Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

quarta-feira, julho 10, 2013

Confira lista dos estados que realizam mobilizações nesta quinta-feira (11)






Cidades de todo o país, principalmente das regiões metropolitanas e capitais, terão atos, paralisações, atrasos na abertura de agências bancárias e na entrada das fábricas

O Dia Nacional de Lutas, marcado para esta quinta-feira (11), irá reunir sete centrais sindicais e movimentos sociais que sairão pelas ruas de todos os estados brasileiros. Nas cidades, principalmente das regiões metropolitanas e capitais, terão atos, paralisações, atrasos na abertura de agências bancárias e na entrada das fábricas. O objetivo é pressionar o governo a atender demandas que beneficiem os trabalhadores.
Os pontos que unificam as entidades do movimento de representação dos trabalhadores são: a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais; o fim do fator previdenciário e a valorização das aposentadorias; destinação de 10% do PIB para a educação; e de 10% das receitas da União para a saúde. Além disso, as centrais e os movimentos reivindicam reforma agrária, fim dos leilões do petróleo e mais recursos para melhoria do transporte público.
Essa pauta de reivindicações foi entregue à presidenta Dilma Rousseff depois da Marcha da Classe Trabalhadora, realizada por todas as centrais em março deste ano. Até o momento, porém, não houve qualquer avanço nas questões.
Acompanhe abaixo os locais e os horários das mobilizações em todo o Brasil:
ACRE
A partir das 8h30, concentração em frente ao Palácio do Governo e, na sequência, passeata até a Prefeitura de Rio Branco.
ALAGOAS
Ato público com concentração a partir das 14h, na Praça do Centenário, bairro do Farol, em Maceió.
AMAPÁ
Ato na Praça da Bandeira, a partir das 15h, seguido de passeata pela orla até o Centro de Macapá.
AMAZONAS
6h – Mobilização e panfletagem: Bola da Suframa, Bola do Armando Mendes e Entrada da SEDUC, na Av. Buriti
9h – Concentração e panfletagem: em frente ao INSS Centro e na Bola do Eldorado, com caminhada até a Assembleia Legislativa
15h – Grande concentração no centro de Manaus: Av. Eduardo Ribeiro com Av. Sete de Setembro.
BAHIA
4h - paralisação dos ônibus (urbanos, intermunicipais, cargas, fretamento e locadoras).
5h - paralisação dos trabalhadores da indústria na BR 324, via parafuso, trevo da resistência, Candeias, Camaçari, Alagoinhas (trabalhadores de diversos ramos).
5h - paralisação de diversas BRs, saída e entrada de Feira de Santana, BRs 324, 101, 242 (MST, Trabalhadores Rurais, Via Campesina, Movimentos sociais).
6h - protesto em frente à rede Bahia, no bairro da Federação. Pela "democratização da informação"
7h - atrasos na entrada do expediente em hospitais públicos e privados. Assembleia com trabalhadores.
7h - debates e atividades com professores da UFBA na faculdade de Arquitetura.
7h - paralisações e mobilizações em diversas cidades: Camaçari, Alagoinhas, Juazeiro, Feira de Santana, Candeias, Ilhéus, Itabuna, Vitória da Conquista, Barreiras e Teixeira de Freitas.
10h - Ato contra a Globo (Na porta da Rede Bahia): Assembléia Popular Pela Democratização da Comunicação.
12h - concentração com as outras centrais no Campo Grande, em Salvador
14h - reunião SOBRE MOBILIDADE URBANA E TARIFA ZERO, CUT, juventude, movimentos sociais, MPL, com vereadores no Centro Cultural da Prefeitura de Salvador
15h - Marcha Unificada das centrais - do Campo Grande à Praça Municipal, em Salvador

CEARÁ
Ato a partir das 9h na Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza.
DISTRITO FEDERAL
Concentração a partir das 15h, no Museu da República. Na sequência, passeata ssegue até o Congresso Nacional.
ESPÍRITO SANTO
Trinta e oito sindicatos vão parar a região central de Vitória e outras cidades do estado desde as primeiras horas da manhã, com atos, marchas, manifestações. Ônibus municipais param entre a zero hora do dia 11 até a zero hora do dia 12.
GOIÁS
8 horas – trabalhadores/ municipais e estaduais da Saúde iniciam concentração na Praça do Bandeirante; 10 horas – demais categorias chegam à concentração;
11 horas - caminhada pelas avenidas Goiás, Praça Cívica (Palácio do Governo) av. Araguaia, Anhanguera e encerramento na Av. Tocantins em frente teatro Goiânia.
Atividades dos trabalhadores rurais, agricultores familiares, camponeses em 10 regiões do estado, onde fecharão rodovias, inclusive a BR 153.
MARANHÃO
Manhã: paralisações nas categorias
Tarde: 15 horas: concentração em frente à Biblioteca Pública (Praça Deodoro) e passeata ao Palácio dos Leões, sede do Governo do Estado.
MATO GROSSO
A partir das 16h, concentração na Praça 8 de Abril, no Centro de Cuiabá. A partir das 17h, passeata seguir[a até a sede da prefeitura.
MATO GROSSO DO SUL
A partir das 9h, manifestação na Praça do Rádio, em Campo Grande.
MINAS GERAIS
Educação, saúde e eletricitários paralisam atividades
Às 10 horas, ato conjunto na Praça Sete, região central de Belo Horizonte. Após o ato, manifestantes vão sair em passeata pelas principais ruas da capital mineira
PARÁ
Concentração às 7h30 em frente da prefeitura de Belém, seguindo em caminhada pela avenida Portugal, avenida Castilhos França, avenida. Presidente Vargas, avenida Nazaré. Encerramento com ato em frente ao Centro Integrado de Governo (CIG).
Altamira - Concentração às 17h no ginásio da Brasília. Contato: (93) 9223-4531
PARAÍBA
Greves setorizadas: urbanitários, construção civil, servidores da UFPB (Hospital Federal - HU)
João Pessoa: A partir das14h: mobilização Unificada com as Centrais, no parque Solón de Lucena
Campina Grande:  A partir das 14h: mobilização na Praça da Bandeira.
Trabalhadores em Telecomunicações farão manifestação a partir das 7h em Campina Grande - na antiga Câmara dos Vereadores, na Floriano Peixoto, esquina com a Maciel Pinheiro - e em João Pessoa - atos públicos simultâneos nas empresas ARM no Bairro Jose Américo e na AeC no Bairro de Mangabeira. A partir das 12h, atos na AeC no Bairro José Américo.
PARANÁ
A partir das 16h, um grande ato será realizado na Praça Rui Barbosa, em Curitiba.
PERNAMBUCO
Passeata sairá da Praça do Derby em direção ao Pátio do Carmo, no Centro de Recife, onde, às 14h, tem início concentração para o ato público.
PIAUÍ
Concentração na Praça Liberdade a partir das 14h, seguida de passeata.
RIO DE JANEIRO
Concentração a partir das 15h na Candelária.
RIO GRANDE DO NORTE
9h - Concentração em Frente ao Shopping Minday, saindo em caminhada pela Av.  Salgado Filho, seguido de ato político em frente à governadoria, encerrando a caminhada às 14h no Ponto Sete na Av. Eng. Roberto Freire.
RIO GRANDE DO SUL
Mobilização nos locais de trabalho das 5 às 16h.
Em Porto alegre, a partir das 14h, duas caminhadas saem em direção ao Largo Glênio Peres: uma da Rótula do Papa e outra do Laçador.
Às 16h, começa o ato público no Largo Glênio Peres.
RONDÔNIA
Mobilizações em  Porto Velho, Vilhena e, em Jaru, fecham a BR 364.
RORAIMA
Ato em Boa Vista das 8h às 12h. Saída da Praça Zélia Coutinho até a Praça do Centro Cívico, em frente ao Palácio do Governador,Tribunal de Justiça e Assembleia Legislativa. 
SANTA CATARINA
Florianópolis - Concentração na Praça Tancredo Neves, em frente à Assembleia Legislativa de Santa Catariana, e às 15h, ato unificado com passeata pelo centro da cidade
Concentração no Trevo entre Itajaí e Blumenau BR-101 e, às 15h, ato unificado com passeata em Itajaí e Blumenau
Chapecó - Concentração nas quatro principais entradas da cidade de Chapecó com passeata até o centro e, às 17h , ato unificado no centro de Chapecó
Laguna - Concentração na cabeceira da ponte de Laguna.
SÃO PAULO
Manhã: Manifestação no ABC e manifestações e greves descentralizadas no interior;
Em São Bernardo do Campo, trabalhadores do turno da manhã das montadoras (Ford, Mercedes-Benz, Scania, Volkswagem, Toyota) e de fábricas de autopeças iniciam passeatas a partir das 7h30, saindo das portarias das empresas;
12h - na Praça Mal. Cordeiro de Farias (conhecida como Praça dos Arcos, que fica no final da Avenida Angélica, entre a Paulista e a Dr Arnaldo).
13h - os militantes vão partir para o MASP, onde se somarão de forma organizada na marcha das centrais.
15h - a marcha parte em direção à Praça Ramos, seguindo pela Paulista e descendo a Consolação.
16h - os militantes vão pegar ônibus que se dirigirão até a sede da Rede Globo, onde acontecerá um ato pela democratização dos meios de comunicação às 18h.
Em outras cidades -  um ato em local central de cada Subsede da CUT: ABC, Araçatuba, Bauru, Baixada Santista, Campinas, Guarulhos, Itapeva, Jundiaí, Mogi das Cruzes, Osasco, Ourinhos, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Sorocaba, São Carlos, Vale do Paraíba, Vale do Ribeira.
São José dos Campos - manifestação dos servidores municipais: às 7 horas, concentração no Paço Municipal
SERGIPE
Concentração a partir das 14h na Praça Fausto Cardoso , em Aracaju, seguida de ato público.
TOCANTINS
Manhã: Trancamento da BR 153, paralisação na Universidade Federal do Tocantins (UFT) e no Instituto Federal do Tocantins. Bancários farão paralisações nos Bancos.
Tarde: Mobilização a partir das 15h, concentração em frente ao Centro Educacional São Francisco de Assis, em Palmas. Segue em passeata até a Prefeitura, onde será realizado Ato Público e, depois, em frente ao Palácio do Governo e demais órgãos públicos.
FONTE:BRASIL DE FATO / *com informações da Central única dos Trabalhadores (CUT)

Defesa do governo Dilma divide centrais sindicais

As principais centrais sindicais chegam divididas ao "Dia Nacional de Lutas" em relação ao apoio ao governo Dilma Rousseff. O movimento, que coloca os trabalhadores na rota de protestos, promete paralisar São Paulo e algumas das principais cidades do país amanhã.

Os trabalhadores fizeram uma série de reuniões para definir uma pauta comum de reivindicações, mas temas sensíveis ao governo Dilma como o plebiscito e o combate à inflação dividem os líderes sindicais.

A falta de consenso resultou na inclusão somente de assuntos de interesse direto dos trabalhadores, como a redução da jornada, o fim do fator previdenciário e ainda o combate à terceirização dos postos de trabalho.

A CUT (Central Única dos Trabalhadores) queria o apoio das demais centrais à consulta popular para uma reforma política, encampada pelo PT e pelo governo. Mas sindicalistas ligados à Força Sindical e à CSP-Conlutas vetaram a ideia. A CUT levará a proposta isoladamente.

Por outro lado, as duas centrais de oposição querem debater o combate à inflação e defendem mudanças na equipe econômica. "Vamos pedir a cabeça do ministro Guido Mantega. Queremos mudança na política econômica e redução na inflação, que corrói o salário do trabalhador", disse Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical.

"O problema não é o ministro. É o governo que privilegia o interesse dos bancos, das empresas, do agronegócio, e não o dos trabalhadores", disse José Maria de Almeida, coordenador da CSP-Conlutas e presidente do PSTU.

A CUT nega que defenda a proposta do governo, mas confirma que é a favor da consulta popular sobre temas de interesse da sociedade.

Os sindicalistas não falam em número de pessoas nas manifestações, mas sim no total de em trabalhadores que vão aderir à paralisação.

Na avaliação da Conlutas, se o Metrô de São Paulo parar 5 milhões de passageiros serão afetados, o que amplificaria o alcance do ato.

Os metroviários devem decidir hoje sobre sua adesão ao dia de protesto. Ontem, a tendência dos líderes da categoria era pela paralisação.

Os ônibus devem operar normalmente em São Paulo, segundo o sindicato.

Pelo menos 600 mil servidores públicos do Executivo e do Judiciário também vão aderir. Petroleiros, professores, comerciários, químicos e metalúrgicos de diferentes centrais também vão parar.

Os estivadores do porto de Santos iniciam hoje a paralisação. Os bancários decidem hoje se participam.

Em São Paulo, haverá uma manifestação conjunta das centrais sindicais na avenida Paulista, a partir das 12h.

Militantes do PT prometem ir às ruas para pedir a reforma política, o que tem irritado as centrais, exceto a CUT.

Dirigentes do partido, pedindo reserva do nome, disseram à Folha que militantes petistas vão participar tendo "a pauta das centrais" como foco principal e que o debate sobre a reforma política nunca foi colocado como prioridade no ato, mas que não podem impedir a militância de tratar sobre o tema, se desejarem. A resistência é atribuída ao que classificam como "veneno" por parte de Paulinho.

FONTE: FOLHA.COM / TONI SCIARRETTA - DANIELA LIMA DE SÃO PAULO / 
Editoria de Arte/Folhapress

Nota do MPL-SP sobre as mobilizações do dia 11/07













Nota do MPL-SP sobre as 
mobilizações do dia 11/07

No próximo dia 11, centrais sindicais e movimentos de todo país organizam um dia de luta, com greves e manifestações. Saudamos todos os trabalhadores e trabalhadoras que se mobilizam Brasil afora. Só a luta pode mudar nossas vidas.

Mas só mudamos a vida quando sabemos pelo que lutamos. Já no dia 11, há tantas reivindicações diferentes sendo levantadas que elas tendem a ficar diluídas. Não sabemos a quem interessa essa diluição, mas certamente não é aos trabalhadores. Se nossos problemas são concretos, nossas pautas devem ser igualmente concretas.

O Movimento Passe Livre de São Paulo é um movimento social autônomo que luta por transporte público, e nesse dia é a luta por transporte que vamos fortalecer. Mas não nos termos vagos colocados pelas centrais sindicais, que pedem genericamente um "transporte público de qualidade". O transporte só será “público e de qualidade” quando não tiver tarifa e for controlado pelos seus trabalhadores e usuários, não mais por empresas privadas.

Estaremos com os Metroviários, que em assembleia na última semana decidiram paralisar as atividades no dia 11 para exigir melhores condições de trabalho, a redução das passagens rumo à Tarifa Zero e a estatização dos transportes. Damos nosso total apoio a essa mobilização porque só com a união dos usuários e trabalhadores poderemos transformar o sistema de transporte!

Somaremos também nas lutas das cidades da região metropolitana de São Paulo, onde a população continua saindo às ruas pela revogação total dos aumentos e pela integração dos sistemas de transporte entre os municípios. No ABC, nos reuniremos às 9h da manhã no paço municipal de São Bernardo! No Embu, às 14h no coreto do Largo 21 de abril. No Taboão, às 14h na praça Luiz Gonzaga.

Toda força para quem luta por uma vida sem catracas e sem patrões!
Movimento Passe Livre – São Paulo (MPL-SP)

terça-feira, julho 09, 2013

O que está em disputa? O destino do governo Dilma ou o das mobilizações, depois da greve geral de 11 de julho?













Ahora, ya de viejo, vuelvo a los primeros amores: me encanta Lenin por su empirismo. Porque en el fondo ese empirismo es, en rela­ción al proceso histórico, lo más dialéctico que hay(...) Me adelanto a decir, entonces, una comprobación metodo­lógica: un sano empirismo, un sano hálito empírico es lo más dialéctico que hay. Porque, de hecho, este sano empirismo de Lenin es: "Dejemos que los hechos se produzcan, [que] las revoluciones [se produzcan], y después hacemos las teorías". Y no como creo que es más o menos el enfoque de Trotsky: "Hacemos teorías de cómo va a ser una revolución para todo el siglo". (...)¿Qué quiere decir "sano empirismo"? ¿Qué hubiera dicho Lenin? Lenin hubiera dicho: "Soy medio empírico. ¿Por qué no vemos [qué pasa]?; después vemos, ajustamos [la teoría] a la realidad; Y la reali­dad inmediata para [elaborar] política inmediata; la reali­dad más general para [elaborar] teoría más general. Por eso en el problema teórico siempre es un poco tardío. Lenin es uno de los últimos en escribir sobre el imperialismo, pero después redondea [el tema]
Nahuel Moreno Critica a las tesis 
de la revolución permanente de Trotsky
Ao contrário do que pensam aqueles que ainda oferecem o seu apoio crítico ao PT e seu governo, o que está em disputa no Brasil, depois das Jornadas de Junho, não é o destino do governo Dilma, mas o destino das mobilizações que nasceram do mal estar social. O governo Dilma, dez anos depois da eleição de Lula em 2002, não oferece razão alguma para qualquer dúvida. Não tem preocupação maior, senão recuperar o mais rápido possível a estabilidade das instituições. O que mais teme o governo é a amplitude da greve geral de 11 de julho. O que está em disputa é qual será a dimensão da entrada da classe trabalhadora em cena. E quais serão as repercussões da greve geral na consciência de milhões de jovens que foram às ruas.      
Alguns intelectuais de esquerda, chocados pela presença de algo próximo a dois milhões nas ruas, em revolta popular de massa radicalizada, ou seja, muito mais do que protestos, se interrogam, perplexos, por quê? O que foi, talvez, mais pertubador nas Jornadas de Junho, para aqueles que apóiam o governo de coalizão liderado pelo PT, foi o repúdio indiferenciado a todos os governos, não distinguindo Haddad ou Dilma, de Alckmin do PSDB, ou Sérgio Cabral do PMDB, entre outros. Pela primeira vez, governos dirigidos pelo PT foram ridicularizados, denunciados, escrachados nas ruas em manifestações de massas, numa esscala diferente de todas as que desfilaram nos últimos dez anos. A insolência, a irreverência, e a fúria da juventude deixou a intelectualidade próxima ao governo assombrada.
O sentimento antipartidário que irrompeu nas ruas nas Jornadas de Junho é um fenômeno complexo, portanto, como tudo que existe, contraditório. Atingiu, impiedosamente, o PT. E, ainda que com menos intensidade, até os partidos que se posicionam como oposição de esquerda aos governos do PT. Muitos na esquerda se perguntaram se as massas juvenis não estariam sendo manipuladas pela direita para desestabilizar o governo Dilma, e preparar a volta do PSDB e seus aliados ao poder. A propaganda petista do “nunca antes na história deste país”, depois de dez anos de repetição, fez estragos na consciência crítica da militância de esquerda, especialmente, entre os ativistas do movimento da classe trabalhadora organizada.
Admitir que é contraditório, porém, não é suficiente. Qualquer análise tem o desafio de compreender uma dinâmica. De onde vem? Para onde vai? Uma análise sólida não tem compromisso senão com a compreensão da realidade. Análises não podem ser instrumentais. Precisam ser o mais rigorosas possíveis. Que aqueles que saíram às ruas não são reacionários é evidente. 
Acontece que o mais complexo modelo teórico sempre será imperfeito e insuficiente para abarcar as muitas e imprevisíveis combinações históricas concretas. A teoria da revolução está sempre em processo de atualização. O marxismo tinha previsto, por exemplo, que o proletariado seria o sujeito social da revolução anticapitalista. Em consequência tinha prognosticado que os países industrializados de forma pioneira seriam o cenário das primeiras revoluções socialistas vitoriosas. Entretanto, um dos paradoxos históricos mais pertubadores, foi que os trabalhadores só tenham conquistado o poder num país central até hoje, e ainda assim de forma efêmera, na França, durante os dias da Comuna de Paris em 1871, no que poderíamos dizer que foi uma “contramão” da época histórica, porque o capitalismo ainda estava longe de ter esgotado suas possibilidades de desenvolvimento na escala internacional. E a maioria das revoluções anticapitalistas vitoriosas tiveram como sujeitos sociais outras classes. Somente na Rússia Czarista a classe trabalhadora foi o sujeito da derrota do capital. Foi nestas circunstâncias que a teoria da revolução foi reelaborada por Lenin e Trotsky.
É da natureza da discussão teórica a produção de conceitos e idéias como instrumentos de interpretação da realidade, o que supõe a necessidade das comparações e as generalizações. Não se pode realizar trabalho teórico sem o esforço de caracterizações e conceituações.
Na análise da realidade, no entanto, é preciso muito cuidado para não deixarmos nossas preferências teóricas nos cegarem. A teoria deve estar sempre em processo de verificação. O auto-engano é uma armadilha poderosa. Assim como o narcisimo é uma doença infantil intelectual, o auto-engano é uma doença infantil do narcisismo. Que bom quando pensamos ver confirmadas nossas hipóteses!
A construção de conhecimento sério, todavia, exige profunda humildade. Em outras palavras, combater a superficialidade, as generalizações rápidas, portanto, enxergar a situação concreta. Isso significa uma atitude crítica em relação às nossas hipóteses, a disposição de corrigi-las, a percepção de que a realidade é sempre mais surpreendente que os prognósticos que foram feitos, que o conhecimento é uma construção coletiva, que a polêmica ajuda o esclarecimento, que a luta de idéias deve ser feita com respeito pelas hipóteses e argumentos contrários, e muito mais. Exige, portanto, teoria e método.
Ainda que tenha se manifestado de forma explosiva nas ruas nas Jornadas de Junho, há que recordar que irrupções de antipartidarismo já tinham vindo à tona várias vezes nos últimos anos, e não pode ser considerado uma surpresa. O repúdio aos partidos, que são desprezados como os instrumentos dos profissionais da política não é novo. Tem uma dimensão positiva? Como tudo é relativo, é bom lembrar que a ausência de direção é muito melhor que a presença de uma direção burocrática. E superior, incomparavelmente mais avançado, que a liderança de uma direção burguesa.
O domínio dos monopólios sobre o regime democrático está na raiz da corrupção. E a corrupção pessoal dos políticos profissionais está na raiz do ódio da juventude. Esse processo de experiência, ainda que incompleto, porque identifica mais o corrompido do que o corruptor, é progressivo. A luta contra a corrupção, uma forma degenerada de controle político inerente ao capitalismo, é uma luta progresssiva.
Mas o antipartidarismo tem, também, uma dimensão regresssiva: a desconfiança de qualquer instrumento de luta política pelo poder. A conclusão de que “os partidos são todos iguais” é ligeira e ingênua. Para compreendermos o apartidarismo, e o relativo apoliticismo, primeiro há que perceber que têm uma dimensão internacional. São uma expressão da repulsa ao regime eleitoral corrupto.
 Mas a ideia de que o “meu partido é o Brasil” e, portanto, que os partidos seriam, não somente desnecessários, mas um obstáculo, é uma ideia de apelo simples, porém, muito perigosa. O meu partido é o Brasil é uma forma de nacionalismo apolítico, mas não é a antesala do fascismo, embora fascistas tenham se aproveitado, conjunturalmente, do atraso na consciência que este grito de guerra traduz.
Por trás deste atraso, desta confusão, encontramos três ilusões. Primeiro, a ilusão de que uma liderança individual incorruptível seria superior a lideranças coletivas. Não surpreende, mas é muito grave, que a saída política mais popular entre aqueles que foram às ruas em São Paulo, no dia 17 de junho, tenham sido Joaquim Barbosa e Marina Silva. Ninguém, nem uma só pessoa, pode salvar o Brasil. A busca de lideranças individuais salvadoras é uma fantasia apolítica. O que nos remete ao pensamento mágico e à ilusão da liderança individual incorruptível, indivíduos com capacidades, supostamente, fantásticas, a la Janio Quadros, ou Fernando Collor. A luta de partidos, ou seja, instrumentos coletivos de representação de interesses de classe, é incontornável nas sociedades urbanas contemporâneas. Não deve existir mais lugar para caudilhos. Vargas é o passsado do Brasil capitalista ainda em transição para a industrialização. À sua maneira, o lulismo, o caudilhismo carismático, foi uma das consequências da degeneração do PT. Trocar um caudilho por outro seria dramático, caminhar para trás.
Segundo a ilusão de que existe uma solução técnica ideal para administrar a sociedade, ou seja, a fantasia positivista da “ordem e progresso”. Como se não existissem soluções técnicas as mais variadas, que respondem a diferentes interesses de classe.
Terceiro, e pior ainda, invertendo as relações entre causas e efeitos, a perigosa ilusão de que o problema seria a corrupção dos partidos sobre o Estado, e não a corrupção do capitalismo sobre os partidos.
O que está em disputa, portanto, é a consciência de milhões que irão lutar no dia 11 de Julho. A CUT e o PT farão o que puderem para conter, desviar e bloquear o caminho das mobilizações no dia seguinte. A tarefa da hora é abrir o caminho.
FONTE: OPINIÃO SOCIALISTA

segunda-feira, julho 08, 2013

Quadro parcial das categorias ligadas à CSP-Conlutas que vão participar do 11 de julho











A CSP-Conlutas reafirma sua participação no 11 de julho a partir de suas entidades e movimentos filiados em diversos estados e categorias de trabalhadores.   

A Coordenação Nacional da Central, reunida neste final de semana (de 5 a 7), em São Paulo, fez um levantamento das categorias, base da Central, que já aprovaram participação no dia 11 de julho. É um levantamento ainda parcial, uma vez que há categorias que ainda estão aprovando em assembleias como atuarão neste dia de luta.   

Segundo o membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Atnágoras Lopes, realizar um forte protesto nacional, com greves e paralisações em todos os setores, será um primeiro passo importante para fortalecer a luta que até agora se expressava apenas nas de manifestações de rua. “São os trabalhadores organizados que agora entram na luta para cobrar do governo Dilma o atendimento das nossas reivindicações. Mas trata-se de um primeiro passo. A luta continuará, e mais forte ainda, depois do dia 11”, diz o dirigente.    

Categorias nacionais - Os servidores públicos federais, organizados no Fórum Nacional das Entidades dos Servidores Públicos Federais, que envolve a base de diversos setores como Saúde, Educação, Previdência, IPEN, MTE, Ibama, DNIT (já em greve nacional), Incra, Marinha Mercante, IBGE, Fiocruz e outros órgãos federais, estão orientados a realizar uma  paralisação de até 24 horas.   

A Fasubra (técnicos administrativos das universidades federais, cujas diversas representações estaduais são ligadas à CSP-Conlutas), que representa quase 200 mil servidores federais em todo o país, deliberou em sua Plenária Nacional, realizada nos dias 5 e 6 de julho, greve geral em todas as universidades neste dia 11.   

O Sinasefe (Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica) está orientando suas entidades a participarem do dia de luta.   

O Andes-SN (docentes das universidades federais) orientou a participação, com paralisações, a todas as suas representações nos estados.   

Essas categorias nacionais já estão com atividades marcadas na ampla maioria dos estados.   

Os estudantes ligados a ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre) vão convocar as manifestações de ruas.   

As categorias ligadas à CSP-Conlutas estão convocadas a participarem das manifestações de rua que ocorrerem no dia nas várias cidades brasileiras.   Setor operário - Categorias importantes se somarão à luta de outras categorias organizadas no conjunto das bases das centrais. 

A CSP-Conlutas está impulsionando, entre outras, a paralisação dos metroviários de São Paulo; os metalúrgicos de São José dos Campos e região vão paralisar fábricas e, provavelmente, bloquear rodovias, se somando às atividades dos metalúrgicos de São Paulo e do ABC. Também estão em preparação para o dia 11 os metalúrgicos e trabalhadores da mineração de Minas Gerais – com iniciativas em diversas cidades. Os operários da construção – civil e pesada – estão aprovando paralisações em sete cidades do Pará – inclusive Altamira, cuja base é parte dos trabalhadores de Belo Monte, em Fortaleza (CE) e Suape (PE). Os petroleiros de Sergipe e Alagoas também vão realizar atividades e os petroleiros da Baixada Santista (SP) devem fazer greve. Os trabalhadores dos Correios de Pernambuco farão paralisação. 

Além desses, param suas atividades os trabalhadores em processamento de dados de Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC). Participam ainda do dia 11 de julho, os comerciários do interior do Rio Grande do Sul e de Nova Iguaçu (RJ).   

Categorias dos serviços públicos regionais – Assim como os servidores públicos federais estão encaminhando paralisações e atividades nos estados – entre eles os judiciários federais – diversas categorias de servidores públicos estaduais e municipais também vão realizar atividades. 

Entre elas, impulsionadas ou com a participação pela CSP-Conlutas, os trabalhadores da educação e saúde municipais em diversas cidades em Minas Gerais, entre elas Belo Horizonte; professores estaduais, judiciário estadual, área da saúde estadual e trabalhadores de escolas no Rio de Janeiro; trabalhadores da educação estadual e várias redes municipais do Rio Grande do Sul; funcionalismo municipal em diversas cidades e professores estaduais de Santa Catarina; trabalhadores da saúde do Rio Grande do Norte; trabalhadores estaduais e municipais de Pernambuco e servidores municipais do Piauí e Maranhão.

FONTE: CSP-CONLUTAS

sábado, julho 06, 2013

Bip Bip, o recanto encantado

No bar do Alfredinho ouve-se ótima música, 
afina-se a cultura e apura-se o debate político


Bip bip, no Rio de Janeiro, é sinônimo de boa música e solidariedade. Barzinho frequentado por gente que entende de cultura e política, bem como por turistas inteligentes, não é tão conhecido quanto merece. Sua fundação remonta ao 13 de dezembro de 68, data funesta para a história brasileira: naquele dia foi decretado pela ditadura o Ato Institucional nº 5. Mas a ironia da sorte não podia ser mais bizarra: no coração de Copacabana, junto ao terror, surgia então uma experiência de paz, cultura e fraternidade.
Chegando ali durante o dia, na Rua Almirante Gonçalves (que, na verdade, é uma pequena praça), é quase impossível reconhecer o minúsculo boteco: abre mais ou menos às 19h30 e, antes não passa de uma porta de ferro anônima, no bairro-kasba que foi tão badalado tempos atrás. Mais tarde, a transformação. Chega primeiro o dono, Alfredo Jacinto Melo (o Alfredinho), e depois segue a procissão de amigos, músicos e fregueses, em crescente participação, até noite alta. Nas paredes, antigas fotos e desenhos, caricaturas, artigos de revistas para atualização dos clientes.
As guias turísticas sem exceção confirmam que a música, prato forte do lugar, é excelente. A atmosfera é ainda melhor. Os músicos, de todos os gêneros – da bossa nova ao choro –, sejam eles amadores ou profissionais, tocam de graça. Não existem garçons, porque o gerente único, chefe carismático ou patrão que seja, é ele, Alfredinho. Sentado à porta, à frente de sua mesinha, levanta-se de vez em quando noite adentro para encher seu copo e controlar fregueses pouco silenciosos. Cada cliente se serve sozinho: abre a geladeira e recolhe o que mais gosta, passa na porta e deixa nome e consumação no livro-caixa remendado de Alfredinho. Na hora de sair, o cliente paga, por iniciativa própria, os preços honestíssimos. O latão para as doações está sempre à vista e frequentemente incrementado. Quer dizer, trata-se de uma experiência bem-sucedida de autogestão.
“Nós do Bip, nunca eu”, gosta de dizer o mestre, “porque nem Pelé fazia gol sozinho.” Mas é fato que o grande mérito desse pequeno milagre é dele. Comprou o ponto em 84 e, de maneira singular, imprimiu sua alma no lugar. Genius loci, diziam os latinos. Carioca de carteirinha, 70 anos, aspecto carrancudo e voz rouca, a sair com certo esforço, poderíamos defini-lo, de todos os pontos de vista, acentuadamente lulista. A realização do Bip Bip, como hoje conhecemos o boteco, foi o resgate de uma vida. “Tive infância e adolescência sacrificadas, muito pobre”, lembra Alfredinho, falando baixo: “... chorava quando passava na frente do Colégio Pedro II, porque não podia estudar. Quando comecei a fazê-lo, de noite,  dormia três horas e, ao levantar, tomava chuveiro com água de poço. O que me animou foi a vontade de ficar menos ignorante a cada dia que passava”.
“Fui burro a adolescência inteira: só pensava em futebol, futebol, futebol! Dali a pouco, comecei a ler nossos escritores. Iniciei com Jorge Amado, e me deu uma aflição muito grande pelo tempo que eu perdi. Estudei até a universidade, enquanto trabalhava, porque queria ser advogado dos pobres. Mas depois fui convencido pelo meu professor de que não teria tido espaço, que o Direito era coisa muito séria e eu, que não tinha condições, desisti.”
A paixão pelo futebol continua (ele é torcedor do Botafogo), mas praticada com certa frieza, por causa “dos escândalos de dirigentes corruptos” e da inaceitável decadência comercial do esporte. Além dos estudos, das leituras e do menor apego ao futebol, foi a recusa à corrupção que, para Alfredinho, abriu as portas de uma vida diferente. Ele trabalhava como “corretor de fundos públicos” e, quando o jogo se fez pesado, “tinha duas opções: ficar e virar milionário ou fugir da corrupção”. optou pelo Bip Bip.
Essa história pessoal reflete a identidade do barzinho, reconhece Alfredinho: é compromisso com os pobres, através da arte, da cultura e da solidariedade. É opção pela qualidade de vida, com relativa indiferença pelo dinheiro. “Vários personagens, até chineses, já me propuseram um bom dinheiro para transformar isso tudo em algo mais comercial, mas eu fico na minha. Não dá para abandonar tudo o que construímos.”
“Além dos amadores, passaram por aqui os maiores músicos brasileiros, mas, por elegância, não quero citá-los, não quero correr o risco de esquecer ninguém”, diz Alfredinho. Além disso, o bar, que foi comprado para ser só ponto de encontro entre amigos, hoje cuida de lançamento de livros, CDs, exposições de arte e projetos sociais.  A partir de julho, o sábado, em que não há música, será dedicado a organizar palestras de intelectuais amigos, “para difundir pensamento. Aqui a garotada discute cultura e política... e, depois da conversa, cineclube”.
O lado social do Bip Bip começou com a parceria de Betinho e hoje compreende  assistência e capacitação para crianças de Vila Isabel, distribuição de 40 cestas básicas mensais e dezenas de projetos contra a pobreza, financiados com doações de amigos/clientes e venda de mercadoria solidária. Comovedor é o almoço de Natal, com 700 refeições para qualquer pobre que passa. Hoje em dia, o barzinho pode ser definido, sem temor de desmentido, o único exercício comercial sem fins lucrativos.
O estranho nome Bip Bip foi dado em 68 pelos fundadores, que admiravam os primeiros foguetes russos daquela época, mas sem querer atribuir conotação política alguma, como algum malicioso poderia suspeitar. Era só o fascínio pela conquista do espaço, a velocidade: daí o onomatopaico Bip Bip, nome que contradiz o estilo e os ritmos da casa de hoje, lentos e serenos.
FONTE: CARTA CAPITAL / Claudio Bernabucci
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sexta-feira, julho 05, 2013

Senador do PSOL se reúne com Dilma e declara apoio ao plebiscito









Randolfe Rodrigues (PSOL) legitima a manobra do governo para distrair a atenção das verdadeiras reivindicações das ruas


O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) se reuniu com a presidente Dilma nesse dia 1º de julho para apoiar a proposta de plebiscito sobre reforma política anunciada pela presidente na semana anterior. Estiveram ainda na reunião o vice-presidente Michel Temer, o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo e a ministra das Relações Institucionais, Ideli Savatti.
Randolfe foi o único senador da oposição chamado a conversar com a presidente. Líderes dos partidos da oposição de direita, como o PSDB, já haviam sinalizado que não responderiam a um eventual convite. Na verdade, o senador sequer chegou a ser convidado pelo Planalto mas, por iniciativa própria, contatou o governo tão logo soube pela imprensa do interesse do governo em se reunir com setores da oposição. “Eu me adiantei, para que não fosse incluído na mesma reunião das outras lideranças de oposição. Recebi então uma ligação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e do chefe de gabinete de Dilma agendando o encontro", declarou ao Portal G1.
Na reunião com Dilma, o senador do PSOL apoiou a iniciativa do plebiscito sobre reforma política, legitimando a manobra do governo em distrair e desviar as reais reivindicações colocadas pelas manifestações nessas semanas.  O senador afirmou representar o "ponto de vista defendido pelo PSOL", apesar das declarações contrárias de outros membros da direção do partido. A proposta apresentada pelo senador fala sobre revogabilidade dos mandatos, voto em lista proporcional, fim do foro privilegiado e o fim da reeleição. Significativamente, nada falou sobre a redução dos salários dos parlamentares.
Manobra para conter os protestos
Mais grave que isso, porém, foi o papel cumprido por Randolfe de legitimar a tentativa do governo de distrair e canalizar as reivindicações colocadas pelas manifestações para uma pauta que nada tem a ver com os protestos. Quando o governo do PT, acuado pelas mobilizações das ruas em junho, vive sua maior crise, a maior figura pública do PSOL vem ajudá-lo.

A proposta a ser levada a voto pelo governo contempla, basicamente, um programa típico da direita, que pode levar o sistema eleitoral a um verdadeiro retrocesso reacionário, como é o caso do voto distrital e da cláusula de barreira. Um programa típico da direita e de partidos como o PSDB. Apesar da forma aparentemente democrática, a medida nada tem de progressiva.
"Não é só a classe política que tem que ser consultada, o povo também", chegou a afirmar Dilma ao defender o plebiscito. No entanto, resta a pergunta: por que não "ouvir o povo" sobre as questões que realmente estavam colocadas nas ruas? Por que não consultar a população sobre as privatizações, inclusive a do Maracanã? Ou os recursos que vão para o pagamento da dívida pública ao invés de serem investidos em saúde, educação e transportes? Questões que Randolfe não levantou na oportunidade que teve.
Macapá
A atitude de Randolfe Rodrigues provocou críticas dentro do próprio PSOL, apesar de o senador fazer parte da corrente majoritária da atual direção do partido. Isso, porém, está longe de ser novidade. Nas eleições do ano passado, ele formou uma aliança com partidos da direita ao redor da candidatura de Clécio Luís (PSOL) à prefeitura de Macapá. A direção do PSOL, mesmo com críticas iniciais, sempre acaba por aceitar as posições de Randolfe como “táticas”, como fez nessas eleições. Mas no balanço votado pela direção do PSOL, as alianças de Randolfe foram afinal consideradas corretas.

A prefeitura da capital do Amapá, aliás, já dá sinais do caráter do governo gerado por essa aliança com a direita e empresários. Macapá, assim como o resto do país, foi tomada pelos protestos protagonizados pela juventude contra as tarifas do transporte público. No entanto, o prefeito não só não atendeu à reivindicação do passe-livre, a mesma que Randolfe acabou de fazer à Dilma, como os estudantes sofreram brutal repressão da Tropa de choque da Polícia Militar do estado.
A prefeitura de Clécio, aliás, resistiu até o último momento em repassar a desoneração do PIS/Cofins implementado pelo Governo Federal às passagens de ônibus da cidade. Só reduziu meros R$ 0,20, de R$ 2,30 para R$ 2,10 nesse dia 1º, após muitos protestos que balançaram Macapá, e ainda por cima desonerando as empresas de transporte com os impostos municipais.  Tudo o que o PSOL condena no resto do país é aplicado pelo PSOL em Macapá, com apoio da direção nacional do partido.
FONTE: OPINIÃO SOCIALISTA

quinta-feira, julho 04, 2013

O fogo de Estocolmo: uma análise autonomista









O observador de fora poderá ainda encarar a Suécia como a terra prometida do Estado providência. Contudo, as políticas neoliberais são uma espécie de térmitas, já há algum tempo ocupadas na trituração do sistema de apoio social.

Os subúrbios de Estocolmo estão em chamas. O observador de fora poderá ainda encarar a Suécia como a terra prometida do Estado providência. Contudo, as políticas neoliberais são uma espécie de térmitas, já há algum tempo ocupadas na trituração do sistema de apoio social. O resultado final poderá ser a montanha a parir um rato, passível de ser desmoronada pela mais leve brisa de vento.
Ainda existem hospitais, as fachadas dos prédios das periferias foram renovadas e os estudantes não deixaram de ir à escola. No entanto, por trás da fachada, o sistema de saúde é colocado de joelhos por cortes e políticas de austeridade, a necessidade de renovar as áreas limítrofes dos arranha-céus torna-se premente e escolas dos subúrbios são encerradas enquanto um número cada vez maior de estudantes alcança apenas o 9.º ano. O sistema está a ser pilhado à medida que se privatizam os apoios sociais e interesses de mercado invadem o setor público. Porém, a um nível superficial, tudo está como dantes, sendo impossível vislumbrar as mudanças à primeira vista.
Nos subúrbios de Estocolmo, o miljonprogramme – assim denominado devido ao objetivo de construir um milhão de apartamentos a preços acessíveis – resultou das então crescentes necessidades habitacionais da força de trabalho empregue no sistema de produção fordista das décadas de 60 e 70. Inicialmente, a grande parte dos trabalhadores que lá moravam pertenciam a um stock sueco e finlandês, aos quais mais tarde se juntariam turcos, iranianos, latino-americanos e somalis. Apesar de Estocolmo constituir ainda uma região em crescimento, a construção de casas encontra-se paralisada. Por sua vez, os subúrbios de estilo banlieu, com sérias necessidades de renovação, enfrentam uma enorme negligência.
Uma geração de miúdos cujos pais se fixaram na Suécia passou toda a sua vida nestes subúrbios de betão. Não obstante a maioria ter permanecido cravada à sua posição, uma parte conseguiu trepar a escada social e estabelecer um lugar próprio na sociedade. Ao contrário do verificado noutros países escandinavos, um largo segmento de suecos filhos de imigrantes conseguiu licenciar-se, ganhando a vida como jornalistas, autores ou músicos populares. Os subúrbios desenvolveram a sua própria espécie de intelectuais orgânicos, dispostos a partilhar a suas experiências pessoais de racismo, descriminação estrutural e crescimento no seio de comunidades negligenciadas. Eles têm voz nos debates culturais, onde criticam a produção de estereótipos raciais por parte dos meios de comunicação social e reivindicam a sua própria forma de representação.
No contexto da inédita eleição parlamentar de representantes de um partido de extrema-direita, na sequência das eleições legislativas de 2010, o debate público acerca de temas como a etnicidade, a raça ou a cultura tornou-se comum – e nem sempre a favor dos racistas. A influência das críticas antirracistas formuladas por naturais de outros países chegou mesmo a ser comentada pela Timbro, think-tank da Confederação Empresarial Sueca (a equivalente à Confederação Industrial Portuguesa), tendo esta recentemente declarado que «o pós-colonismo é na atualidade a maior ameaça da esquerda».
Uma das muitas controvérsias foi desencadeada pelos protestos contra o REVA, um projeto conjunto entre o serviço de fronteiras e a polícia com o objetivo de deter migrantes ilegais por via de um controlo fronteiriço interno (a título de exemplo, no transporte metropolitano). Instruída a basear-se em perfis raciais pré-concebidos, a polícia começou a parar toda a pessoa «que não parecia sueca», exigindo a apresentação de documentos. A divulgação pública do recurso a esta tática originou largos protestos e uma onda de ações diretas durante toda a primavera. As declarações grosseiras e os insultos raciais realizados pelos ministros da Justiça e da Migração ajudaram a alimentar os protestos, abrindo igualmente o debate sobre racismo às experiências pessoais relatadas por figuras do meio cultural sueco. Tal permitiu uma alteração do rumo do debate público em direção a uma posição antirracista.
Estes intelectuais orgânicos de raízes suburbanas são apenas a ponta do icebergue de uma nova forma de consciência que se desenvolve a partir das periferias esquecidas. Mais importante, contudo, é a emergência de organizações suburbanas territoriais, completamente ignorada pelos meios de comunicação social. Em Estocolmo, tal como em Gotemburgo e Malmö, verificou-se o desenvolvimento paralelo de organizações comunitárias constituídas por moradores. Em 2001, Gotemburgo assistiu ao nascimento da Pantrarna (os «Panteras») no subúrbio de Lindängen, uma iniciativa que depressa se iria espalhar a Malmö. Na cidade de Estocolmo, a Megafonen (o «Megafone») seria formada em 2008 no subúrbio de Husby. A inspiração, conforme sugerido pelos seus nomes, advém do Partido dos Panteras Negras. As organizações comunitárias têm procurado enfrentar problemas sociais através de um programa social de desenvolvimento, um tanto ou quanto semelhante ao programa de dez pontos dos Panteras Negras. Não existe, portanto, uma fronteira nítida entre a organização social e a organização política: a ajuda a crianças com os seus trabalhos de casa num ambiente menos stressante do que os apartamentos superlotados em que vivem; a organização de programas educacionais e de aulas de escrita criativa; o treino de artes marciais e a campanha pela abertura de novos centros comunitários. Os Panteras Negras não se limitam a constituir uma fonte de inspiração, desenvolvendo as organizações comunitárias suecas projetos em colaboração com alguns dos seus antigos militantes. Em Maio de 2011, Bobby Seale compareceu num protesto coletivo organizado pela Pantrana em Gotemburgo. Neste ano, diversas associações organizaram o festival Speak your Mind, o qual contou com a presença de membros dos Panteras Negras e com a atuação do grupo norte-americano Dead Prez e de outras vozes da cena hip-hop sueca.
Não se pode dizer que Husby, onde o fogo começou, corresponde propriamente ao subúrbio mais marginalizado e negligenciado de Estocolmo. É, pelo contrário, uma das regiões com maiores níveis de militância, com lutas sociais a decorrer há já algum tempo e muitas vitórias alcançadas. Habitada por quase 11 000 cidadãos, encontra-se situada nas proximidades da «cidade da ciência» de Kista, uma espécie de Sillicon Valley da Suécia. A sua localização veio tornar visíveis os fenómenos de gentrificação e segregação, à medida que os políticos de Estocolmo investem em massa na expansão de Kista, de forma a abranger Husby. Para tal, um novo plano para o subúrbio foi lançado, envolvendo a demolição de grandes conjuntos habitacionais, a privatização dos banhos públicos e do centro de saúde comunitário, o encerramento do centro comunitário Husby Träff, bem como luxuosas renovações, com consequências ao nível do aumento das rendas. Todas estas medidas visam a recomposição da população e o aumento geral do estatuto da área. A Megafonen tem obtido algum sucesso no bloqueio deste plano: aliada a outros movimentos sociais, conseguiu travar as demolições de casas, evitar os «redespejos» (renovações que visam despejar inquilinos) e salvar os banhos públicos. No ano passado, face à ameaça de fecho do centro comunitário Husby Träff, a associação respondeu com a ocupação do espaço, tendo garantido o seu funcionamento até hoje.
A intervenção das autoridades policiais tem igualmente potencializado a existência de conflitos. Além dos controlos fronteiriços internos pela REVA – um projeto com já alguns anos que se expandiu recentemente das periferias para o centro das cidades – a polícia implementou uma política de tolerância zero nos subúrbios, programas de combate à «radicalização» política e, sob o pretexto da luta contra a droga, a perseguição a grupos de hip-hop locais. Juntos, todos estes elementos contribuíram para um crescente ódio à polícia.
Há cinco anos, uma onda protestos atravessou os subúrbios negligenciados da Suécia, com diversos automóveis incendiados em Malmö e Gotemburgo. Porém, esta onda nunca atingiu Estocolmo. Atualmente, é nesta cidade que se localiza o epicentro dos incêndios. Os primeiros sinais vieram dos fogos de Tensta (nas proximidades de Husby) em Abril, os quais visaram diretamente um dos proprietários então responsáveis pelo aumento de rendas. A empresa recuou, não tendo a história merecido a atenção dos meios de comunicação social.
Ao invés, foi o assassinato policial de um idoso de 69 anos em Husby, a 13 de Maio, que suscitou a faísca. A natureza dos acontecimentos surge interpretada em duas versões. Uma primeira defende que a vítima, um descendente de portugueses, estava a comer fora num restaurante com a sua esposa. Ao vê-la ser ameaçada por um gangue juvenil, foi buscar uma faca a sua casa de forma a assustar os jovens. Eventualmente, acabou por ir para casa juntamente com a sua mulher. Mais tarde, a polícia apareceu à sua porta, não tendo o casal respondido ao toque da campainha com medo. A polícia terá então forçado a entrada e disparado um tiro na cabeça da vítima. Numa outra versão, o acontecimento terá sido despoletado pela denúncia telefónica de um homem que, após se ter passeado na rua com um machete, se trancou em casa com a sua esposa. Enviada ao seu resgate, a polícia terá disparado sobre a vítima em legítima defesa, a qual faleceu mais tarde, já no hospital. Todavia, a versão da polícia demonstrou apresentar várias imprecisões: a Megafonen apresentou provas de que o corpo havia permanecido no apartamento durante várias horas antes de ter sido transportado. Em reação contra o que considerava ser abuso policial, a associação organizou um protesto no dia seguinte, exigindo uma investigação independente dos acontecimentos. A atitude da polícia pautou-se pela fuga ao diálogo, acusando-a de instigar o ódio para com a polícia e de minar a confiança pública na lei em Husby e nos seus arredores.
Tudo terá começado segunda-feira, dia 20, com os primeiros automóveis a serem incendiados em Husby. Chegada ao local, a polícia viu-se confrontada com o arremesso de pedras por parte de gangues juvenis. O fogo, o fumo e o barulho das sirenes despertaram a atenção dos moradores de Husby, os quais saíram de suas casas em busca das causas de tal agitação. A polícia chama então por reforços, ao mesmo tempo que carrega sobre a multidão, de forma a afastá-la do local.
«Ao chegarmos à praça, aproximámo-nos da polícia e perguntámos se precisavam de alguma ajuda. No entanto, fomos recebidos com cassetetes, cães, insultos, entre outras medidas. Demorou algumas horas até que eles tenham chamado por nós», afirmou o líder comunitário e empregado municipal Daniel Ghirmai na posterior conferência de imprensa realizada pela Megafonen. «Fomos alvos dos seus insultos, tendo-nos chamado de ratos e putas. Eles atacaram toda a gente à sua frente, até velhotas. Eu própria fui derrubada por agentes de polícia», declarou Quena Soruco, residente de Husby e membro da Megafonen.
Enquanto a comunicação social se ocupava da vitória da Suécia no campeonato do mundo de hóquei em gelo, a noite caía e os incêndios deflagravam. Na noite seguinte, os incêndios espalharam-se para os subúrbios vizinhos de Husby. Este, por sua vez, encontrava-se ocupado pelo polícia e por meios de comunicação social, a transmitir em direto da «zona de conflito». Na terceira noite, as chamas haviam-se propagado a 15 subúrbios de Estocolmo. Passadas 24 horas, atingiam já os arredores de Estocolmo. À medida que os carros incendiados se tornavam numa espécie de epidemia, os media respondiam com pânico moral e o aparelho político iniciou uma competição pelo maior número de condenações. A postura política parecia alinhar numa velha rotina: medidas duras reivindicadas pela direita e apelos a um debate estrutural da parte da esquerda. A direita racista defendia a intervenção militar, tendo organizado patrulhas de vigilância e, em simultâneo, desenvolvido todos os esforços possíveis na etnização do conflito, descrito como uma revolta rácica. Quando os meios de comunicação social internacionais pegaram na história, o mote já estava pronto: «a falência do modelo multicultural atingiu a Suécia».
Sobre os acontecimentos, o periódico socialista libertário Arbetaren comentou o seguinte: «Conforme é demonstrado pelos acontecimentos, de Los Angeles (South Central) a Clichy-Sous-Bois, de Tottenham a Husby, este tipo de motins é ridiculamente previsível. Como de costume, o papel catalisador da polícia é mais do que óbvio». As autoridades polícias apontaram a Megafonen como instigadora da rebelião, ao que a associação respondeu que apenas havia sido responsável por evitar novos excessos por parte da polícia. Como se pode ler na sua declaração à imprensa: «Não é a Megafonen que está a provocar incêndios. Entendemos que não é este o meio de garantir mudanças a longo prazo. No entanto, sabemos que se trata de reações a problemas sociais. O desemprego, as escolas precárias, o racismo estrutural são as suas causas subjacentes».
FONTE: Por Mathias Wåg / Traduzido por Passa Palavra

quarta-feira, julho 03, 2013

ANDES-SN chama docentes a integrar paralisação geral












Dia 11 de julho

O dia 11 de julho será marcado pelo Dia Nacional de Lutas com Greves e Mobilizações, com atividades conjuntas previstas em todo o país, organizadas pelas oito centrais sindicais brasileiras CSP-Conlutas, CUT, UGT, Força Sindical, CGTB, CTB, CSB e NCST, além de participação do MST, o Dieese e outros setores articulados no âmbito do Espaço de Unidade de Ação. A data foi definida em reunião realizada na última terça-feira (25), que discutiu o processo de lutas que toma conta do país. 

O Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (SPF) atendeu ao chamado das centrais e também integra a mobilização. O ANDES-SN orienta as seções sindicais a discutir em suas instâncias e deliberar a paralisação na data apontada pelas centrais.

“Como parte deste processo de valorização da luta coletiva como instrumento de conquista e transformação social, o ANDES-SN, através das suas Seções Sindicais e em unidade com os demais setores, orienta a participação nas manifestações que estão ocorrendo, bem como a realização de paralisações no dia 11 de julho que foi definido como Dia Nacional de Lutas. Essa estratégia é importante para fortalecer a presença da classe trabalhadora organizada nas ruas”, afirma a presidente do ANDES-SN, Marinalva Oliveira. 

Além da paralisação do dia 11 de julho, as centrais também indicaram os eixos que compõem o pleito unificado das mais diversas categorias da classe trabalhadora: a redução das tarifas e melhoria da qualidade dos transportes públicos; o aumento nos investimentos da saúde pública; posição contrária ao Projeto de Lei 4330/2004, que trata sobre terceirização de mão de obra; pelo fim dos leilões de petróleo; pelo fim do fator previdenciário e valorização das aposentadorias; pela redução da jornada de trabalho; e a Reforma Agrária.

Para o coordenador da CSP-Conlutas, Zé Maria, o contexto permite a construção da paralisação proposta pelas centrais e reflete o processo de mobilização que acontece no país. “Foi uma decisão importante, que fortalece a presença da classe trabalhadora organizada nesses atos”, avaliou.

Antes mesmo da definição de 11 de julho como Dia Nacional de Lutas, o ANDES-SN já havia enviado uma recomendação às Seções Sindicais para intensificar a luta por direitos sociais, que marca toda a trajetória do Sindicato Nacional, e convocar assembleias para avaliar a possibilidade de paralisação conjunta de todos os setores da educação e dos servidores públicos nos dias convocados para os atos, além da integração às manifestações e a articulações com as entidades locais. 

“A conjuntura do Brasil atual traz à tona uma sequência de manifestações populares por todo o país. Essa explosão social vinha sendo gestada há tempos, culminando recentemente nos movimentos organizados pelo ‘Passe Livre’, denotando profunda repulsa às ações políticas corruptas, ao cinismo da classe política, ao desrespeito dos governos em relação aos serviços públicos e à arrogância da exploração dos setores dominantes e do capital”, diz o documento. 

A circular ressaltou ainda que todos sabem o que esse movimento representa e é possível antever a extensão do seu alcance. “Nesse sentido, devemos fortalecer esse processo e, para tanto, encaminhamos à consideração das seções sindicais do ANDES-SN a discussão sobre a necessidade de estabelecer interfaces bem como formas de intervenção com esse movimento social dinâmico, de acordo com orientações de nossas instâncias de base”. 


Reunião do Fórum dos SPF


O 2º secretário do ANDES-SN, Paulo Rizzo, participou da reunião do Fórum dos SPF realizada também na última terça-feira (25), ocasião em que o Fórum decidiu integrar as atividades do dia 11 de julho. “Depois de muito tempo com reuniões pequenas conseguimos ter uma reunião bem representativa do Fórum dos SPF. Isso sem dúvida tem a ver com as mobilizações que estão ocorrendo em todo o país, até porque as entidades que compõe este espaço estão participando das manifestações através de seus representantes locais”, avaliou.

As entidades nacionais dos SPF orientarão também os servidores públicos federais a continuarem participando de todas as manifestações, defendendo os eixos unificados do Fórum, com destaque para a luta contra o PL 92, contra a Ebserh e a Funpresp. “As entidades defendem recursos públicos para a saúde pública e educação pública, o que vai ao encontro das reinvindicações da população nas ruas e contra as propostas do governo, que pretende reforçar a destinação de verba pública para o setor privado, por meio de austeridade fiscal”, completou o 2º secretário do ANDES-SN.

Para Paulo Rizzo se faz urgente cessar a entrega do patrimônio do país, para aplicação efetiva de recursos em políticas públicas. “É preciso acabar com os leilões das reservas de petróleo, com a desculpa de que parte dos recursos será usada para saúde e educação, e também reverter todo tipo privatização”, ressaltou.

Fonte: CSP-CONLUTAS / ANDES-SN

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