Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

quinta-feira, junho 13, 2013

Protestos: Por que esses vândalos não sofrem em silêncio?















Alguém acha que a realidade vai mudar apenas com protestos on line ou cartas enviadas ao administrador público de plantão? Ou que a natureza de uma ocupação de terra, de uma retomada de um território indígena ou de uma manifestação urbana não pressupõe um incômodo a uma parcela da sociedade?

Fiquei bege ao ler propostas de que manifestações populares em São Paulo passem a ser realizadas no Parque do Ibirapuera ou no Sambódromo. Pelo amor das divindades da mitologia cristã, o pessoal só pode estar de brincadeira! 

Desculpe quem tem nojo de gente, mas protesto tem que mexer mesmo com a sociedade, senão não é protesto. Vira desfile de blocos de descontentes, que nunca serão atendidos em suas reivindicações porque deixam de existir simbolicamente. “Quesito: Importância social. Sindicato dos Bancários, nota 10. Movimento Passe Livre, nota 10. Movimento Cansei, nota 6,5.”

Parar a cidade, inverter o campo, subverter a realidade. Ninguém faz isso para causar sofrimento aos outros (“ah, mas tem as ambulâncias que ficam presas no trânsito” – faça-me um favor e encontre um argumento decente, plis), mas para se fazer notado, criar um incômodo que será resolvido a partir do momento em que o poder público resolver levar a sério a questão.

Ser pacifista não significa morrer em silêncio, em paz, de fome ou baioneta. A desobediência civil professada por Gandhi é uma saída, mas não a única e nem cabe em todas as situações.

Rascunhei em outro texto essas ideias, mas decidi dar prosseguimento a elas depois de ler os comentários de um post que fiz, na semana passada, sobre os protestos contra o aumento das passagens em São Paulo. É trágico como milhares de pessoas não entendem o que está acontecendo e, tomando uma pequena parte pelo todo, resumem tudo a “vandalismo”. Não defendo destruição de equipamentos públicos, por considerar contraproducente ao próprio movimento, pela escassez de recursos públicos, por outras razões que já listei aqui antes. Mas é impossível para os organizadores de uma manifestação controlarem tudo o que acontece, ainda mais quando – não raro – é a polícia que ataca primeiro.

E, acima de tudo, não compactuo com uma vida bovina, de apanhar por anos do Estado, em todos os sentidos e, ainda por cima, dar a outra face, engolindo as insatisfações junto com cerveja e amendoim no sofá da sala.

Muitos detestam sem-terra, sem-teto e povos indígenas. Abominam a ideia de que o direito à propriedade privada e ao desenvolvimento econômico não são absolutos. Mas os direitos humanos são interdependentes, indivisíveis e complementares. O que é mais importante? Direito à propriedade ou à moradia? Não passar fome, locomover-se livremente ou desfrutar da liberdade de expressão? Todos são iguais, nenhum é mais importante que o outro. Intelectuais que pregam o contrário precisam voltar para o banco da escola.

E direitos servem para garantir a dignidade das pessoas, caso contrário, não são nada além de palavras bonitas em um documento quarentão.

Leio reclamações da violência das ocupações de terras – “um estupro à legalidade” – feitas por uma legião de pés-descalços empunhando armas de destruição em massa, como enxadas, foices e facões. Ou contra povos indígenas, cansados de passar fome e frio, reivindicando territórios que historicamente foram deles, na maioria das vezes com flexas, enxadas e paciência.  Ou ainda manifestantes que exigem o direito de ir e vir, tolhido pelo preço alto do transporte coletivo, e que resolvem ir às ruas para mostrar sua indignação e pressionar para que o poder público recue de decisões que desconsideram a dignidade da população. Todos eles são uns vândalos.

Por que essa gente simplesmente não sofre em silêncio, né?

Caro amigo e cara amiga jornalistas, falo com todas as letras: não existe observador independente. Você vai influenciar a realidade e ser influenciado por ela. E vai tomar partido e, se for honesto, deixará isso claro ao leitor. Sei que há colegas de profissão que discordam, que dizem ser necessário buscar uma pretensa imparcialidade, mas isso é só metade da história. Deve se buscar ouvir com decência todos os lados de um fato para reconstruí-lo da melhor maneira possível. Afirmar que existe isenção em uma cobertura jornalística de um conflito, contudo, só seria possível se nos despíssemos de toda a humanidade.

Isso sem contar que tentar manter-se alheio a reivindicações justas é, não raro, apoiar a manutenção de um status quo de desigualdade e injustiça. Coisa que, por medo, preguiça, vontade de agradar alguém ou pseudo-reconhecimento de classe, a gente faz muito bem.

Manifestações populares e ocupações de terra e de imóveis vazios significam que os pequenos podem, sim, vencer os grandes. E os rotos e rasgados são capazes de sobrepujar ricos e poderosos. Por isso, o desespero inconsciente presente em muitas reclamações sobre a violência inerente ou involuntária desses atos.


Muitas das leis desrespeitadas em protestos e ocupações de terra não foram criadas pelos que sofrem em decorrência de injustiça social, mas sim por aqueles que estão na raiz do problema e defendem regras para que tudo fique como está. Você pode fazer o omelete que quiser, mas se quebrar os ovos vai preso.

FONTE: BLOG SAKAMOTO

Movimento Passe Livre: Por que estamos nas ruas


















NINA CAPPELLO, 23, estudante de direito da USP,
 ERICA DE OLIVEIRA, 22, estudante de história da USP,
DANIEL GUIMARÃES, 29, jornalista, 
RAFAEL SIQUEIRA, 38, professor de música, 
são militantes do Movimento Passe Livre

O modelo de transporte coletivo baseado em concessões para exploração privada e cobrança de tarifa está esgotado. E continuará em crise enquanto o deslocamento urbano seguir a lógica da mercadoria, oposta à noção de direito fundamental para todas e todos.

Essa lógica, cujo norte é o lucro, leva as empresas, com a conivência do poder público, a aumentar repetidamente as tarifas. O aumento faz com que mais usuários do sistema deixem de usá-lo, e, com menos passageiros, as empresas aplicam novos reajustes.

Isso é uma violência contra a maior parte da população, que como evidencia a matéria publicada ontem pelo portal UOL, chega a deixar de se alimentar para pagar a passagem. Calcula-se que são 37 milhões de brasileiros excluídos do sistema de transporte por não ter como pagar. Esse número, já defasado, não surgiu do nada: de 20 em 20 centavos, o transporte se tornou, de acordo com o IBGE, o terceiro maior gasto da família brasileira, retirando da população o direito de se locomover.

População que se desloca na maioria das vezes para trabalhar e que, no entanto, paga quase sozinha essa conta, sem a contribuição dos setores que verdadeiramente se beneficiam dos deslocamentos. Por isso defendemos a tarifa zero, que nada mais é do que uma forma indireta de bancar os custos do sistema, dividindo a conta entre todos, já que todos são beneficiados por ele.

Esse é o contexto que fez surgir o Movimento Passe Livre em diversas cidades do Brasil. Por isso há anos estamos empenhando lutas por melhorias e por outro paradigma de transporte coletivo. Neste momento, em que nos manifestamos em São Paulo pela revogação do aumento nas passagens, milhares protestam no Rio de Janeiro, além de Goiânia, onde a luta obteve vitória, assim como venceram os manifestantes de Porto Alegre há dois meses.

O impacto violento do aumento no bolso da população faz as manifestações extrapolarem os limites do próprio movimento. E as ações violentas da Polícia Militar, acirrando os ânimos e provocando os manifestantes, levaram os protestos a se transformar em uma revolta popular.

O prefeito Fernando Haddad, direto de Paris, ao lado do governador Geraldo Alckmin, exige que o movimento assuma uma responsabilidade que não nos cabe. Não somos nós os que assinam os contratos e determinamos os custos do transporte repassados aos mais pobres. Não somos nós que afirmamos que o aumento está abaixo da inflação sem considerar que, de 1994 para cá, com uma inflação acumulada em 332%, a tarifa deveria custar R$ 2,16 e o metrô, R$ 2,59.

Além disso, perguntamos: e os salários da maior parte da população, acompanharam a inflação?

A discrepância entre o custo do sistema e o quanto, como e quando se cobra por ele evidenciam que as decisões devem estar no campo político, não técnico. É uma questão de escolha: se nossa sociedade decidir que sim, o transporte é um direito e deve estar disponível a todos, sem distinção ou tarifa, então ela achará meios para tal. 

Isso parcialmente foi feito com a saúde e a educação. Mas sem transporte público, o cidadão vê seu acesso a essas áreas fundamentais limitado. Alguém acharia certo um aluno pagar uma tarifa qualquer antes de entrar em sala de aula? Ou para ser atendido em um posto de saúde?

Haddad não pode fugir de sua responsabilidade e se esconder atrás do bilhete mensal, proposta que beneficiará poucos usuários e aumentará em mais de 50% o subsídio que poderia ser revertido para reduzir a tarifa.

A demanda popular imediata é a revogação do aumento, e é nesses termos que qualquer diálogo deve ser estabelecido. A população já conquistou a revogação do aumento da tarifa em Natal, Porto Alegre e Goiânia. Falta São Paulo.

FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO / TENDÊNCIAS/DEBATES

LEIA TAMBÉM:

Aumento de R$ 0,20 na passagem

 obriga paulistanos de baixa renda a pular refeições

quarta-feira, junho 12, 2013

Aumento de R$ 0,20 na passagem obriga paulistanos de baixa renda a pular refeições








O reajuste de R$ 0,20 no preço da tarifa dos transportes públicos na cidade de São Paulo pode parecer muito pequeno para muitas pessoas, mas obrigou a alguns paulistanos de baixa renda a deixar de fazer refeições e a arranjar "bicos" para conseguir pagar o novo valor das passagens.
O trabalhador que recebe um salário mínimo do Estado de São Paulo (um pouco mais alto do que o nacional: R$ 678) --R$ 755-- e utiliza um ônibus e um metrô para ir e um ônibus e um metrô para retornar do trabalho terá gasto, ao final do mês, R$ 200, mais de 26% do total de sua renda.
"Além de trabalhar como cuidadora 26 dias por mês, ainda chego em casa e preciso fazer bordados e crochê em panos de prato para complementar a renda", afirmou Humbertina Lima da Silva, 47, nesta quarta-feira (12), na praça da Sé, região central da capital, onde ontem ocorreu um enfrentamento entre a polícia e manifestantes que pediam a redução das tarifas. Humbertina, que ganha pouco menos de mil reais por mês e mora em Mogi das Cruzes, estima em R$ 50 o valor adicional gasto com transportes após o aumento da passagem. "Por isso os protestos pela redução são importantes", diz.

EL PAÍS: BRASIL SE LEVANTA EM PROTESTO CONTRA AUMENTO NOS PREÇOS DO TRANSPORTE

Os preços dos transportes públicos no Brasil são muito altos em relação ao salário mínimo dos trabalhadores.
(...) No entanto, a classe média, pouco acostumada no país a manifestações de protesto nas ruas, está aplaudindo as autoridades, que pediram mão dura à polícia contra as mobilizações, que estão paralisando o tráfego em cidades já normalmente supercongestionadas. 
As manifestações criam um alarme especial. Nem sequer diante dos grandes escândalos de corrupção política as pessoas saíram tanto às ruas. Uma vez mais, também aqui, se torna realidade a famosa frase atribuída a Bill Clinton: "é a economia, estúpido!"

A estudante e auxiliar administrativa Caldineya Oliveira Santos, 23, afirma que deixou de se alimentar entre o almoço e a hora em que chega em casa da faculdade. "Almoço no trabalho, por volta do meio-dia, e depois só como lá pelas 23h. Meu salário de R$ 900 não permite que eu pague R$ 3,20 no transporte e me alimente direito", diz.
Para o gari Célio Ferreira, 35, o novo preço prejudica muito quem tem um orçamento limitado. "Deixo de comprar alimentos ou às vezes até mesmo uma garrafa de água", afirmou. Segundo ele, que recebe R$ 800 por mês, o preço justo para o transporte público seria "no máximo R$ 1,50". Após o reajuste na passagem, Célio passou a gastar R$ 26 a mais por mês. 
O office-boy Rodrigo Oliveira, 19, reclama que continua recebendo o vale transporte no valor de R$ 3. "Os outros R$ 0,20 eu tiro do meu bolso. Vira e mexe deixo de comer um lanche na rua, porque para quem ganha R$ 700 por mês, como eu, o aumento pesa no orçamento."
Os novos gastos foram calculados pelos próprios personagens da reportagem.

Presos no protesto

Ao menos 20 pessoas foram presas durante o protesto de ontem na avenida Paulista e na rua da Consolação. Até a manhã desta quarta-feira (12), 13 manifestantes continuavam presos acusados de crime de dano, lesão corporal, desacato à autoridade e formação de quadrilha, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado.

FONTE: UOL

O protesto contra as tarifas de 11 de junho: Hoje foi maior e amanhã será maior ainda!













Quinta, dia 13 de junho (amanhã), as 17h no Teatro Municipal há uma nova manifestação, a quarta grande manifestação contra o aumento das tarifas. Estaremos todos lá de novo. E espero que sejamos mais que os dez mil de ontem! Que o protesto cresça!

Cheguei na Avenida Paulista pouco antes das 6 da tarde, praticamente no começo da marcha que reunia, naquele momento, pelo menos 10 mil pessoas. O caminho inicial seria a Consolação até o centro, e nem a chuva forte que caiu poucos minutos depois intimidou os participantes, apesar de ter atrapalhado - e muito - os fotógrafos e equipes de TV.

Milhares de pessoas gritavam "vem, vem pra chuva vem, contra o aumento" e a alegria estava estampada na cara dos presentes que sabiam ter reunido um número imenso de participantes e, acima de tudo, sabiam da justeza de suas reivindicações.

Mas logo a marcha sofreu o primeiro racha.

O caminho decidido era o de descer o túnel da Radial Leste/Minhocão. Muitas pessoas, surpresas, se recusaram a descer. Muitas com medo de serem emboscados pela polícia - que acompanhava em grande número, com viaturas da força tática, motos e até um carro de bombeiros - desistiram e acabaram realizando um mini-protesto pela Praça Roosevelt e região.

Os que foram adiante caminharam até o viaduto da 23 de maio, quando o movimento empacou para decidir o caminho a seguir. Como nota pessoal, achei péssima a escolha da rota, pois atrapalhamos o trânsito na Radial (nada contra, só constatando), mas ficamos isolados do resto da cidade e com poucas opções de caminho a seguir.

Empacados, o trânsito voltou a correr, e acabamos seguindo pela Av. Liberdade até a Sé. Na Liberdade a animação dos presentes voltou à toda e a marcha, pouco menor que no começo, ainda era muito grande.

Caminhamos em direção ao Terminal Dom Pedro, numa marcha pacífica que, porém, quase viu o primeiro confronto (ou a primeira violência policial) quando um pequeno grupo resolveu atear fogo em um ônibus parado e vazio nas proximidades do terminal. De forma surpreendente a polícia se limitou a apagar o princípio de incêndio (ainda que o ônibus tenha sido quebrado e pichado) e não investiu contra os manifestantes. Provavelmente porque a maioria dos presentes se revoltou contra a atitude do pequeno grupo e muitos ajudaram a polícia a apagar o fogo que começava a tomar corpo.

Eu não tenho, em princípio, nada contra atear fogo a um ônibus (vazio, obviamente), o problema é fazê-lo apenas como provocação à polícia que, até aquele momento, tinha apenas acompanhado. E atear fogo quando a MAIORIA claramente não apoiava o ato.

Violência em manifestações é legítima, mas como resposta, não como incitação ou, no máximo, quando a maioria dos presentes está de acordo e há razões para o uso da violência.

Não há (havia) razão para incitar a violência da PM contra milhares de pessoas que protestam pacificamente e, naquele momento, com amplo apoio popular. Penso - posso estar errado, mas é minha opinião - ser contraproducente iniciar incêndios e "vandalizar" buscando uma resposta da polícia.

O correto, penso, é utilizar a violência e a resistência apenas quando atacados, não dando espaço para manipulações midiáticas (ou reduzindo sua capacidade de distorcer) e, acima de tudo, sem alienar a população.

Uma coisa é a justa revolta pela violência sofrida, outra é incitá-la CONTRA a maioria.

De forma alguma afirmo ou mesmo acho que a reação da PM é justificável, mesmo com o vandalismo, mas é inocência ou estupidez achar que não haverá reação e quem não tem nada a ver, quem não cobre a cara, não vai acabar apanhando.

Continuamos a marcha por mais alguns metros até o terminal, quando a marcha novamente estacou. Colegas jornalistas na cabeça da marcha disseram que o movimento demorou demais para decidir se invadiria o terminal, naquele momento com poucos policiais o guardando, e quando finalmente decidiram pela ação a força tática já havia chegado, e houve reação.

Pessoas na cabeça da marcha tentaram passar pela polícia e atiraram objetos e mesmo fogos, e a resposta foi o gás. Fomos perseguidos pela PM por todo o centro, até a catedral da Sé. Em dado momento centenas de policiais fechavam diversas ruas e enchiam de gás a Sé inteira, mas curiosamente atiravam no vazio ou mesmo em repórteres desgarrados. Um colega jornalista comentou ter ouvido de repórter da Globo, este falando a um PM, que eles queria imagens de conflito para ficar bonito na TV e daí a PM atirava bombas no vazio. Pura pirotecnia.

Após alguns minutos desta demonstração inútil de força, recebemos a informação de que um imenso grupo havia escapado ao cerco e se dirigia à Paulista via Brigadeiro. Pegamos o metrô, eu, uma amiga e alguns jornalistas, e fomos até o local.

Chegamos na Brigadeiro no exato momento em que milhares de pessoas (pelo menos 3 mil, acredito) paravam uma das vias da avenida.

Reparei que faltavam as tradicionais bandeiras dos partidos: PSOL, PCO, PSTU... Vi apenas uma ou outra do PCB e, creio, da LER-QI e uma quantidade imensa de encapuzados.

Faço esse comentário por notar que o "tom" do protesto mudou um pouco sem certo controle por parte dos partidos. Apesar de um ou outro incidente pontual antes da reação da PM, agora alguns grupos se sentiram mais livres para atuar. Talvez 20-30 indivíduos frente a milhares que ainda marchavam pacificamente.

Vi de perto uma agência do Bradesco e outra do Itaú terem os vidros quebrados com pedradas por um pequeno grupo, que recebeu o repúdio do grosso da manifestação. A polícia apenas acompanhou.

Este pequeno grupo se adiantou à cabeça da marcha e começou a parar o trânsito e, infelizmente, começou a ameaçar motoristas, chegando a quebrar um carro (ao menos o vidro traseiro e as lâmpadas traseiras ) que se viu preso no meio da marcha.

Chegando no MASP, a polícia tentou fazer um cordão de isolamento para que os manifestantes fossem para o Vão e lá ficassem, encerrando a marcha. Um grupo negociou com a PM, mas os encapuzados novamente tomaram a frente, começaram a xingar e a cercar e começou a confusão. Vi um rapaz ser preso - me informaram depois que ele tentou dar uma flor a um PM - e levado para a base da PM na frente do Parque Trianon e foi aí que a confusão começou.

Manifestantes jogaram objetos na polícia que jogou bombas no vão do MASP e na Paulista. Formou-se uma linha da Força Tática que cometeu talvez o grande erro da noite, deixou o grupo original de vândalos avançar em direção à Consolação derrubando lixeiras de concreto (outro grupo menor passou a levantá-las, recusando a ação que era puro vandalismo e não a construção de barricadas) e começou a atirar nos milhares que se manifestavam pacificamente e tiveram de correr em direção ao Paraíso onde, me contam, houve mais violência depois.

A polícia, completamente descontrolada, começou a atirar no meio de carros, apavorando a população e enchendo a Paulista com gás.

Algumas pessoas tentavam dialogar com os encapuzados que praticavam puro e desnecessário vandalismo, e a resposta deles era que eram "contra o Estado" e "contra a burguesia e o capitalismo".

Acho justo, mas este NÃO era o foco da manifestação. E não afirmo isto de forma leviana, mas para mostrar que haviam grupos que não compactuavam com o foco da marcha - redução das tarifas - e resolveu protestar por contra própria, por suas próprias razões, e todos pagamos o pato no final.

Quisessem usar lixeiras como barricada, justo. Parar o avanço da polícia era legítimo. Mas apenas derrubá-la, enquanto gritavam desafios ao vento não significava nada.

Estes inclusive protagonizaram uma cena ridícula ao xingarem uma equipe da TV Brasil achando que era a Record e continuando a xingar e até ameaçar com violência a equipe apesar deles gritarem que eram TV pública e não a Record ou qualquer outra.

Depois de dispersar este grande grupo, a PM se virou para nosso lado e começou a avançar, jogando gás e dando tiros de borracha em direção aos carros que tentavam desesperadamente fugir da região e apavorando quem ainda estava nos ônibus parados. A corrida durou até a Consolação, quando o grupo se dispersou.

Cerca de 30 pessoas, depois, se reuniram na esquina da Paulista com Haddock Lobo e pararam o trânsito. Equipes da Record e da Globo foram intimidadas por encapuzados, mas nada demais aconteceu. 
Enquanto o pequeno grupo tentava parar o trânsito em uma esquina larga, um fiat uno preto avançou à toda e atropelou pelo menos 3 pessoas, uma delas a 2 passos de mim. Felizmente ninguém ficou ferido, só escoriações.

A equipe da Globo gravou a cena e aparentemente a mostrou no Jornal da Globo. A placa do carro é EUZ1807 e, algum tempo mais tarde, passei a informação para o comandante da PM no local, que até o momento nada sabia.

É interessante que a PM tenha toda ido perseguir manifestantes no Paraíso e tenha deixado um atropelamento acontecer do outro lado. Ao invés de realizar seu trabalho, reprimia um protesto legítimo.

Pouco após o atropelamento, coisa de 20 minutos, chegaram as motos da ROCAM e começaram a descer a porrada nos manifestantes, prendendo um rapaz, Theo, que tinha a mochila lotada de bixigas com tinta. De quebra a ROCAM desceu o cacete no rapaz. Vergonhoso.

Chegou então o "reforço" da força tática que, com mais algum gás, "controlou" a situação e a marcha começou a finalmente dispersar.

A esta altura eram quase 11 da noite. Paramos a cidade por mais de 5 horas e pese a ação burra de alguns "revolucionários" (protestando por razões próprias em uma marcha que não era deles), foi um sucesso. Imensa, animada e persistente.

É difícil descrever a exultação de ver tanta gente que, mesmo depois de apanhar, tinha seguido valentemente pela Brigadeiro até a Paulista e continuava a gritar e reivindicar.

A violência usada pela PM foi, sob qualquer ponto de vista, excessiva, desproporcional. Não havia razão para perseguir a manifestação por todo o centro da cidade, nem usar a quantidade imensa de bombas e gás - e balas de borracha. Se por um lado havia uma presença considerável de vândalos que protestavam por razões completamente diferentes das reivindicações da marcha, razões aceitáveis e que concordo em grande parte, mas não cabiam naquela marcha, a PM simplesmente atirou em todos, violentou a todos e conseguiu PIORAR a situação.

Se o problema era a Paulista ocupada, já ao fim da marcha, a PM conseguiu espalhar o grande grupo em pequenos grupos revoltados com a agressão sofrida e que continuaram a "atrapalhar" o trânsito.

Da mídia, de quem não se esperava nada, não saiu nada. Criminalização, nenhum manifestante ouvido de verdade e a mesma ladainha de merda de sempre.

Quinta, dia 13 de junho (amanhã), as 17h no Teatro Municipal há uma nova manifestação, a quarta grande manifestação contra o aumento das tarifas. Estaremos todos lá de novo. E espero que sejamos mais que os dez mil de ontem! Que o protesto cresça!

Seremos milhares e iremos persistir em nossa luta.


FONTE: Raphael Tsavkko Garcia / Diário Liberdade

PM prende até jornalista em manifestação em SP











Jornalista que realizava 
cobertura da manifestação
 está preso desde ontem

O jornalista Pedro Ribeiro Nogueira, repórter do Portal Aprendiz, foi preso na terça-feira (11) durante a manifestação contra o aumento da passagem em São Paulo. O jornalista, que realizava a cobertura do ato, foi preso mesmo após ter se identificado como repórter. No momento ele segue detido na 2º DP, no Bom Retiro, acusado de dano qualificado e formação de quadrilha, que é crime inafiançável. Ele é um dos 20 detidos pela polícia durante a manifestação.
Helena Singer, diretora pedagógica do site Portal Aprendiz, relatou o que levou à prisão do jornalista: "O Pedro tava cobrindo a manifestação no local, ele viu um policial agredindo duas moças, decidiu intervir, e acabou sendo agredido e preso, estão tratanto ele com se ele fosse um dos organizadores da manifestação, o que não é o caso", afirmou ela. Segundo ela, o portal tentou ajudar a esclarecer a situação, mas não foi ouvido pela polícia. "A editora do site foi pra lá de madrugada para tentar conversar com o delegado, mas ele se recusou a recebê-la".
Agressão
O irmão do jornalista, Fernando Ribeiro Nogueira, detalhou como se deu o processo de detenção: "Meu irmão estava no ato pelo Portal Aprendiz, a chefe dele tinha pedido pra ele cobrir o ato. No momento que aconteceu a prisão ele tava com 3 meninas quando elas ficaram para trás, porque uma tinha asma e ficou sem ar. A polícia já veio pra cima delas para bater com o cacetete.  Meu irmão entrou na frente delas pra proteger e foi agredido pela polícia, eram 3 e chegaram mais 4, depois disso ele acabou sendo levado para a DP (78º)".
Segundo Fernando, seu irmão apresentava sangramentos e hematomas pelo corpo, decorrentes da agressão que sofreu. Na delegacia, Pedro também sofreu com o modo como o caso foi lidado: "No momento que ele foi depor sua acusação já tava feita, a advogada tentou argumentar que os dois repórteres da folha que tambem tinham sido detidos foram liberados, mas o degado levantou a voz para ela e disse que não queria saber, e hoje ele foi transferido para a 2º DP". O juiz deve se pronunciar ainda nesta quarta-feira sobre a sentença, no fórum da Barra Funda.
Manifestação
A manifestação contra o aumento da passagem aconteceu nesta terça-feira (11), e foi a terceira organizada pelo comitê contra o aumento da passagem, a maior até agora. Segundo dados do Batalhão de Trânsito da PM, mais de 10 mil pessoas participaram da marcha que percorreu o centro de São Paulo na noite da terça-feira. Os manifestantes querem barrar o aumento das passagens que subiram no dia 2 de R$ 3,00 para R$ 3,20.
Paulo Henrique de Oliveira, um dos organizadores do comitê contra o aumento da passagem fez um relato do ato. "O ato estava pacífico, a gente desceu a consolação tranquilamente, fomos até o terminal parque Dom Pedro, quando a polícia reprimiu a marcha, que se dividiu em duas. O segundo ato, que estava maior, foi a caminho da Praça da Sé, e quando chegou lá a polícia reprimiu de novo sem nenhuma explicação, porque ele ocupava apenas a praça e não a rua. Com essa repressão o ato se dividiu em vários pequenos grupos de 500 pessoas."
Violência
Segundo Paulo, a repressão ocorreu quando o ato estava tranquilo e já acabava e, com isso, dividindo os manifestantes em vários grupos menores, que resistiam para depois se reagruparem. "A Força Tática começou a perseguir gente pelas ruas, a prisão do jornalista Pedro se deu nesse momento", afirmou ele. Segundo o militante, os "quebra-quebra" ocorriam quando a polícia reprimia o ato de modo extremamente violento, violência que, para ele, fica patente pelo grande número de presos e feridos - não há uma estatística sobre o número de feridos.
"O ato está crescendo cada vez mais, tem muita juventude da perifeira, a população adere ao ato. Mas há uma campanha ideológica da mídia para transformar o ato em um ato de violência. O movimento quer negociação, mas no marco do fim do aumento das passagem, e pra isso vamos usar todas as medidas possíveis, com atos de rua , atuação de parlamentares, e reuniões com o Ministério Público", diz ele.
Novo ato
Um novo ato foi convocado para essa quinta-feira (13), às 17h, em frente ao Teatro Municipal.

FONTE: Rafael Zanvettor / Caros Amigos


terça-feira, junho 11, 2013

Nota pública do Movimento Passe Livre sobre a luta contra o aumento









Nota nº 03

No fim da última semana, São Paulo viveu duas grandes manifestações contra o aumento das tarifas de ônibus, trem e metrô para R$3,20. O Movimento Passe Livre (MPL) não é a única organização envolvida nessas mobilizações e não se considera o dono da luta contra o aumento. Esta luta tem sido uma luta ampla, com grande adesão da população e de outras organizações políticas – por isso mesmo não temos controle total das manifestações e nem dos grupos envolvidos.

O MPL é um movimento social independente e apartidário que luta por um modelo de transporte verdadeiramente público. Há partidos políticos participando das manifestações contra o aumento, mas, ao contrário do que foi publicado em alguns veículos de imprensa, os partidos não fazem parte do MPL. O MPL é um movimento nacional, autônomo e horizontal – não há líderes e todas as deliberações são tomadas coletivamente.

Declarações do Prefeito

No último sábado (08), foi publicada uma entrevista no Jornal Estado de S. Paulo na qual o prefeito Haddad falou sobre seus planos para o transporte coletivo da cidade e suas impressões sobre as manifestações ocorridas na semana.

Perguntado sobre a municipalização do imposto e sobre os combustíveis, Haddad disse que o movimento está defasado em relação o debate público. Mas se engana: quem está defasada é a prefeitura, que renega um debate muito mais avançado que foi feito pelo próprio PT no início da década de 1990: a Tarifa Zero.

Haddad diz ainda que a desoneração do Cide é uma bandeira histórica dos movimentos sociais, o que também não é verdade. Esta seria antes uma bandeira histórica de EMPRESÁRIOS do ramo: desonerar impostos, aumentar subsídios e ainda aumentar a tarifa!

O Prefeito revela que para se implementar a Tarifa Zero nos ônibus da capital seriam necessários R$6 bilhões, diz que essa discussão é séria e precisaria saber de onde tirar esse financiamento. O Movimento Passe Livre sabe que essa é uma questão séria, tanto que sabe também que, por exemplo, a previsão orçamentária da cidade que era de R$37 bilhões em 2012 cresceu para R$43 bilhões em 2013 – os 6 bi necessários para a Tarifa Zero.

Uma política como a Tarifa Zero, que priorize o transporte público, depende de uma decisão política. E a opção que esta prefeitura vem mantendo, é a mesma das anteriores: o modelo falido de priorizar o transporte individual em relação ao coletivo.

Sobre o Bilhete Mensal

Haddad admite que se trata de uma forma de captar mais recursos para as empresas. O projeto só beneficiará 10% dos usuários e representará um aumento de 60% do dinheiro publico que vai pro bolso dos empresários.

Trem e Metrô

O Governador Geraldo Alckmin parece não ter entendido (ou finge que não entendeu) que as mobilizações não são apenas contra o aumento das tarifas de ônibus: os aumentos do metrô, CPTM e dos intermunicipais são igualmente injustos. E que os mesmo prestam um serviço de péssima qualidade ao usuário e precarizam as condições de trabalho de seus funcionários.

Sobre o diálogo

O Movimento Passe Livre São Paulo está perfeitamente aberto ao diálogo, no entanto não temos disposição em negociar algo diferente daquilo que a população está exigindo nas ruas. Nas atuais mobilizações, temos uma reivindicação clara:

 a REVOGAÇÃO DO AUMENTO.

Voltaremos ao centro na terça-feira às 17h na praça do ciclista, e estaremos nas ruas dos bairros ao longo de toda semana. A luta está só começando.

Por uma vida sem catracas - Movimento Passe Livre – São Paulo (MPL-SP)

terça-feira, junho 04, 2013

'A UNE foi de mala e cuia para o Governo'











    
  ENTREVISTA / Tamiris Rizzo,               
executiva nacional da Anel

Desde a última quinta-feira (30), cerca de 2 mil estudantes de várias parte do país e do mundo estão literalmente acampados na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) para o 2º Congresso da Assembleia Nacional dos Estudantes Livres (Anel). Criada há quatro anos, a entidade foi idealizada por dissidentes da União Nacional dos Estudantes (UNE). "Nossa proposta é construir uma alternativa de luta para o movimento estudantil brasileiro", define Tamiris Rizzo, estudante de pós-graduação da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e membro da executiva nacional da Anel. Para ela, a UNE se rendeu as benesses governistas desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula (2003-2006). "UNE foi de mala e cuia para o Governo. A entidade virou um ministério estudantil." 

Em entrevista à Tribuna, Tamiris defendeu a destinação de 10% do PIB para educação, criticou a proposta de mudança da meia-entrada e falou do uso das redes sociais pelo movimento estudantil. 

Tribuna - Qual a proposta da Anel?
Tamiris - Queremos construir uma alternativa de luta para o movimento estudantil brasileiro. Uma vez que a UNE não representa mais o que foi o movimento estudantil no passado, quando a UNE esteve na campanha pelas "Diretas já" e pelo "Petróleo é nosso". Era uma entidade em defesa da soberania nacional. Hoje, tudo isso se perdeu. Buscamos uma alternativa política de mobilização que articule o processo nacionalmente, e a educação é o nosso tema mais central. 

- A luta é pela destinação de 10% do PIB na educação?
- Não apenas isso. Em 2012, teve a greve nacional nas universidades federais quando a Anel teve uma atuação muito grande em defesa da qualidade do ensino público. Hoje temos o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) em avançado estágio de implementação. Lá atrás, em 2007, quando começaram as discussões, deixamos claro que, com o tempo, isso levaria à precarização do ensino superior. O que vemos hoje é exatamente a concretização desse processo, com salas de aulas lotadas, dependências precárias, ausência de assistência estudantil na maioria das universidades. A proporção entre número de alunos por professor, que era de um para 15, chegou a um para 18. Ou seja, faltam professores para o ensino e a pesquisa, o que compromete a qualidade da educação. 

- O Governo tem o Reuni como programa de expansão das universidades. Isso não é uma demanda da entidade?
- Não somos contra nenhuma forma de expansão. Hoje temos menos de 21% da juventude no ensino superior. Somos a favor da expansão, mas com recursos, e não enxugando as estruturas, principalmente, de material humano. A lógica é cada vez mais docentes de 20 horas e menos de dedicação exclusiva. Hoje, a prioridade de investimento do Governo é no ensino privado. Os grandes grupos de educação, que encaram educação como um negócio lucrativo, não podem somar mais investimentos públicos do que as próprias universidades públicas. Por isso que queremos a destinação de 10% do PIB na educação para agora e não para 2020. Esse dinheiro deve ser investido na expansão do ensino público. Nada mais justo do que dinheiro público para o ensino público. 

- O Plano Nacional de Educação projeta investimento de 10% para 2020. Já não é um avanço?
- O Plano Nacional de Educação prevê aumentar os investimentos para que até 2020 tenhamos 7% do PIB investidos em educação podendo chegar a 10%. O último plano, que venceu em 2011, tinha previsão de chegarmos a 7%, mas não alcançou 5%. 

- É um avanço o fato de o Governo querer destinar todos recursos dos royalties do pré-sal para a educação?
- Se continuarmos da forma como é hoje, levaremos 59 anos para termos 30% dos estudantes nas universidades. Não se pode esperar tanto tempo mais. Essa bandeira dos 100% dos royalties para educação equivale a 2% do PIB e, assim mesmo, para daqui a 10 anos. Então, como se vê, a coisa não é bem assim. O pior é que, com esse discurso, justifica-se até a privatização do petróleo. 

- A Anel nasce da incapacidade da UNE de representar os estudantes. O que mudou na UNE?
- Desde o início do Governo Lula (2003-2006), a UNE passou para o lado de lá. A luta na rua, a ação direta, o autofinanciamento, enfim, todas as bandeiras da UNE foram deixadas de lado. A UNE foi de mala e cuia para o Governo. A entidade virou um ministério estudantil. É muito triste ver uma entidade como a UNE, com a história que tem, aceitar financiamento público para financiar seus congressos. Hoje, a UNE recebe mesada do Governo e em troca sai na foto ao lado do (senador) José Sarney (PMDB) e do (presidente do Senado) Renan Calheiros (PMDB). Não é essa entidade que vai representar os estudantes. 

- O que difere a Anel da UNE?
- Temos um programa alternativo, independente, autônomo e que possa fazer frente às políticas das reitorias, dos governos municipais, estaduais e federal. A Anel tem política de auto-financiamento. Para fazer esse congresso aqui, por exemplo, vendemos rifas, muitas rifas, fizemos pedágios nos estados. Teve livro-ouro e festas para arrecadarmos recursos. A UNE nos ensinou o caminho da ação direta, da parceria com os trabalhadores e do auto-financimaneto, mesmo tendo se afastado dessas bandeiras. Fazemos isso porque aqui, queremos ter liberdade para tocar a nossa música, que é a música dos estudantes. 

- Qual a estrutura organizacional da Anel?
- Adotamos a organização por meio de assembleia por ser mais democrática. A entidade chama-se Assembleia Nacional dos Estudantes Livres. Cada um pode levantar a mão e se pronunciar. Nos estados, temos executivas para implementar deliberações das assembleias. 

- Por que o movimento estudantil deixou as ruas depois dos "caras-pintadas"?
- O movimento estudantil não acabou com os "caras-pintadas". Ele está aí de volta. Se tiver estudantes nas ruas protestando, a Anel está lá. Tenho certeza. No mundo todo, os processos de mobilização social envolvem a mobilização da juventude. 

- O Congresso prepara mudanças no benefício da meia-entrada. Qual a posição da Anel?
- O direito a meia-entrada não pode ser submetido à apresentação de uma carteirinha. Se isso passa, teremos de novo o monopólio de uma entidade que emite carteirinhas. Na prática, é como se para exercer o seu direito, você precisasse de comprá-lo por meio de uma carteirinha. Antes de mais nada, é um absurdo comercializar um direito seja ela qual for. 

- Como o movimento estudantil usa as redes sociais?
- A Anel tem página na internet, no Facebook, no Twitter. Usamos todos os canais de comunicação para informar os estudantes. Agora, são ferramentas para levar à ação direta. É preciso que as coisas do mundo virtual reflitam no mundo real. Não adianta ficar apenas na frente do computador, é preciso ir para as ruas.

FONTE: TRIBUNA DE MINAS


Congresso em Goiânia: 

Virginia Barros é eleita 

presidenta da UNE


“A juventude está viva e pronta para continuar suas lutas”. 

Declarou a reportagem do Portal Vermelho, Virginia Barros (a Vic), presidenta eleita da União Nacional dos Estudantes (UNE), durante o 53º Congresso Nacional da UNE, que ocorreu entre os dias 29 de maio e 2 de junho, na cidade de Goiânia, no estado de Goiás. 

Virginia Barros, que  compõe a chapa Movimento Bloco na Rua, que é encabeçado pela União da Juventude Socialista (UJS), recebeu nestas eleições 68,3% dos votos dos 3.764 delegados crediciados. 


Segundo dados atualizados da direção da UNE, participaram do Congresso mais de oito mil estudantes, representando cerca de 800 municípios. A UNE destaca que esta edição do Congresso mobilizou cerca de 98% das instituições de ensino do país.


A presidenta eleita destacou ser “muito simbólico os estudantes alçarem, à presidência da UNE, uma mulher”. Ela lembra que, além dela, somente mais quatro mulheres ocuparam esse cargo, o que demonstra os desafios das mulheres na luta por maior representatividade nos espaços de poder.

E constatou: “Empoderar as mulheres nos espaços de poder, seja instituído seja nos movimentos sociais, além de ser uma demanda urgente que está dada para a sociedade, de forma que consigamos naturalizar a presença das mulheres nesses espaços”, destacou Vic.

Sobre os desafios a serem enfrentados a partir de hoje, a nova dirigente da UNE destacou que a principal bandeira da UNE será a luta pela destinação de 10% do PIB [Produto Interno Bruto], 100% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-sal para educação.


"Recebemos o bastão de uma gestão que já obteve grandes conquistas. Seguiremos no combate para ampliar essas conquistas. De modo que bandeiras como a luta contra a desnacionalização da educação, o reforço da luta pelo reforço da política de cotas, a luta pela reforma politica e dos meios de comunicação serão bandeiras que continuarão dando o tom da luta da UNE.

Ao passar o bastão para a nova presidenta, Daniel falou sobre a importância que a UNE ganhou nos últimos anos e destacou a pluralidade que a entidade possui. "A UNE é um se forjou como espaço fértil para as lutas políticas, a juventude tem muito a fazer e a UNE está ciente disso. A Vic liderará as nossas lutas e ampliará ainda mais a força da UNE", pontuou.

O presidente da União da Juventude Sociaalista (UJS), André Tokarski, salientou que a UJS buscou se conectar com as lutas do movimento estudantil e o resultado alcançado nesse Congresso é resultado da luta de uma juventude conectada com as lutas e que está ciente dos desafios do nosso Brasil. 

Segundo o dirigente da juventude socialista, "a militância está de parabéns. Ela se mobilizou nos 27 estados, colocou o bloco na rua, para refletir sobre as lutas da juventude e o resultado alcançado é fruto do esforço dessa militância aguerrida".

E lembra “Junto com o Movimento Bloco na Rua, a UJS foi mais uma vez protagonistas nessa mobilização para a construção do Congresso da UNE e elegemos uma representante de todo o movimento estudantil brasileiro. A Vic ao tempo que é combativa e formuladora ela também é uma mulher que é atenciosa e que ouve a opinião dos estudantes. Tenho convicção de que por ser mulher, a nossa nova presidenta da UNE vai ampliar a representação da UNE nos rumos do debate da Educação”, disse Tokarski ao Vermelho.

UNE 2013/2015

A nova direção é composta por 81 diretores assumem cargos na entidade, sendo que 17 participam da diretoria executiva, ocupando posições como presidência, vice-presidência, secretaria geral, diretoria de universidades públicas, diretoria de universidades particulares, diretoria de comunicação ou diretoria jurídicax militantes estudantis de xxx regiões do país.

FONTE: Joanne Mota / Portal Vermelho

ATUALIZADO EM: 04JUN13 / 19:17