Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

quinta-feira, junho 05, 2014

Copa 2014 - Carta do I Encontro dos/das Atingidos/as: “Que um grito de gol não abafe a nossa história”






Reunidos em Belo Horizonte no “I Encontro dos(as) Atingidos(as) – Quem perde com os Megaeventos e Megaempreendimentos”, de 1 a 3 de maio de 2014, constatamos que as violações geradas a partir dos megaprojetos e da saga privatista é comum em todas as cidades-sede da Copa 2014. Afirmamos que a Copa e as Olimpíadas estão a serviço de um modelo de país e de mundo que não atende aos interesses gerais do povo trabalhador e dos setores oprimidos pelo sistema capitalista. A Lei Geral da Copa, inconstitucional e autoritária, escancara que o Estado funciona a serviço das corporações e das empreiteiras. Abaixo expressamos algumas dimensões do sofrimento do nosso povo, potencializados pelos megaeventos como a Copa e as Olimpíadas.

Moradia
A Copa intensificou aumento dos despejos e remoções violentas nas cidades brasileiras. Duzentos e cinquenta mil pessoas com suas famílias estão sendo desestruturadas, levadas para longe de seus lugares de origem, causando impactos na saúde, na educação, no transporte público, além da violência física e psicológica. Tem gente com depressão, se endividando, esperando por soluções que nunca chegam. São vítimas da especulação imobiliária que expulsa os pobres das áreas do seu interesse.

Histórias semelhantes de violências contra populações ocorrem em todo o território brasileiro. Não pedimos essa Copa da Fifa. Mais do que barrar a Copa, queremos barrar os despejos e remoções no Brasil. Nossa luta é antes, durante e depois da Copa, para que nenhuma família brasileira sofra a violência e humilhação de um despejo ou remoção forçada. Decidimos sair deste encontro com uma grande união para barrar os despejos e remoções no Brasil. Sairemos juntos daqui numa articulação permanente, e assim estaremos mais fortes. Por um Brasil sem despejos! Brasil sem remoção! Respeito ao cidadão!

Trabalhadores e trabalhadoras ambulantes, catadores e da construção civil
Defendemos e valorizamos os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras ambulantes vítimas das arbitrariedades da Fifa e do governo, como a imposição da Lei Geral da Copa que proíbe o comércio de produtos nas proximidades dos estádios. Enfrentamos a repressão por parte das prefeituras municipais que estão “higienizando” as cidades licitando para que grandes empresas controlem as ruas. A Lei Geral da Copa estabelece zonas de exclusão de 2 quilômetros no entorno das áreas da Fifa, estádios e áreas oficiais de torcedores com telões, onde apenas os patrocinadores oficiais poderão comercializar. É necessário fortalecer canais de comunicação para denunciar os casos de impedimento de trabalho e violações ao direito dos ambulantes. Também propomos um boicote aos patrocinadores da Copa, em solidariedade aos ambulantes.

Denunciamos também que as prefeituras tem dificultado o trabalho de catadores e catadoras de resíduos sólidos nas cidades-sede da Copa. Na construção civil a velocidade da execução das obras produziu 8 mortes nas arenas da Copa e mais 3 em outros estádios, e uma infinidade de acidentes graves. Exigimos que se intensifique o controle sobre a segurança dos operários nos canteiros de obra e a garantia plena de seus direitos trabalhistas, como o direito à greve.

Comunicação e Cultura
A comunicação é um direito humano, desrespeitado pela mídia hegemônica e pelo Estado. O oligopólio dos meios de comunicação invisibiliza e tenta calar as lutas populares. Os mesmos que detêm o poder político e econômico, utilizam a mídia para fomentar uma sociedade mercantilizada, excludente, cheia de preconceitos e opressões. Reforçando o extermínio da população negra com a criminalização da pobreza e a esteriotipação da mesma. Enquanto as reais consequências da Copa da Fifa no Brasil são ocultadas.
Reivindicamos a democratização dos meios de comunicação, a partir da revisão do marco regulatório da mídia, incluindo uma revisão da atual regulação das rádios comunitárias para que de fato a comunicação seja um direito humano, que vocalize a realidade do povo brasileiro e que seja diversa, popular e emancipadora. Defendemos o respeito aos midiativistas e à imprensa popular e independente.

Mulheres
As violações históricas sofridas pelas mulheres são acirradas com a Copa. Denunciamos o aumento da exploração sexual e do tráfico de mulheres, o acirramento da mercantilização do corpo feminino - exposto como disponível em diversas campanhas publicitárias, como a da Adidas, tornando-as mais vulneráveis a estupros e assédios de diversas ordens. Atingindo majoritariamente à mulher negra, através da precarização do trabalho e estereótipos mantidos pela mídia e todos os aparatos institucionais.

Pessoas em situação de prostituição também são alvo da violência do Estado, que se intensifica no período da Copa do Mundo com a higienização forçada das ruas, principalmente nas cidades-sede. Ademais, as experiências das Copas da África do Sul e da Alemanha demonstram que os megaeventos mercantilizam as vidas e os corpos das mulheres. O Brasil não pode fazer parte da rota! As mulheres trabalhadoras continuam a ser exploradas e mesmo nas falas críticas às péssimas condições de trabalho, as companheiras são invisibilizadas. Continuaremos na luta por melhores serviços públicos e equipamentos urbanos de qualidade – políticas universais de mobilidade, saúde, moradia e educação são pautas feministas e merecem total atenção.

Diversidade Sexual
Pretendemos também estreitar os laços com os movimentos LGBTT, para somar espaços na luta pelo respeito à diversidade sexual antes, durante e depois da Copa.

Desmilitarização
A repressão do Estado às manifestações populares que questionaram a Copa intensificou o caráter de militarização da segurança pública pautada na identificação dos movimentos sociais como “inimigos internos”. Isto contribuiu também para dar mais força ao processo histórico de extermínio da juventude negra e da periferia pela polícia. A juventude deve ser respeitados em seu direito a se manifestar. O Brasil está vivendo uma escalada autoritária, onde governo e Congresso buscam criminalizar movimentos sociais. Devemos promover lutas contra as leis antiterrorista e antimanifestações. Defender a anistia dos processados e uma Campanha Nacional pela desmilitarização da Polícia Militar e desarmamento das Guardas Municipais.

O povo palestino foi atingido diretamente pela Copa do Mundo no Brasil, uma vez que há um fluxo importante de financiamento saídos dos cofres públicos para o complexo industrial-militar israelense, sustentando a política do genocídio e o apartheid contra os palestinos.

Comunidades Tradicionais
Entendemos que as injustiças aplicadas aos povos originários e tradicionais se agravam com os megaeventos. O projeto de desenvolvimento trazido com esses eventos impede a demarcação e titulação de nossas terras. O número de lideranças das comunidades tradicionais que estão sendo exterminadas e a intensificação dos conflitos entre indígenas e ruralistas são exemplos disso. A mesma situação enfrenta os/as pescadores/as de áreas extrativistas de pesca que perdem seus territórios de vida ameaçados pela especulação imobiliárias, hotéis, construção de portos, etc.

Vivemos hoje um contexto urbano, onde as lutas das cidades ganham muito mais pauta, mas entendemos que a mesma força que tira o direito à moradia é a que não deixa demarcar os territórios. Repudiamos a PEC 215/00 e outros mecanismos que visam impedir novas demarcações e titulações e abrem precedente para a revisão dos territórios já legalizados. Para enfrentar esta violência, os povos  se organizam em mobilização nacional como forma de resistência, numa agenda de luta conjunta que culminará no Encontro Nacional Indígena e Quilombola, entre 25 e 29 de maio, em Brasília. Pela soberania dos povos aos territórios!

Megaeventos e a financeirização da Natureza
A Copa de 2014 está sendo apresentada como copa sustentável, gol verde, parques da copa, copa orgânica, carbono zero, enfim, uma maquiagem verde que busca invisibilizar as violações de direitos, colocando a compensação como fato consumado e validando a economia verde e a mercantilização da natureza como mais uma falsa solução. Haja visto a quantidade de árvores que estão cortadas nas cidades da Copa, defendemos a campanha “Quantas copas por uma Copa? Nem mais uma árvore cortada!”

Crianças e adolescentes
Crianças e adolescentes estarão em situação de extrema vulnerabilidade durante a Copa em virtude das férias escolares, associadas à ausência de políticas públicas. Destaca-se a desvirtuação do papel do esporte, que passa por um duplo processo de elitização. Primeiro, como mercadoria pouco acessível, com ingressos e produtos caros. Segundo, como prática restrita a espaços privados e a setores privilegiados da sociedade. Neste contexto, as grandes máfias da exploração e do tráfico de pessoas poderão atuar com muita facilidade. É necessário e urgente criar campanhas de combate à exploração sexual e ao tráfico de pessoas nas escolas da rede pública, rede hoteleira, proximidades dos estádios e nas regiões turísticas. Deve ser incluída a capacitação dos profissionais do turismo e da rede hoteleira, o fortalecimento e ampliação das políticas de promoção dos direitos das mulheres e crianças e adolescentes. Não à redução da idade penal.

Mobilidade Urbana
Diante do cenário de modelo mercadológico de gestão da cidade, é fundamental reconhecer a bandeira da Tarifa Zero e da PEC 90 (transporte como direito social) como passos para se criar condições para efetivação do direito à cidade e da participação popular na gestão das cidades. Combatemos o modelo de mobilidade urbana que privilegia o transporte rodoviário em detrimento do transporte de massa, ciclovias, etc. Combatemos também a privatização das cidades e de seus espações públicos como praças, ruas, etc.

População de Rua
A organização da Copa do Mundo tem uma política social para a população de rua: abandono das políticas integradas, fechamento de equipamentos de assistência social (albergues e abrigos) e o aumento da violência e repressão das forças da segurança pública (Guarda Civil, Polícia Militar, etc.). O intuito é expulsar e coibir a população de rua das regiões centrais das cidades-sede da Copa do Mundo, gerando clima de insegurança e medo do que pode ocorrer antes, durante e depois dos jogos. Pelo fim do recolhimento e internação compulsórios.

Copa das Mobilizações
Diante de todo este cenário de violações e demandas concretas das comunidades e populações atingidas, é necessário fazer desta a Copa das Mobilizações. Não queremos a violência do Estado, mas a garantia e o fortalecimento dos direitos. Estar nas ruas durante a Copa do Mundo é um ato de fortalecimento da democracia e de avanço de um novo modelo de país que avance na participação direta do povo e na construção de políticas públicas efetivas em favor da justiça e igualdade social. Conclamamos a população a fazer desta a Copa das Mobilizações, mostrando ao mundo a força e a alegria do povo brasileiro em luta!

“Copa sem povo! Tô na rua de novo!”

Só a luta transforma!!

#copapraquem

ANCOP – Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa 

PSOL e PSTU formam aliança em São Paulo











Gilberto Maringoni será candidato ao governo e Ana Luiza ao Senado

O PSOL e o PSTU formalizaram na noite desta terça-feira 3 uma aliança para as eleições em São Paulo neste ano. O candidato ao governo será Gilberto Maringoni (PSOL), professor da Universidade Federal do ABC, e a servidora pública Ana Luiza (PSTU) será candidato ao senado.
Maringoni foi escolhido candidato sob críticas de alguns militantes que preferiam o professor da USP Vladimir Safatle. As convenções estaduais dos dois partidos estão marcadas para o dia 14 de junho na cidade de São Paulo. Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pelos dois partidos:
Maringoni governador e Ana Luiza senadora
Vivemos dias de luta! A insatisfação social se mostra presente, não só no sentimento de mudança, mas na indignação com os gastos abusivos com a Copa, com a violência policial, com a criminalização dos movimentos sociais e com a gigantesca desigualdade historicamente não enfrentada.
Enquanto o governo brasileiro e o paulista se submetem a todas as exigências do mercado financeiro, da FIFA e das forças conservadoras da sociedade, continuamos diante de uma crise social latente. O salário é corroído com o aumento da inflação e do custo de vida, os serviços públicos são degradados, enquanto os trabalhadores são obrigados a gastar parte considerável de seu orçamento com serviços particulares de má qualidade em saúde e educação. Os juros estratosféricos aumentam o endividamento familiar e comprometem o consumo dos mais pobres.
Os que apostavam na conciliação de interesses e na submissão dos trabalhadores e dos movimentos populares veem seus planos irem por água abaixo. Junho de 2013 mostrou o caminho, o povo nas ruas garante conquistas e mudanças.
É diante deste quadro que o PSOL e o PSTU selam uma aliança em SP, constituindo aqui uma Frente de Esquerda. Dois partidos historicamente comprometidos com a luta dos trabalhadores e com o socialismo. Dois partidos presentes nas lutas sociais. Comprometidos com a oposição de esquerda e programática tanto ao PSDB como ao PT, fazendo um combate sem tréguas ao tucanato, a toda direita reacionária e ao Governo Federal.
Essa Frente de Esquerda apresenta o nome do companheiro Gilberto Maringoni para governador pelo Psol. Maringoni é professor da Universidade Federal do ABC, historiador e jornalista, foi membro da Direção Nacional do partido.
Para o Senado, apresentamos a companheira Ana Luiza do PSTU. Servidora pública, foi candidata à senadora em 2010 e a prefeita de São Paulo em 2012. É militante do movimento sindical e da luta do judiciário federal.
Diante dos 20 anos de tucanato, a única alternativa é uma total renovação da política, através de uma campanha comprometida com a mudança e com as lutas da juventude e dos trabalhadores, com a ampliação dos serviços públicos, com a democracia e com as reivindicações das ruas. Essa campanha se expressará na chapa Gilberto Maringoni e Ana Luiza, para enfrentar os tucanos e a aliança conservadora representada por Padilha (PT) e Maluf (PP).
Transporte público de qualidade, combate a corrupção no metrô, democratização dos meios de comunicação, direito a livre manifestação, desmilitarização da PM, não ao financiamento privado de campanha – reforma política já, contra a homofobia, o racismo e em defesa dos direitos das mulheres e da juventude, valorização das universidades paulistas e não à cobrança de mensalidades, mais direitos sociais e apoio a luta por moradia digna, são pontos que orientarão nosso programa.
Por uma campanha militante, alicerçada na disposição aguerrida e voluntária de mulheres e homens conscientes e lutadores, nas melhores tradições da esquerda socialista e no encontro com o novo que vem das ruas e exige mudanças pra valer no Brasil e em São Paulo.
Gilberto Maringoni Governador e Ana Luiza Senadora!
FONTE: CARTA CAPITAL 

Olimpíadas e Copa do Mundo: O que estão fazendo com o dinheiro dos brasileiros?




Nestas duas entrevistas, os professores Andrew Zimbalist e Robert Baade, respectivamente, falam em detalhe sobre o real impacto econômico das Olimpíadas e da Copa do Mundo no Brasil e os resultados em diversos países que já foram sede destes eventos.

O Professor Andrew Zimbalist trabalha no Departamento de Economia do Smith College, em Massachussets, nos Estados Unidos. Ele é uma autoridade reconhecida mundialmente na área da economia esportiva e um especialista independente que analisa o impacto econômico do turismo esportivo em geral, do sediamento de mega-eventos esportivos e da construção de diversos tipos de infra-estruturas esportivas. O economista tem mais de vinte livros publicados e já contribuiu para inúmeras publicações acadêmicas, com artigos e estudos nas áreas de sistemas econômicos comparativos, desenvolvimento econômico e economia de esportes. O professor Zimbalist faz parte do conselho editorial de diversas publicações científicas dentro da área da economia. Seus artigos e opiniões também já foram publicados em alguns dos meios de comunicação mais importantes, reconhecidos em todo o mundo, incluindo o New York Times, o Washington Post e o jornal USA Today. O economista já testemunhou para várias comissões governamentais sobre diversos temas, tais como o impacto econômico dos subsídios públicos nas construções de infra-estruturas esportivas. Em inúmeras ocasiões, testemunhou para o congresso norte-americano. Nesta entrevista, o Dr. Zimbalist fala em detalhe de muitas destas questões, incluindo o real impacto econômico das Olimpíadas e da Copa do Mundo no Brasil e os resultados em diversos países que já foram sede destes eventos.

O economista Robert Baade é professor de Economia e Finanças na Lake Forest University (estado de Illinois, nos Estados Unidos). Ele é reconhecido internacionalmente na área da economia esportiva. Sua pesquisa tem como foco uma variedade de temas relacionados com as finanças públicas, com as consequências econômicas do sediamento de megaeventos esportivos, bem como a economia referente ao esporte profissional. Seus estudos podem ser encontrados em diversas publicações academicas na área da economia. Baade também já foi citado extensivamente por diversas fontes de notícias de renome, incluindo o New York Times, o Huffington Post  e o canal de notícias NBC. Seu artigo “The Quest for the Cup: Assessing the Economic Impact of the World Cup” vai ser publicado no livro Megaproject Planning and Management: Essential Readings.

Pergunta Blog: Eventos esportivos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas são taxados como chamarizes para milhares de turistas, e se os visitantes têm experiências positivas, a tendência continua no futuro. O que a pesquisa realmente demonstra em relação às cidades que já sediaram esses eventos?

Andrew Zimbalist: O que acontece com frequência durante os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo é que os turistas regulares, que viriam visitar o país num ano em que tais eventos esportivos não estivessem ocorrendo, acabam evitando ir para aquele lugar. Na realidade, os turistas das Olimpíadas e da Copa do Mundo muitas vezes substituem e interrompem os fluxos turísticos habituais de uma localidade. Além disso, em muitas cidades, um número significativo de residentes locais acaba se deslocando para outros lugares, para não lidar com o incômodo ocasionado pelo evento. O número de turistas que saíram da China em 2008, por exemplo, aumentou significativamente. Muitos turistas e muitos moradores locais não querem lidar com o trânsito, com áreas congestionadas, com as questões relacionadas com a segurança e com os preços elevados. Portanto, não é incomum que o montante total do turismo tenda a diminuir durante os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo. Em geral, se observarmos exemplos recentes, é difícil esperar um aumento líquido significativo no número de visitantes em um país durante a Copa do Mundo ou as Olimpíadas. O número de turistas que se encontrava em Londres durante os Jogos Olímpicos em julho e agosto de 2012, por exemplo, foi menor do que o que se encontrava no ano anterior, quando não houve nenhum mega-evento esportivo. E a mesma tendência vem sendo observada em vários outros países e cidades que foram sedes. Existem alguns exemplos de um pequeno aumento de turismo, mas é insignificante. O ponto mais importante é que um aumento significativo do turismo na verdade não ocorre.

Pergunta Blog: Quando Atlanta sediou os Jogos Olímpicos em 1996, a cidade fez algumas mudanças importantes na infraestrutura do seu sistema de transporte regional e também construiu a Vila Olímpica, que eventualmente foi utilizada como dormitório para estudantes de uma universidade local. Durante o mesmo período, o reconhecido Centennial Park, um grande espaço público, também se tornou um legado duradouro para a população daquela cidade. O Brasil tem exemplos de projetos de infraestrutura que poderiam ter um legado duradouro e de importância para os seus cidadãos após o término destes eventos esportivos?

Andrew Zimbalist: Estou seguro de que alguns dos investimentos feitos nas áreas do transporte, do desenvolvimento de estradas e na expansão dos aeroportos terão certa utilidade, mas apenas uma pequena parcela deles! Seria importante lembrar que estamos falando aqui de gastar uma soma que pode rondar uns 15 a 20 bilhões de dólares por cada um desses eventos, e isso é um dispêndio impressionante de recursos. A questão não é realmente se um país consegue 15 bilhões de dólares em melhorias a longo prazo nas diversas infraestruturas que estão sendo construídas, porque eu duvido muito que isso ocorra. Na verdade, a questão mais importante é o quanto se estará desperdiçando ao gastar essa quantia exorbitante. Por que alguém precisa gastar 40 bilhões na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos, a fim de obter 15 bilhões em melhorias de infraestruturas em um país que é afligido por escassez de recursos, poluição, pobreza e níveis grotescos de desigualdade? Por que estamos desperdiçando cerca de 10 a 15 bilhões de dólares na construção de infraestruturas esportivas para esses eventos que, no final das contas, não serão produtivas ou não terão qualquer utilidade para a maioria da população e para o desenvolvimento do país? Por que um país precisa gastar entre 15 a 20 bilhões em cada um desses eventos para obter um parque público ou um calçadão para as pessoas caminharem no seu dia de lazer? De fato, essas sim são as grandes e verdadeiras questões que devem ser abordadas.

Pergunta Blog: Em sua opinião, quais serão as consequências econômicas para o Brasil ao sediar estes eventos?

Andrew Zimbalist: Em geral, a pesquisa sobre esta questão indica que é muito difícil obter benefícios econômicos com esse tipo de investimentos. A única chance de obter algum retorno financeiro que possa cobrir as despesas ocorre quando o país que sedia tais atividades tem a capacidade de planejar adequadamente. Ao mesmo tempo, isso significa começar com um plano de desenvolvimento que venha de fato a ser implantado, independente da possibilidade de o país sediar o evento ou não. É muito importante que os organizadores tenham esse conceito imbuído desde o começo, e esse deve ser o ponto de partida. Desta forma, o país escolhido deve determinar até que ponto sediar a Copa do Mundo ou as Olimpíadas pode complementar e apoiar o plano de desenvolvimento original que já estava em curso. De fato, a maioria dos países não tem feito isso e, por conseguinte, está condenada a fracassar. Na verdade, muitos destes países não têm um plano de desenvolvimento que tenha sido elaborado antes de serem escolhidos para sediar estas competições. Em contrapartida, meramente almejam promover estes eventos a qualquer custo e estão dispostos a seguir quase todas as diretrizes que são impostas. Em consequência disso, ao serem escolhidos para assumir tais responsabilidades, ficam à mercê do que o COI e a FIFA lhes ditem. Perante tal situação de subserviência, o país acaba gastando bilhões de dólares que são completamente desperdiçados e que, na verdade, poderiam ser de extrema importância para muitos destes  países que têm dificuldades econômicas e problemas sociais. Acredito que o Brasil é mais uma nação que se encontra à mercê deste tipo de relacionamento prejudicial com essas duas entidades muito poderosas.

Pergunta Blog: Você poderia explicar as razões pelas quais você acredita que o Brasil se enquadra nessa categoria?

Andrew Zimbalist: Fico perplexo quando tomo conhecimento de que alguns dos planejamentos de transporte público envolvem, a título de exemplo, uma rota de ônibus rápida percorrendo o trajeto de Ipanema até a Barra. Qual é o propósito dessa rota? Fica claro que essa rota visa meramente o transporte dos turistas da praia de Ipanema para a Vila Olímpica. E com o exemplo descrito, é evidente que a principal prioridade deste projeto é atender os turistas que estarão no país por um tempo muito curto durante este evento esportivo específico. Assim sendo, é um total desperdício de recursos. Qualquer plano a longo prazo que tenha maior importância para o desenvolvimento das necessidades de transporte dos cidadãos brasileiros não é uma prioridade. Eu acredito que o Brasil possui muitos problemas sociais que ainda não receberam a atenção devida. Além disso, os turistas estrangeiros estão cada vez mais conscientes da violência e da repressão que ocorrem em muitas das grandes cidades brasileiras. Os mesmos também ficaram muito mais a par da ineficiência e da corrupção em diversos setores governamentais, e eu não vejo como todos estes elementos possam gerar uma imagem positiva do país perante a comunidade internacional. E ainda, além de todas estas questões, há greves que estão ocorrendo, bem como um movimento forte de protestos populares contra os gastos extravagantes resultantes de o Brasil sediar esses eventos. Portanto, eu tenho uma visão pessimista e não acredito que haja qualquer chance de que o sediamento desses eventos venha a afetar o Brasil de forma positiva. Nenhuma parte do processo de planejamento foi executada de forma eficaz, como se constata com os atrasos dos diversos projetos ainda em construção. Existe a crença entre os países dos BRICS de que, ao sediar estes megaeventos esportivos, o seu status de potência mundial será confirmado. De fato, não temos nenhuma prova de que isso tenha ocorrido com qualquer um dos países que sediaram tais eventos, e a verdade é que esta crença é um pouco ridícula e até mesmo patética.

Pergunta Blog: Muitos dos governos que sediam megaeventos esportivos geralmente contratam instituições específicas, públicas e privadas, para difundir pesquisas que apresentam um quadro favorável em relação aos benefícios econômicos trazidos para o país. Qual é a sua opinião sobre esses estudos e sobre a validade dos trabalhos produzidos por essas entidades?

Andrew Zimbalist: Desde o começo, já se estabelece um acordo problemático quando a agência que sedia os eventos emprega uma empresa de consultoria para fazer um estudo que não possui qualquer fundamento objetivo. Em tais casos, a maior parte desses estudos está sendo financiada para chegar a uma determinada conclusão, que é a promoção do evento. Fica, portanto, muito claro que os países que sediam estes eventos empregam diversas pessoas para realizar estudos que demonstrem seus benefícios econômicos. Na verdade, as conclusões dessas pesquisas são demasiadamente otimistas e irreais. Houve até um caso em Londres onde um conhecido meu, que é economista, recebeu, antes das Olimpíadas, uma proposta da comissão organizadora de Londres para fazer um estudo sobre o impacto econômico do evento. O comitê havia afirmado que antecipava severas críticas da opinião pública aos gastos econômicos que poderiam decorrer dos jogos e que, portanto, queria ter a capacidade de responder a tais críticas com um estudo que mostrasse seus benefícios econômicos. Na verdade, esse exemplo que acabei de dar é muito comum nos diversos locais que sediaram estes eventos esportivos.

Pergunta Blog: Quais são alguns dos problemas da metodologia empregada por parte dos estudos feitos por economistas contratados para apontar quadros econômicos favoráveis decorrentes da responsabilidade de sediar tais eventos?  Você poderia apontar alguns artifícios ou técnicas utilizadas por eles a fim de projetar um quadro econômico favorável?

Andrew Zimbalist: Estes pesquisadores fazem projeções com um número excessivo de turistas frequentando tais eventos esportivos, que estão fora da realidade. Também estimam que os mesmos turistas gastarão muito mais dinheiro do que de fato ocorre, e depois empregam um multiplicador inflado irreal. Desta forma, eles acabam obtendo resultados que apontam para um maior impacto econômico, mas que não são reais.

Pergunta Blog: Quais são os incentivos que estão por trás da pesquisa conduzida por alguns economistas como você?

Andrew Zimbalist: O nosso maior objetivo e incentivo é simplesmente descobrir qual é o impacto econômico de tais eventos, seja ele positivo ou negativo, em vez de tentar incutir um resultado qualquer. Estamos apenas tentando entender a dinâmica da situação. Nós não estamos sendo pagos por nenhum lado para chegar a uma conclusão especifica.

Pergunta Blog: Novos estádios foram construídos em Brasília, Cuiabá e Manaus. Algumas destas cidades não possuem grande tradição futebolística e sequer têm equipes na primeira divisão ou uma base significativa de torcedores. Estes fatos aumentam a preocupação de que algumas dessas construções se tornem elefantes brancos. Você poderia comentar sobre esta questão?

Andrew Zimbalist: Sim. Estou ciente de que algumas dessas cidades não têm sequer uma equipe na primeira ou na segunda divisão. Eu realmente não entendo por que alguém iria construir um estádio com capacidade para 42.000 espectadores em uma cidade onde não há grandes times de futebol e que, para começo de história, ao longo de um determinado ano não irá nem mesmo atrair 1.000 ou 2.000 espectadores por cada jogo. Por que esses estádios ultramodernos estão sendo construídos com cadeiras cativas, camarotes, espaços excessivos para publicidade e vestiários luxuosos? Não há nenhuma justificativa e não faz sentido gastar centenas de milhões de dólares em alguns desses estádios, quando durante a maior parte do tempo ninguém vai fazer uso deles. O contribuinte terá de arcar por vários anos com os custos desses megaprojetos e com os custos operacionais envolvidos em manter esses estádios funcionando no seu dia-a-dia, após o término das Olimpíadas e da Copa do Mundo. E esse dinheiro nunca mais será recuperado. Eu acredito que isso será um problema que muitas cidades, como Cuiabá, Manaus, Brasília, e outras terão de enfrentar. Às vezes, confuso e sem entender, fico tentando compreender o que alguns desses planejadores estavam pensando quando esses projetos começaram a vir à tona.

Pergunta Blog: Muitos jogos acontecerão em localidades distantes e o custo de viajar dentro do Brasil é alto. Qual será o impacto disso para o turismo e para essas cidades?

Andrew Zimbalist: Viajar pelo Brasil é muito caro. Eu suponho que muitos dos turistas vão viajar e se concentrar somente na região sudeste do país, Rio e São Paulo. Eu não acho que eles vão viajar por todo o país. Mesmo que esses turistas visitem outras localidades, não está claro se eles ajudarão o turismo a longo prazo. De certa forma, os turistas de esportes são um grupo peculiar, que realmente não presta muita atenção às atrações arquitetônicas ou culturais, e geralmente se concentra exclusivamente nos seus eventos esportivos preferidos. A construção dos estádios em alguns desses lugares foi uma estratégia mal concebida. Se o país tivesse realmente um plano sólido para a Copa do Mundo e se estivesse interessado em reduzir custos, deveria ter se focado em fazer melhorias em estádios já existentes nos mercados de esportes de maior importância do país. Além disso, se tivessem limitado os jogos da Copa dentro dessa região, o custo de viajar pelo país ficaria muito mais em conta e o clima seria certamente mais favorável para as partidas de futebol.

Pergunta Blog: Quem realmente se beneficia com o sediamento desses megaeventos esportivos?

Andrew Zimbalist: Eu acho que as empresas de construção e seus aliados são os principais beneficiados. Outros elementos que se beneficiam destes megaeventos são alguns bancos de investimento que flutuam os títulos para financiar esses projetos e, é claro, os burocratas que lidam com muitos dos contratos.

Pergunta Blog: E o que você tem a dizer sobre o exemplo dos Estados Unidos e da Alemanha, que sediaram megaeventos esportivos bem-sucedidos?

Andrew Zimbalist: No caso de Los Angeles, as Olimpíadas não foram muito dispendiosas. Eles só tiveram que construir algumas instalações, e o diretor das Olimpíadas de Los Angeles, Peter Ueberroth, obteve das empresas privadas o dinheiro para construir as instalações, e com isso não tiveram que usar dinheiro público. Peter Ueberroth também introduziu um novo modelo para adquirir recursos dos setores privados para patrocínios, que foi considerado muito bem-sucedido, e acho que a combinação desses fatores fez com que eles fossem capazes de gerar um pequeno excedente, algo em torno de 215 milhões de dólares decorrentes dos jogos de 1984. Quanto à Copa do Mundo na Alemanha, pode ter havido um pequeno efeito positivo em determinadas regiões que sediaram as partidas, principalmente no que diz respeito ao emprego, mas não no que diz respeito ao valor da massa salarial. E isso se deu principalmente pelo fato de eles terem feito uso de instalações que já existiam. Assim sendo, não foi necessário fazer quaisquer investimentos significativos em termos de infraestrutura.

Pergunta Blog: Qual é a sua opinião sobre o caso de Barcelona, que é apontado por muitos como um exemplo de sucesso e de como tais eventos podem trazer benefícios econômicos para uma cidade?

Andrew Zimbalist: As Olimpíadas tiveram uma pequena contribuição para o desenvolvimento de Barcelona, porém de nenhuma maneira podemos dizer que a contribuição foi significativa ou que o renascimento da cidade foi ocasionado por ter recebido tal evento. Uma série de outros fatores, tais como a entrada da Espanha no mercado comum da União Europeia e a desregulamentação do setor aéreo, também contribuíram para o progresso da cidade. Também é importante observar que o crescimento econômico de Barcelona foi semelhante ao de outras cidades europeias durante o período posterior às Olimpíadas. Além disso, Barcelona já tinha algumas “cartas na manga” que não haviam sido exploradas pelo turismo, mas que estariam prontas depois de um pouco de trabalho. Devemos também levar em consideração alguns fatos históricos sobre a cidade. Por exemplo, Barcelona, bem como toda a área da Catalunha, havia sido amplamente negligenciada durante a ditadura de Franco, e a região estava pronta para conseguir alguma espécie de desenvolvimento após a sua morte, especialmente a parte da cidade que se encontrava separada do mar por uma área de armazéns, fábricas e ferrovias. De fato, entre muitas iniciativas no grande plano para mudar Barcelona, que teve início no final dos anos 70, havia o projeto de abri-la para o mar. Esse plano já tinha sido traçado antes das Olimpíadas, e quando a cidade ganhou o direito de sediar os Jogos Olímpicos, os planejadores fizeram as necessidades do evento olímpico complementarem as necessidades do plano que já estava em curso. Assim sendo, os Jogos Olímpicos foram feitos para cooperar com esse plano e trazer benefícios para a cidade, e não para a cidade cooperar com as Olimpíadas. Portanto, a dinâmica dessa relação, caracterizada pelo fato de Barcelona já ter um plano de desenvolvimento anos antes de ter sido escolhida para sediar os Jogos Olímpicos, foi de extrema importância para seu progresso. Na verdade, poucas cidades que sediam esses eventos têm um plano de desenvolvimento preexistente, como o que foi exibido lá.

Pergunta Blog: Em um de seus artigos, você mencionou que os organizadores brasileiros haviam desistido da ideia da criação de um novo terminal no aeroporto internacional de São Paulo antes da Copa do Mundo e que, como alternativa, iriam contar com módulos temporários para lidar com um maior número de turistas. Você advertiu que tais ações eram exatamente o que os países que sediam tais eventos precisavam evitar. Você poderia explicar sua opinião sobre esta questão para os nossos leitores?

Andrew Zimbalist: O ponto crucial nesta questão é que quando se estão gastando centenas de milhões ou bilhões de dólares para construir uma infraestrutura para tais eventos, deseja-se que ela seja duradoura e que tenha utilidade após o término dos mesmos. Se forem construídos módulos temporários, então eles não vão ter qualquer utilidade após a conclusão dos eventos e serão removidos. Portanto, tem-se a despesa de montá-los, a despesa do material envolvido na construção dos módulos e o custo para desmontá-los, e no final não se fica com nada. É um exemplo nítido do desperdício dos recursos públicos e um grande exemplo da falta de planejamento adequado. Acredito que deveria haver um planejamento prévio e com prazo suficiente para que as coisas pudessem ser feitas da maneira certa, evitando assim uma situação em que se tenha de arquitetar módulos provisórios que eventualmente não terão qualquer utilidade. Em suma, toda a infraestrutura de transporte que está sendo construída deveria ter utilidade a longo prazo, para as próximas décadas. Módulos temporários economizam recursos a curto prazo, porque não se estão edificando estruturas permanentes, mas o investimento financeiro para construí-los é completamente desperdiçado.

Pergunta Blog: Segundo o Professor Zimbalist, quando Atenas ganhou, em 1997, o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2004, seu orçamento foi estimado em cerca de 1,6 bilhão de dólares e o custo público final foi calculado em torno de 16 bilhões (aproximadamente dez vezes mais do que o número original). Podemos observar esta mesma tendência em relação às projeções orçamentárias em outros locais que já sediaram esses eventos?

Robert Baade: Sim, em todos os lugares. Os jogos de Atenas seguiram a norma, sendo este, de fato, o exemplo mais típico do que acontece com esses eventos. As projeções imprecisas relacionadas ao custo de sediar megaeventos esportivos são endêmicas, e as estimativas dos custos iniciais são lamentavelmente subestimadas na maioria das vezes. Quando eu comecei a estudar as Olimpíadas de Atenas, o orçamento para a segurança estava em torno de 400 milhões de dólares. No momento em que paramos de acompanhar o orçamento, ele chegou a cerca de 1,9 bilhão de dólares, e isso era apenas para a segurança. O Brasil vai enfrentar situação parecida. O país tem trabalhadores em greve, vários atrasos nas construções de infraestruturas, transtornos judiciais, entre outros problemas que irão aumentar significativamente os custos. Parafraseando um famoso filósofo, eu diria que a única coisa imutável dentro deste universo dos megaeventos é a ausência de mudança. Essas mudanças resultam invariavelmente em custos mais elevados do que os estimados pelas previsões iniciais. Se a experiência no Brasil seguir a norma, haverá uma grande probabilidade de que o custo financeiro para sediar estes eventos venha a ser muito maior e mais duradouro do que o que foi inicialmente previsto.

Pergunta Blog: Existe o risco de um país ter sua imagem afetada ou desgastada internacionalmente ao sediar tais eventos?

Robert Baade: Sim. E essa possibilidade é real para qualquer país que decida sediar tais atividades. Um devido país tanto pode ser identificado como eficiente e capaz ou como desorganizado e ineficiente. Tudo depende de como as coisas irão fluir durante os eventos. No entanto, se as coisas não acontecerem como foram planejadas e se ocorrências negativas ou lamentáveis se tornarem frequentes e divulgadas pela imprensa, então a imagem do país poderá realmente ser afetada de forma negativa, em vez de ser fortalecida.

Pergunta Blog: E na sua opinião, isso representa um risco para o Brasil?

Robert Baade: Sim. A situação brasileira, com todos os seus atrasos no acabamento de diversas obras, me faz lembrar do que aconteceu nas Olimpíadas de Atenas.

Pergunta Blog: Foi divulgado pela imprensa internacional que 21 das 22 estruturas construídas para as Olimpíadas de Atenas encontram-se numa situação extremamente precária e não têm qualquer utilidade. Fazendo uma retrospectiva da história, qual é o destino mais provável para as diversas estruturas esportivas  construídas em outras cidades que sediaram megaeventos esportivos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas? Será que o exemplo do que ocorreu em Atenas é o mais comum?

Robert Baade: Sim. De fato, algumas das estruturas esportivas em Atenas se encontram em ruínas, de modo que grande parte das  instalações esportivas são pouco utilizadas após os eventos. Assim sendo, o potencial para se tornarem elefantes brancos é um risco grande e real. Antes de serem escolhidas para sediar as Olimpíadas e a Copa do Mundo, Los Angeles e a Alemanha não tiveram que lidar com esse problema porque já tinham a maior parte destas estruturas prontas para sediar tais eventos. Atenas se encontra na pior situação possível, pois tiveram que construir estádios nos quais os gregos tinham pouco ou nenhum interesse, e os custos para que a Grécia possa manter tais estruturas ainda são significativos. O estádio Birds Nest em Beijing também está perto de se tornar um elefante branco. A construção do estádio Olímpico de Montreal é um exemplo clássico de uma estrutura que não foi utilizada adequadamente após os jogos. Além disso, levou 30 anos para os canadenses pagarem a dívida que acumularam em decorrência de terem sediado as Olimpíadas. Na verdade, uma das maiores consequências desses megaeventos esportivos são os estádios e as arenas que foram construídas com um alto custo e que têm pouca utilidade.

Pergunta Blog: E o problema dos elefantes brancos na África do Sul?

Robert Baade: O sediamento da Copa do Mundo na África do Sul seguiu um caminho já muito conhecido. A liga premier de futebol daquele país tem por média 7,500 espectadores por partida. Assim sendo, não havia nenhuma necessidade de se ter construído estádios com as capacidades que foram determinadas pela FIFA. Os cinco novos estádios construídos para a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul custaram cerca de 1 bilhão de dólares. Os estádios Peter Mokaba e Nelson Mandela foram construídos com cerca de 150 e 140 milhões de dólares respectivamente. Eles são utilizados esporadicamente para jogos de futebol e de rúgbi. O estádio Mandela, por exemplo, acolheu 12 partidas em 2013, com uma média de 7,606 espectadores (o que representa 16.5% da capacidade do estádio). Paralelamente, o estádio Mokaba não possui nenhum inquilino ou seja, ninguém se interessou em arrendar tal estádio. Será que faz algum sentido construir um estádio de 150 milhões de dólares num lugar em que não existe sequer um time de futebol para fazer uso de tal infraestrutura após o término da Copa? Exemplos parecidos com estes existem em toda a parte.

Pergunta Blog: Você acredita ser provável que o problema dos elefantes brancos na África do Sul e na Grécia possa vir a acontecer no Brasil?

Robert Baade: Eu acho que o que está acontecendo no Brasil faz lembrar muito a situação da Grécia e da África do Sul, onde a síndrome do elefante branco é clara e real. Chegou ao meu conhecimento que o Brasil construiu estádios de futebol em algumas cidades que não possuem equipes nem na primeira, nem na segunda divisão de futebol do país. Construir estádios novos em Cuiabá, Manaus e Brasília, ou seja, em cidades que possuem um papel insignificante dentro do contexto futebolístico nacional, não faz sentido nenhum. O mais provável é que estes estádios não tenham grande utilidade após o término da Copa e que possivelmente estejam a caminho de se tornarem elefantes brancos após o evento.

Pergunta Blog: Em suma, qual será o legado econômico ou as consequências para o Brasil por sediar estes eventos?

Robert Baade: Estou esperançoso que o povo brasileiro possa se beneficiar ao sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas. No entanto, após fazer uma avaliação cautelosa sobre a situação, não estou muito otimista que haja um legado positivo decorrente destas atividades. Na verdade, existe o risco de haver um balanço negativo no final. De fato, observamos que a coesão social do país tem sido desgastada por fatores econômicos relacionados com os eventos. Além disso, fica claro que existe uma enorme pressão nos jogadores da seleção nacional. Se a equipe não for bem ou não corresponder às expectativas, a chance de um legado negativo ocorrer aumentará. Dificilmente tais eventos acarretarão algum tipo de benefícios econômicos para o Brasil e estou muito preocupado com a forma como o país irá utilizar essas estruturas esportivas construídas para receber esses eventos. Eu creio que a desconfiança dos brasileiros em relação aos seus governantes só irá aumentar ao chegarem à conclusão de que estas atividades beneficiarão apenas uma parcela muito pequeno da população. Este é um risco real e espero que o Brasil possa passar por este momento sem problemas. Portanto, eu torço pelo Brasil e pela seleção nacional.

FONTE: ESTADO DE SÃO PAULO / RICARDO GUERRA


Texto aprovado do PNE ratifica política de privatização da educação








Os últimos destaques do Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê metas para todos os níveis da educação no país a serem implementadas no decênio 2011-2020, foram aprovados na última terça-feira (03), no plenário da Câmara dos Deputados. Em seu texto final, o plano prevê, de forma contraditória, uma política de destinação do dinheiro público para as empresas privadas que comercializam serviços na área do ensino. Nesse sentido, os 10% do PIB, aprovados para o financiamento na educação, não serão exclusivamente destinados para a rede de ensino pública, indo na contramão da garantia da educação gratuita, pública, laica, de qualidade socialmente referenciada para toda a população, em todos os níveis – como defende o ANDES-SN.

De acordo com o PNE, o investimento na educação seria ampliado progressivamente: um mínimo de 7% do PIB no quinto ano de vigência da lei, e 10% do PIB ao fim do período de dez anos. Ou seja, a aplicação, além de não ser exclusiva para a educação pública, seria gradual. De acordo com Elizabeth Barbosa, uma das coordenadoras do Grupo de Trabalho Política Educacional (GTPE) do ANDES-SN e 2ª vice-presidente da Regional do Rio de Janeiro, esse investimento, da forma como é apresentado, não funciona, pois o financiamento deveria ser imediato, afinal as demandas de 2024 serão maiores. Da mesma forma, Rubens Luiz Rodrigues, também coordenador do GTPE e 1º Vice-Presidente da Regional Leste, avalia que os 10%, que serão aplicados escalonadamente até 2024, não atendem às exigências e às necessidades da educação pública brasileira de imediato. O Brasil continua com índices de analfabetismo em torno de 10% e a qualidade de ensino continua precarizada, com crianças, jovens e adultos não se apropriando do conhecimento. Então, os problemas são para agora, não para daqui dez anos.

Além disso, o texto final aponta que os recursos também serão utilizados para financiar a educação infantil em creches conveniadas; a educação especial; e programas como o de acesso nacional ao ensino técnico e emprego (Pronatec), o de bolsas em faculdades privadas (Universidade para Todos – ProUni), o de financiamento estudantil (Fies) e o de bolsas para estudo no exterior (Ciência sem Fronteiras). “Essa proposta de financiamento para a ‘educação’, de forma generalizada, permite um esquema de privatização, fazendo com que o empresariado possa gerenciar, por dentro, as verbas públicas da educação, por meio da concepção do público não-estatal, que é o que o governo reforça com as parcerias público-privadas e com os contratos de gestão. Então, desse ponto de vista, a expectativa é que a formação da escola já se desenvolva de acordo com as exigências do empresariado, visando formar o sujeito sob a ótica do mercado, e não a partir do interesse dos trabalhadores”, aponta Rubens Luiz Rodrigues.

Ana Maria Ramos Estevão, integrante do GTPE e da Regional São Paulo, esclarece que o governo já havia aprovado cinco bilhões de reais para o Fundo de Financiamento Estudantil, através de medida provisória, e também definido o perdão da dívida trabalhista das particulares em troca de bolsas. “O que o governo está fazendo é a privatização fatiada, o PNE vem para ratificar essa política”, afirma. A destinação de quase 5 bilhões de reais para educação privada, que abre crédito extraordinário de R$ 4,9 bilhões para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), foi aprovada pelaComissão Mista de Orçamento, no mês de maio, através da Medida Provisória (MP) 642/14.

Elizabeth Barbosa também destaca que, no texto do PNE, foram incluídos alguns jogos de palavras com repercussões a respeito de para onde efetivamente irá o financiamento, como, por exemplo, quando sai da perspectiva de ensino público e entra na perspectiva de ensino gratuito, que é a grande jogada de investimento do setor privado, como o Sistema S, formado por entidades que oferecem cursos gratuitos em áreas da indústria e comércio, como uma forma de complementação de conhecimento, preparatório para o mercado de trabalho. “Quando o PNE trata de financiamento, ele diz que é para educação pública e para o ensino gratuito, que são os programas Prouni, Pronatec, entre outros. Porque o público, para eles, necessariamente não é o estatal. O PNE reforça também toda a política do REUNI, é uma reafirmação da precarização do ensino universitário e o ensino geral, ou seja, a educação como um todo”.

Além da questão do financiamento, que já se mostra insuficiente, haja vista a repartição com o setor privado, outro ponto negativo a ser destacado é a forma como se deu a construção do Plano Nacional de Educação. Ana Estevão afirma que “o governo aprovou o PNE sem ter passado sequer pela Conferência Nacional de Educação (Conae), organizada pelo próprio governo. É um plano que não foi construído com a sociedade, e sim com o reforço da iniciativa privada, da bancada das particulares, sob a pressão desses grupos”.
O ANDES-SN se contrapõe ao uso do dinheiro público para a rede privada de ensino, que cada vez mais concentra sua prioridade no lucro, concebendo a educação como mercadoria. De acordo com Marinalva Oliveira, presidente do ANDES-SN, “o texto aprovado não atende às reivindicações da sociedade e dos movimentos sociais e apenas ratifica as ações que já estão sendo implementadas pelo governo federal. Todo o sistema educacional do país precisa de mais investimentos, mas é a aplicação imediata dos 10% do PIB para a educação pública que aponta para a solução do problema da precarização da educação como um todo”.


Fonte: ANDES-SN

“Oito sedes bastavam. Jogaram dinheiro fora”













Mauro Silva, campeão do mundo em 1994, fala sobre a organização do torneio organizado pelo Brasil, o medo da Argentina e as possibilidades da 'canarinha'

Mauro Silva (São Bernardo do Campo, 1968), titular indiscutível na seleção brasileira que ganhou a Copa de 1994, ídolo eterno do Deportivo la Coruña, é lembrado como um dos melhores meio-campistas defensivos da história do futebol. Hoje empresário imobiliário, opina quando lhe pedem com a mesma atitude que demonstrou nas treze temporadas em que jogou na Espanha: sem trejeitos, sem pretensões de ganhar mais fama, entregue a seu trabalho como quando construiu, jogo a jogo, sem uma finta nem uma palavra a mais, uma carreira exemplar no que se refere ao profissionalismo, rigor tático e discrição. Nesses treze anos marcou um único gol. Quando perguntaram ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2004, durante uma visita à Espanha, qual era seu jogador favorito, ele não hesitou um segundo: "Mauro Silva".

Silva lamenta que o Brasil tenha "desperdiçado a oportunidade de dar uma imagem de país eficiente e moderno com a organização da Copa". Acredita, no entanto, que o povo apoiará a seleção, o que torna o anfitrião "o principal favorito" para ganhar o torneio. Seu maior temor é a Argentina: "Como jogador brasileiro, em uma Copa, a primeira coisa que desejo é que eles voltem para casa o quanto antes...".

Pergunta. O que seu país fez errado durante a organização da Copa para provocar tantos protestos e tanta exposição internacional?
Resposta. Há sete anos, quando a candidatura foi escolhida, houve uma grande alegria; acreditávamos que a Copa serviria para melhorar as infraestruturas do Brasil, que é um dos pontos frágeis da nossa economia, e para dar visibilidade a um país com enorme potencial para investidores estrangeiros. Queríamos aproveitar para mudar essa imagem, mas não o fizemos: as obras, os estádios, os aeroportos, tudo está atrasado. Desperdiçamos uma boa oportunidade para mostrar uma imagem de país eficiente e moderno. Há outro problema: não necessitávamos de 12 estádios; oito sedes bastavam. Somos um país com dimensões continentais e em alguns lugares há pouca tradição futebolística. Quando a Copa terminar, esses estádios não serão usados. É jogar dinheiro fora. Podiam ter sido construídos hospitais e escolas públicas. Essa é minha crítica. E é a crítica de grande parte dos cidadãos.

Fazer as coisas com pressa não é bom, e se você visse as filas nos hospitais...

P. Você ficou surpreso que tantos brasileiros prefiram que o Brasil perca como castigo aos governantes?
R. Surpreende-me um pouco, mas as pessoas estão muito irritadas. Eu acredito que é preciso separar as coisas. Que o Brasil ganhe é bom. Vejo com bons olhos as manifestações, as pessoas mais maduras politicamente devem continuar fazendo as manifestações para que os governantes vejam que não estamos satisfeitos. Mas não durante a Copa... Estou praticamente certo de que as pessoas apoiarão o time. Se você faz uma festa em casa e tem convidados, não é o momento para discutir os problemas familiares ou internos. Quando a festa acaba, é outra coisa. Assumimos a responsabilidade e o compromisso de fazer uma festa, temos de receber bem os visitantes e dar a melhor imagem possível. Depois, que voltem os protestos sobre os problemas internos.

P. Seu companheiro de seleção e hoje deputado Romário ocupou muitas manchetes com a frase: "a Copa é o maior roubo da história do Brasil".
R. É uma suspeita generalizada. Tivemos muito tempo para prepará-la e, no fim das contas, como sempre acontece no Brasil, deixamos tudo para a última hora e os gastos dispararam. Fazer as coisas com pressa nunca é bom, e se você visse as filas nos hospitais... Romário diz as coisas como lhe dá na cabeça, mas está fazendo um bom trabalho.

P. O que é mais importante para ganhar uma Copa?
R. O talento, sem dúvida.

P. A atual seleção brasileira parece um time equilibrado, mas do meio campo para a frente (com exceção de Neymar) parece precisamente um time sem o talento de outras épocas.
R. Essa é uma das nossas grandes preocupações. Em 1994 tínhamos Bebeto e Romário no ataque e Ronaldo no banco. Agora não temos esse nível de atacantes. Uma equipe que pode ter dificuldades no ataque tem dificuldades para ganhar, por algum motivo os jogadores mais valorizados são os que garantem gols. Na Copa das Confederações tivemos Fred, que jogou bem e marcou gols, mas depois teve problemas físicos. Se ele se machucar, o que vai acontecer?

P. O que você destaca na seleção atual?
R. Além do talento, para ganhar uma Copa é preciso otimismo, boa defesa e meio de campo. Isso nós temos. A lesão de Julio César [o goleiro titular], que este ano jogou no Canadá, é outro problema. Nossa grande arma será a presença de Scolari e Parreira, pela experiência e a maneira de trabalhar.

P. Quais são os favoritos?
R. O Brasil é o principal favorito, por jogar em casa. O público vai incentivar muitíssimo. Depois Argentina, Alemanha e Espanha. Entre estas quatro estarão o campeão e o finalista.

P. Você diz que a Argentina sempre lhe dá medo. Se Messi chegar em forma, acho que vai dar mais medo ainda. A responsabilidade e o desgaste emocional serão enormes
R. Meu primeiro desejo é que eles voltem para casa o quanto antes [risos]. Nossa rivalidade histórica, o fato de jogar no Brasil, a responsabilidade ainda maior dos jogadores, tudo isso afeta. A Argentina vem para estragar a festa. Messi não ganhou uma Copa ainda e para poder ser comparado algum dia com Maradona ou Pelé necessita conquistar um Mundial. Uma final Brasil-Argentina seria fantástica. Não quero imaginar. Prefiro a qualquer outro rival.

P. O que podem fazer os jogadores brasileiros para aguentar uma pressão tão grande?
R. É a principal tarefa de Scolari e Parreira, e é uma tarefa complicadíssima, pelo momento estranho do país, as manifestações... A pressão que terão de suportar esses rapazes por jogar em casa é imensa. Em 1994, que era também um momento de muita pressão porque estávamos há 24 anos sem ganhar uma Copa, alcançamos a tranquilidade quando chegamos aos Estados Unidos. É impossível que algo assim aconteça agora no Brasil. É muito difícil que os jogadores possam se isolar, principalmente agora, com as redes sociais. O desgaste emocional será muito grande. A responsabilidade é enorme. E isso Argentina, Alemanha e Espanha sabem muito bem.

P. Qual é o melhor jogador que você teve de marcar em um campo? Aquele que mais o deslumbrou?
R. Maradona. Marquei Ronaldinho e Zidane, imensos jogadores, mas como Maradona não vi ninguém.

FONTE: BRASIL/EL PAÍS

'Nós, atletas, não somos do governo', diz Neymar










Craque expressou pela 1ª vez sua opinião política sobre os protestos e revelou o incômodo dos jogadores ao serem colocados como agentes do poder público

O amistoso da seleção brasileira contra o Panamá, realizado na terça-feira, em Goiânia, despertou um Neymar desconhecido do grande público. Não o craque decisivo, que transformou as primeiras vaias do torcedor presente no Serra Dourada em aplausos quando ele liderou o time com um gol, uma assistência e dribles na goleada por 4 a 0. Quem surgiu pela primeira vez para os brasileiros foi o cidadão Neymar, que revelou o seu sentimento sobre os protestos – houve manifestação em frente ao hotel da equipe nacional – e refletiu o descontentamento dos jogadores ao serem confundidos com parte do poder público.

"Sou totalmente a favor de o povo se manifestar, buscar o seu direito. Eu sou do povo, não vim de um berço de ouro ou de uma família rica. Batalhei muito para chegar até aqui", disse o craque. "Só não concordo quando o povo se manifesta e critica os jogadores. Nós não somos do governo, também buscamos um Brasil melhor", arrematou.

Mesmo com o peso da frase do camisa 10 logo após o fim do primeiro amistoso de preparação para a Copa do Mundo, a repercussão nas redes sociais foi praticamente irrelevante. Levantamento da consultoria Bites mostra que em 24 horas, até às 18h30 dessa quarta-feira, menos de 300 referências foram escritas sobre a opinião política do atleta. No entanto, mais de 81.000 comentários foram postados sobre o papel decisivo do jogador para a seleção brasileira durante a partida.

Neymar não é o primeiro a falar sobre a ligação entre as manifestações e a seleção brasileira. Depois que a equipe foi recebida com vaias de professores em greve quando desembarcaram no Rio de Janeiro no primeiro dia de preparação para o torneio mundial, o coordenador-técnico Carlos Alberto Parreira disse que ninguém é contra a seleção. Outros jogadores também foram questionados pelos jornalistas em coletivas nessa primeira semana de treinos na Granja Comary, em Teresópolis, mas todos foram evasivos. O camisa 10 não só falou pelos seus colegas, como acertou a "distância regulamentar" entre o futebol e a política.

FONTE: VEJA 

terça-feira, junho 03, 2014

Greve nas ruas: Dia Nacional de Luta Pela Educação







Realizaremos na próxima terça-feira (03/06) mobilizações em todo Brasil, conforme encaminhado na 122ª PLENA. O Dia Nacional de Luta Pela Educação será uma data importante para levar nossas reivindicações para as ruas, reforçando a necessidade urgente de negociação com os trabalhadores da Rede Federal de Educação Básica e Profissional.

A indicação para a data é que as Seções Sindicais realizem atividades públicas em locais com grande movimentação (avenidas, praças, ruas, etc), fazendo panfletagens e dialogando com a sociedade sobre nossa greve. Vamos denunciar o descaso com a Educação Pública e defender mais investimentos nas escolas e a negociação efetiva com os trabalhadores em luta.


O movimento grevista dos trabalhadores técnico-administrativos e docentes da Rede Federal de Educação Básica, Profissional e Tecnológica já ultrapassa 40 dias de duração. Essa demora, sem dúvidas, é muito ruim para toda sociedade brasileira, e é preciso deixar claro o motivo de uma greve durar tantos dias: O governo NÃO negocia! O governo federal diz apenas NÃO às nossas pautas de reivindicações. O governo diz em alto e bom som: NÃO à educação federal. O governo faz com que as greves se alonguem ao virar as costas para a luta dos trabalhadores e estudantes por uma Educação Pública de boa qualidade.

Encaminhamentos da 122ª Plena do SINASEFE

1- Encaminhamentos de mobilizações e estratégias para fortalecimento da
greve 

• Ampliar e radicalizar a greve.

• Incentivar e participar de fóruns e plenárias de categorias em luta para construir atos unificados nas seções.

• Fortalecer o Comando Nacional de Greve.

• Indicar às bases que já deliberaram contra a greve que façam nova assembleia, convidando o Comando Nacional de Greve, a participar.

• Acompanhar a agenda da presidente Dilma e ministros, organizando atos que exijam a negociação que ela indicou, conforme vídeo que gravamos no ato do dia 23 de maio.

“Negocia Dilma!”

• Que o Comando Nacional de Greve esteja presente na sessão de aprovação do PNE.

• Indicar que os comandos locais de greve encaminhem suas pautas locais ao Comando Nacional de Greve.

• O Sinasefe produzirá uma nota contra o assédio nas instituições federais de ensino e enviará ao Conif.

• Propor ao Conif uma ação de intermediação para abertura de negociações.

• Propor a suspensão do calendário acadêmico, em todas as modalidades de ensino, nas instituições que estão em greve.

• Indica-se às seções sindicais próximas ao Rio de Janeiro que participem do ato do dia 1º de junho, da Transcarioca.

• Dia Nacional de Luta Pela Educação: 3 de junho, atos realizados pelas seções sindicais do Sinasefe em todo o Brasil.

2- Moções aprovadas: 

• Moção de solidariedade aos estudantes de Goiânia presos na luta contra o aumento das passagens naquele estado, que estão sendo acusados de incitação ao crime, dano qualificado, perigo para a vida ou saúde de outrem, e formação de quadrilha. 

• Moção de apoio aos rodoviários do Distrito Federal, que tem realizado movimentos por melhores condições de trabalho. Durante o movimento, a empresa Piracicabana demitiu 23 trabalhadores. 

FONTE: SINASEFE NACIONAL