Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

segunda-feira, julho 23, 2012

Ato reúne 400 e marca seis meses da desocupação do Pinheirinho

Evento foi marcado pelas exigências de punição aos responsáveis pela ação violenta que desalojou cerca de 2 mil

Seis meses depois da desocupação do Pinheirinho, um ato reuniu cerca de 400 pessoas no plenário da Câmara Municipal de São José dos Campos, no sábado, dia 21.

O evento, que aconteceu das 11h às 13h, foi marcado pelas exigências de punição aos responsáveis pela ação violenta que desalojou cerca de 2 mil, de reparação dos danos morais e materiais das famílias expulsas de suas casas e pela construção de moradias.
Além dos ex-moradores do Pinheirinho, participaram do ato dezenas de entidades sindicais, dos movimentos sociais e estudantil da região e de vários locais do país. Estiveram presentes ainda o membro do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana) Renato Simões, o ex-presidente nacional da OAB Cézar Britto e o ex-procurador do Estado de São Paulo Márcio Sotello.

"Não podemos esquecer. Não vamos esquecer. O Pinheirinho não morreu, pois a luta pelo direito à moradia continua", disse o advogado das famílias sem teto, Toninho Ferreira, ainda na abertura do ato, dando o tom da maioria das falas durante o evento.

O deputado estadual Renato Simões fez a apresentação prévia do relatório final do Condepe sobre a desocupação. O documento responsabiliza os governos municipal, estadual e federal, nessa ordem, pela violação de direitos humanos na desocupação. Feito com base em centenas de depoimentos, a primeira parte do documento traz os relatos da ação. A segunda parte, traz a análise do Condepe sobre as ações e omissões que culminaram no despejo das famílias.

Segundo Renato Simões, a Prefeitura é a principal responsável pelos crimes cometidos na desocupação do Pinheirinho. "houve flagrante violação dos direitos humanos na desocupação e a Prefeitura durante vários anos se negou a discutir alternativas àquelas famílias e a um problema social", disse.

Este relatório final será votado na próxima reunião ordinária do Condepe, em quinze dias.

Os juristas Márcio Sotello e Cézar Britto também falaram as irregularidades cometidas na ação da desocupacão e reafirmaram a necessidade de punicão dos responsáveis e reparação às famílias. Foram ressaltadas as denúncias feitas junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

O membro da Secretaria Executiva na CSP-Conlutas, José Maria de Almeida, ressaltou a importância de cobrar punição e reparação às famílias, mas lembrou que é preciso olhar para frente e o ato deste sábado mostra que a luta continua.

"Seis meses depois da desocupação, nada foi feito pelos governos para garantir moradia aos moradores Pinheirinho", disse. "Estamos conversando com o governo federal e vamos continuar cobrando para que garantam o que está na Constituição: moradia para todos. Para isso, a unidade, organização e luta serão fundamentais ", concluiu.

Para Valdir Martins, o Marrom, foi um grande ato que mostra que o Pinheirinho ainda vive e continuará até o fim na luta pela conquista de casas para todos. Estiveram presentes no ato os candidatos a prefeito de Sáo José dos Campos Ernesto Gradella (PSTU) e Gilberto Silvério (PSOL).

Ato na OAB
Na sexta, dia 20, a desocupação do Pinheirinho foi tema de outro evento na OAB de São José dos Campos. Com a presença de 70 pessoas, entre advogados, estagiários e estudantes, foram discutidas questões jurídicas relacionadas à desocupação do Pinheirinho.

O parecer da OAB no relatório sobre a desocupação foi um dos pontos polêmicos do debate. O documento descartou a existência de violação de direitos humanos na desocupação, desconsiderando os atos de violência física e moral presenciados por diversas testemunhas no dia 22 de janeiro.

O debate fez uma censura ao relatório e concluiu pela necessidade de anulação do documento.

FONTE: OPINIÃO SOCIALISTA /SINDMETAL SJS 

domingo, julho 22, 2012

Érico Corrêa convoca trabalhadores e refuta doação de empresários


Candidato do PSTU tem a menor previsão de gastos 

entre os postulantes ao Paço


Pouco depois das 9h de terça-feira, um grupo dobrou a esquina das avenidas João Pessoa e Jerônimo de Ornelas carregando cerca de meia dúzia de bandeiras vermelhas.
Em frente ao Centro de Saúde Modelo, a comitiva se juntou a outras pessoas com bandeiras e cartazes e tentou entrar na unidade. Ao ser impedido por seguranças, o líder se voltou para os companheiros e exclamou:
— Para pagar guardas para barrar o povo, eles têm dinheiro!
Aquele homem era Érico Corrêa, candidato a prefeito pelo PSTU, mas o seu nome e a sua foto não estavam em nenhuma das bandeiras e cartazes de cartolina. Só mais tarde, quando duas pessoas começaram a distribuir folhetos no portão do posto, ficou claro que se tratava de um ato de campanha.
Sem poder entrar, Érico improvisou um minicomício na calçada. Com a voz amplificada por um carro de som estacionado em frente à unidade, criticou a falta de vacinas contra a gripe A e o descaso com a saúde. Foi sucedido no microfone por candidatos a vereador. Às 9h28min, o ato já estava encerrado e o grupo tinha se dispersado. Érico se aproximou da reportagem e disse, bem-humorado:
— Pode colocar aí que agora todos eles estão indo trabalhar.
É assim que o candidato planeja conduzir a campanha: com o apoio de trabalhadores identificados com a causa socialista. Com previsão máxima de gastos de R$ 100 mil, a menor dentre os aspirantes ao Paço, o servidor público e sindicalista, dissidente do PSOL, diz que toda a verba será arrecadada entre amigos e simpatizantes. Ele se recusa a receber doações de empresários.
Érico afirma não acreditar que as eleições possam sozinhas melhorar a vida do povo e cita o Egito como exemplo para destacar sua crença no poder das massas organizadas de mudar a sociedade. É apostando no contato direto com o eleitor que ele espera driblar as limitações financeiras.
— É o que a gente sabe fazer: pé no asfalto, praça, Esquina Democrática, entregar panfleto, dialogar com as pessoas — diz.
Quem são eles:
Érico Corrêa - PSTU
— Idade: 52
— Profissão: servidor público e sindicalista
— Mandatos anteriores: não teve
— Siglas anteriores: PT e PSOL
FONTE: ZERO HORA

Professores universitários querem negociações abrangentes


Em entrevista à Carta Maior, Walcyr Barros, primeiro vice-presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior no Rio de Janeiro – (Andes-SN/RJ), credita os dois meses de greve dos professores das universidades federais à demora do governo em chamar uma negociação e coloca o compromisso com os princípios de uma educação pública de qualidade como a principal meta do movimento.
Em meio ao acampamento dos servidores públicos na Esplanada dos Ministérios os professores das universidades federais completaram 60 dias de greve e se preparam para novas negociações com o governo na semana que vem. Em entrevista à Carta Maior, Walcyr Barros, primeiro vice-presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior no Rio de Janeiro – (Andes-SN/RJ), credita os dois meses de greve à demora do governo em chamar uma negociação e coloca o compromisso com os princípios de uma educação pública de qualidade como a principal meta do movimento.


Barros afirma que o governo não apresentou uma proposta na semana passada, mas apenas “algumas notas”, e que o sindicato discorda delas em três pontos principais: o plano para a carreira docente, as condições de trabalho e investimentos nas instituições e o reajuste salarial. “O que o governo apresenta como proposta imediata de 45% de reajuste é uma falácia. 

O reajuste seria a partir de 2013, só alcançando os 45% em 2015. Nós fizemos os cálculos e só quem viria a ter algum ganho seria o professor titular, de 5%. Todas as outras categorias receberiam quase nada ou teriam perdas salariais em termos reais ao longo desses três anos com a inflação”, afirma. 

CARTA MAIOR - Qual o desacerto nas negociações entre professores e governo?

WALCYR BARROS – Alguns pontos têm que ser esclarecidos neste contexto. O primeiro é basicamente os nossos 60 dias de greve. Por que ficamos este tempo em greve? A resposta é simples. O governo federal não sentou para negociar, não apresentou nenhuma proposta.

Ele só veio a apontar uma possibilidade de negociação a partir do momento que essa pressão política a nível nacional se intensificou, ou seja, o movimento de greve se reforçou e as pressões sociais, de certa forma, e políticas, dentro do próprio parlamento, se intensificaram. Aí marcou-se uma reunião, quando o governo finalmente apresentaria uma proposta.

Pois bem, na última sexta-feira (13), para nossa surpresa, antes de nós sentarmos para a negociação, o ministro da Educação (Aloizio Mercadante) e a ministra do Mpog (Miriam Belchior, ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão) fizeram uma convocação à mídia apresentando a proposta com a seguinte epígrafe: “Vamos conceder reajuste de 45% para dar fim à greve dos professores. O reajuste é além, inclusive, do que os professores estão solicitando”. Isso antes de sentarmos à mesa. Então nós temos um problema político bastante grave aí. E logo em seguida o Sérgio Mendonça (secretário do ministério da Educação) nos apresentou algumas notas, porque o governo não veio com uma proposta.

... Não teve proposta?

Não! Completamente diferente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), que tem uma proposta. Nós temos uma proposta de carreira que vem sendo construída desde 2010, foi apresentada ao governo no ano passado e foi aprovada no congresso nacional do Andes.

Qual é a particularidade da nossa carreira? É uma carreira de professor federal. Nas universidades nós temos um dispositivo que se chama Caps, os colégios de aplicação; temos os centros federais de ensino, os Cefets, e temos agora a Instituição Federal de Ensino Superior, todos eles com uma formatação de natureza de ensino básico e técnico. Então são dois espaços dentro de um mesmo processo de educação, mas são professores com concurso, com mestrado, com doutorado, pesquisa e extensão, da mesma maneira que professores de ensino superior. Esses professores têm o mesmo gabarito. Então a nossa carreira engloba, é uma carreira única de professor federal. Porque nosso entendimento é: como duas pessoas formadas da mesma maneira vão ter carreiras diferentes, vão ter salários diferentes?

O governo não entende assim?

As anotações que ele apresentou de forma concreta mantêm toda uma série de distorções que se acumulam na carreira docente. É importante termos noção das táticas que o governo federal vem apresentando nos últimos 20 anos. Nós tínhamos uma carreira que só tinha, basicamente, as categorias Auxiliar, Assistente, Adjunto e o Titular. Só que são carreiras diferentes. Até Adjunto você ascende. Mas para Titular você tem que prestar outro concurso.

Pois bem, um professor quando se aposentava como Assistente, isso era lei, ia para o topo da carreira, com o salário de Titular. Até porque a diferença percentual era muito pequena, justamente para evitar essas distorções. A mesma coisa com o ensino básico e técnico, era B1, B2 e B3.

Na greve de 2006, o governo então cria a categoria de Associado. No ano passado o governo apresentou a proposta de criar uma outra categoria, Senior, que achataria ainda mais as aposentadorias, criando uma dificuldade de ascensão do professor ao longo de sua carreira.

E qual a proposta do Andes?

A proposta do Andes é uma carreira de 13 níveis. Essa nomenclatura cai. A mesma coisa para o quadro dos docentes do ensino básico e técnico, eles estariam dentro da mesma carreira. Até porque esse modelo do governo quebra de uma forma determinante todo o processo de funcionamento da universidade.

Todo esse contexto de ascensão é acadêmico. Essa modalidade que o governo insiste em manter é uma modalidade de ascensão produtivista. Então é aquilo, você tem metas, tem que montar dez carros durante uma hora. Isso não faz parte do que seja o trabalho acadêmico! Exemplo, as atividades de extensão não são consideradas a nível de pontuação. É a quantificação de quantos artigos você veio a publicar ao longo de um ano em uma revista top de linha. Se você não conseguiu essa publicação vai ser penalizado, não importa se você tem um trabalho de extensão em saúde, por exemplo, se você está em outros projetos de educação em comunidades carentes.

O governo quer fragmentar dois grupos de professores universitários que apenas atuam em cenários diferentes. Seria como penalizar professores de Belas Artes porque imediatamente eles não ofereceriam resultados para a sociedade; em contrapartida os professores da área de saúde, junto aos hospitais universitários, atenderiam a população. Isso a grosso modo. Os professores de Belas Artes fazem pesquisa, fazem extensão, produzem. Afinal de contas estamos em uma sociedade plural quanto ao processo de conhecimento.

Além do plano de carreira, em quais outros pontos professores e governo não se entendem?

A falácia com relação à remuneração salarial, aquilo que o governo apresenta como proposta de 45% de reajuste. Nós fizemos o cálculo e está claro que só quem viria a apresentar algum ganho seria o professor titular, um ganho de 5,9%. O professor Adjunto IV, que na tabela da nossa proposta seria o Nível 8, receberia 1%. O Adjunto III não receberia nada em termos quantitativos reais. E todos os outros teriam perda salarial.

...Isso ao longo desses três anos na proposta do governo de 45% escalonados até 2015...

...Não! Isso contando a partir do primeiro ano. A inflação, por mais que nos pareça baixa, existe. E existe uma corrosão. O que o governo apresenta como reajuste imediato de 45%, temos que considerar que seria a partir de 2013. E tem outra informação. O governo baixou uma Medida Provisória indicando a data base dos professores e do funcionalismo para 1⁰ de março, então esse 2013 começaria em março. Escalonados seriam então 40% em 2013, 30% em 2014 e 30% em 2015 para chegar a esse percentual de 45% de aumento.

E no ano passado nós firmamos um acordo com o governo em que ele se comprometia a um percentual de reajuste de 4% a vingar a partir de janeiro de 2012. O governo só veio a pagar isso em junho, que sai em julho. E aí temos uma estratégia contábil fantástica. No meio do ano a grande massa do funcionalismo recebe a metade do 13⁰ salário. O que acontece quando você aplica um percentual maior naquele momento? O nível de imposto de renda se eleva. Então é dar com uma mão e tirar com a outra.

Outro ponto de reivindicação dos professores é por melhores condições de trabalho, correto?

O serviço público vem sendo sucateado. Em contrapartida a isso, o governo federal aplica o Prouni (Programa Universidade para Todos), que se nós formos ver é o financiamento para as faculdades particulares que estão na bancarrota sobreviverem. Locais de ensino que não tem uma função social, mas uma função de mercado, puramente comercial. E o governo investe nelas diretamente e com anistia fiscal. Ou seja, um orçamento que certamente poderia ser usado nas universidades públicas, que ao longo desses anos proporcionalmente têm tido redução orçamentária. Proporcionalmente por quê? Aumentou o número de universidades públicas e de alunos nestas universidades, e a inflação continuou. Então o que o governo apresenta numericamente em termos de aumento de investimento é uma grande ficção.

A questão dos 10% do PIB para a educação estaria inserida aí?

Para a educação pública! O que o governo fez? Em 2003 houve uma negociação onde o governo apontou destinação de 7% do PIB para educação até 2010. Não foi cumprido. Agora o MEC aponta 10% em 2023!! Só que neste projeto de 10% estão todas as escolas privadas, todas as fórmulas matemáticas e orçamentárias que não dizem respeito ao investimento no ensino. Então este princípio para o Andes é fundamental: 10% do PIB para a educação pública!

Quais os próximos passos da greve e das negociações?

Quem decide são as bases. O Andes se debruçou em cima dos elementos que o governo apresentou, que ele está configurando como uma proposta. E na nossa leitura não tem nada de concreto, apenas esses 45% apresentados como reajuste salarial. Só que não estamos lutando por uma questão puramente salarial, mas por um plano de carreira, pela sobrevivência da universidade pública, ou seja, por um conjunto de elementos e princípios que apontam um compromisso dessa universidade pública com a sociedade.

Então o sindicato faz uma análise, encaminha essa avaliação para as associações docentes, e essas associações, seus professores, vão fazer a análise em suas assembleias gerais, provavelmente até sexta-feira (20). Está marcada uma outra reunião entre Andes e governo para o dia 23, e até lá devemos ter um posicionamento definido de forma democrática, deliberada pelo conjunto dos professores.


FONTE: CARTA MAIOR / Rodrigo Otávio

sábado, julho 21, 2012

Votação de relatório contra lucro de universidades gera crise na oposição chilena

Documento foi rejeitado por um voto; onze parlamentares da coalizão de oposição se ausentaram da sessão

A longa e conturbada jornada da última quinta-feira (19/07), no Congresso Nacional do Chile, em Valparaíso, que terminou com o relatório final da Comissão Especial de Investigação do Lucro nas Universidades sendo rejeitado pela Câmara de Deputados, gerou nesta sexta-feira (20/07) indignação entre os líderes do Movimento Estudantil e deflagrou uma crise na principal aliança opositora.
A primeira controvérsia surgiu junto com o resultado final da votação, que apontou 46 votos a favor do relatório, 45 votos contra e uma abstenção, além de diversas ausências. O placar computou a abstenção como voto contrário e determinou um empate técnico que terminou com a rejeição do relatório.
O resultado desagradou alguns deputados do PS (Partido Socialista) e principalmente o presidente da legenda, Osvaldo Andrade, que questionou o fato de o presidente da Câmara, Nicolás Monckeberg, do partido governista RN (Renovação Nacional), não ter usado a prerrogativa do voto de minerva – segundo Monckeberg, ele não poderia ter utilizado a prerrogativa neste caso, argumento que também foi contestado por Andrade.
Nesta sexta-feira, a derrota do relatório foi o principal tema do país. O movimento estudantil não poupou críticas aos dois principais conglomerados políticos: a Aliança (governista, de direita), por liderar a campanha pela rejeição do relatório, mas principalmente a Concertação (oposição, de centro-esquerda), por cometer erros que os estudantes consideram graves e que foram decisivos para o marcador final de ontem.
A principal reclamação dos estudantes é com o fato de que a oposição precisava de maioria simples para aprovar o relatório, e que o empate técnico aconteceu porque alguns deputados da coalizão se ausentaram de maneira estranha. Segundo os estudantes, esses parlamentares estavam no Congresso na quinta-feira, mas não apareceram no plenário na hora da votação.
De acordo com Noam Titelman, presidente da FEUC (Federação de Estudantes de Universidades Católicas), o resultado de quarta é “uma vergonha para a Concertação, porque eles se comprometeram a apoiar a maior fiscalização sobre as universidades que lucram, e ontem [quarta-feira] perderam uma votação crucial porque faltaram votos que se debandaram estranhamente no último minuto”.
Também nesta sexta-feira, o semanário chileno The Clinic publicou uma lista dos onze deputados oposicionistas que não compareceram ao plenário no momento da votação do relatório, e lembrou que bastava que um deles estivesse presente e votasse a favor do texto para que este pudesse ser aprovado.
A situação gerou um evidente constrangimento entre os partidos da Concertação, principalmente o PDC (Partido Democrata Cristão) e o PPD (Partido Pela Democracia, social democrata), que foram os que mais tiveram deputados ausentes na votação. O único presidente de partido que se manifestou sobre a situação foi, novamente, o socialista Osvaldo Andrade, que deu uma coletiva afirmando que “aqueles que no futuro deixem de cumprir os compromissos estabelecidos em reunião da bancada, deveriam efetivamente deixar a coalizão”.
Quem também se referiu ao tema e gerou outra polêmica foi a porta-voz da Confech (Confederação dos Estudantes do Chile), Camila Vallejo, que acusou, em entrevista a uma emissora de rádio local, “os partidos governistas de ameaçarem através de práticas mafiosas de intimidação, a muitos deputados oposicionistas, independentes e inclusive alguns de seus próprios partidos que estavam a favor do relatório e foram obrigados a se ausentar”. Vallejo citou como exemplo um dos casos mais polêmicos da votação, quando o deputado Gaspar Rivas (RN) abandonou o plenário pouco antes do fim da votação, sem dar o seu voto, que poderia ter sido o decisivo.
O lucro nas instituições de ensino é proibido por lei constitucional no Chile, e o tema tem sido um dos mais debatidos pelos estudantes desde o começo das mobilizações, em junho de 2011. A própria Comissão Especial foi, inclusive, uma das iniciativas impulsionadas pelo Parlamento chileno, no último mês de outubro, em resposta ao que exigia a Confech sobre o tema.
O destino do relatório
O relatório final da Comissão Especial de Investigação do Lucro nas Universidades possui mais de cinco mil páginas, a maioria delas documentos recolhidos de 31 diferentes estabelecimentos de ensino superior públicos e privados, e apontou que mais da metade deles apresenta associações suspeitas ou claros indícios de relações comerciais que usavam as universidades como mecanismo indireto para obter lucro.
Segundo a presidente da Comissão Especial, a deputada Alejandra Sepúlveda, do PRI (Partido Regionalista Independente, que não pertence a nenhum dos dois principais blocos políticos), “o informe não investigou todas as universidades, mas apontar culpados não era o nosso principal trabalho. O mais importante era identificar o modus operandi dessas instituições, e as que não foram investigadas ou as investigadas que demonstraram casos estranhos, mas não claramente ilegais podem ser enquadradas no futuro, nas figuras que nós encontramos e apontamos no relatório”.
Sepúlveda diz que o relatório também aponta que quase todas as universidades que lucram possuem pelo menos uma importante figura política entre seus acionistas, e que entre esses políticos acionistas estão dois ministros de Piñera (entre eles Joaquín Lavín, que foi ministro da Educação no começo do mandato), figuras civis da ditadura de Pinochet e inclusive alguns líderes da progressista Concertação.
A rejeição do relatório não permite que ele seja objeto de outra votação. Na melhor das hipóteses, poderá originar a criação de outra comissão investigadora, que começaria a trabalhar a partir dele e um novo documento. A deputada Alejandra Sepúlveda diz que pretende encaminhar todos os documentos reunidos durante as investigações ao Ministério Público, para que este também possa trabalhar sobre a matéria a partir dessa base.
Outro aspecto levantado pela deputada é a responsabilidade do atual ministro da Educação, Harald Beyer, na rejeição do relatório. Segundo ela, o ministro demonstrou uma estranha omissão a respeito do caso “para alguém que escreveu um longo artigo em 2007, em um jornal de Santiago, onde suas conclusões a respeito da ilegalidade do lucro e as formas como as universidades evadem a fiscalização foram vitais para apontar os rumos da investigação”.
Na terça-feira (17/07), o ministro havia classificado o documento como “intranscendente”, alegando que não apresentava nenhuma novidade. Sepúlveda afirma que os documentos apresentados no relatório ampliam a visão que já havia a respeito dos esquemas que as universidades criam para gerar lucro, e que algumas dessas provas foram trazidas por estudantes da Universidade do Chile, que entregaram cópias ao ministro, para que fossem encaminhadas à Superintendência de Ensino Superior, mas este as teria ignorado, o que, segundo a deputada, poderia motivar uma acusação constitucional contra ele.

FONTE: OPERA MUNDI

sexta-feira, julho 20, 2012

Dia do Amigo: grandes frases sobre amizade


Os amigos e a amizade vistos através das citações poéticas, irônicas, bem-humoradas ou sábias de escritores, artistas, humoristas, políticos, pensadores, filósofos e artistas

“Amigo é aquela pessoa para quem você pode ligar às 4 da madrugada”. A frase, dita pela lendária atriz alemã Marlene Dietrich (1901-1992), define essa figura fundamental na vida de qualquer ser humano com muito mais precisão do que um livro inteiro sobre o assunto. Amigos são aquelas criaturas que nos amam tão incondicionalmente que estão disponíveis para nós a qualquer hora. É ou não é?
Assim como a grande estrela de cinema do início do século passado, escritores, humoristas, cantores, políticos, filósofos e pensadores também transformaram suas reflexões em frases que a gente lê, relê e repete sem nunca se cansar. Para celebrar o Dia do Amigo, comemorado nesta sexta-feira (20), confira uma seleção das melhores citações sobre o tema.
Para começar, vamos ver como eles respondem à pergunta: “O que é ser amigo?”:
“Um amigo é alguém que lhe dá total liberdade para ser você mesmo” , Jim Morrison (1943-1971), vocalista do grupo The Doors.
“Um amigo é uma pessoa com a qual posso ser sincero. Diante dele posso pensar em voz alta” ,Ralph Emerson (1803-1882), filósofo e poeta americano.
"Um amigo é alguém que lhe conhece por completo e ainda assim gosta de você" , Elbert Hubbard (1856-1915), jornalista americano. 
“A amizade é uma espécie de amor que nunca morre” , Mario Quintana (1906-1994), poeta e cronista gaúcho.
"Os amigos são parentes que nós mesmos escolhemos " , Eustache Deschamps (1328 - 1415), poeta francês.
Amizade é...
"A amizade é um comércio desinteressado entre semelhantes" , Oliver Goldsmith (1730-1774), escritor irlandês.
“Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta aos outros” , Adriana Falcão(1960), escritora e roteirista carioca.
“A amizade é, acima de tudo, certeza – é isso que a distingue do amor ”, Marguerite Yourcenar(1903-1987), escritora belga.
“A diferença entre o verdadeiro amigo e um irmão é que apenas os pais diferem” , Eça de Queiróz (1845-1900), escritor português.
"A amizade multiplica as coisas boas e divide as más" , Baltasar Gracián (1601-1658), escritor e filósofo espanhol.
Amigos, amigos...
“O negócio pode trazer dinheiro, mas a amizade raramente o faz” , Jane Austen (1775-1817), escritora inglesa.
"Na prosperidade, nossos amigos nos conhecem; na adversidade, nós conhecemos nossos amigos" , John Churton Collins (1848-1908), crítico literário inglês.
“A amizade é um meio de nos isolarmos da humanidade cultivando algumas pessoas” , Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), poeta mineiro.
“A amizade de duas mulheres é sempre a conspiração contra uma terceira” , Alphonse Karr(1808-1890), jornalista e novelista francês.
"A amizade é como dinheiro: mais fácil de conseguir do que manter" , Samuel Butler (1805-1932), escritor inglês.
Escolhendo amigos
O escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900) ficou conhecido pelas suas frases de refinada ironia. Uma das mais famosas descrevia a maneira como ele escolhia os seus amigos:
“Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade”.
"Seja lento na escolha de um amigo, e mais lento na mudança” , Benjamin Franklin (1706-1790), cientista e estadista americano.
"Para encontrar um amigo, devemos fechar um olho. Para conservá-lo, devemos fechar os dois", Norman Douglas (1868-1952), escritor britânico.
"Faça amizades com quem estiver pronto a censurá-lo" , Nicolas Boileau,(1636-1711), poeta francês.
Homens e mulheres podem ser amigos?
“As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física” , Friedrich Nietzsche (1844-1900), filósofo alemão.
“A amizade da mulher para com o homem é um beco sem saída, para o qual a empurrou o engano no amor” , Charles Dickens (1812-1870), escritor inglês.
“Amizade, casamento de dois seres que não podem dormir juntos” , Jules Renard (1864-1910), escritor francês.
Amigos versus inimigos
"Que Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu" , Voltaire (1694-1778), ensaísta e historiador iluminista francês.
"Não estarei destruindo meus inimigos quando os transformo em amigos?" , Abraham Lincoln(1809-1865), presidente americano. 
"O amor é a única força capaz de transformar um inimigo num amigo" , Martin Luther KingJunior (1929-1968), ativista político americano.
"É mais fácil perdoar nossos inimigos que nossos amigos" , William Blake ( 1757-1827), poeta inglês.
E você, qual é sua frase favorita sobre amigos e amizade?Compartilhe nos comentários
FONTE: IG

O Lugar do Movimento pela Educação


A greve dos professores das universidades federais e de alguns Institutos Federais de Educação (IFETs) filiados ao Sindicato Nacional (Andes) começou no dia 17 de maio e completa 55 dias com ameaça de corte de ponto de professores e a realização, durante todo o período, de apenas uma reunião de negociações com o governo, em 12 de junho. São 56 universidades paralisadas, das 59 existentes. 
Surpreendeu pela facilidade com que professores novos, recém ingressados na docência do ensino público federal com a expansão do Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), criado em 2007, e antigos, que há muito haviam se afastado da luta sindical, compreenderam a justeza do movimento e aderiram. Surpreendeu, ainda, pelo efeito “de onda”, se alastrando por universidades onde o Andes não tem seções sindicais organizadas e a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), pró-governo e contrário à greve, mantém hegemonia. Nestas instituições, como as federais de Minas Gerais, Goiás, Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, apesar da suspensão de assembleias desfavoráveis à sua linha sindical, por dirigentes do Proifes, apesar da tentativa de exclusão de professores não sindicalizados de assembleias e da realização de plebiscitos com votos secretos para a decisão sobre a deflagração das greves, o movimento cresceu, fortaleceu-se e se impôs, com a formação de comandos locais de greve que estão dirigindo o movimento. Como explicar tamanho acontecimento?No dia 13 de junho, foi deflagrada a greve dos professores e servidores técnicos administrativos dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, antigos Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFTs), transformados em institutos por lei de dezembro de 2008, filiados ao Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe). Dos 38 existentes, 36 aderiram. Os estudantes, por sua vez, também estão parados em 38 universidades. Trata-se da maior greve no ensino público federal das últimas décadas, com um ímpeto e abrangência que surpreendeu a todos, a começar por seus próprios dirigentes.
Percepções e Sentimentos
Estes dois tipos de carências podem ser encontrados mais ou menos intensamente em campi mais novos ou mais antigos, ou simultaneamente em uns e outros, mas configuram um quadro nacional em que a expansão do Reuni atingiu metas quantitativas muito positivas (14 novas universidades federais desde 2003, mais de 100 novos campi, contra zero nos governo FHC) e, em contrapartida, instalou uma situação de precariedade e ameaça à qualidade mínima esperada do ensino superior em uma nação que ostenta o 6º PIB mundial. Ao invés de polos capacitados para o desenvolvimento de ensino, pesquisa e extensão, como, aliás, determina a Constituição, as universidades federais brasileiras correm o risco de se transformarem em um mero terceiro grau, com alguns poucos centros de pesquisa, repetindo o que ocorreu com a expansão da oferta de vagas no ensino fundamental nas décadas anteriores. Ouvindo, no Comando Nacional de Greve do Andes, relatos de colegas de diversos estados sobre campi novos sem condições de funcionamento, com prédios cheios de rachaduras, containeres transformados em salas de aula, barracas ao ar livre fazendo as vezes de restaurante universitários, vem a dúvida, inspirada pelo verso de Caetano Veloso (“Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína”): a expansão do Reuni está em construção ou já virou ruína?Parecem combinar-se duas percepções e sentimentos: a dos professores mais antigos, que viram seus vencimentosperderem poder de compra nos últimos anos e seu plano de carreira perder nexo e coesão com alterações aleatórias efetuadas pelo Ministério da Educação e a dos professores mais novos, concursados nos últimos cinco anos, com a expansão do Reuni, que estão, muitas vezes, trabalhando em campi sem infra-estrutura, com salas de aula superlotadas, sobrecarregados em carga horária e quantidade de disciplinas, assumindo tarefas administrativas por falta de funcionários.
Massa Crítica
Se o governo Lula pretendia tirar proveito político-eleitoral da expansão do ensino superior e técnico, produzindo uma massa de manobra político-eleitoral, criou na verdade uma massa crítica, que cresce com a expansão, mas luta para assegurar que os requisitos mínimos de qualidade da educação sejam cumpridos. Sem isto, mais tarde, será difícil consertar.
Nas Ruas
A greve dos docentes das universidades federais pôs na mesa para negociar com o governo e debater com a sociedade dois eixos de reivindicações: luta pela reestruturação da carreira docente e pela valorização e melhoria das condições de trabalho docente. A greve dos professores dos Institutos Federais de Educação luta por reestruturação da carreira, reposição salarial emergencial, jornada de trabalho de 30 horas para os técnicos administrativos, democratização das instituições. Os técnicos administrativos das universidades lutam por reajuste salarial, contra a terceirização e os estudantes exigem 10% do PIB para a educação pública já e uma expansão com qualidade. Estamos, portanto, diante de uma greve geral da educação federal no país. Não se trata de um movimento unificado em suas pautas e processos de negociação, mas sim em suas ações, comandos e objetivos gerais. Ao exigir 10% do PIB para a educação pública; ao denunciar o comprometimento de 47,19% do orçamento de 2013 com o pagamento da dívida pública, enquanto apenas 3,18% destinam-se à educação; ao descobrir e denunciar, como parte das atividades de greve, que as metas do superávit primário em 2012 foram amplamente superadas até agora e que a despesa com pessoal no serviço público federal vem diminuindo nos últimos anos, em proporção às receitas, a greve põe em questão um dos fundamentos da política econômica dos últimos governos, tanto de FHC, quanto de Lula e Dilma: a prioridade do pagamento da dívida, sem nenhum tipo de questionamento, auditoria ou renegociação, como forma de assegurar uma inserção subordinada, mas privilegiada, no sistema da globalização financeira.
Este debate tem sido levado às ruas, em atos públicos massivos, como o realizado na Rio+20, reunindo mais de 80 mil pessoas, e em outros menores, como os realizados na quinta-feira, dia 5, em São Bernardo do Campo (SP), na inauguração de uma Unidade de Pronto Atendimento com a presença de Lula e Dilma e, na sexta-feira, dia 6 de julho, no Rio de Janeiro, na inauguração de casas do “Minha casa, minha vida”, com a presença de Dilma. E é assim de Norte a Sul. O debate sobre verbas para investimento social versus para repasses ao capital financeiro tem sido tema de panfletos, jornais sindicais, textos nos sites, é o assunto de inúmeros blogueiros e tuiteiros do Amapá ao Rio Grande do Sul. Artigos de opinião em jornais de grande circulação assinados por personalidades como Marina Silva, denunciam o erro do governo ao apostar que pode derrotar os profissionais da educação ao invés de com eles negociar. Ações dirigidas a parlamentares de todas as esferas de poder se sucedem com regularidade. A greve é um acontecimento político nacional como foi a greve dos metalúrgicos do ABC em 1978.
Greve do ABC 
Naquele ano, causou surpresa no IV Encontro Regional de História de São Paulo, realizado em Araraquara, um texto apresentado por um estudante de mestrado, intitulado "O lugar do movimento operário". Kazumi Munakata, autor do trabalho, abria seu artigo dizendo, contra a pauta política estabelecida pela mídia e pelo sistema, que o acontecimento político mais importante do primeiro semestre daquele ano não fora a indicação de Figueiredo para a Presidência da República, nem a candidatura dissidente de Magalhães Pinto ou mesmo a articulação da Frente Nacional de Redemocratização, mas sim a irrupção da greve metalúrgica do ABC. Arrisco-me a parafrasear o polêmico historiador, afirmando que o acontecimento político mais importante do primeiro semestre de 2012 não é a aliança entre Haddad e Maluf em São Paulo, nem a CPI do Cachoeira em Brasília e tampouco a definição da data para o julgamento do “mensalão” no STF, mas as greves dos professores, trabalhadores técnico-administrativos e estudantes da educação federal e dos demais servidores públicos federais.
Acontecimento Político de 2012
Não se tratava mais, dali em diante, meramente de uma passagem do Estado de exceção para o Estado de direito. Ainda segundo Munakata, “não se trata mais de combater a situação vigente meramente por ser de exceção, mas pelo seu significado; da mesma forma, a questão da democracia não se resume na legitimidade da lei, mas inclui necessariamente a questão dos trabalhadores, de sua organização livre e independente em todos os níveis, e da sua participação ativa na vida social”.A greve geral da educação federal é o acontecimento político mais importante de 2012 exatamente pelas mesmas razões que foi a greve dos metalúrgicos do ABC em 1978, embora os problemas da conjuntura política sejam diferentes, o impacto econômico imediato da greve da educação seja reduzido e o poder de mobilização social e política seja muito inferior. Dizia, então, Munakata: “Enquanto os setores oficialmente políticos emendam e remendam o quadro da legalidade existente, o movimento grevista aponta, mesmo sem um projeto explícito – mesmo porque um projeto nunca é um a priori dado, mas um eterno fazer-se – uma perspectiva de ruptura com esse marasmo”. A ruptura se dava em dois níveis: 1) ao “deitar por terra um dos cavalos de batalha do regime: o arrocho salarial, que possibilitou um padrão de acumulação de capital sem precedentes na história brasileira”; e 2) ao jogar o debate sobre e “redemocratização” em outro campo.
Cavalos de Batalha
Pois, a greve geral do setor federal de educação põe em questão um dos “cavalos de batalha” do atual regime, que tenta deslanchar um ciclo desenvolvimentista sem romper com os fundamentos do modelo neoliberal: a prevalência, no modelo, dos interesses do grande capital financeiro, rentista, dos credores nacionais e internacionais. Reservando metade do orçamento para o pagamento da dívida, o que sobra para fazer política econômica? E também coloca em questão um dos “nós górdios” políticos de nossa atual democracia: ao construir-se pela base, democraticamente, optando por explicitar os problemas e lutar por saídas, a greve e os sindicatos que a sustentam, colocam em xeque um novo modelo de sindicalismo no qual a CUT se transformou e a Força Sindical sempre foi: um sindicalismo em que os sujeitos da luta não são respeitados mas cooptados, as reivindicações não são discutidas, mas neutralizadas por acordos de cúpulas, em que governo e trabalhadores, patrões e empregados embarcam no mesmo barco: alguns fazendo banquetes na primeira classe, a grande maioria descascando batatas no porão. A greve da educação é portadora de um outro projeto, indica um outro caminho. A história e a luta dirão se este potencial se transformará em realidade.

FONTE:Caros Amigos / Murilo Leal Pereira Neto é professor de História da Unifesp, em Osasco (SP)

quinta-feira, julho 19, 2012

Marília Gabriela recebe a ativista Sara Winter (FEMEN)

No De Frente Com Gabi , Marília Gabriela entrevista a ativista Sara Winter. Feminista, Sara ficou famosa por defender no Brasil a causa do Femen, grupo ucraniano de protesto contra temas como o turismo sexual, o sexismo e outros males sociais. Após fazer 20 anos ela também participou de protestos na Ucrânia durante a Eurocopa e chegou a ser presa. Ela vem ao programa para falar sobre sua história, as causas que defende, sobre o Femen e as razões que a levaram a protestar.

Confira as melhores frases da entrevista: 



• Pedi para o meu irmão falar para os meus pais que eu ia viajar. (para a Ucrânia)

• Preparei um material didático para explicar a causa (feminista) para os meus pais.

• Meus pais são pessoas humildes. Meu pai ignora e minha mãe me apóia no que ela consegue.

• A gente não tem nada contra o futebol. (Sobre o Femen)

• Não conseguimos nos aproximar dos estádios porque os policiais conhecem todos os nossos rostos.

• Senti que poderia usar meu corpo para mudar algo no mundo, já que não tinha dinheiro ou influência. 

• O topless é uma provocação para todos os seres humanos que exploram pessoas sexualmente.



• Não protestamos fazendo pose, nós levantamos os braços e jamais sorrimos.

• Nosso protesto é pacífico, a gente só grita.

• A questão do topless ainda é muito forte no Brasil. 

• Na segunda vez que fui detida a polícia foi muito agressiva. Não precisava de dois policiais para me segurar.

• Eu dizia ao policial: “você está machucando meu braço”, ele dizia “só estou cumprindo ordens”.

• Existem mulheres mais machistas que os homens.

• Perdi muitos amigos a partir da minha primeira foto (de topless) na internet.

• Não tenho tempo para namorar.















LEIA MAIS EM: Quer fazer parte do Femen Brasil? Sara Winter explica como http://guebala.blogspot.com.br/2012/06/quer-fazer-parte-do-femen-brasil-sara_08.html


                  Entrevista Exclusiva: GRUPO FEMEN
http://guebala.blogspot.com.br/2012/06/entrevista-exclusiva-grupo-femen.html

quarta-feira, julho 18, 2012

Copa não reduz pobreza local, diz pesquisa sul-africana

Segundo artigo do Human Sciences Reserch, megaevento de 1994 nos Estados Unidos gerou prejuízo entre $5,5 e $ 9,3 bilhões de dólares para as cidades sede

Preocupado com o rumo que os preparativos para Copa do Mundo no Brasil em 2014 têm tomado, o jornalista e documentarista Rudi Boon – autor do documentário A FIFA manda sobre a Copa de 2010 na África do Sul, que o Copa Pública mostrou - nos mandou uma série de estudos e documentos sobre os impactos dos megaeventos nos países onde ocorreraram. O primeiro, “Megaeventos como resposta para a Redução da Pobreza: A Copa de 2010 da FIFA e suas implicações no desenvolvimento da África do Sul” que apresentamos hoje, foi realizado por pesquisadores do instituto sul-africano Human Sciences Reserch (Conselho de Pesquisa em Ciências Humanas), na época em que o país se preparava para receber a Copa de 2010.
Baseando-se na documentação de outros pesquisadores a respeito do legado da Copa em alguns países, o artigo defende que é praticamente impossível que a pobreza seja reduzida com a chegada de um grande evento e que os benefícios propagandeados pelos governos como projetos de mobilidade urbana e aumento do número de empregos são pouco funcionais, efêmeros e concentrados em pequenas áreas, e que muitas vezes acabam gerando crises e prejuízos ainda maiores para os países anfitriões. O exemplo mais chocante usado no texto, citando um estudo recente feito por Robert Baade & Victor Mathesondois, pesquisadores americanos, talvez seja o da Copa de 1994 nos Estados Unidos, que teria gerado um prejuízo entre $5,5 e $ 9,3 bilhões de dólares para as cidades sede, ao invés do lucro estimado em 4 bilhões.
Expectativa
O texto começa explicando que o anúncio da Copa na África do Sul gerou muita expectativa, já que seria o primeiro grande evento em todo o continente. Na época, o presidente Thabo Mbeki, anunciou que aquele não seria apenas um evento sul-africano mas de toda a África. Além disso, o país passava por um momento de reconstrução e a Copa seria o “empurrãozinho” que faltava para o investimento no crescimento das cidades. Já nesta introdução, os autores alertam que em muitos países que receberam o megaevento, o que se viu como consequência da passagem da FIFA foram graves crises para as economias nacionais, geradas pelo grande volume de investimentos estatais – exatamente como está sendo feito no Brasil, como o ministro do TCU admite nesta entrevista. A preocupação dos pesquisadores, no caso da África do Sul, era com um crescimento muito rápido porém desordenado e desigual. Havia na época expectativa de crescimento de 65% em cinco anos, porém apenas nas cidades com maior concentração  de PIB e ainda assim de forma díspar, com muitos investimentos em áreas nobres e poucos investimentos nas áreas pobres. Isto também já pode ser visto no Brasil, como mostram os dossiês"Mega-eventos e violações de Direitos Humanos no Rio de Janeiro"e "Mega-eventos e violações de Direitos Humanos no Brasil". Desta forma, afirmam os pesquisadores, este crescimento é colocado como um “desafio”, pouco importando se o país ou as cidades sede têm de fato a possibilidade de investir tanto em um megaevento.
As promessas feitas para a África do Sul também eram muito parecidas com as feitas por aqui, segundo o documento: “Em primeiro lugar, o megaevento é colocado como um catalisador para melhorar a condição de vida das pessoas historicamente desfavorecidas. Sugere um novo sistema de transporte público e uma agenda significativa de desenvolvimento, com promessas de geração de emprego”.
O que se viu, segundo esta entrevista com Eddie Cottle, autor do livro “Copa do Mundo da África do Sul: um legado para quem?” foi bem diferente disso: “O número de postos de trabalho foi estimado em 695.000 para os períodos pré e durante a Copa do Mundo. E o que aconteceu na realidade? No segundo trimestre de 2010, as taxas de empregabilidade diminuíram em 4,7%, ou seja, perdemos 627.000 postos de trabalho. No setor da construção civil, onde se tinha a sensação de que os ‘bons tempos’ seriam sentidos por todos, o emprego diminuiu 7,1% (ou 54.000 postos de trabalho) neste período. Na verdade, o ano de 2010 testemunhou com menos 111.000 postos de emprego na construção”
Outras Copas
O texto coloca que um dos pontos mais criticos em sediar um megaevento é a dívida que se cria ao deslocar recursos públicos que iriam para necessidades básicas das cidades – como saneamento, transporte público, educação, etc. – para estádios e obras específicas de mobilidade. Como exemplo, usa a Copa de 1994 nos Estados Unidos: “Estudos mostram que ao invés do lucro de 4 bilhões esperados com o megaevento, as cidades sofreram perdas que variaram entre $ 5,5 e $ 9,3 bilhões”. E continua: “Em Barcelona, o que se viu depois das Olimpíadas de 1992, foi um aumento significativo do custo de vida [de 20%, segundo pesquisa da Universidade Autônoma de Barcelona]. A cidade também sofreu com o desemprego, porque foram criados muitos postos temporários, com baixos salários. Com o fim do evento, havia uma massa de desempregados. Nas Olimpíadas de Montreal (1976) além do desemprego, a cidade sofreu com o corte de investimentos em áreas essenciais. Com isso sofrem os pobres, que são os que menos aproveitam os megaeventos”. Em Atlanta, após as Olimpíadas de 1996, o que ficou, segundo o artigo, foi um projeto de mobilidade urbana que não ajudou os cidadãos.
Despejos
“Estima-se que as Olimpíadas de 1988 em Seul resultou no despejo de 700.000 pessoas. Para os Jogos Olímpicos de Pequim, 300.000 foram expulsos de suas casas” diz o artigo. Em 2010, a ONU também fez um levantamento a respeito destes despejos, como a relatora especial da ONU para a moradia adequada, Raquel Rolnik, escreveu em seu blog em 2010: “Em Seul, em 1988, a Olimpíada afetou 15% da população, que teve de buscar novos locais para morar – 48 mil edifícios foram destruídos. Em Barcelona, em 1992, 200 famílias foram expulsas para a construção de novas estradas. Em Pequim, a ONU admite que 1,5 milhão de pessoas foram removidas de suas casas. A expulsão chegou a ocorrer em plena madrugada. Moradores que se opunham foram presos”.
Dinheiro público, beneficio privado
No Japão, estádios e espaços construídos com dinheiro público para a Copa do Mundo de 1992 foram parar nas mãos da indústria do entretenimento, que hoje os usa para espetáculos e jogos privados com ingressos caros, segundo o documento. Caso semelhante aconteceu no Rio de Janeiro: criada para sediar jogos do Pan-americano de 2007, a Arena Olímpica, que depois foi renomeada de HSBC Arena, hoje é administrado pelo HSBC e sedia eventos e espetáculos de empresas privadas.
Migração e desemprego
Para os pesquisadores, com pouco ou nenhum recurso sendo destinado às cidades que não sediarão os jogos, muitos migram destes lugares, atrás da oferta de empregos temporários gerados pelos megaeventos. Quando o trabalho temporário acaba, estas pessoas tendem a não voltar para suas cidades de origem, engrossando a massa de desempregados nas cidades. Este processo é agravado pelo aumento do custo de vida e pelos baixíssimos salários, que muitas vezes não permitem que estas pessoas voltem as cidades de origem.

FONTE: REVISTA FÓRUM / Andrea Dip