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terça-feira, março 05, 2013

Qual o legado de Chávez?









O nacionalismo burguês representado pelo chavismo não acabou com a pobreza ou a desigualdade social na Venezuela

Desde que Chávez anunciou publicamente no dia 8 de dezembro a reincidência de seu câncer e uma nova cirurgia de emergência em Cuba, pouco ou nada se sabe sobre seu real estado de saúde. Especulações e boatos à parte, é quase consenso que a grave situação do dirigente bolivariano é irreversível e que muito dificilmente ele retornará ao cargo de presidente. 

Para além do drama pessoal de Chávez e da comoção de inúmeros ativistas e militantes honestos, os acontecimentos recentes na Venezuela reacendem o debate sobre o chavismo e o real significado de seu “Socialismo do Século XXI”.

Durante os 14 anos em que esteve à frente do país, Chávez se tornou principal referência para grande parte da esquerda no mundo. “Hoje temos uma economia em transição ao socialismo” chegou a discursar o vice-presidente Nicolás Maduro ao dizer que a política do governo não mudaria no tempo em que Chávez estivesse convalescendo em Havana.

Mas seria mesmo a Venezuela dirigida pelo chavismo um país rumo ao socialismo ou, pelo menos, um avanço na luta contra o imperialismo? 

Um nacionalismo burguês em nova roupagem
O fenômeno que possibilitou o surgimento do chavismo foi um produto da mobilização das massas venezuelanas. Em 1989 uma verdadeira insurreição popular contra a miséria e a inflação, conhecida como “Caracazo”, havia sacudido o país. O governo conseguiu sufocar a revolta, mas a crise econômica e política só se aprofundaram. Em 1992 o então tenente-coronel das Forças Armadas, Hugo Chávez, aproveitou-se do desgaste do governo de Carlos Andrés Pérez para tentar um golpe de Estado. Chávez fracassa, é preso, mas se transformou em uma referência política.

Em 1998 o militar de discurso nacionalista, já anistiado, lidera uma frente de partidos reunidos no "MovimentoV República" (MVR) e vence as eleições presidenciais, pondo fim à hegemonia de 40 anos dos partidos tradicionais da direita. A Venezuela que Chávez assume é um país com uma brutal desigualdade social e pobreza e com os políticos desacreditados após sucessivos escândalos de corrupção.

No governo, Chávez anuncia sua “revolução pacífica”, ou seja, uma política de mudanças graduais por dentro do Estado burguês, apoiando-se sobretudo, em sua base social, as Forças Armadas. Já a nova constituição promulgada em 2000 teve como principal medida centralizar ainda mais o poder nas mãos do Executivo. Com a onda de revoluções que passou pela América Latina na virada do século, Chávez foi reorientando o discurso nacionalista para a sua versão peculiar de socialismo.

Se por um lado Chávez e seu governo são produtos da mobilização das massas, porém, por outro se coloca à cabeça desse processo para institucionalizá-lo, desviando-o para uma política nacionalista burguesa, autoritária e que, apesar do discurso, não rompe com o imperialismo. 

Apoiado em um setor da burguesia venezuelana que esteve ao seu lado mesmo antes de ser eleito, o governo passou à cooptação das direções sindicais e dos movimentos populares. Em 2007, Chávez avançou ainda mais em seu projeto de centralização política ao lançar as bases do PSUV (Partido Socialista Único da Venezuela), um partido com o objetivo de reunir toda a sua base e a esquerda, colocando-os sob a disciplina chavista. Quem não aderiu ao partido de Chávez foi tachado de “contrarrevolucionário”, mesmo que a legenda também reunisse “empresários socialistas”.

Produto da cooptação de dirigentes do movimento, da aproximação com empresários leais ao regime e da corrupção no aparelho do Estado, surge ainda a chamada “boliburguesia”, a burguesia “bolivariana”, que enriquece graças aos negócios com o Estado. Entre os exemplos mais proeminentes desse setor estão o presidente da Assembleia Nacional e um dos principais dirigentes do chavismo, Diosdalo Cabello e o presidente da PDVSA, a estatal do petróleo, Rafael Ramírez, ambos figuram entre os homens mais ricos da Venezuela. Cabello é dono de três bancos, indústrias e ações de empresas que mantém negócios com o Estado.

As nacionalizações realizadas com estardalhaço pelo governo Chávez, por sua vez, não passam de aquisições de ações de empresas, compactuadas com as multinacionais do setor sem qualquer conflito. Isso ocorre principalmente no setor petrolífero, em que a PDVSA participa de empresas mistas junto com as multinacionais da área, como também na CANTV (Compañía Anónima Nacional Teléfonos de Venezuela), uma das maiores e mais lucrativas empresas do país em que, apesar de ser oficialmente estatal, tem a maior parte controlada por empresas privadas.

A Venezuela deixada pelo chavismo
Não seria justo atribuir os graves problemas sociais da Venezuela apenas ao chavismo. Durante décadas a direita tradicional governou o país atendendo os interesses do imperialismo e tornando a Venezuela um dos países mais desiguais e pobres do continente. No entanto, passados 14 anos de governo Chávez, esses problemas persistem e tendem a piorar diante do agravamento da crise econômica.

Os programas sociais do governo venezuelano reduziram a pobreza extrema no país de 49% em 1999 para 29,5 % em 2011 (dados da Cepal). Mesmo assim, está acima da média da América Latina, de 28,8%. Na zona rural do país, os níveis de pobreza chegam a 59%. 

Nos últimos 10 anos o conjunto de países no subcontinente foi favorecido pela alta demanda por matérias-primas, sobretudo da China. A condição de exportadores de commodities permitiu um relativo crescimento e, em geral, as taxas de pobreza e desemprego melhoraram, como ocorreu no Brasil, ainda que os problemas sociais estruturais estejam mais presentes do que nunca (a região conta ainda com 167 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza). Mesmo assim, em 2011, a Venezuela foi na contramão desse processo e teve um aumento de 1,7% na índice de pobreza e 1% na taxa de indigentes.

A verdade é que, por trás do discurso pretensamente revolucionário do chavismo, esconde-se uma política econômica que, em si, não difere muito dos governos anteriores. É totalmente dependente da exportação de petróleo (representa 90% das exportações venezuelanas e algo como 30% do PIB), continua atrelado e pagando em dia a dívida externa (que passou de 14% do PIB em 2008 para 30% em 2010) e com uma das mais altas taxas de inflação do mundo, que em 2012 fechou em 20% e que atinge de forma dramática os mais pobres. Como se isso não bastasse, a violência urbana explodiu nos últimos anos. 

Por trás dessa situação que continua afligindo o povo da Venezuela está um sistema que permanece beneficiando as grandes empresas e o imperialismo. 

A farsa do “anti-imperialismo”
Não é por menos que a Organização dos Estados Americanos, a OEA, tenha aceitado a manobra do governo em postergar indefinidamente o atual mandato diante da impossibilidade de Chávez em comparecer à cerimônia de posse, que deveria ocorrer dia 10 de janeiro. O imperialismo contrariou boa parte da direita venezuelana a fim de garantir uma estabilidade política que, em última instância, o beneficia. 

Exemplo dessa situação foi o que o diretor para mercados emergentes do Eurasia Group, Christopher Garman, expressou ao jornal Estado de S. Paulo do dia 9 de janeiro: “Existe a percepção de que uma Venezuela pós-Chávez pode ser melhor para os negócios, mas nós temos de lembrar que as instituições políticas foram criadas em torno de Chávez”, explicou, para depois afirmar: “Com a oposição ou com um chavismo sem Chávez, nossa preocupação é que a instabilidade política e institucional possa afastar os investimentos e a confiança do investidor”. 

O setor mais importante da Venezuela atende os interesses do imperialismo. Grande parte do petróleo cru exportado pelo país, por exemplo, tem como destino os EUA (suprindo o petróleo que a potência deixou de contar com o Oriente Médio deflagrado). Enquanto isso, a Venezuela se vê obrigada a importar petróleo refinado, assim como uma série de produtos básicos que não fabrica.

A desnacionalização da produção do petróleo, cujo marco foi a quebra do monopólio estatal em 1995, aprofundou-se com Chávez e hoje as gigantes do setor se apoderam da matéria-prima venezuelana. A PDVSA atua em conjunto com grandes empresas multinacionais, que também contam com áreas exclusivas de exploração. Empresas como a Conoco-Phillips, a Chevron-Texaco e a Exxon-Mobil controlam algo como 40% da produção do país.

Mas se do ponto de vista econômico, a Venezuela não contraria os interesses do imperialismo, politicamente Chávez seria um apoio à luta anti-imperialista na região? Infelizmente, nem isso. Em 2011 o governo venezuelano deixou a esquerda perplexa ao prender o representante das Farc que visitava o país, o jornalista Joaquín Pérez Becerra, e enviá-lo ao governo da Colômbia. 

Chávez assumiu publicamente a responsabilidade pela medida, que passou ao largo de qualquer lei internacional em defesa dos refugiados e exilados políticos, apenas para atender um pedido do presidente colombiano Juan Manuel dos Santos, sucessor de Álvaro Uribe. 

A esquerda chavista, que tanto aplaude de forma efusiva qualquer palavra do presidente contra os EUA, calou-se, e a história mostrou mais uma vez que o nacionalismo em um país periférico não é capaz de se contrapor ao imperialismo.

A responsabilidade da esquerda
Para além dos discursos ufanistas da cúpula chavista, as perspectivas não são nada boas para os trabalhadores venezuelanos. A situação da economia se agrava, o aumento da dívida pública provoca um rombo nas contas e um déficit fiscal de 20%. Pouco antes da internação de Chávez, o governo preparava o anúncio de um pacote de ataques a fim de enfrentar a crise. Conjuntura que já vêm produzindo arranhões no governo.

O desgaste do chavismo se expressou nas eleições outubro quando, apesar de Chávez ter ganhado com relativo folga, a vantagem de 54% dos votos contra 44% do candidato adversário foi a menor desde as eleições de 1998. Grande parte dos votos do candidato da direita, o governador de Miranda Henrique Capriles, ocorreu porque muitos trabalhadores resolveram “castigar” Chávez. 

Sem uma alternativa política que conseguissem identificar, muitos trabalhadores que rompiam com o chavismo acabaram dando seu voto ao representante da direita. A mesma direita que destruiu o país nos anos 1980 e 1990 e que, alijada do poder, tentou um golpe em 2002 contra o governo de Chávez.

Esse é o dilema da esquerda. O governo Chávez conta hoje com o apoio da grande maioria da população, sobretudo dos mais pobres. Porém, tal apoio está ligado aos programas sociais (as “missões”), assistencialistas, que constituem fonte de sobrevivência a milhões de pessoas. Além de não resolverem os problemas estruturais do país, tais programas tendem a desaparecer diante do agravamento da crise. 

A grande maioria da esquerda socialista, no entanto, não só não se lançou à tarefa de construir um polo independente, classista, como passou de malas e bagagens para o lado do chavismo, oferecendo um apoio quase que incondicional ao dirigente bolivariano e ao seu nacionalismo burguês. E aí está o drama para os trabalhadores. Quando as massas venezuelanas fizerem sua experiência com o chavismo, qual a alternativa que aparecerá para a classe trabalhadora? Nenhuma, além do retrocesso da direita.

A exemplo de Lula no Brasil, o chavismo vai na contramão do classismo e lança confusão entre os trabalhadores ao afirmar que é possível chegar ao socialismo junto com os empresários. Impede a livre organização dos trabalhadores ao reprimir e limitar a atuação dos sindicatos, partidos e movimentos independentes. Tenta fazer crer que o desenvolvimento da Venezuela não é antagônico aos interesses do imperialismo e suas empresas. 

A única política realmente progressiva que se pode ter diante dessa complexa conjuntura é a luta pela organização independente dos trabalhadores, denunciando a direita neoliberal e pró-imperialista e explicando pacientemente às massas venezuelanas o real papel e caráter do chavismo.

FONTE: Artigo publicado no Opinião Socialista 455 de 23 de janeiro de 2013

Chavismo sem Chávez: o que vai acontecer na Venezuela?









Oposição de direita se mostra fragilizada e o chavismo tampouco aparece coeso. Enquanto isso economia se deteriora diante do agravamento da crise

 As últimas semanas foram de expectativas e incertezas em relação ao futuro da Venezuela. Desde que o presidente Hugo Chávez foi à televisão no último dia 8 de dezembro anunciar mais uma reincidência de seu câncer e uma nova operação em Cuba, poucas informações foram divulgadas sobre seu real estado de saúde. Foi a 4ª operação realizada desde que o mandatário revelou sofrer de câncer, em junho de 2011.

Ao contrário das outras vezes, porém, o último discurso de Chávez antes de partir para a nova bateria de tratamento em Havana, teve um outro tom. Foi a primeira vez que Chávez admitiu publicamente poder não voltar ao cargo, tomando o cuidado de indicar seu vice e chanceler, Nicolás Maduro, como sucessor no caso de novas eleições.

O governo venezuelano, por sua vez, divulgou informações esparsas e muitas vezes contraditórias após a internação do líder bolivariano. Primeiro, informou que a cirurgia realizada no dia 11 de dezembro havia sido bem-sucedida. Depois, revelou que o presidente havia sofrido uma grave hemorragia durante a intervenção, mas que já estaria se restabelecendo. Só após o "furo" de um jornal espanhol o governo admitiu que Chávez estaria passando por um grave quadro de insuficiência respiratória decorrente de uma infecção, e que estava “lutando por sua vida”.

As constantes viagens de Maduro e representantes de diversos países a Cuba, incluindo Evo Morales e Cristina Kirchner, além do assessor especial da presidência para assuntos internacionais do governo Dilma, Marco Aurélio Garcia, só aumentaram a apreensão sobre o que ocorria em Havana. Chegou-se a difundir a notícia de que o presidente estaria em coma, com seus familiares e aliados políticos apenas esperando o momento certo para decidir o desligamento dos aparelhos. 

Mas qual o real estado de saúde de Chavez? Estaria mesmo em um estado terminal? Estaria vivo ainda? O governo venezuelano, em um modus operandi típico de ditaduras (incluindo a ditadura militar brasileira) sonega informações para garantir a sua autopreservação e mantém o povo em uma cortina de fumaça.

Batalha política em Caracas
Se em Havana o presidente venezuelano lutava pela vida, em Caracas abria-se uma batalha política e jurídica em torno do mandato. A direita através da Mesa de Unidade Democrática (MUD), liderada por Ramón Guillermo Aveledo, pressionou para que, diante da ausência de Chávez na cerimônia oficial de posse marcada para o dia 10 de janeiro, fosse declarada a “ausência absoluta” do presidente eleito. Diante disso, a Constituição prevê a posse interina do presidente da Assembleia Nacional e a convocação de novas eleições em 30 dias.

Os chavistas, porém, rechaçaram essa medida e, com a anuência do Tribunal Supremo de Justiça, atrelado ao chavismo, postergaram indefinidamente a posse do novo mandato. Na prática, o atual governo estendeu seu mandato até que o presidente eleito apareça, no que muitos viram um golpe de Estado. No entanto, apesar de setores da oposição terem convocado manifestações nas ruas contra essa medida, o próprio ex-candidato à presidência nas eleições de outubro e principal figura da direita no país, Henrique Capriles, governador de Miranda (importante e mais populoso estado), concordou com a decisão do tribunal. Assim como a OEA.

Mesmo assim, a fim de se contrapor às convocatórias da direita, o governo patrocinou manifestações de apoio à Chavez no dia em que o presidente deveria tomar posse, levando dezenas de milhares às ruas de Caracas. A direita, por sua vez, conseguiu reunir apenas 2 mil pessoas em um protesto contra o governo. 

A atual conjuntura venezuelana, aliás, permite observar situações de extrema hipocrisia, como setores da direita que impulsionaram a tentativa de golpe em 2002 agora se arvorar como os grandes defensores do Estado de Direito. No âmbito internacional não é diferente e até mesmo o governo paraguaio, que depôs arbitrariamente o presidente eleito Fernando Lugo, cobrou do governo da Venezuela o “respeito à Constituição”.

Para onde vai a Venezuela?
Mas, para além do estado de saúde de Chavez, o que aponta a Venezuela? Apesar de a situação ser extremamente complexa, pode-ser afirmar que comoção criada e insuflada pelo governo em torno da figura de Chávez e seu drama pessoal vem conseguindo reverter parte do desgaste enfrentado pelo governo no último período. 

Basta lembrar as eleições presidenciais de outubro último e as regionais em dezembro e compará-las. Apesar de Chávez ter vencido Capriles com relativa folga, a vantagem (54% contra 44%) foi a menor desde que assumiu o poder em 1998. Já nas eleições para os governos dos estados realizadas em 16 de dezembro, após a internação de Chávez, o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) obteve uma vitória acachapante, ganhando em 20 dos 23 estados, conquistando quatro estados da oposição.

Temos então uma oposição de direita dividida e sem muita capacidade de mobilização e um chavismo conjunturalmente fortalecido. Porém, se isso aparece de forma clara hoje, não é provável que se mantenha a longo prazo. Para começar o próprio PSUV é um palco de encarniçadas batalhas de setores do próprio chavismo. Exemplo máximo dessa divisão é o vice Maduro e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdalo Cabello. Apesar das forçadas poses para a imprensa, é mais do que conhecido a disputa política entre os dois pelo espólio de Chávez. A própria demora em se informar o estado de saúde do presidente seria uma medida para ganhar tempo e aparar minimamente as arestas do chavismo para a composição de um futuro governo.

Em segundo lugar, o desgaste do governo expresso nas eleições de outubro pode estar revelando o início de um processo mais estrutural. O modelo no qual Chávez governou os últimos 14 anos parece estar perdendo fôlego. Apesar do discurso socialista, o governo nacionalista de Chavez administra um capitalismo que prevê a estatização parcial de setores da economia de um lado e, de outro, a expansão de programa sociais “focalizados” e compensatórios, como ocorre no Brasil com o Bolsa Família (de fato a pobreza extrema urbana teve uma redução de 49% em 1999 para 29% em 2010, segundo a ONU). De resto, o país continua pagando a dívida externa e garantindo o lucro das grandes empresas.

Não é por menos que a situação atual de Chávez assuste não só os chavistas. O diretor para mercados emergentes do Eurasia Group, Christopher Garman, expressou ao jornal Estado de S. Paulo do dia 9 de janeiro seus temores diante do atual quadro: “Existe a percepção de que uma Venezuela pós-Chávez pode ser melhor para os negócios, mas nós temos de lembrar que as instituições políticas foram criadas em torno de Chávez” , explicou, para depois afirmar: “Com a oposição ou com um chavismo sem Chávez, nossa preocupação é que a instabilidade política e institucional possa afastar os investimentos e a confiança do investidor” 

O analista de mercado expressa o que deve estar pensando o imperialismo e parte significativa do mercado financeiro internacional: os EUA tem o petróleo que tanto necessita, os credores da dívida pública recebem em dia, as multinacionais lucram e isso tudo em um ambiente de estabilidade política garantida pelo governo. Nem que para isso ele tenha que reprimir o movimento sindical que não se submete à disciplina chavista. Para que mudar?

Sem ruptura com o capitalismo ou o imperialismo, porém, o país permanece com os problemas estruturais de sempre, como a desigualdade social e a pobreza, além de estar vulnerável às crises econômicas internacionais. Essa é uma realidade que os discursos apaixonados pró-Chavez e seu “Socialismo do Século XXI” não são capazes de esconder. Em 2012, por exemplo, a Venezuela aliou baixo crescimento com uma alta inflação que superou os 20% e que come o poder de compra da população. Além disso, o país segue pagando uma dívida externa que passou de 14% do PIB em 2008 para 30% em 2010. O endividamento público como um todo chega hoje a 51% do PIB (segundo dados oficiais baseados em um câmbio manipulado) e o déficit fiscal, 20%. A violência urbana explodiu, quase triplicando no governo de Chávez.

A Venezuela, após 14 anos de Chávez, é um país desigual e mais dependente que nunca. Programas assistencialistas, estatizações parciais e um discurso pretensamente radical e anti-imperialista garantiram até agora o apoio de grande parte da população. Já o alto preço do petróleo no mercado internacional concedeu relativa tranquilidade ao país que é o oitavo maior produtor da commoditie. Mas a permanência de problemas estruturais e o reflexo do agravamento de uma crise econômica internacional no país podem minar esse apoio popular. Conseguirá o chavismo governar apoiando-se somente nas Forças Armadas?

Manter seu domínio e uma estabilidade política no país vai ser para o chavismo um milagre tão maior quanto Chávez se levantar do leito da UTI em Havana e voltar ao governo em Caracas.

FONTE: DIEGO CRUZ / OPINIÃO SOCIALISTA

"Basta de racismo"






O vice-presidente da FIFA, Jeffrey Webb, falou após o fim da Assembleia Geral Anual da IFAB sobre sua nova função como diretor da Força-Tarefa Antirracismo da FIFA, definida na recente reunião do Comitê Estratégico da entidade que dirige o futebol mundial.
FIFA.com: Quais são a função e a esfera de ação dessa nova força-tarefa?
Jeffrey Webb: 
Existem dois elementos principais em meu ponto de vista. Primeiro, revisaremos as atuais punições por discriminação. Em segundo lugar está um processo educativo, no qual quero envolver os jogadores, a comunidade futebolística em geral e as ONGs.
Você acredita que o mundo do futebol já fez o suficiente para combater o racismo em particular?O presidente Blatter disse no Comitê Estratégico que já estamos falando desses problemas há muito tempo, mas que agora precisamos olhar para isso novamente. Visivelmente os jogadores não receberam apoio suficiente e isso é chocante. Eles trabalham duro e este esporte é a vida deles, sua profissão. Precisamos fazer mais para apoiá-los.
Você mencionou as multas. Elas deveriam ser mais altas?As multas claramente não serviram como medida dissuasiva e não estão funcionando. Precisamos mobilizar os clubes, as federações afiliadas, algumas ONGs e grupos que realizam campanhas. Se houver infrações sucessivas, então será preciso aplicar punições. Não posso dizer o que faria se fosse um jogador insultado dentro de campo. Mas o que aconteceria se um jogador recebesse insultos na final da Copa do Mundo? Precisamos encontrar alguma solução.
Por que você acredita que o racismo venha ressurgindo no esporte em todo o planeta?Não sei. Mas não é por que o racismo existe na sociedade que devamos tolerá-lo. Como a família do futebol, precisamos sentar e nos olhar no espelho. Pessoas de cor de fato têm a chance ou a mesma oportunidade de se tornar treinadores ou assumir cargos administrativos no futebol? Quero ter a chance de conversar com os jogadores, pessoas que foram vítimas, e escutar suas experiências.
Quais são os próximos passos de sua força-tarefa?O plano é que propostas mais concretas sejam debatidas e formalizadas na reunião do Comitê Executivo entre 20 e 21 de março. Espero que a força-tarefa seja composta por representantes das seis confederações da FIFA e que também inclua alguns grupos que vêm fazendo campanhas para lutar pela erradicação da discriminação há muitos e muitos anos.
Tenho relações muito boas com a Federação Inglesa e em breve encontrarei seu presidente e o grupo de igualdade da instituição.
O clima no Comitê Estratégico era de que já basta. Temos de tentar chegar à raiz da existência de um comportamento como este. Conversando com diversas pessoas envolvidas neste esporte, espero que possamos possibilitar uma mudança, transformar esse comportamento e garantir que todo mundo tenha igualdade de oportunidades para participar do futebol em qualquer nível.

FONTE: FIFA.COM

                         Zambi comenta sobre o ato de racismo em Ijuí no jogo entre 

São Luiz e Caxias


São Luiz e Caxias protagonizaram um grande jogo, sábado, em Ijuí, com bela vitória dos donos da casa por 2 a 1 na semifinal da Taça Piratini. Só que ficou uma mancha na classificação inédita do São Luiz à final. Não do clube ou da cidade, mas de um torcedor. Assim como já ocorreu nos estádios de Caxias do Sul e Porto Alegre em outros Gauchões, agora o ato de racismo surgiu no 19 de Outubro. A vítima foi o atacante Zambi, um dos destaques do primeiro turno do Estadual.

— Me chamaram de macaco mais de uma vez. Eu olhei para a torcida e disse que não precisava disso porque no time deles também tinha jogadores negros. Eu tenho orgulho de ser negro. Foi um fato lamentável  em meio a uma festa bonita e de um jogo bem jogado — discursou Zambi, chateado pela situação. 

O fato ocorreu no segundo tempo, nas arquibancadas que ficam do lado oposto das sociais, e coincidiu com a queda de produtividade do atacante. Natural de Itaperuna (RJ), Zambi fez questão de dizer que nunca ouviu coisa parecida no Rio de Janeiro nos tempos de Nova Iguaçu, Volta Redonda, Americano, Friburguense e Macaé:

— Joguei em vários lugares e nunca aconteceu isso comigo. Nós somos todos iguais, independentemente de cor ou religião. Isso tem de servir de aprendizado para eles porque outros times vão jogar aqui com pessoas da minha cor. No time deles tem pessoas negras. O que eles são diferentes de mim? 

Como não foi possível identificar o torcedor racista, o jogador de 25 anos não prestou queixas na polícia. O árbitro Jean Pierre Gonçalves Lima chegou a paralisar o jogo por uns dois ou três minutos.

— O Jean Pierre veio falar comigo, me apoiou, foi na mesa da Federação. Mas ele falou que não poderia fazer nada porque foi um ato isolado e que iria relatar na súmula. Ele foi atencioso e coerente, quero até dar os parabéns para ele —elogiou o atacante. 

Após a partida, o árbitro falou sobre o caso, explicou como tudo aconteceu e disse que já passou por essa situação em outro jogo:

— O Zambi veio até mim e relatou o fato, disse que estavam ofendendo ele. Perguntei pelo rádio se alguém da arbitragem tinha escutado alguma coisa, principalmente o assistente que estava daquele lado. Mas o assistente não pôde me confirmar nada. Não consegui identificar o torcedor, só pedi para uma pessoa do clube que tomasse alguma providência. Em outro fato ocorrido no passado, eu consegui identificar o torcedor e relatei tudo. Se eu tivesse visto agora, faria a mesma coisa. 

Na súmula, Jean Pierre revelou que não vai ignorar o fato.

— Vou colocar que foi uma conduta regular da torcida, mas que em determinado momento ela ofendeu o atleta, tudo de acordo com a informação que ele próprio passou para mim.

FONTE: O PIONEIRO

TJD-RS decide denunciar São Luiz por racismo
e clube pode ser suspenso



O procurador-geral do Tribunal de Justiça Desportiva do Rio Grande do Sul, Alberto Lopes Franco, irá denunciar na próxima quarta-feira o São Luiz, de Ijuí, pelo ato racista praticado pela torcida do clube contra o atacante Zambi, do Caxias, no último sábado. A decisão leva em conta o depoimento do árbitro Jean Pierre Gonçalves Lima na súmula da partida válida pela semifinal do primeiro turno do Gauchão.

“Em determinado momento do segundo tempo, o atleta da SER Caxias Sr. Zambi dos Santos Oliveira, nº 11, informou-me que alguns torcedores o estavam ofendendo com a palavra “macaco”. Neste momento, informei ao 4º árbitro e ao delegado do jogo que verificassem essa informação e que se observassem algo deste tipo eu paralisaria a partida até identificar os supostos ofensores. A partir desse momento, a partida seguiu normalmente sem maiores problemas”, relatou Lima.

O procurador irá convocar Zambi e um repórter de uma rádio de Porto Alegre que acompanhou o episódio para depor no julgamento, que deve ocorrer após a final do primeiro turno no próximo domingo. O São Luiz será indiciado e julgado de acordo com o artigo 243-G, do CBJD, praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência.

Como o responsável pelo ato racista não foi identificado, o clube será responsabilizado. Neste caso, corre o risco de ser punido com multa entre R$ 100 e R$ 100.000, suspensão de 120 a 360 dias ou de cinco a 10 dias, dependendo do julgamento dos auditores do TJD/RS.

“[A pena] Isso quem tem considerar são os auditores. O que não vale é fazer a identificação de um ‘laranja’. Isso não serve. A identificação tem que ser feita no momento do fato e isso não consta na súmula”, declarou o procurador. 

O presidente do São Luiz, Ricardo Miron, lamentou o fato ocorrido no último domingo e garantiu que pretende denunciar o torcedor que praticou o ato assim que ele for identificado.

“Essa é uma situação muito chata. Todo e qualquer clube, inclusivo o São Luiz-RS, abomina esse tipo de atitude. Quando nós tomamos conhecimento através da arbitragem que havia ocorrido esse caso de racismo contra o atacante do Caxias, nós tomamos providência e tentamos identificar, mas no meio da multidão ficou difícil. No momento que o clube identificar essa pessoa, certamente, será conduzido a uma delegacia de polícia para responder por uma injúria qualificada. Essa é a atitude que vamos tomar”, declarou Miron. 

No dia 9 de fevereiro, o Juventude analisou as imagens do jogo contra o Grêmio quando um suposto torcedor do time da Capital teria ofendido o atacante Zulu utilizando a expressão “macaco”. Porém, após uma análise do departamento jurídico, o time de Caxias do Sul desistiu da ação.

FONTE: BOL/UOL

Itália: algumas razões para desconfiar do “Movimento 5 Estrelas”



O movimento de Beppe Grillo é uma marca registada onde o comediante tem todos os poderes, até o de expulsar militantes. Definindo-se como “nem de esquerda, nem de direita”, defende alguns temas caros a esta última, como a rejeição da cidadania aos imigrantes de 2ª geração.



A Itália sempre teve anomalias que, de diferentes maneiras, acabaram por infetar outros países. Há uns anos, no contexto da crise económica e da crise de representação política, começou-se neste país a difundir um partido populista liderado por um cómico, que utiliza as redes e parte da linguagem dos movimentos sociais para ganhar a simpatia dos eleitores que desconfiam dos partidos tradicionais e que estão abandonados e isolados pelo neoliberalismo. É um fenómeno complexo que não queremos liquidar com um slogan. No entanto, eis algumas razões para desconfiar de Beppe Grillo e do seu “Movimento 5 Estrelas”.
1. A propriedade da marca
O Movimento 5 Estrelas (Movimento 5 Stelle, M5S) foi fundado em 4 de outubro de 2009 pelo cómico Beppe Grillo e pelo empresário experiente em webmarketing Gianroberto Casaleggio.
Quatro anos antes, baseado no sucesso dos espetáculos de Grillo, surgiram os fóruns locais de “Os Amigos de Beppe Grillo”, que utilizaram a plataforma de grupos locais em rede MeetUp. Este movimento funciona de acordo com um regulamento escrito por Grillo e Casaleggio, o chamado “Não Estatuto” (Non Statuto). No artigo 3 deste Não Estatuto estabelece-se claramente a propriedade da organização: “O nome Movimento 5 Estrelas é uma marca registado em nome de Beppe Grillo, que é o único titular dos direitos de uso do mesmo”.
2. Ausência de democracia
A partir da natureza de propriedade da marca chega-se à estrutura autoritária do M5S. Nestes anos, esta foi evidenciada de duas maneiras. Primeiro, Grillo e Casaleggio trabalharam para que o site www.beppegrillo.it fosse o único órgão de comunicação e organização do seu movimento. Um órgão que permite a intervenção dos leitores unicamente através de comentários aos posts, como um comum site de informação mainstream. O Não Estatuto, e depois algumas regras ditadas por Grillo, estabeleceram que é proibido abrir sedes, construir ferramentas comunicativas autónomas e participar em debates de televisão.
Por outro lado, os proprietários da marca sempre evitaram que se pudessem realizar assembleias nacionais do Movimento. Os que tentaram levar adiante assembleias, pondo em relação vários territórios e debatendo o tema da organização, foram expulsos. A decisão sobre a expulsão é tomada exclusivamente por Grillo e o seu “pessoal” (que não se sabe quem é) e significa na verdade a proibição de utilizar a marca, numa perfeita lógica empresarial. Os que foram purgados contam que receberam um aviso legal para não utilizarem a marca do M5S, que é propriedade exclusiva de Grillo.
3. A Rede utilizada como se fosse a televisão
Lendo até aqui, alguém poderia questionar-se como é possível que tanto autoritarismo possa ser confundido com algo que tenha a ver com “democracia direta” ou “democracia líquida”.
Para compreendê-lo, precisamos ver o M5S no contexto social e mediático da Itália. Beppe Grillo teve sucesso com a sua participação nos programas mainstream de televisão nas noites de sábado. Participou também em diversos anúncios publicitários. Em 1986, quando obteve a máxima notoriedade e o Partido Socialista o atacou duramente por causa de uma piada sobre o seu secretário-geral Bettino Craxi, Grillo deixou de aparecer regularmente na televisão e começou uma tournée por todo o país com o seu espetáculo de teatro. Na década de 90, Grillo manteve a fama nos média italianos graças a uma boa relação com alguns programas de televisão (primeiramente com “Stricia A Notizia”, o telejornal cómico diário inventado por Antonio Ricci – o primeiro autor de Grillo – que é emitido todas as noites pela Telecinco, do grupo de canais de Silvio Berlusconi). Em 2004 encontrou-se com Casaleggio e descobriu a Internet. A partir desse momento, entra na rede reproduzindo o esquema vertical da televisão e utilizando plataformas devideo on demand. Com Grillo, a televisão coloniza a Internet. Com ele, milhões de novos utentes conhecem a Internet numa maneira ideológica e dogmática. A hegemonia da televisão, que caracteriza o curto vinténio de Berlusconi, muda-se para o espaço da web 2.0. A rede transforma-se numa máquina para construir consenso e conformismo, em lugar de favorecer a participação e o intercâmbio entre diferentes sujeitos.
4. O liberalismo
A base da utilização da rede por parte de Grillo tem uma visão fortemente liberal: a rede, para o cómico, é o espaço onde se constitui a perfeita concorrência entre as ideias, onde se realizará a melhor atribuição dos recursos e a justa redistribuição da riqueza, a potenciação das “competências” e o reconhecimento da “meritocracia”. Tudo isto, segundo a ideologia de Casaleggio, deveria ocorrer sem conflito social e sem relações de força. É o que Wu Ming, num articulo de 2011, inserido num contexto mais amplo, chamou de "fetichismo digital".
5. A primazia das eleições
Grillo pôs na rede a sua fama, construída na televisão, procurando preencher o vazio de representação política. Esta enésima anomalia explica que o Movimento tenha começado com a ideia de ir “mas além da representação”, mas acabou por legitimar a delegação, o mecanismo eleitoral, a confiança no voto como única ferramenta para mudar as coisas. Olhando as atividades e os debates do M5S, é fácil verificar como tudo no seu interior está centrado quase totalmente na temática do voto e das campanhas eleitorais. Para os que participam no M5S, não se trata de mudar um sistema que não funciona, mas sim de substituir os governantes por “cidadãos”, os políticos profissionais por “pessoas normais”.
6. “Nem de direita nem de esquerda”
No início, para além das questões organizativas e do estilo comunicativo, o M5S era animado por temas principalmente “de esquerda” como a ecologia, a participação dos cidadãos ou a luta contra os abusos da classe política. Muitas vezes, os seus militantes usavam símbolos e lemas dos movimentos sociais globais, como a máscara dos Anonymous, as bandeiras contra o TGV em Valsusa ou as imagens das ruas das Primaveras árabes ou das acampadas do Estado espanhol. Mas o M5S sempre se definiu como “nem de direita nem de esquerda”. Não é uma medida para se distanciar dos partidos maioritários, unificados na adesão às políticas de austeridade. As análises do voto demonstram que o M5S obteve o seu boom eleitoral, na Primavera de 2012, na Sicília, recebendo os votos dos eleitores da direita desiludidos pelo partido-empresa de Berlusconi e o secessionismo xenófobo da Liga Norte. Isto sucede porque, em nome da representação de “todos os cidadãos”, o M5S faz também seus temas tradicionalmente de direita, como a desconfiança em relação aos imigrantes, a rejeição do direito de cidadania aos imigrantes de segunda geração, a petição da restauração da soberania nacional, o protesto contra os impostos e os gastos públicos. Na rede há imagens de um diálogo entre um membro da Casa Pound, uma organização neofascista, e Beppe Grillo. “A Casa Pound quer saber se tu és antifascista” pergunta o militante de extrema-direita. “Isso é um problema que não me diz respeito”, responde Grillo. As questões importantes são outras, diz o sócio de Casaleggio, de modo que um membro da Casa Pound poderia fazer parte sem problemas deste movimento. Não teria problemas: “Vocês estão aqui iguais a nós”.
Giuliano Santoro é autor de “Um Grillo Qualunque. Il Movimento 5 Stelle e il populismo digitale nella crisi dei partiti italiani” (Castelvecchi, edição atualizada em 2013).
Título original: GrilloTM for Dummies
Traduzido a partir da  versão em castelhano publicada na Sin Permisopor Luis Leiria, para o Esquerda.net

LEIA TAMBÉM:           
 O peste genovês 
http://guebala.blogspot.com.br/2012/05/o-peste-genoves.html  

O momento eleitoral na Itália. Entrevista com Gianfranco Pasquino

http://guebala.blogspot.com.br/2013/02/o-momento-eleitoral-na-italia.html

sábado, março 02, 2013

Israel elege a primeira miss negra desde a criação do estado













Ytayesh Ayanao, de 21 anos, é uma bela israelense, negra, e que acaba de entrar para a história. 

Ela foi eleita a primeira miss negra desde a criação do Estado, em 1948, na 63ª edição do concurso.


Oriunda da cidade costeira de Natanya, ela é chamada de “Titi” pelas amigas, ela era a única concorrente da minoria etíope em Israel. Ela entrou no concurso por influência de uma amiga e nunca havia tido experiência anterior como modelo. 

Durante a competição, antes de receber o título, ela chegou a comentar: “adoraria ganhar o concurso para mudar atitudes em relação às modelos negras. Eu adoraria ser a primeira negra miss de Israel. A Tyra Banks de Israel”. 

Há cerca de 25 anos, com o começo da imigração em massa de 1,2 milhão de russos para Israel, o modelo de beleza do país passou por uma transformação. Moças com traços mediterrâneos e cabelos escuros passaram a concorrer ao trono de miss e, muitas vezes, venceram jovens loiras e mais pálidas, estereótipo típico do país.
 
Agora, o modelo de beleza nacional passa por uma nova transformação com o amadurecimento de milhares de jovens etíopes que também migraram ainda crianças para Israel desde os anos 80.

A nova Miss Israel, por exemplo, chegou ao Estado há uma década, aos 12 anos de idade. Ela faz parte da comunidade de judeus etíopes em Israel, que hoje, conta com 120 mil pessoas ou 1,5% da população.

FONTE: REVISTA AFRO

"Indignai-vos"


Autor de "Indignai-vos" morre aos 95 anos

Stéphane Hessel sobreviveu aos campos de concentração nazis, foi diplomata e inspirou o movimento dos indignados com um pequeno livro editado em 2010. O esquerda.net reproduz uma entrevista publicada no fim de 2011, em que Hessel defendia que "o que aconteceu na Grécia, Itália, Portugal e Espanha prova-nos que não é dando cada vez mais força ao mercado que se chega a uma solução".


Leia aqui a entrevista de 
Stéphane Hessel, intitulada
"Os bancos estão contra a democracia"
que o esquerda.net publicou
em dezembro de 2011.


Stéphane Hessel: “Os bancos estão contra a democracia”

Em entrevista a Eduardo Febbro, da Página/12,Stéphane Hessel, autor da obra “Indignai-vos”, critica  o ultra liberalismo predador, a servidão da classe política ao 
sistema financeiro, a anexação da política pela tecnocracia  financeira, as indústrias que destroem o planeta e a ocupação israelita da Palestina.

Aos 94 anos, depois de lutar na Resistência, sobreviver aos campos nazis e escrever a Declaração Universal dos Direitos Humanos, Stéphane Hessel publicou um livrinho de 32 páginas, "Indignai-vos", que teve eco global.
A revolta não tem idade nem condição. Nos seus afáveis, lúcidos e combativos 94 anos, Stéphane Hessel encarna um momento único na história política humana: ter conseguido desencadear um movimento mundial de contestação democrática e cidadã com um livro de escassas 32 páginas: "Indignai-vos". O livro foi lançado na França em outubro de 2010 e em março de 2011 converteu-se no alicerce do movimento espanhol dos indignados. 
O quase um século de vida de Stéphane Hessel conectou-se primeiro com a juventude espanhola que ocupou a Puerta del Sol e depois com os demais protagonistas da indignação que se tornou planetária: Paris, Londres, Roma, México, Bruxelas, Nova York, Washington, Tel-Aviv, Nova Déli, São Paulo. Em cada canto do mundo e sob diferentes denominações, a mensagem de Hessel encontrou um eco inimaginável.
O seu livro, entretanto, não contém nenhum discurso ideológico, menos ainda algum chamado à excitação revolucionária. "Indignai-vos" é, ao mesmo tempo, um convite a tomar consciência sobre a forma calamitosa em que estamos sendo governados, uma restauração nobre e humanista dos valores fundamentais da democracia, um balde de água fria sobre a adormecida consciência dos europeus convertidos em consumidores obedientes e uma dura defesa do papel do Estado como regulador. Não deve existir na história editorial um livro tão curto com um alcance tão extenso.
Quem olhe a mobilização mundial dos indignados pode pensar que Hessel escreveu uma espécie de panfleto revolucionário, mas nada é mais estranho a essa ideia. "Indignai-vos" e os indignados inscrevem-se numa corrente totalmente contrária à que se desenvolveu nas revoltas de Maio de 68. Aquela geração estava contra o Estado. Ao contrário, o livro de Hessel e seus adeptos reivindicam o retorno do Estado, de sua capacidade de regular. Nada reflete melhor esse objetivo que um dos slogans mais famosos que surgiram na Puerta del Sol: “Nós não somos anti-sistema, o sistema é anti-nós”.
Na sua casa de Paris, Hessel fala com uma convicção na qual a juventude e a energia explodem em cada frase. Hessel tem uma história pessoal digna de uma novela e é um homem de dois séculos. Diplomata humanista, membro da Resistência contra a ocupação nazi durante a Segunda Guerra Mundial, sobrevivente de vários campos de concentração, ativo protagonista da redação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, descendente da luta contra essas duas grandes calamidades do século XX que foram o fascismo e o comunismo soviético. O nascente século XXI fez dele um influente ensaísta.
Quando o seu livro saiu em França, as línguas afiadas do sistema liberal desceram sobre ele um aluvião de burlas: “o vovozinho Hessel”, o “Papai Noel das boas consciências”, diziam no rádio e na televisão as marionetes para desqualificá-lo. Muitos intelectuais franceses disseram que essa obra era um catálogo de banalidades, criticaram o seu aparente simplismo, a sua superficialidade filosófica, acusaram-no de idiota e de anti-semita. Até o primeiro-ministro francês, François Fillon, desqualificou a obra dizendo que “a indignação em si não é um modo de pensamento”. Mas o livro seguiu outro caminho. Mais de dois milhões de exemplares vendidos na França, meio milhão na Espanha, traduções em dezenas de países e difusão massiva na Internet.
O ultra liberalismo predador, a corrupção, a impunidade, a servidão da classe política ao sistema financeiro, a anexação da política pela tecnocracia financeira, as indústrias que destroem o planeta, a ocupação israelita da Palestina, em suma, os grandes devastadores do planeta e das sociedades humanas encontraram nas palavras de Hessel um inimigo inesperado, um “argumentário” de enunciados básicos, profundamente humanista e de uma eficácia imediata. Sem outra armadura além de um passado político de social-democrata reformista e um livro de 32 páginas, Hessel opôs ao pensamento liberal consumista e ao consenso um dos antídotos que eles mais temem, ou seja, a ação.
Não se trata de uma obra de reflexão política ou filosófica, mas de uma radiografia da desarticulação dos Estados, de um chamado à ação para que o Estado e a democracia voltem a ser o que foram. O livro de Hessel articula-se em torno da ação, que é precisamente ao que conduz à indignação: resposta e ação contra uma situação, contra o outro. O que Hessel qualifica como mon petit livre é uma obra curiosa: não há nenhuma novidade nela, mas tudo o que diz é uma espécie de síntese do que a maior parte do planeta pensa e sente cada manhã quando se levanta: exasperação e indignação.
– Você foi, de alguma maneira, o homem do ano. O seu livro foi um sucesso mundial e acabou por se converter no foco do movimento planetário dos indignados. Houve, de facto, duas revoluções quase simultâneas no mundo, uma nos países árabes e a que você desencadeou em escala planetária.
– Nunca previ que o livro tivesse um êxito semelhante. Ao escrevê-lo, pensei nos compatriotas para lhes dizer que o atual modo de governação propõe interrogações e que era preciso indignar-se diante dos problemas mal solucionados. Mas não esperava que o livro fosse lançado em mais de quarenta países nos quatro pontos cardeais. Mas eu não me atribuo nenhuma responsabilidade no movimento mundial dos indignados. Foi uma coincidência que o meu livro tenha aparecido no mesmo momento em que a indignação se expandia pelo mundo. Eu só convidei as pessoas a refletirem sobre o que elas acham inaceitável. Acho que a circulação tão ampla do livro se deve ao facto de vivermos um momento muito particular da história de nossas sociedades e, em particular, desta sociedade global na qual estamos imersos há dez anos. Hoje vivemos em sociedades interdependentes, interconectadas. Isto muda a perspectiva. Os problemas com que estamos confrontados são mundiais.
–As reações que o seu livro desencadeou provam que existe sempre uma pureza moral intacta na humanidade?
O que permanece intacto são os valores da democracia. Depois da Segunda Guerra Mundial resolvemos problemas fundamentais dos valores humanos. Já sabemos quais são esses valores fundamentais que devemos tratar de preservar. Mas quando isto deixa de ter vigência, quando há rupturas na forma de resolver os problemas, como ocorreu após os atentados de 11 de setembro, da guerra no Afeganistão e no Iraque e a crise económica e financeira dos últimos quatro anos, tomamos consciência de que as coisas não podem continuar assim. Devemos nos indignar e nos comprometer para que a sociedade mundial adote um novo curso.
– Quem é responsável de todo este desastre? O liberalismo ultrajante, a tecnocracia, a cegueira das elites?
– Os governos, em particular os governos democráticos, sofreram uma pressão por parte das forças do mercado à qual não souberam resistir. Essas forças económicas e financeiras são muito egoístas, só procuram o benefício em todas as formas possíveis sem levar em conta o impacto que essa busca desenfreada do lucro tem nas sociedades. Não lhes importa nem a dívida dos governos, nem os ganhos medíocres das pessoas. Eu atribuo a responsabilidade de tudo isto às forças financeiras. O seu egoísmo e a sua especulação exacerbada são também responsáveis pela deterioração do nosso planeta. As forças que estão por trás do petróleo, da energia não-renovável nos conduzem a uma direção muito perigosa. 
O socialismo democrático teve o seu momento de glória depois da Segunda Guerra Mundial. Durante muitos anos tivemos o que se chama Estados de providência. Isto derivou numa boa fórmula para regular as relações entre os cidadãos e o Estado. Mas depois distanciámo-nos desse caminho sob a influência da ideologia neoliberal. Milton Friedman e a Escola de Chicago disseram: “deixem a economia com as mãos livres, não deixem que o Estado intervenha”. Foi um caminho equivocado e hoje damo-nos conta de que optámos por um caminho sem saída. O que aconteceu na Grécia, Itália, Portugal e Espanha prova-nos que não é dando cada vez mais força ao mercado que se chega a uma solução. Não. Essa tarefa compete aos governos, são eles que devem impor regras aos bancos e às forças financeiras para limitar a sobre exploração das riquezas que eles detêm e a acumulação de benefícios imensos enquanto os Estados se endividam. Devemos reconhecer que os bancos estão contra a democracia. Isso não é aceitável.
– É chocante comprovar a indiferença da classe política ante a revolta dos indignados. Os dirigentes de Paris, Londres, Estados Unidos, em suma, ali onde estourou este movimento, omitiram-se diante das reivindicações dos indignados.
– Sim, é verdade. Por enquanto subestimou-se a força desta revolta e desta indignação. Os dirigentes disseram uns aos outros: isto nós já vimos antes, em maio de 68, etc., etc. Acho que os governos equivocaram-se. Mas o facto de os cidadãos protestarem contra o modelo de governação algo muito novo e essa novidade não se deterá. Predigo que os governos ver-se-ão cada vez mais pressionados pelos protestos contra o modelo de governação. Os governos empenham-se em manter o sistema intacto. Entretanto, o questionamento coletivo do funcionamento do sistema nunca foi tão forte como agora. Na Europa atravessamos um momento muito denso de questionamento, tal como aconteceu antes na América Latina. Eu estou muito orgulhoso pela forma como a Argentina soube superar a gravidade da crise. Isto prova que é possível atuar e que os cidadãos são capazes de mudar o curso das coisas.
–  De alguma maneira, você acendeu a chama de uma espécie de revolução democrática. Entretanto, não convocou uma revolução. Qual é então o caminho para romper o cerco no qual vivemos? Qual é a base do renascimento de um mundo mais justo?
– Devemos transmitir duas coisas às novas gerações: a confiança na possibilidade de melhorar as coisas. As novas gerações não devem perder a esperança. Em segundo lugar, devemos fazê-los tomar consciência de tudo o que se está a fazer atualmente e que está no sentido correto. Penso no Brasil, por exemplo, onde houve muitos progressos, penso na presidenta Cristina Fernández de Kirchner, que também fez as coisas progredirem muito, penso também em tudo o que se realiza no campo da economia social e solidária em tantos e tantos países. Em tudo isto há novas perspectivas para encarar a educação, os problemas da desigualdade, os problemas ligados à água. Muitas pessoas trabalham muito e não devemos subestimar os seus esforços, inclusive se o que se consegue é pouco por causa da pressão do mundo financeiro. São etapas necessárias. 
Acho que, cada vez mais, os cidadãos e as cidadãs do mundo entendem que o seu papel pode ser mais decisivo na hora de fazer entender aos governos que são responsáveis pela vigência dos grandes valores, que esses mesmos governos estão deixando de lado. Há um risco implícito: que os governos autoritários acabem por usar a violência para calar as revoltas. Mas acho que isso já não é mais possível. A forma pela qual os tunisinos e os egípcios se livraram dos seus governos autoritários mostra duas coisas: primeiro, que é possível; segundo, que com esses governos não se progride. O progresso só é possível se for aprofundada a democracia. Nos últimos 20 anos a América Latina progrediu muitíssimo graças ao aprofundamento da democracia. 
Em escala mundial, mesmo com as coisas que se conseguiram, mesmo com os avanços que se obtiveram com a economia social e solidária, tudo isto é extremamente lento. A indignação justifica-se nisso: os esforços realizados são insuficientes, os governos foram débeis e até os partidos políticos da esquerda sucumbiram ante a ideologia neoliberal. Por isso devemo-nos indignar. Se os meios de comunicação, se os cidadãos e as organizações de defesa dos direitos humanos forem suficientemente potentes para exercer uma pressão sobre os governos as coisas podem começar a mudar amanhã.
– Pode-se mudar o mundo sem revoluções violentas? 
Se olharmos para o passado, veremos que os caminhos não violentos foram mais eficazes que os violentos. O espírito revolucionário que empolgou o começo do século XX, a revolução soviética, por exemplo, conduziu ao fracasso. Homens como o checo Vaclav Havel, Nelson Mandela ou Mijail Gorbachov demonstraram que, sem violência, podem obter-se modificações profundas. A revolução cidadã a que assistimos hoje pode servir essa causa. Reconheço que o poder mata, mas esse mesmo poder desaparece quando a força não violenta ganha. As revoluções árabes demonstraram-nos  a validade disto: não foi a violência quem fez cair os regimes de Túnis e do Egipto. Não, nada disso. Foi a determinação não violenta das pessoas.
– Em que momento acha que o mundo se desviou de sua rota e perdeu a sua base democrática?
– O momento mais grave situa-se nos atentados de 11 de setembro de 2001. A queda das torres de Manhattan desencadeou uma reação do presidente dos EUA George W. Bush extremamente prejudicial: a guerra no Afeganistão, por exemplo, foi um episódio no qual se cometeram horrores espantosos. As consequências para a economia mundial foram igualmente muito duras. Foram gastas somas consideráveis em armas e na guerra em vez de colocá-las à disposição do progresso económico e social.
– Este conflito dura há 60 anos e ainda não se encontrou a maneira de reconciliar estes dois povos. Quando se vai à Palestina voltamos traumatizados pela forma como os israelitas maltratam os seus vizinhos. A Palestina tem direito a um Estado. Mas também tem que reconhecer que, ano após ano, presenciamos como aumenta o grupo de países que estão contra o governo israelita, face à sua incapacidade de encontrar uma solução. Pudemos constatar isso com a quantidade de países que apoiaram o presidente palestiniano Mahmud Abbas, quando pediu, diante das Nações Unidas, que a Palestina seja reconhecida como um Estado de pleno direito no seio da ONU.
– O seu livro, as suas entrevistas e até mesmo este diálogo demonstram que, apesar do desastre, você não perdeu a esperança na aventura humana.
Não, pelo contrário. Acho que diante das gravíssimas crises que atravessamos, de repente o ser humano acorda. Isso aconteceu muitas vezes ao longo dos séculos e desejo que volte a ocorrer agora.
– “Indignação” é hoje uma palavra-chave. Quando você escreveu o livro, foi essa palavra a que o guiou?
A palavra indignação surgiu como uma definição do que se pode esperar das pessoas quando abrem os olhos e vêem o inaceitável. Podemos adormecer um ser humano, mas não matá-lo. Em nós há uma capacidade de generosidade, de ação positiva e construtiva que pode despertar quando assistimos a violação dos valores. A palavra “dignidade” figura dentro da palavra “indignidade”. A dignidade humana desperta quando é encurralada. O liberalismo bem que tentou anestesiar essas duas capacidades humanas - a dignidade e a indignação -, mas não conseguiu.
Artigo publicado na Carta Maior. / Tradução: Libório Júnior
FONTE: ESQUERDA NET
Soares diz que Stéphane Hessel será lembrado quando se cantar «Grândola»
«É muito triste no momento atual que os bons morram»
O antigo Presidente da República Mário Soares afirmou esta quarta-feira que Stéphane Hessel, que morreu aos 95 anos, é «uma das pessoas que será lembrada» quando se cantar a música «Grândola, Vila Morena».

«Quando se está a cantar a 'Grândola, Vila Morena' [música emblemática do 25 de Abril de 1974, que tem sido ouvida em recentes ações de contestação ao Governo], uma das pessoas que será lembrada é com certeza ele, que disse 'indignai-vos'», disse Soares, em declarações à agência Lusa, num comentário à morte do intelectual francês.

FONTE:tvi24.iol

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Fórum dos Servidores Públicos Federais se reúnem e decidem por aumentar a UNIDADE NA LUTA






Após o lançamento da CAMPANHA SALARIAL 2013, em frente ao Ministério do Planejamento – MPOG, onde os trabalhadores não foram recebidos pelo governo, as entidades representativas dos trabalhadores se reuniram ontem (26) em Brasília. O principal tema da reunião foi a discussão sobre a necessidade de aumentarmos a UNIDADE dos trabalhadores em todo Brasil. 

Foi deliberado que a tarefa atual seria construir a em todos os estados brasileiros o Fórum Estadual dos Servidores Federais reunindo todas as seções de base das entidades nacional que participam do Fórum nacional. Para tanto, o SINASEFE assumiu compromissos com o Fórum Nacional para ser protagonista na organização dos Fóruns Estaduais em Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Tocantins e Paraíba. Orientamos a todas as seções de base filiadas ao SINASEFE que procurem participar ativamente das atividades dos Fóruns Estaduais consolidando assim nossas deliberação congressual de construir a UNIDADE dos servidores públicos federais em defesa das nossas reivindicações.

O primeiro grande objetivo é fortalecer a marcha dos Servidores públicos no dia 24 de abril, precisamos levar a Brasília milhares de trabalhadores para mostrar ao governo nosso interesse de negociar a pauta de reivindicações protocolada no ministério desde 17 de fevereiro deste ano.

O exemplo de alguns estados que no ano passado constituíram os Fóruns Estaduais foram decisivos para o sucesso dos atos, manifestações, ações realizadas em vários cantos do nosso país em 2012 quando os servidores fizeram uma das maiores greves da sua história. 

O governo já vem mostrando sua intransigência, não respondeu a pauta de reivindicações assinada por 33 entidades representativas dos trabalhadores e até agora não recebeu os sindicatos para iniciar um processo de negociação.

Ficar parado significa que estamos concordando com uma política salarial que sequer recompõe nossas perdas, que não estamos incomodados por sermos trabalhadores sem data base, que não nos incomodamos pela falta de isonomia no pagamento da ajuda alimentação, que a falta de paridade entre ativos, aposentados e pensionistas não é uma excrescência.
  
O Fórum das Entidades do SPF se reunirá dia 18 de março e o movimento Unidade Espaço e Ação se reunirá no dia seguinte, 19 de março. O Fórum deliberou que haverá uma plenária na semana da Marcha à Brasília aferir os níveis de mobilização do movimento.

FONTE: SINASEFE NACIONAL