam só de Blasio — eles odeiam sua família, por representar uma população da cidade que o prefeito manifestou interesse pessoal em proteger.
Para policiais racistas, o fato de de Blasio levar sua família negra para a mansão da prefeitura no Upper East Side, bairro exclusivo e branco, é o equivalente a um latifundiário casar-se com uma escrava negra e trazê-la para dentro da Casa Grande. Demandar uma reforma no NYPD é como pedir a donos de escravos que aceitem a Abolição da Escravatura.
Antes de seguir adiante, é preciso dizer como entendo o policiamento nos Estados Unidos. Considero o policiamento como descendente do US Marshals Service, agência acusada de perseguir escravos foragidos. Na minha visão, o policiamento nas cidades norte-americanas lembra muito os dias de perseguição aos escravos. Para muitos policiais brancos uniformizados, a arma fornecida pelo departamento equivale ao chicote do feitor.
Por décadas, o NYPD vem batendo em negros e latinos nova-iorquinos para submetê-los, e estamos fartos disso. Os protestos em Nova York refletem essa frustração e é isso que é tão ameaçador para Lynch. Ele sabe que o homem que matou os dois policiais no Brooklyn não tinha conexão com os protestos, mas tratou de criminalizar os manifestantes, assim como o NYPD faz, cotidianamente, com negros e mestiços nova-iorquinos. A tentativa de Lynch de criminalizar os manifestantes pacíficos é uma tática diversionista extraída diretamente do manual de supremacia branca. Não está funcionando e Lynch percebe isso.
Sabemos que de Blasio não é perfeito. Os ativistas não gostaram quando ele pediu que parassem de protestar, até que os dois oficiais assassinados fossem enterrados, mas a maioria não o vê como o problema principal. Os manifestantes querem reformar o sistema, com de Blasio no governo ou não.
Os ataques contra ele não têm nada a ver com sua política. Trata-se, isso sim, de um prefeito que expressa publicamente a preocupação com sua família negra, a qual é tão semelhante aos nova-iorquinos que os policiais vêm aterrorizando há anos. Para Lynch e muitos no NYPD, a possibilidade de alguém tentar colocar rédeas nessa brutalidade é insuportável.
FONTE:Outras Palavras / POR Terrel Jermaine Starr  editor senior no AlterNet

quinta-feira, dezembro 18, 2014

Casal Obama revela experiências pessoais com discriminação racial











 Casal Obama revela experiências pessoais com discriminação racial''O que nós tentamos explicar é que a história nem sempre se move na velocidade que nós gostaríamos, que ainda existem vestígios de escravidão'', disse Obama.
Os Obamas afirmaram terem se engajado na discussão racial com suas filhas Sasha e Malia desde que elas eram pequenas.

Barack e Michelle Obama contam suas experiências com o racismo em uma entrevista para a revista semanal de celebridades "People", publicada nesta quarta-feira, 17.

A primeira-dama relembrou um incidente na loja de departamento Target, onde teria sido confundida com uma vendedora.

Seu marido Barack contou que passou por situação parecida em um jantar de gala, quando acharam que ele era um dos garçons. Obama contou ainda que já foi confundido com o manobrista.

"Não existe um homem negro da minha idade que não tenha esperado do lado de fora de um restaurante pelo seu carro sem que alguém o tenha entregue as próprias chaves", disse o presidente.

Michelle Obama acrescentou: "ele estava usando terno em um jantar de gala, quando alguém o pediu que pegasse café".

As reflexões do casal foram feitas em um momento de debate nacional sobre o racismo e discriminação racial nos Estados Unidos, após uma série de mortes de homens negros desarmados pelas mãos de policiais brancos.

O presidente americano foi rápido em pôr suas próprias experiências no contexto de indignação sofrido por gerações anteriores e casos recentes.

"A pequena irritação que nós experimentamos não é nada comparado ao que gerações anteriores passaram", afirmou Obama.

"Ser confundido com um garçom em uma festa de gala é uma coisa. Confundirem meu filho com um ladrão e algemarem-no, ou coisa pior, enquanto ele anda na rua vestindo roupas que adolescentes usam, é uma história totalmente diferente", frisou.

Os Obamas afirmaram terem se engajado na discussão racial com suas filhas Sasha e Malia desde que elas eram pequenas.

"O que nós tentamos explicar é que a história nem sempre se move na velocidade que nós gostaríamos, que ainda existem vestígios de escravidão e Jim Crow", completou Obama, referindo-se a um momento histórico nos Estados Unidos de forte segregação racial.

"Embora as coisas tenham melhorado enormemente, esses preconceitos ainda existem", lamentou.

FONTE: o povo.com

sexta-feira, maio 03, 2013

Primeira ministra negra da Itália sofre racismo da oposição


Cecile Kyenge, de 48 anos, nascida no Congo, tornou-se recentemente a primeira ministra negra da Itália. Apesar de quebrar paradigmas, ela  já enfrenta duras críticas e até o racismo da oposição. O deputado Mario Borghezio chamou o novo governo de “bonga bonga”- uma referência ao “bunga bunga”, como ficaram conhecidas as orgias promovidas pelo ex-premier Berlusconi quando estava no poder.
Em uma entrevista a uma rádio italiana, Borghezio afirmou que Cecile tentaria “impor as tradições tribais” do Congo à Itália com seu projeto que dá cidadania imediata aos filhos de imigrantes que nasçam no país, que hoje têm de esperar até completar 18 anos para requerer a cidadania. A repulsa gerada pelas declarações fez com que o governo autorizasse, nesta quarta-feira, a abertura de uma investigação de páginas fascistas na internet, cujos membros chamaram Cecile de “macaca congolesa”.


A congolesa respondeu aos insultos pelo Twitter e agradeceu aos que saíram em sua defesa. “Acredito que até mesmo a crítica pode informar se for feita com respeito”, escreveu. Cecile deixou o Congo há 30 anos para estudar medicina na Itália. Oftalmologista, ela vive em Modena, com seu marido italiano e seus dois filhos. Foi uma ativa integrante da centro-esquerda local até que conseguiu uma cadeira na Câmara de Deputados nas eleições de fevereiro.
Na semana passada, a médica foi escolhida pelo primeiro-ministro Enrico Letta como ministra de Integração, para integrar o governo híbrido formado por ele. Josefa Idem, ex-canoísta e ministra das Oportunidades Iguais, ordenou que o Escritório Nacional Antidifamação investigue sites de extrema-direita que chamaram Cecile de “Zulu” e “negra anti-italiana”.

- Estou fazendo isso na minha qualidade de ministra das Oportunidades Iguais, mas acima de tudo como mulher – disse a alemã de 49 anos, que como Cecile se casou com um italiano e tem dupla cidadania. – A polícia deveria fechar esses sites.
Os comentários do Borghezio foram repudiados inclusive por membros de seu próprio partido, a Liga Norte, conhecida por suas posições xenófobas. A candidata à Prefeitura de Verona, Manuela del Lago, disse que estava “absolutamente enojada” pelas declarações. Cecile também recebeu apoio do astro da seleção italiana Mario Balotelli, filho de pais ganeses, nascido na Sicília e adotado por italianos, ele mesmo acostumado a manifestações racistas em estádios do país.
- A sua indicação é um grande passo para uma sociedade italiana mais civilizada, mais responsável e mais ciente da necessidade de uma integração definitiva – disse o jogador.
Em seu discurso de apresentação no Parlamento, Letta descreveu a nomeação de Cecile como “um novo conceito no qual as barreiras dão lugar à esperança e limites insuperáveis dão lugar a uma ponte entre as diferentes comunidades”. A prioridade da ministra de Integração é o direito à nacionalidade italiana por nascimento. Atualmente a cidadania italiana se determina por filiação (direito de sangue).
- Provavelmente vou encontrar resistência, termos que trabalhar muito para chegar a isto. Uma criança, filha de imigrantes, que nasceu e cresceu aqui, deve ser cidadã italiana – afirmou Cecile.

FONTE: REVISTA AFRO
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quarta-feira, março 20, 2013

21 de março: Contra a Discriminação Racial



O “Dia Internacional Contra a Discriminação Racial” nasceu como protesto contra um ato de violência racista, praticado por instituições do Estado. Em 21 de março de 1960, estudantes da cidade de Shaperville, África do Sul, protestavam contra o regime do Apartheid.

Durante a manifestação o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas, e ferindo outras 186.

O episódio ficou conhecido como o “Massacre de Shaperville”. O movimento negro exigiu da ONU (Organização das Nações Unidas) que a data fosse instituída como o “Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial” para a reflexão sobre a luta do povo negro contra o racismo.
Passados mais de 50 anos, a violência racial, particularmente a “institucional”, continua sendo uma das faces mais visíveis e asquerosas do racismo mundo afora.

Na própria África do Sul, no ano passado, o mundo assistiu estarrecido ao massacre de dezenas de mineiros negros em Marikana.

Na Europa em crise ou nos guetos dos Estados Unidos, homens e mulheres negros, latinos e migrantes, também são alvos constantes das forças de repressão do Estado.

No Brasil, durante um trote na Universidade Federal de Minas Gerais, uma estudante aparece numa foto acorrentada, pintada com tinta preta e obrigada a usar uma plaquinha pendurada no pescoço com os dizeres “Caloura Chica da Silva”, evidenciando uma ridicularização das mulheres negras e fazendo menção à escravidão.

Foi eleito para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Marco Feliciano (PSC-SP). O parlamentar é acusado de dar declarações racistas e homofóbicas.

Está mais do que evidente que o racismo não acabou e devemos combatê-lo. Por isso, vamos lutar por uma sociedade mais justa e igualitária, onde não haja opressores e nem oprimidos, onde não haja exploradores, nem explorados!

Ato e panfletagens contra o Racismo

Assim como milhares foram às ruas contra as declarações racistas de Feliaciano, neste dia 21 março, o Quilombo Raça e Classe, o MML, a Anel e a CSP-Conlutas-MG irão realizar um ato em frente à Faculdade de Direito da UFMG. O protesto será contra o trote racista e machista ocorrido na ultima sexta- feira. O movimento orienta também as entidades a realizarem panfletagens em alusão à data, pelo país. 

NÃO AO GENOCÍDIO DA JUVENTUDE NEGRA

A cada 25 minutos um jovem negro é morto no Brasil, segundo dados do próprio governo. Já o Mapa da Violência no Brasil (2012) revelou que a possibilidade de que um jovem negro, de 15 e 24 anos, seja assassinado é 139% maior do que de um branco. E o fato de que é o racismo que se encontra por trás destes números – e de que as políticas governamentais não levam isto em conta – fica evidente em outro número assustador: entre 2001 e 2010, enquanto o número de vítimas brancas, de 15 a 24 anos, caiu 27,5%; as vítimas negras aumentaram em 23,4%. É diante deste cenário lamentável, que o Quilombo Raça e Classe, neste 21 de março, lembra que a única forma de acabar com a violência, assim como aconteceu em relação à brutal violência da escravidão, é de uma forma “quilombola”, como Zumbi e Dandara nos ensinaram: na luta, independente dos poderosos, ao lado dos oprimidos e explorados. 

TRABALHADORAS NEGRAS: NOSSA LUTA É TODO DIA!

As mulheres negras ocupam o subemprego, com baixa remuneração, insalubridade e sem proteção trabalhistas e vivem em sua maioria nas periferias. O machismo aliado com o racismo tem dose dupla de crueldade às mulheres negras que sentem e sofrem duas vezes a opressão e a exploração.

Recentemente foi comemorado o 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, que surgiu como um marco de luta e resistência da mulher trabalhadora devendo servir para colocarmos em evidência nossas principais reivindicações por direitos iguais. Que para a mulher negra trabalhadora, avançamos pouco na luta contra o racismo ao longo da nossa  história no Brasil.

A nossa luta é todo dia, somos a resistência que luta por uma sociedade que rompa com o machismo e o racismo.

FONTE: QUILOMBO RAÇA E CLASSE

LEIA TAMBÉM: “Dia Internacional Contra a Discriminação Racial”
http://guebala.blogspot.com.br/2010/03/dia-internacional-contra-discriminacao.html

terça-feira, dezembro 18, 2012

Torcedores do Zenit lançam nota racista










Mensagem de grupo de torcedores defende que a não presença de jogadores negros ou homossexuais reforçaria a identidade do clube russo


Um grupo de torcedores do Zenit publicou nesta segunda-feira um manifesto onde demonstra a sua oposição à contratação de jogadores negros ou homossexuais. A intenção, segundo os próprios autores do texto, é manter intacta a identidade do clube russo.

“Não somos racistas, porém para nós a ausência de jogadores negros no Zenit é uma importante tradição, que reforça a identidade do clube. Somos contra também à presença de jogadores pertencentes à minorias sexuais“ diz trecho do comunicado.

A nota, que teve repercussão em toda a Rússia, continua o seu texto defendendo a não inclusão também de jogadores de outros continentes.

“Pelo fato do Zenit ser o clube mais ao Norte das grandes cidades europeias, nunca teve vínculos com África, América Latina, Austrália ou Oceania. Não temos nada contra a população destes continentes, porém queremos que pelo Zenit atuem somente jogadores com afinidade da nossa mentalidade” apontam os extremistas.

Os torcedores do Zenit são considerados os mais violentos do futebol russo. 

No texto há ainda referência ao atacante brasileiro Hulk, ao meia belga Witsel e ao zagueiro português Bruno Alves por serem considerados negros, e portanto não poderiam defender a equipe.

“Agora o Zenit nos está impondo jogadores negros quase à força, e isto causa uma reação negativa”.

Como resposta, o clube saiu em defesa de seus jogadores. O atual campeão russo publicou uma mensagem reprovando a posição do grupo de torcedores.

“Os jogadores não são escalados em nosso time com base em sua procedência étnica ou cor da pele, mas por suas qualidades e conquistas esportivas. A política do Zenit está dirigida para o desenvolvimento da integração dentro do esporte e combate posturas arcaicas”, afirma.

O Zenit também lembrou que o comportamento dos radicais não reflete o pensamento da maior parte de sua torcida. “O Zenit sempre se destacou por sua tolerância, e sempre teve em suas fileiras jogadores de diferentes origens e credos. Nosso clube conta com um exército de milhões de torcedores e admiradores em todos os continentes”, finalizou a nota do clube.

FONTE: EBAND

terça-feira, julho 19, 2011

Brasileira eleita Miss Itália no Mundo é vítima de racismo em site nacionalista





Moradora do interior de SP, ela avalia se fará queixa por injúria racial. Silvia Novais, de 24 anos, recebeu ofensas racistas em página na internet.


A brasileira Silvia Novais, modelo de 24 anos, 1,77 m e 55 kg, eleita na semana retrasada Miss Itália no Mundo 2011, passou a sofrer ataques racistas de grupos de intolerância pela internet desde que venceu o concurso na Europa como a mais bela descendente de italianos. Seu bisavô materno nasceu em Florença, mas isso não impediu que ela escapasse do preconceito.

Logo após superar outras 39 candidatas na final, no dia 3 de julho, em Reggio Calabria, Sul da Itália, Silvia teve sua foto como miss reproduzida em um fórum de discussão de um site internacional de nacionalistas brancos, alguns adeptos de Adolf Hitler e contrários à escolha dela como miss. Abaixo da imagem da baiana com a coroa e a faixa, foram feitas diversas ofensas racistas. Num dos insultos, ela foi xingada em inglês de “negra nojenta”. Também há comentários em português e em italiano.

A disgusting negra can't be italian, maybe she has an italian grandfather of grandfather of grandfather...”, escreveu um dos membros do site Stormfront.org, em um dos comentários do fórum ‘Brasileira vence concurso Miss Itália no Mundo 2011’, iniciado em 10 de julho. Numa tradução livre para o português, ele disse: “A negra nojenta não pode ser italiana, talvez ela tenha um avô italiano do avô do avô ...

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de São Paulo, investiga o Stormfront (frente de tempestade) por suspeita de ser uma comunidade neonazista que recruta brasileiros. O grupo foi criado na internet nos Estados Unidos no início dos anos 1990 e já arregimentou muitos paulistas com o slogan “White Pride World Wide” (algo como Orgulho Branco Mundo Amplo). Segundo a polícia, para difundir a manutenção e expansão da raça branca, seus integrantes combinam ataques a negros, judeus, homossexuais, nordestinos e imigrantes ilegais.

O G1 não conseguiu localizar os responsáveis pelo Stormfront para comentar o assunto. No site, há citações e fotos de oficiais de Hitler, suásticas e símbolos nazistas. Também há um recado em inglês que informa os visitantes sobre o conteúdo que vão encontrar: "Somos uma comunidade de nacionalistas brancos. Há milhares de organizações que promovem os interesses, valores e patrimônio de não brancos. Promovemos o nosso. Você está convidado a navegar nos nossos 7 milhões de postos, mas você deve se registrar antes de postar em qualquer fórum, exceto aqueles designados como aberta a convidados”.

O Stormfront ainda informa que sua "missão é fornecer informações não disponíveis nos meios de comunicação controlados e construir uma comunidade de activistas Brancos, trabalhando para a sobrevivência de nosso povo".

Dentre as regras de postagem dos comentários no site estão: "Não use linguagem abusiva, vulgar ou desrespeitosa. Evite epítetos raciais. Não faça críticas pessoais a outros usuários que são cruéis, duras ou agressivas".

Apesar disso, investigadores afirmam que isso não é seguido pela comunidade do Stormfront, que é considerada neonazista. Segundo os policiais, ainda não foi possível identificar quem produz o conteúdo do site.


Miss

Procurada pelo G1 para comentar as mensagens racistas que sofreu na web por ter ganho o concurso de Miss Itália no Mundo, Silvia afirmou que ficou bastante triste com as ofensas. “Minha mãe é negra, mulata e meu pai é branco. Me considero negra e tenho orgulho da minha cor. Por esse motivo, não gostei dos comentários”, disse a miss, que mora com a família em Campinas, no interior de São Paulo.

O próximo passo da miss será estudar junto com seu advogado a possibilidade de registrar queixa crime de injúria racial contra quem a ofendeu no site. Injúria é atribuir a alguém fato negativo que ofenda sua honra, dignidade e decoro. A pena para esse tipo de crime pode resultar em prisão. Em alguns casos, as vítimas também pedem indenizações por danos morais em ações judiciais.

“A liberdade de expressão não pode ser usada para propagar racismo. Divulgar fotos minhas nesse site representa me eleger alvo do movimento neonazista”, disse Silvia.

A miss viu os xingamentos ao lado do namorado, Maurício Montrezol, empresário de 26 anos, que é branco. “É triste ver como existem pessoas assim em pleno século 21. O Brasil é um país miscigenado e é lindo ver a mistura de raças no mundo. Para que tanto ódio comigo? Eu não sei falar italiano, mas vou aprender. E só segui o que estava no regulamento do concurso. Eles aceitam representantes de descendentes da beleza italiana até a quinta geração. Meu avô materno era italiano.”

'Criada de Nero'

Em outro post do site Stormfront, um participante, que disse morar em São Paulo, chamou Silvia de “criada” de Nero (imperador romano, considerado tirano por alguns historiadores). “Isso é beleza italiana? Se fosse na Roma antiga, essa 'italianinha' seria uma criada de Nero!”, escreveu um integrante da comunidade.

"Era só o que faltava... Alguém está vendo alguma 'beleza italiana' nessa brasileira do dia a dia? A mulher que me atende na padaria da esquina da minha casa é mais bonita que a vencedora desse concurso... As pessoas em geral não têm mais o conceito de beleza, nem isso se tem mais! Estamos definitivamente perdidos ... O que deseja essa horda de escravos, de traidores, de reis conjurados?", disse outro integrante, responsável por criar o tópico de discussão sobre a vitória de Silvia no Miss Itália no Mundo.

Várias pessoas fizeram comentários ("Acho que isso que fizeram com ela se chama caridade!”; era só o que faltava: cotas para concurso de miss...; foram para a final uma negra, uma outra menina e uma prima minha (linda, loira de olhos verdes). Adivinhem quem levou o título de miss? A nega claro...")

A baiana mostra a bandeira do Brasil após vitória em concurso na Itália (Foto: Divulgação)
A baiana mostra a bandeira do Brasil após vitória
em concurso na Itália (Foto: Divulgação)

Preconceito na carreira

Formada em educação física e trabalhando como modelo, Silvia disse que essa não é a primeira vez que é vítima de racismo. Apesar de ter disputado o Miss Itália no Mundo, ela conta que não sofreu preconceito no país europeu, mas sim no Brasil. Mas em nenhuma dessas vezes, ela quis registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil por injúria racial.


“Em 2009, quando fui escolhida Miss Campinas e depois Miss São Paulo sofri preconceito. Algumas pessoas que conheço também fizeram comentários racistas por causa da minha cor. Disseram que eu estava mais para empregada doméstica. Na plateia do Miss São Paulo, minha mãe também escutou insultos, como que a empregada dessas pessoas era mais bonita do que eu. E que era um absurdo uma negra ganhar. Mas por mais que eu tenha sofrido ao escutar essas coisas, fiquei na minha e venci”, disse Silvia, que é do casting da Agência de Modelos Monica Monteiro.

Disposta a quebrar barreiras, a miss Itália no Mundo quer continuar a carreira de modelo, mas disse que é difícil encontrar trabalho em um mundo fashion que parece valorizar mais os brancos aos negros e mulatos. “Estive pensando nessa semana que a primeira miss Brasil negra foi a Deise Nunes em 1986. Num país cheio de tantas misturas e negras lindas é raro ver uma negra ganhar o Miss Brasil.”

Os próximos passos de Silvia são: se casar com o namorado e estudar italiano. “Ele [Maurício] me aceita como eu sou e me incentiva muito a superar esse racismo e o preconceito que existem no meu trabalho. Agora estou estudando italiano. E estou na luta. Vou vencer essa barreira do preconceito.Me considero negra, com o maior orgulho.”

FONTE: G1

LEIA TAMBÉM: Candidatas negras ao Miss Universo sofrem racismo em site nacionalista http://guebala.blogspot.com/2011/09/candidatas-negras-ao-miss-universo.html

terça-feira, março 23, 2010

Copa do Mundo na África do Sul é oportunidade para combater o racismo, diz ONU





A Copa do Mundo que será realizada na África do Sul, em junho, é a oportunidade para que os países se unam no combate à discriminação racial, tendo como palco o local onde havia um regime de segregação, diz a alta comissária dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, Navi Pillay. Para Pillay, é fundamental que os dirigentes esportivos aproveitem a realização dos jogos para defender o fim das diferenças raciais e das agressões.

Segundo a alta comissária, o papel do esporte é essencial no que ela chama de “luta” contra o racismo. “O papel do desporto na mudança de atitudes em relação ao racismo é potencialmente imenso especialmente em esportes como o futebol, que atraem grande e apaixonado público”, disse Pillay, nas comemorações do Dia Internacional de Eliminação da Discriminação Racial, realizadas ontem (21).

De acordo com a alta comissária, o fato de a Copa ser realizada na África do Sul deve servir como exemplo pela história do país que viveu o regime de apartheid, que durou 42 anos, instituindo direitos e obrigações distintos para brancos e negros.

“O simbolismo da Copa do Mundo de 2010 que se realiza pela primeira vez em um estado africano e especialmente em um país que foi durante muitos anos sinônimo de racismo institucionalizado é importante”, disse Pillay.

Em seguida, Pillay acrescentou que o “racismo no esporte continua a ser um problema em muitos países e muitas modalidades [esportivas]. Eu apelo aos administradores esportivos em todos os lugares a seguir o exemplo de duas das autoridades do mundo de futebol, como a Fifa [Federação Internacional de Futebol] na elaboração de campanhas sérias para erradicar o racismo”.

A alta comissária da ONU lamentou que, apesar dos esforços, nos últimos anos, há registros de vários episódios de discriminação racial em estádios de futebol. “Nos últimos anos tem ocorrido uma série de incidentes vergonhosos nos estádios de futebol, quando os fãs de uma equipe de futebol agridem adversários utilizando o racismo”, disse ela.

Porém, Pillay ressaltou que é necessário observar que o futebol tem promovido também a integração entre povos e o fim da discriminação. “Apesar dos problemas que ainda existem. É preciso reconhecer que o esporte tem, em vários países, atuado na luta contra o racismo e produzido resultados significativos com o apoio de organização não governamentais e participação ativa de um número de jogadores influentes”, afirmou.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL