Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

sábado, julho 06, 2013

Bip Bip, o recanto encantado

No bar do Alfredinho ouve-se ótima música, 
afina-se a cultura e apura-se o debate político


Bip bip, no Rio de Janeiro, é sinônimo de boa música e solidariedade. Barzinho frequentado por gente que entende de cultura e política, bem como por turistas inteligentes, não é tão conhecido quanto merece. Sua fundação remonta ao 13 de dezembro de 68, data funesta para a história brasileira: naquele dia foi decretado pela ditadura o Ato Institucional nº 5. Mas a ironia da sorte não podia ser mais bizarra: no coração de Copacabana, junto ao terror, surgia então uma experiência de paz, cultura e fraternidade.
Chegando ali durante o dia, na Rua Almirante Gonçalves (que, na verdade, é uma pequena praça), é quase impossível reconhecer o minúsculo boteco: abre mais ou menos às 19h30 e, antes não passa de uma porta de ferro anônima, no bairro-kasba que foi tão badalado tempos atrás. Mais tarde, a transformação. Chega primeiro o dono, Alfredo Jacinto Melo (o Alfredinho), e depois segue a procissão de amigos, músicos e fregueses, em crescente participação, até noite alta. Nas paredes, antigas fotos e desenhos, caricaturas, artigos de revistas para atualização dos clientes.
As guias turísticas sem exceção confirmam que a música, prato forte do lugar, é excelente. A atmosfera é ainda melhor. Os músicos, de todos os gêneros – da bossa nova ao choro –, sejam eles amadores ou profissionais, tocam de graça. Não existem garçons, porque o gerente único, chefe carismático ou patrão que seja, é ele, Alfredinho. Sentado à porta, à frente de sua mesinha, levanta-se de vez em quando noite adentro para encher seu copo e controlar fregueses pouco silenciosos. Cada cliente se serve sozinho: abre a geladeira e recolhe o que mais gosta, passa na porta e deixa nome e consumação no livro-caixa remendado de Alfredinho. Na hora de sair, o cliente paga, por iniciativa própria, os preços honestíssimos. O latão para as doações está sempre à vista e frequentemente incrementado. Quer dizer, trata-se de uma experiência bem-sucedida de autogestão.
“Nós do Bip, nunca eu”, gosta de dizer o mestre, “porque nem Pelé fazia gol sozinho.” Mas é fato que o grande mérito desse pequeno milagre é dele. Comprou o ponto em 84 e, de maneira singular, imprimiu sua alma no lugar. Genius loci, diziam os latinos. Carioca de carteirinha, 70 anos, aspecto carrancudo e voz rouca, a sair com certo esforço, poderíamos defini-lo, de todos os pontos de vista, acentuadamente lulista. A realização do Bip Bip, como hoje conhecemos o boteco, foi o resgate de uma vida. “Tive infância e adolescência sacrificadas, muito pobre”, lembra Alfredinho, falando baixo: “... chorava quando passava na frente do Colégio Pedro II, porque não podia estudar. Quando comecei a fazê-lo, de noite,  dormia três horas e, ao levantar, tomava chuveiro com água de poço. O que me animou foi a vontade de ficar menos ignorante a cada dia que passava”.
“Fui burro a adolescência inteira: só pensava em futebol, futebol, futebol! Dali a pouco, comecei a ler nossos escritores. Iniciei com Jorge Amado, e me deu uma aflição muito grande pelo tempo que eu perdi. Estudei até a universidade, enquanto trabalhava, porque queria ser advogado dos pobres. Mas depois fui convencido pelo meu professor de que não teria tido espaço, que o Direito era coisa muito séria e eu, que não tinha condições, desisti.”
A paixão pelo futebol continua (ele é torcedor do Botafogo), mas praticada com certa frieza, por causa “dos escândalos de dirigentes corruptos” e da inaceitável decadência comercial do esporte. Além dos estudos, das leituras e do menor apego ao futebol, foi a recusa à corrupção que, para Alfredinho, abriu as portas de uma vida diferente. Ele trabalhava como “corretor de fundos públicos” e, quando o jogo se fez pesado, “tinha duas opções: ficar e virar milionário ou fugir da corrupção”. optou pelo Bip Bip.
Essa história pessoal reflete a identidade do barzinho, reconhece Alfredinho: é compromisso com os pobres, através da arte, da cultura e da solidariedade. É opção pela qualidade de vida, com relativa indiferença pelo dinheiro. “Vários personagens, até chineses, já me propuseram um bom dinheiro para transformar isso tudo em algo mais comercial, mas eu fico na minha. Não dá para abandonar tudo o que construímos.”
“Além dos amadores, passaram por aqui os maiores músicos brasileiros, mas, por elegância, não quero citá-los, não quero correr o risco de esquecer ninguém”, diz Alfredinho. Além disso, o bar, que foi comprado para ser só ponto de encontro entre amigos, hoje cuida de lançamento de livros, CDs, exposições de arte e projetos sociais.  A partir de julho, o sábado, em que não há música, será dedicado a organizar palestras de intelectuais amigos, “para difundir pensamento. Aqui a garotada discute cultura e política... e, depois da conversa, cineclube”.
O lado social do Bip Bip começou com a parceria de Betinho e hoje compreende  assistência e capacitação para crianças de Vila Isabel, distribuição de 40 cestas básicas mensais e dezenas de projetos contra a pobreza, financiados com doações de amigos/clientes e venda de mercadoria solidária. Comovedor é o almoço de Natal, com 700 refeições para qualquer pobre que passa. Hoje em dia, o barzinho pode ser definido, sem temor de desmentido, o único exercício comercial sem fins lucrativos.
O estranho nome Bip Bip foi dado em 68 pelos fundadores, que admiravam os primeiros foguetes russos daquela época, mas sem querer atribuir conotação política alguma, como algum malicioso poderia suspeitar. Era só o fascínio pela conquista do espaço, a velocidade: daí o onomatopaico Bip Bip, nome que contradiz o estilo e os ritmos da casa de hoje, lentos e serenos.
FONTE: CARTA CAPITAL / Claudio Bernabucci
TAGS: MÚSICA CULTURA BOTAFOGO BARZINHO RIO DE JANEIRO BIP BIP 

sexta-feira, julho 05, 2013

Senador do PSOL se reúne com Dilma e declara apoio ao plebiscito









Randolfe Rodrigues (PSOL) legitima a manobra do governo para distrair a atenção das verdadeiras reivindicações das ruas


O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) se reuniu com a presidente Dilma nesse dia 1º de julho para apoiar a proposta de plebiscito sobre reforma política anunciada pela presidente na semana anterior. Estiveram ainda na reunião o vice-presidente Michel Temer, o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo e a ministra das Relações Institucionais, Ideli Savatti.
Randolfe foi o único senador da oposição chamado a conversar com a presidente. Líderes dos partidos da oposição de direita, como o PSDB, já haviam sinalizado que não responderiam a um eventual convite. Na verdade, o senador sequer chegou a ser convidado pelo Planalto mas, por iniciativa própria, contatou o governo tão logo soube pela imprensa do interesse do governo em se reunir com setores da oposição. “Eu me adiantei, para que não fosse incluído na mesma reunião das outras lideranças de oposição. Recebi então uma ligação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e do chefe de gabinete de Dilma agendando o encontro", declarou ao Portal G1.
Na reunião com Dilma, o senador do PSOL apoiou a iniciativa do plebiscito sobre reforma política, legitimando a manobra do governo em distrair e desviar as reais reivindicações colocadas pelas manifestações nessas semanas.  O senador afirmou representar o "ponto de vista defendido pelo PSOL", apesar das declarações contrárias de outros membros da direção do partido. A proposta apresentada pelo senador fala sobre revogabilidade dos mandatos, voto em lista proporcional, fim do foro privilegiado e o fim da reeleição. Significativamente, nada falou sobre a redução dos salários dos parlamentares.
Manobra para conter os protestos
Mais grave que isso, porém, foi o papel cumprido por Randolfe de legitimar a tentativa do governo de distrair e canalizar as reivindicações colocadas pelas manifestações para uma pauta que nada tem a ver com os protestos. Quando o governo do PT, acuado pelas mobilizações das ruas em junho, vive sua maior crise, a maior figura pública do PSOL vem ajudá-lo.

A proposta a ser levada a voto pelo governo contempla, basicamente, um programa típico da direita, que pode levar o sistema eleitoral a um verdadeiro retrocesso reacionário, como é o caso do voto distrital e da cláusula de barreira. Um programa típico da direita e de partidos como o PSDB. Apesar da forma aparentemente democrática, a medida nada tem de progressiva.
"Não é só a classe política que tem que ser consultada, o povo também", chegou a afirmar Dilma ao defender o plebiscito. No entanto, resta a pergunta: por que não "ouvir o povo" sobre as questões que realmente estavam colocadas nas ruas? Por que não consultar a população sobre as privatizações, inclusive a do Maracanã? Ou os recursos que vão para o pagamento da dívida pública ao invés de serem investidos em saúde, educação e transportes? Questões que Randolfe não levantou na oportunidade que teve.
Macapá
A atitude de Randolfe Rodrigues provocou críticas dentro do próprio PSOL, apesar de o senador fazer parte da corrente majoritária da atual direção do partido. Isso, porém, está longe de ser novidade. Nas eleições do ano passado, ele formou uma aliança com partidos da direita ao redor da candidatura de Clécio Luís (PSOL) à prefeitura de Macapá. A direção do PSOL, mesmo com críticas iniciais, sempre acaba por aceitar as posições de Randolfe como “táticas”, como fez nessas eleições. Mas no balanço votado pela direção do PSOL, as alianças de Randolfe foram afinal consideradas corretas.

A prefeitura da capital do Amapá, aliás, já dá sinais do caráter do governo gerado por essa aliança com a direita e empresários. Macapá, assim como o resto do país, foi tomada pelos protestos protagonizados pela juventude contra as tarifas do transporte público. No entanto, o prefeito não só não atendeu à reivindicação do passe-livre, a mesma que Randolfe acabou de fazer à Dilma, como os estudantes sofreram brutal repressão da Tropa de choque da Polícia Militar do estado.
A prefeitura de Clécio, aliás, resistiu até o último momento em repassar a desoneração do PIS/Cofins implementado pelo Governo Federal às passagens de ônibus da cidade. Só reduziu meros R$ 0,20, de R$ 2,30 para R$ 2,10 nesse dia 1º, após muitos protestos que balançaram Macapá, e ainda por cima desonerando as empresas de transporte com os impostos municipais.  Tudo o que o PSOL condena no resto do país é aplicado pelo PSOL em Macapá, com apoio da direção nacional do partido.
FONTE: OPINIÃO SOCIALISTA

quinta-feira, julho 04, 2013

O fogo de Estocolmo: uma análise autonomista









O observador de fora poderá ainda encarar a Suécia como a terra prometida do Estado providência. Contudo, as políticas neoliberais são uma espécie de térmitas, já há algum tempo ocupadas na trituração do sistema de apoio social.

Os subúrbios de Estocolmo estão em chamas. O observador de fora poderá ainda encarar a Suécia como a terra prometida do Estado providência. Contudo, as políticas neoliberais são uma espécie de térmitas, já há algum tempo ocupadas na trituração do sistema de apoio social. O resultado final poderá ser a montanha a parir um rato, passível de ser desmoronada pela mais leve brisa de vento.
Ainda existem hospitais, as fachadas dos prédios das periferias foram renovadas e os estudantes não deixaram de ir à escola. No entanto, por trás da fachada, o sistema de saúde é colocado de joelhos por cortes e políticas de austeridade, a necessidade de renovar as áreas limítrofes dos arranha-céus torna-se premente e escolas dos subúrbios são encerradas enquanto um número cada vez maior de estudantes alcança apenas o 9.º ano. O sistema está a ser pilhado à medida que se privatizam os apoios sociais e interesses de mercado invadem o setor público. Porém, a um nível superficial, tudo está como dantes, sendo impossível vislumbrar as mudanças à primeira vista.
Nos subúrbios de Estocolmo, o miljonprogramme – assim denominado devido ao objetivo de construir um milhão de apartamentos a preços acessíveis – resultou das então crescentes necessidades habitacionais da força de trabalho empregue no sistema de produção fordista das décadas de 60 e 70. Inicialmente, a grande parte dos trabalhadores que lá moravam pertenciam a um stock sueco e finlandês, aos quais mais tarde se juntariam turcos, iranianos, latino-americanos e somalis. Apesar de Estocolmo constituir ainda uma região em crescimento, a construção de casas encontra-se paralisada. Por sua vez, os subúrbios de estilo banlieu, com sérias necessidades de renovação, enfrentam uma enorme negligência.
Uma geração de miúdos cujos pais se fixaram na Suécia passou toda a sua vida nestes subúrbios de betão. Não obstante a maioria ter permanecido cravada à sua posição, uma parte conseguiu trepar a escada social e estabelecer um lugar próprio na sociedade. Ao contrário do verificado noutros países escandinavos, um largo segmento de suecos filhos de imigrantes conseguiu licenciar-se, ganhando a vida como jornalistas, autores ou músicos populares. Os subúrbios desenvolveram a sua própria espécie de intelectuais orgânicos, dispostos a partilhar a suas experiências pessoais de racismo, descriminação estrutural e crescimento no seio de comunidades negligenciadas. Eles têm voz nos debates culturais, onde criticam a produção de estereótipos raciais por parte dos meios de comunicação social e reivindicam a sua própria forma de representação.
No contexto da inédita eleição parlamentar de representantes de um partido de extrema-direita, na sequência das eleições legislativas de 2010, o debate público acerca de temas como a etnicidade, a raça ou a cultura tornou-se comum – e nem sempre a favor dos racistas. A influência das críticas antirracistas formuladas por naturais de outros países chegou mesmo a ser comentada pela Timbro, think-tank da Confederação Empresarial Sueca (a equivalente à Confederação Industrial Portuguesa), tendo esta recentemente declarado que «o pós-colonismo é na atualidade a maior ameaça da esquerda».
Uma das muitas controvérsias foi desencadeada pelos protestos contra o REVA, um projeto conjunto entre o serviço de fronteiras e a polícia com o objetivo de deter migrantes ilegais por via de um controlo fronteiriço interno (a título de exemplo, no transporte metropolitano). Instruída a basear-se em perfis raciais pré-concebidos, a polícia começou a parar toda a pessoa «que não parecia sueca», exigindo a apresentação de documentos. A divulgação pública do recurso a esta tática originou largos protestos e uma onda de ações diretas durante toda a primavera. As declarações grosseiras e os insultos raciais realizados pelos ministros da Justiça e da Migração ajudaram a alimentar os protestos, abrindo igualmente o debate sobre racismo às experiências pessoais relatadas por figuras do meio cultural sueco. Tal permitiu uma alteração do rumo do debate público em direção a uma posição antirracista.
Estes intelectuais orgânicos de raízes suburbanas são apenas a ponta do icebergue de uma nova forma de consciência que se desenvolve a partir das periferias esquecidas. Mais importante, contudo, é a emergência de organizações suburbanas territoriais, completamente ignorada pelos meios de comunicação social. Em Estocolmo, tal como em Gotemburgo e Malmö, verificou-se o desenvolvimento paralelo de organizações comunitárias constituídas por moradores. Em 2001, Gotemburgo assistiu ao nascimento da Pantrarna (os «Panteras») no subúrbio de Lindängen, uma iniciativa que depressa se iria espalhar a Malmö. Na cidade de Estocolmo, a Megafonen (o «Megafone») seria formada em 2008 no subúrbio de Husby. A inspiração, conforme sugerido pelos seus nomes, advém do Partido dos Panteras Negras. As organizações comunitárias têm procurado enfrentar problemas sociais através de um programa social de desenvolvimento, um tanto ou quanto semelhante ao programa de dez pontos dos Panteras Negras. Não existe, portanto, uma fronteira nítida entre a organização social e a organização política: a ajuda a crianças com os seus trabalhos de casa num ambiente menos stressante do que os apartamentos superlotados em que vivem; a organização de programas educacionais e de aulas de escrita criativa; o treino de artes marciais e a campanha pela abertura de novos centros comunitários. Os Panteras Negras não se limitam a constituir uma fonte de inspiração, desenvolvendo as organizações comunitárias suecas projetos em colaboração com alguns dos seus antigos militantes. Em Maio de 2011, Bobby Seale compareceu num protesto coletivo organizado pela Pantrana em Gotemburgo. Neste ano, diversas associações organizaram o festival Speak your Mind, o qual contou com a presença de membros dos Panteras Negras e com a atuação do grupo norte-americano Dead Prez e de outras vozes da cena hip-hop sueca.
Não se pode dizer que Husby, onde o fogo começou, corresponde propriamente ao subúrbio mais marginalizado e negligenciado de Estocolmo. É, pelo contrário, uma das regiões com maiores níveis de militância, com lutas sociais a decorrer há já algum tempo e muitas vitórias alcançadas. Habitada por quase 11 000 cidadãos, encontra-se situada nas proximidades da «cidade da ciência» de Kista, uma espécie de Sillicon Valley da Suécia. A sua localização veio tornar visíveis os fenómenos de gentrificação e segregação, à medida que os políticos de Estocolmo investem em massa na expansão de Kista, de forma a abranger Husby. Para tal, um novo plano para o subúrbio foi lançado, envolvendo a demolição de grandes conjuntos habitacionais, a privatização dos banhos públicos e do centro de saúde comunitário, o encerramento do centro comunitário Husby Träff, bem como luxuosas renovações, com consequências ao nível do aumento das rendas. Todas estas medidas visam a recomposição da população e o aumento geral do estatuto da área. A Megafonen tem obtido algum sucesso no bloqueio deste plano: aliada a outros movimentos sociais, conseguiu travar as demolições de casas, evitar os «redespejos» (renovações que visam despejar inquilinos) e salvar os banhos públicos. No ano passado, face à ameaça de fecho do centro comunitário Husby Träff, a associação respondeu com a ocupação do espaço, tendo garantido o seu funcionamento até hoje.
A intervenção das autoridades policiais tem igualmente potencializado a existência de conflitos. Além dos controlos fronteiriços internos pela REVA – um projeto com já alguns anos que se expandiu recentemente das periferias para o centro das cidades – a polícia implementou uma política de tolerância zero nos subúrbios, programas de combate à «radicalização» política e, sob o pretexto da luta contra a droga, a perseguição a grupos de hip-hop locais. Juntos, todos estes elementos contribuíram para um crescente ódio à polícia.
Há cinco anos, uma onda protestos atravessou os subúrbios negligenciados da Suécia, com diversos automóveis incendiados em Malmö e Gotemburgo. Porém, esta onda nunca atingiu Estocolmo. Atualmente, é nesta cidade que se localiza o epicentro dos incêndios. Os primeiros sinais vieram dos fogos de Tensta (nas proximidades de Husby) em Abril, os quais visaram diretamente um dos proprietários então responsáveis pelo aumento de rendas. A empresa recuou, não tendo a história merecido a atenção dos meios de comunicação social.
Ao invés, foi o assassinato policial de um idoso de 69 anos em Husby, a 13 de Maio, que suscitou a faísca. A natureza dos acontecimentos surge interpretada em duas versões. Uma primeira defende que a vítima, um descendente de portugueses, estava a comer fora num restaurante com a sua esposa. Ao vê-la ser ameaçada por um gangue juvenil, foi buscar uma faca a sua casa de forma a assustar os jovens. Eventualmente, acabou por ir para casa juntamente com a sua mulher. Mais tarde, a polícia apareceu à sua porta, não tendo o casal respondido ao toque da campainha com medo. A polícia terá então forçado a entrada e disparado um tiro na cabeça da vítima. Numa outra versão, o acontecimento terá sido despoletado pela denúncia telefónica de um homem que, após se ter passeado na rua com um machete, se trancou em casa com a sua esposa. Enviada ao seu resgate, a polícia terá disparado sobre a vítima em legítima defesa, a qual faleceu mais tarde, já no hospital. Todavia, a versão da polícia demonstrou apresentar várias imprecisões: a Megafonen apresentou provas de que o corpo havia permanecido no apartamento durante várias horas antes de ter sido transportado. Em reação contra o que considerava ser abuso policial, a associação organizou um protesto no dia seguinte, exigindo uma investigação independente dos acontecimentos. A atitude da polícia pautou-se pela fuga ao diálogo, acusando-a de instigar o ódio para com a polícia e de minar a confiança pública na lei em Husby e nos seus arredores.
Tudo terá começado segunda-feira, dia 20, com os primeiros automóveis a serem incendiados em Husby. Chegada ao local, a polícia viu-se confrontada com o arremesso de pedras por parte de gangues juvenis. O fogo, o fumo e o barulho das sirenes despertaram a atenção dos moradores de Husby, os quais saíram de suas casas em busca das causas de tal agitação. A polícia chama então por reforços, ao mesmo tempo que carrega sobre a multidão, de forma a afastá-la do local.
«Ao chegarmos à praça, aproximámo-nos da polícia e perguntámos se precisavam de alguma ajuda. No entanto, fomos recebidos com cassetetes, cães, insultos, entre outras medidas. Demorou algumas horas até que eles tenham chamado por nós», afirmou o líder comunitário e empregado municipal Daniel Ghirmai na posterior conferência de imprensa realizada pela Megafonen. «Fomos alvos dos seus insultos, tendo-nos chamado de ratos e putas. Eles atacaram toda a gente à sua frente, até velhotas. Eu própria fui derrubada por agentes de polícia», declarou Quena Soruco, residente de Husby e membro da Megafonen.
Enquanto a comunicação social se ocupava da vitória da Suécia no campeonato do mundo de hóquei em gelo, a noite caía e os incêndios deflagravam. Na noite seguinte, os incêndios espalharam-se para os subúrbios vizinhos de Husby. Este, por sua vez, encontrava-se ocupado pelo polícia e por meios de comunicação social, a transmitir em direto da «zona de conflito». Na terceira noite, as chamas haviam-se propagado a 15 subúrbios de Estocolmo. Passadas 24 horas, atingiam já os arredores de Estocolmo. À medida que os carros incendiados se tornavam numa espécie de epidemia, os media respondiam com pânico moral e o aparelho político iniciou uma competição pelo maior número de condenações. A postura política parecia alinhar numa velha rotina: medidas duras reivindicadas pela direita e apelos a um debate estrutural da parte da esquerda. A direita racista defendia a intervenção militar, tendo organizado patrulhas de vigilância e, em simultâneo, desenvolvido todos os esforços possíveis na etnização do conflito, descrito como uma revolta rácica. Quando os meios de comunicação social internacionais pegaram na história, o mote já estava pronto: «a falência do modelo multicultural atingiu a Suécia».
Sobre os acontecimentos, o periódico socialista libertário Arbetaren comentou o seguinte: «Conforme é demonstrado pelos acontecimentos, de Los Angeles (South Central) a Clichy-Sous-Bois, de Tottenham a Husby, este tipo de motins é ridiculamente previsível. Como de costume, o papel catalisador da polícia é mais do que óbvio». As autoridades polícias apontaram a Megafonen como instigadora da rebelião, ao que a associação respondeu que apenas havia sido responsável por evitar novos excessos por parte da polícia. Como se pode ler na sua declaração à imprensa: «Não é a Megafonen que está a provocar incêndios. Entendemos que não é este o meio de garantir mudanças a longo prazo. No entanto, sabemos que se trata de reações a problemas sociais. O desemprego, as escolas precárias, o racismo estrutural são as suas causas subjacentes».
FONTE: Por Mathias Wåg / Traduzido por Passa Palavra

quarta-feira, julho 03, 2013

ANDES-SN chama docentes a integrar paralisação geral












Dia 11 de julho

O dia 11 de julho será marcado pelo Dia Nacional de Lutas com Greves e Mobilizações, com atividades conjuntas previstas em todo o país, organizadas pelas oito centrais sindicais brasileiras CSP-Conlutas, CUT, UGT, Força Sindical, CGTB, CTB, CSB e NCST, além de participação do MST, o Dieese e outros setores articulados no âmbito do Espaço de Unidade de Ação. A data foi definida em reunião realizada na última terça-feira (25), que discutiu o processo de lutas que toma conta do país. 

O Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (SPF) atendeu ao chamado das centrais e também integra a mobilização. O ANDES-SN orienta as seções sindicais a discutir em suas instâncias e deliberar a paralisação na data apontada pelas centrais.

“Como parte deste processo de valorização da luta coletiva como instrumento de conquista e transformação social, o ANDES-SN, através das suas Seções Sindicais e em unidade com os demais setores, orienta a participação nas manifestações que estão ocorrendo, bem como a realização de paralisações no dia 11 de julho que foi definido como Dia Nacional de Lutas. Essa estratégia é importante para fortalecer a presença da classe trabalhadora organizada nas ruas”, afirma a presidente do ANDES-SN, Marinalva Oliveira. 

Além da paralisação do dia 11 de julho, as centrais também indicaram os eixos que compõem o pleito unificado das mais diversas categorias da classe trabalhadora: a redução das tarifas e melhoria da qualidade dos transportes públicos; o aumento nos investimentos da saúde pública; posição contrária ao Projeto de Lei 4330/2004, que trata sobre terceirização de mão de obra; pelo fim dos leilões de petróleo; pelo fim do fator previdenciário e valorização das aposentadorias; pela redução da jornada de trabalho; e a Reforma Agrária.

Para o coordenador da CSP-Conlutas, Zé Maria, o contexto permite a construção da paralisação proposta pelas centrais e reflete o processo de mobilização que acontece no país. “Foi uma decisão importante, que fortalece a presença da classe trabalhadora organizada nesses atos”, avaliou.

Antes mesmo da definição de 11 de julho como Dia Nacional de Lutas, o ANDES-SN já havia enviado uma recomendação às Seções Sindicais para intensificar a luta por direitos sociais, que marca toda a trajetória do Sindicato Nacional, e convocar assembleias para avaliar a possibilidade de paralisação conjunta de todos os setores da educação e dos servidores públicos nos dias convocados para os atos, além da integração às manifestações e a articulações com as entidades locais. 

“A conjuntura do Brasil atual traz à tona uma sequência de manifestações populares por todo o país. Essa explosão social vinha sendo gestada há tempos, culminando recentemente nos movimentos organizados pelo ‘Passe Livre’, denotando profunda repulsa às ações políticas corruptas, ao cinismo da classe política, ao desrespeito dos governos em relação aos serviços públicos e à arrogância da exploração dos setores dominantes e do capital”, diz o documento. 

A circular ressaltou ainda que todos sabem o que esse movimento representa e é possível antever a extensão do seu alcance. “Nesse sentido, devemos fortalecer esse processo e, para tanto, encaminhamos à consideração das seções sindicais do ANDES-SN a discussão sobre a necessidade de estabelecer interfaces bem como formas de intervenção com esse movimento social dinâmico, de acordo com orientações de nossas instâncias de base”. 


Reunião do Fórum dos SPF


O 2º secretário do ANDES-SN, Paulo Rizzo, participou da reunião do Fórum dos SPF realizada também na última terça-feira (25), ocasião em que o Fórum decidiu integrar as atividades do dia 11 de julho. “Depois de muito tempo com reuniões pequenas conseguimos ter uma reunião bem representativa do Fórum dos SPF. Isso sem dúvida tem a ver com as mobilizações que estão ocorrendo em todo o país, até porque as entidades que compõe este espaço estão participando das manifestações através de seus representantes locais”, avaliou.

As entidades nacionais dos SPF orientarão também os servidores públicos federais a continuarem participando de todas as manifestações, defendendo os eixos unificados do Fórum, com destaque para a luta contra o PL 92, contra a Ebserh e a Funpresp. “As entidades defendem recursos públicos para a saúde pública e educação pública, o que vai ao encontro das reinvindicações da população nas ruas e contra as propostas do governo, que pretende reforçar a destinação de verba pública para o setor privado, por meio de austeridade fiscal”, completou o 2º secretário do ANDES-SN.

Para Paulo Rizzo se faz urgente cessar a entrega do patrimônio do país, para aplicação efetiva de recursos em políticas públicas. “É preciso acabar com os leilões das reservas de petróleo, com a desculpa de que parte dos recursos será usada para saúde e educação, e também reverter todo tipo privatização”, ressaltou.

Fonte: CSP-CONLUTAS / ANDES-SN

LEIA TAMBÉM

Assustado com o 11 de julho, governo federal quer tentar esvaziar movimento




Sinasefe convoca suas bases a integrar a paralisação de 11 de julho


Sinasefe convoca suas bases a integrar a paralisação de 11 de julho












Dia de Luta

Dada à revolta geral que o brasileiro assimilou indo às ruas desde o inicio do mês de junho, os movimentos sindicais se organizam para contribuir com sua vasta experiência em manifestações e no combate aos ataques governistas, portanto o Sinasefe Nacional (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica) convoca as bases a integrarem o Dia de Paralisação Nacional, no dia 11 de julho em todos os estados do país.   

Seguindo a orientação do  Fórum dos Servidores Públicos Federais  o Sinasafe, Ofício Circular 22/2013 às Seções Sindicais  que “ (…)realizem assembleias para discutir a atual conjuntura política do país, a integração as manifestações em cada cidade e adesão a paralisação histórica do dia 11 de julho”.   

A mobilização já obteve êxitos por todo o país no Dia Nacional de Luta, convocado pela CSP-Conlutas e pelo Espaço Unidade de Ação nos dias 26 e 27 de junho. Foram feitas paralisações, atos e manifestações em diversas regiões do país. Agora é o momento dos servidores públicos federais protestarem Em defesa dos serviços públicos de qualidade, gratuito e que atenda as necessidades do povo trabalhador em nosso país!   

É a hora de se unir a massa para avigorar a luta diária para reverter à situação precária que os trabalhadores dos Institutos Federais encaram enquanto o governo só se empenha na construção acelerada de mais Campus e sem o mínimo fornecimento de condições aos trabalhadores e alunos.   

Junte-se aos debates, acrescente sua força e sua indignação para fazermos a diferença. A seguinte plataforma base pode sofrer adições de acordo com as demandas locais ou mesmo ser utilizada de forma parcial. 

Confira:   

ü  Mais recursos para a educação e saúde PÚBLICAS/ plano de obras para construir hospitais e escolas suficientes; 

ü  Aumento dos salários de acordo com a inflação; 

ü  Menos dinheiro para os bancos e mais recursos para políticas sociais como os 10% do PIB para a educação pública e para o pagamento do piso nacional dos educadores / suspensão do superávit primário e o pagamento da dívida externa e interna para bancos e especuladores; 

ü  Fim do fator previdenciário / recomposição do valor das aposentadorias / anulação da Reforma da Previdência de 2003; 

ü  Contra as privatizações/ pela revogação da EBSERH; 

ü  Contra o PL 092 que privatiza o serviço público; 

ü  Contra a precarização do trabalho e o PL 4330, das terceirizações; 

ü  Contra a corrupção;   

FONTE: CSP-CONLUTAS / Com informações do Boletim n° 253 no Sinasefe  

Assustado com o 11 de julho, governo federal quer tentar esvaziar movimento











Greves e mobilizações

O Correio Braziliense noticiou nesta terça-feira (2) que o governo federal está preocupado com o Dia Nacional de Greves, Paralisações e Mobilizações marcado pelas centrais sindicais para o próximo 11 de julho.   Segundo a matéria, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, está tentando convencer a CUT a esvaziar o movimento. A notícia afirma que “O Palácio do Planalto tem trabalhado intensamente para evitar que novas manifestações, desta vez na área trabalhista, desgastem ainda mais a imagem do governo”.  

A possibilidade de um dia de luta forte e a ideia de uma greve geral são o que mais assustam o governo, por isso vem realizando conversas com a direção da CUT, aliada do PT, “para tentar segurar o ímpeto do movimento”.  

A CSP-Conlutas reitera que tanto a Central quanto suas entidades filiadas estão totalmente empenhadas na realização deste Dia Nacional de Greves, para que os trabalhadores entrem organizados no cenário das mobilizações que tomaram conta do país. Só assim, poderão dar um salto em direção à conquista de reivindicações que o governo teima em não atender e, para isso, conta com o suporte da patronal.   

Diversas categorias já realizaram ou estão realizando assembleias para aprovar de que forma vão participar do 11 de julho.   A CSP-Conlutas faz um chamado para que todas as centrais joguem peso na preparação deste dia de luta mobilizando suas bases sindicais.   

 Agora é hora! Vamos preparar um forte de greves, paralisações e manifestações de rua com as revindicações dos trabalhadores.   

Às bandeiras aprovadas pelas centrais sindicais poderão ser agregadas as reivindicações específicas dos trabalhadores. Essas são as bandeiras gerais: 

  - Reduzir o preço e melhorar a qualidade dos transportes coletivos;

 - Mais investimentos na saúde e educação pública;

 - Fim do fator previdenciário e aumento das aposentadorias;

 - Redução da jornada de trabalho;

 - Fim dos leilões das reservas de petróleo;

 - Contra o PL 4330, da terceirização; 

- Reforma Agrária   

FONTE: CSP-CONLUTAS

terça-feira, julho 02, 2013

I Encontro LGBT promovido pela CSP-Conlutas faz história






O I Encontro Nacional LGBT da CSP-Conlutas, realizado este fim de semana em São Paulo, é o primeiro promovido por uma central sindical no país, de acordo com os participantes, que deram caráter histórico para o evento. Houve a participação de 180 pessoas, entre delegados, observadores e convidados. Mais de 16 estados de norte a sul do país estavam representados.

Os debates e a troca de experiências sobre os desafios e perspectivas dos LGBTs foram enriquecidos pela realização de mesas redondas sobre Conjuntura Nacional LGBT e sobre Opressão e Exploração no sábado (29), além dos grupos setoriais de discussão promovidos ao final do dia. 

A mesa redonda sobre a conjuntura da Luta LGBT foi composta por Flavio Bandeira, do Setorial LGBT da CSP-Conlutas, Tarcisio Ramos do movimento Somos Todos Coloridos, Gean Santana, 2º vice-presidente do ANDES-SN e pelo estudante da Anel Lucas Brito. Bandeira iniciou sua fala dando destaque para o ato realizado na noite anterior pelo Dia Nacional do Orgulho LGBT. “Resgatamos uma data [Dia do Orgulho LGBT] que foi apagada pelos movimentos sociais. Uma salva de palmas para nós”, disse. O membro do Setorial LGBT da CSP-Conlutas fez uma análise das mobilizações em curso no país. “Mais de dois milhões de pessoas foram às ruas para dizer que não é apenas por vinte centavos, mas é também contra os gastos com a copa, é por mais investimento em saúde e educação”, salientou. A importância dos LGBTs neste contexto também foi ressaltada por Bandeira. “Não há como não falar de como nós [LGBTs] nos somamos a esses atos”.

Segundo o representante do Setorial LGBT, o cenário está se apresentando com novos elementos, entre eles “a escolha de um homofóbico, Marcos Feliciano, para presidir a Comissão de Direitos Humanos. Isso, entre outros elementos, só ‘coroou’ o que representa os 10 anos de governo do PT”. Alguns dos elementos elencados por Bandeira foram: “o projeto de Cura Gay – que significa um retrocesso de vinte anos. O veto ao Kit contra a Homofobia. E a presidente Dilma não se pronunciou e continua inerte aos nossos anseios”, avaliou.

Esses temas dividem a sociedade, e por isso, de acordo com Bandeira, o encontro é importante para disputar a consciência e preparar os trabalhadores sobre a luta LGBTs. “Esse é um momento histórico e queremos fazer um chamado. As centrais irão fazer um dia de luta em 11 de julho e precisamos nos somar e incluir nessa luta a derrubada de Feliciano. Colocar essa reivindicação para o conjunto da classe”.

De acordo com ele, a discussão de classe se perdeu e a substituíram pela palavra cidadania, em que a burguesia se apropria e a utiliza de forma indevida. “A gente quer construir uma agenda de LGBT de luta e classista. Na sociedade capitalista não conseguiremos acabar com a homofobia, por isso precisamos lutar por uma sociedade socialista”.

Tarcisio Ramos, da Comissão Organizadora do encontro e do movimento Somos Coloridos, fez um breve resgate histórico sobre a questão LGBT, desde o surgimento da Igreja que veio junto com o questionamento da sexualidade. Ramos falou também sobre o cristianismo, que durante a ocupação no Império Romano, entre as doutrinas, fazia a caça aos homossexuais. Citou ainda o Nazismo, em que os homossexuais, levados aos campos de concentração, eram diferenciados com Triângulo Rosa, entre outros períodos históricos.

“A perseguição aos homossexuais intensifica-se sempre em períodos de crise do sistema econômico. Eles se aproveitam da oportunidade da crise para encontrar alguém para ser oprimido para assim mudar o foco da crise. Aqui a gente não discute opressão pela opressão, mas sob a ótica do capitalismo”, explicou Tarcisio. Para ele, a conjuntura internacional não é boa. “Na África, em ao menos 13 países, condenam à morte os homossexuais”.

Tarcisio destacou que também aqui no Brasil, “em um governo que se diz de esquerda, a situação não é diferente. O governo Lula enganou os LGBTs e não colocou nossas pautas nas discussões. Hoje a Dilma estava no jornal com bandeira LGBT, mas a Dilma não nos representada. Prova disso, é ela ter assinado uma carta fundamentalista que ataca os LGBTs”, avaliou.

Em seguida, o representante da Anel Lucas Brito falou sobre a importância do movimento estudantil em unidade com LGBTs no combate à homofobia. “Nós, da Anel, assim como a CSP-Conlutas, temos construído importantes lutas no campo dos LGBT. Temos grandes tarefas pela frente. Se nas ruas conseguimos derrubar o aumento das passagens é nas ruas que conseguimos derrubar Feliciano”, disse.

O 2º vice-presidente do ANDES-SN, Gean Santana, destacou a importância do evento, que foi construído pelos trabalhadores, de forma autônoma, sem o financiamento de empresas e do governo. Santana falou ainda da experiência no Sindicato Nacional, como a realizado de seminário sobre a diversidade sexual promovido pelo ANDES-SN. Também citou o 32º Congresso do Sindicato Nacional, realizado pela entidade em março deste ao no Rio de Janeiro, no qual foi aprovado uma política de combate à homofobia. 

O diretor do ANDES-SN fez referência às mobilizações em curso e salientou a importância de os LGBTs organizados participarem e dar uma direção de classe para esse processo. “As bandeiras pelo Fora Feliciano começaram a aparecer depois de nossa intervenção, precisamos disputar as nossas pautas”, avaliou.

Debate sobre Opressão e Exploração
A mesa foi composta por Camila Lisboa, do Movimento Mulheres em Luta, Iraci Lacerda, da Oposição Alternativa Apeosp - da subsede Santo André - pelo coordenador do Sindsef-SP Carlos Daniel, pelo presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Altino Prazeres, e por Renato Gomes, do Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu.

Camila abriu o debate mencionando como o “capitalismo transforma diferenças em desigualdades”. Para ela, isso acontece porque no capitalismo há necessidade de lucro e, portanto, de superexploração da classe trabalhadora e de determinados setores sociais.

“Nós queremos organizar a luta contra a opressão e eliminá-la. Isso só será possível com a transformação da sociedade. Para isso, precisamos escolher um lado e é o lado da classe trabalhadora, que compõe mulheres, negros, LGBTs. Não podemos deixar a as organizações burguesas e capitalistas se apropriem”, frisou. Para ela, é preciso incorporar as demandas de luta contra a opressão e é essa batalha que ocorre na condução da CSP-Conlutas.

Renato, do Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu, fez um discurso emocionado sobre o preconceito que sofreu. “No meu sindicato eu me assumi como homossexual, alguns setores que compunham o sindicato queriam me tirar, mas outros companheiros me apoiaram e eu não desisti. Esse encontro me dá mais força para enfrentar o preconceito”, disse. Renato também falou do ascenso das manifestações e de que há mudança de ânimo da classe trabalhadora. “Nós não podemos deixar que as nossas bandeiras sejam excluídas, porque nós nunca dormimos”.

Iraci, professora da rede publica estadual, falou da homofobia nas escolas e do problema que o adolescente homossexual encara sem o suporte necessário. Altino, do Sindicato dos Metroviários, destacou que a sociedade capitalista se interessa para que as pessoas se dividam. “É por isso que os LGBTs devem ir para as ruas organizados”.

Grupos de discussões
Ao final, os presentes se reuniram em grupos de trabalhos que discutiram diversos temas, bem como um manifesto, votado no domingo (30).

História do movimento LGBT e votação das resoluções
O integrante do Movimento Quilombo Raça e Classe, Wilson Honório, fez uma palestra descontraída no domingo (30) com um breve resgate sobre a história dos LGBTs. A luta contra a ditadura, em 78, a unidade com os trabalhadores metalúrgicos do ABC na década de 80, entre outros episódios importantes foram elencados por ele. “É preciso nos localizarmos de qual é a história do movimento LGBT sob uma ótica classista, contra a lógica burguesa e de opressão”, explicou. 

Wilson disse que os LGBTs devem lutar por sua liberdade e saber diferenciar a privada (aquela que é comprada) e a pública. “Nossa liberdade deve ser pública. Não defendemos a cidadania paga”. Wilson também citou os artistas e líderes homossexuais que fizeram história, como Leonardo Da Vinci e Michelangelo, exemplos de pessoas que se colocaram contra o sistema.

Para ele, o movimento LGBT nasce da crise do capitalismo que deve ser superado e combatido. “Não podemos tratar a opressão de forma conciliatória”. Wilson citou o movimento conhecido como “Pink Money” que surgiu com a burguesia e move a Parada Gay. “Isso nada mais é que comercialização e mercantilização do movimento. A nossa diferença com o resto do movimento é concreta. Em 2008, fomos expulsos da Parada gay”.

E finalizou: “vamos construir a consciência dos operários para que tenham acumulo sobre as questões LGBTs, mulheres, negros. Defendo a igualdade de diretos para exercemos nossas diferenças”.



Manifesto e resoluções
Na parte da tarde, foi apresentado e aprovado um manifesto sobre o Encontro e a situação atual dos LGBTs bem como as resoluções discutidas no encontro, que serão divulgados posteriormente.



Fonte: CSP-Conlutas / ANDES-SN

domingo, junho 30, 2013

Movimento sueco luta há mais de uma década por transporte público gratuito










Grupo anarcosindicalista Planka usa dinheiro de sócios para pagar multas de quem usa transporte público sem pagar tarifa

“Para quem são construídas as cidades?”. É com esta simples pergunta que os membros do grupo Planka têm promovido a discussão da mobilidade urbana no mundo há mais de uma década. O movimento foi fundado em 2001 pela SUF (Federação da Juventude Anarcosindicalista da Suécia, na sigla em sueco), em resposta ao aumento da passagem do transporte público de Estocolmo, a capital do país.

O grupo defende que o custo da utilização do transporte público deveria estar embutido nos impostos pagos pelos cidadãos, de acordo com a sua renda, em vez de um valor fixo para todos. “As passagens deveriam ser como as calçadas – pagas por todos e de uso gratuito”, diz a página web do grupo.

“Nós queríamos fazer alguma coisa concreta que fosse além da pura dissidência”, explica a Opera Mundi Christian Tengblad, um dos membros do coletivo. “Nestes anos de atuação, conseguimos que muitas pessoas economizassem com transporte e forçamos um debate em torno das tarifas e da mobilidade no espaço público”.

O Planka atua defendendo o não pagamento das passagens no transporte público, saltando as catracas ou simplesmente embarcando nos ônibus e bondes sem pagar. Caso apareça um controlador, a multa é paga pelo movimento se a pessoa multada for um membro do grupo. Para se associar, paga-se uma mensalidade de 100 coroas suecas (R$ 33), que financia todas as atividades do Planka.

As mídias sociais e os smartphones também estão sendo usados em prol da causa. Um grupo no Facebook, com mais de 20 mil membros, informa em tempo real a localização dos biljettinspektör (inspetores de passagem), evitando assim que passageiros sem ticket sejam multados. A multa por viajar sem passagem ultrapassa os 400 reais.

Divulgação
A estratégia é controversa, mas os líderes do movimento explicam que esta é uma maneira de chamar a atenção para as suas demandas. Além do não-pagamento dos bilhetes, o grupo conta com o apoio de lobistas profissionais e da militância de esquerda para pressionar o debate do passe livre.

[Cartaz do grupo Planka]

“Fomos muitas vezes levados para a polícia e políticos do partido de direita Moderatema tentaram abafar os nossos debates. O lobby das empresas de transporte também tentou nos silenciar”, conta Christian.

E a atuação do grupo não se resume ao preço da passagem ou à defesa do passe livre. A crescente dependência do automóvel e a consciência ecológica fazem parte da agenda. A construção de estradas no interior da Suécia e nos subúrbios de Estocolmo também é alvo frequente dos ativistas do Planka.

Há alguns anos, a empresa sueca de transportes anunciou que instalaria controles mais modernos para tentar evitar o não-pagamento de passagem. O grupo fez um vídeo explicativo mostrando o exemplo da cidade francesa de Lyon, onde o sistema foi aplicado e era facilmente burlado. “O mais importante é não ficar somente no campo da utopia. Mostramos com números que o custo de um transporte privado é maior do que se fosse financiado pelos nossos impostos. E que qualquer tentativa de aumentar o controle vai ser em vão”, explica o representante do movimento sueco.

O grupo elabora também relatórios e livros, tendo se transformado em um think tank escandinavo no assunto da mobilidade urbana. “Sabemos o que está acontecendo no Brasil e inclusive já falamos sobre o Movimento Passe Livre na nossa página-web. Trabalhamos em cooperação com outros grupos, inclusive o brasileiro”, conta Petter Slaatrem Titland, da filial em Oslo, na Noruega.

O Planka faz parte de uma rede internacional chamada Free Public Transports (Transporte Público Gratuito), que conta com quase 50 organizações em mais de 20 países. No Brasil, quatro grupos fazem parte da rede – Transporte Gratuito para Todos, TarifaZero.org, Movimento Passe Livre e Grupo Transporte Humano.

“Nossa maior conquista é criar uma problemática, uma discussão. É trazer temas globais para o debate local. Uma das nossas vitórias é trazer para a esfera pública a questão das classes”, conta Petter. “Além da discussão do transporte público financiado pelos impostos, o movimento politizou um assunto que até então era encarado como um problema de segurança – o não pagamento das passagens no transporte”.

Segundo Christian Tengblad, os melhores exemplos de transporte público hoje em dia são a cidade de Hasselt, na Bélgica, Avesta, na Suécia e Tallinn, na Estônia. “Mas ainda é pouco. Queremos incentivar a discussão do transporte urbano em todo o mundo”, conclui.

FONTE:  Opera Mundi

Comitê Popular da Copa anuncia protesto domingo no entorno do Maracanã


Entidades que compõem o comitê contestam a forma como estão sendo geridos os recursos públicos e realizadas as obras de infraestrutura nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014

O Comitê Popular da Copa e das Olimpiadas do Rio de Janeiro está organizando uma manifestação para domingo 30, no entorno do Maracanã, estádio que as seleções do Brasil e da Espanha disputam, às 19h, a final da Copa das Confederações. As entidades que compõem o comitê vão protestar, sobretudo, contra o processo de urbanização do Rio de Janeiro para os dois megaeventos, que, segundo elas, envolveu remoções forçadas e violação de direitos humanos, e contra a privatização do Maracanã.
Nesta sexta-feira 28, em entrevista coletiva, os coordenadores do ato informaram que a concentração será na Praça Saens Peña, a cerca de 1 quilômetro  do Maracanã, de onde os manifestantes se dirigirão ao estádio. Depois de anunciarem suas reivindicações, eles vão se dispersar na Praça Afonso Pena, no mesmo bairro.
O representante da organização Justiça Global e membro da articulação do comitê, Renato Cosentino, disse esperar que não haja qualquer impedimento por parte da polícia na chegada do Maracanã. Ele ressaltou que, se houver bloqueios nas imediações do estádio, a orientação é não furá-los. “O movimento é pacífico. Este é nosso quinto ato, e não temos nenhuma intenção de atrapalhar o jogo." Cosentino explicou que o objetivo é chegar ao Maracanã, como nas outras manifestações. "Esperamos ter garantia de fazer essa manifestação, é um direito constitucional nosso."
O movimento reivindica, sobretudo, a interrupção do que chamaram de elitização e privatização do Maracanã, fim do processo de demolição do Parque Aquático Julio De Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros, que fazem parte do complexo desportivo do Maracanã, e da Escola Municipal Friedenreich, no entorno da arena.
“O Maracanã agora só tem 75 mil lugares, as áreas VIPs [áreas exclusivas] se multiplicaram, e o preço das entradas subiu muito. Além disso, estão retirando pessoas pobres das áreas centrais e nobres para lugares mais distantes, e tudo isso com recursos públicos para os jogos”, lamentou Cosentino. “Estão transformando o Maracanã em um shopping. O Julio De Lamare e o Célio de Barros eram aproveitados diariamente por cerca de 10 mil pessoas que ali se exercitavam, usando-os como equipamentos de saúde. Tirar esses espaços para transformá-los em estacionamento, que é a proposta do projeto de privatização, é um absurdo”, completou.
Gustavo Mehl, também integrante do Comitê Popular da Copa no Rio, lembrou que protestos paralelos ocorrerão durante todo o domingo em outras áreas da cidade. Ele espera que as manifestações pressionem as autoridades para que ajam de forma mais transparente e democrática, já que, pelas vias legais, as reivindicações sociais não têm sido ouvidas ou acatadas. “Temos uma série de liminares que foram apreciadas diretamente pela presidência do Tribunal de Justiça, que derrubou todas as que tiveram parecer favorável dos juízes de primeira instância.”
Ele informou que a articulação enviou ao Comitê Olímpico Internacional e à Federação Internacional de Futebol (Fifa) documento com denúncias sobre irregularidades nas remoções, mas, até o momento, não obteve resposta. “Em relação ao Maracanã, em dezembro de 2012, entregamos um documento listando todas as violações, ilegalidades e arbitrariedades que aconteciam no complexo do maracanã à comitiva do Jérôme Valcke [secretário-geral da Fifa].”
O Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas reúne representantes de comunidades, movimentos sociais, organizações e entidades diversas e de pessoas que contestam a forma como estão sendo geridos os recursos públicos e realizadas as obras de infraestrutura nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, e no Rio de Janeiro, onde serão realizados os Jogos Olímpicos de 2016.

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

DOMINGO EU VOU AO MARACANÃ!


















NO DOMINGO VAMOS AO MARACANàPOR DIREITOS!

Caminhada da Saens Peña até o Maracanã, 
com encerramento na Praça Afonso Pena
Data e hora: Domingo, 30 de junho de 2013
Horário: concentração a partir das 10h

A NOSSA PAUTA É:
- PELA IMEDIATA ANULAÇÃO DA PRIVATIZAÇÃO DO MARACANÃ!
- Com isso, a reabertura do Parque Aquático Julio Delamare, reconstrução da pista do Estádio de Atletismo Célio de Barros, manutenção da Escola Friedenreich e devolução da Aldeia Maracanã para os indígenas! Por um Maracanã público e popular!
- PELO FIM DAS REMOÇÕES E DESPEJOS DE COMUNIDADES EM NOME DA COPA E OLIMPÍADAS! URBANIZAÇÃO JÁ!
- Pela permanência e urbanização da Vila Autódromo e a regularização fundiária do Horto e de todas as comunidades do Rio de Janeiro
- Dinheiro da Copa para Saúde e Educação. Contra a privatização da Saúde e da Educação
- Gestão democrática das cidades: construção de espaços efetivos de deliberação popular
- Passe livre. Por um transporte público que garanta o direito à mobilidade na cidade
- Não à repressão policial e ao uso de armas letais e menos letais! Pela desmilitarização da polícia
- Contra a criminalização dos movimentos sociais. Anistia aos presos nos atos contra os aumentos das passagens
- Democratização dos meios de comunicação
- Pelo direito ao trabalho e contra a repressão aos camelôs
- Contra a elitização do futebol. Por setores populares no estádio
- Contra a internação compulsória da população em situação de rua

IMPORTANTE: O caráter deste ato é pacífico. Afirmamos que é dever do Governo Estadual garantir o direito constitucional de ir às ruas protestar. Defendemos o direito de manifestação de todos. Acreditamos que temos que unir bandeiras, e não rasgá-las.
O Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro reúne movimentos sociais, organizações, representantes de comunidades, pesquisadores e outras entidades e pessoas críticas à forma como estão sendo geridos os recursos e como estão sendo feitas as transformações urbanas para a Copa e as Olimpíadas na cidade. Esse ato foi construído por estas organizações e por outras entidades do Rio de Janeiro em plenárias. Respeitamos que sejam construídos outros atos em outros horários e apoiamos estas iniciativas.
FONTE: Comitê Popular da Copa e das Olimpiadas do Rio de Janeiro 

Centrais Sindicais convocam Dia Nacional de Lutas em 11 de julho









As centrais sindicais brasileiras, CSP-Conlutas, CUT, UGT, Força Sindical, CGTB, CTB, CSB e NCST, juntamente com o MST e o Dieese, realizaram uma reunião nesta terça-feira (25) para discutir o processo de lutas que tomou conta do país. Foi definido que 11 de julho será o Dia Nacional de Lutas com Greves e Mobilizações, com o tema “Pelas liberdades democráticas e pelos direitos dos trabalhadores”.   

A pauta de reivindicações consensual é redução das tarifas e melhoria da qualidade do transporte coletivo, mais investimentos em saúde e educação públicas, contra os leilões das reservas de petróleo e em defesa do patrimônio público, fim do fator previdenciário e valorização das aposentadorias, redução da jornada de trabalho e contra o PL 4330 (que regulamenta a terceirização), reforma agrária.   

A luta da juventude pela redução da tarifa deu exemplo ao conquistar a revogação do aumento em diversas cidades brasileiras, principalmente as maiores, Rio e São Paulo.   

A CSP-Conlutas já esteve nas ruas com greves, paralisações a manifestações de diversas categorias, do movimento popular e dos estudantes nos dias 26 e 27 de junho. Vamos fortalecer esse nosso dia de luta nacional para que ele sirva de preparação para o dia 11 de julho.   

É hora de os trabalhadores irem às ruas unificados e levantarem bandeiras comuns de suas demandas. Além da participação nas mobilizações que estão acontecendo, entrará de forma organizada nesta luta. Precisamos cobrar do governo Dilma atenda demandas que não tem sido ouvidas. Essa mesma cobrança devemos fazer aos governos estaduais e municipais, sejam eles do PT, do PSDB, do PMDB ou outro partido, pois eles os responsáveis pela difícil situação do nosso povo.

FONTE: CSP-CONLUTAS