Valoriza herói, todo sangue derramado afrotupy!

quinta-feira, agosto 16, 2012

Dilma lança megapacote de privatizações

PSDB parabeniza o governo, enquanto 
Eike Batista comemora o "kit felicidade”

Reunidos com empresários e políticos, a presidente Dilma Rousseff anunciou, no último dia 15, um plano de privatizações no qual repassará ao setor privado concessões para a exploração de rodovias e ferrovias. Com o chamado Programa de Investimento em Logística, o governo espera viabilizar investimentos de R$ 133 bilhões ao longo dos próximos 30 anos.

Entre os objetivos dos programas anunciados se incluem a construção de 7.500 quilômetros de rodovias e 10 mil de ferrovias. Elas seriam construídas por meio das Parcerias Público-Privadas (PPP’s) e administradas pelo capital privado. Para quem não se lembra, as PPP’s são uma modalidade na qual os investidores entram com parte do capital para a expansão dos projetos, tem a administração dos mesmos cobrando tarifas (pedágios, taxas etc.), e ainda a salvaguarda do Estado para eventuais perdas e prejuízos. A modalidade virou coqueluche do governo Lula e até do PSDB em São Paulo, como é o caso da linha amarela do metrô.

No caso das rodovias, as empresas privadas só poderão cobrar pedágio após a construção de pelo menos 10% de cada trecho contratado, ou seja, o pedágio será cobrado mesmo que ainda falte 90% das obras. Segundo o governo, o monopólio sobre os 10 mil de quilômetros de ferrovias ficaria aberto a todos os interessados no transporte de cargas. Apenas 28 mil quilômetros de ferrovias restaram após a “privataria tucana”. Em todas elas vigora o monopólio das empresas concessionárias. 

O governo diz que deseja mudar essa situação, porém, não explicou como irá mudar as antigas regras de concessões. Por outro lado, já existe uma gritaria por parte dos empresários, preocupados com a “instabilidade” gerada pelas “quebras de contrato”. O fato é que há todo um setor da burguesia interessado em mudar as regras, pois a exclusividade do uso das ferrovias por um punhado de empresas privadas se tornou um obstáculo para os lucros do agronegócio e do setor minerário, os maiores beneficiados pelo pacote de Dilma, além do setor da construção civil.

Também há dúvidas sobre a existência de capital disponível no país e no exterior para bancar as PPP’s, sobretudo, devido ao cenário de crise mundial. Segundo o jornal Valor Econômico, que comparou o pacote de Dilma a outros projetos de privatização, a taxa de lucro no investimento proporcionada pelo pacote é a menor da história, na casa de 6%. O governo, por sua vez, responde que não faltará dinheiro ao Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e que não descarta aportes do Tesouro Nacional. 

O modo petista de privatizar
 
Logo após o anúncio, muitos empresários comemoraram a decisão do governo. “É um kit felicidade pro Brasil”, exaltou um efusivo Eike Batista. Até a oposição comemorou: “Lamentamos o atraso dessas iniciativas (...) Porém, reconhecemos que esta mudança de rumo adotada pelo governo significa avanços para o país", parabenizou em nota o PSDB. Já a grande imprensa e os jornalões destacavam com alegria “as privatizações de Dilma”.

Durante o lançamento, porém, Dilma tentou explicar que as medidas não poderiam ser comparadas a privatização. "Não estamos nos desfazendo de patrimônio público para acumular caixa. Estamos fazendo parceria com o setor privado para beneficiar a população, para saldar uma dívida de décadas e um atraso nos investimentos ", disse.

Naturalmente, seria ingenuidade esperar que o governo petista reconhecesse o caráter privatista das medidas anunciadas nesta quarta-feira. Afinal, as duas últimas eleições presidências foram ganhas pelo PT a partir da denúncia das privatizações realizadas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC). A campanha de Dilma foi emblemática deste discurso.

Dizer que foram “concessões” ao capital privado não passa de uma ladainha para tentar aclamar os ânimos da base petistas. Na prática, Dilma utiliza os mesmos argumentos desfilados pelo governo FHC para privatizar as estatais. Ou seja, de que o setor público seria sinônimo de ineficiência e incompetência, ao contrário da iniciativa privada. Mais ainda: realiza as PPP’s para sim fazer caixa, retirando uma boa parte do dinheiro público do orçamento destinados aos investimentos de infraestrutura para o pagamento dos juros da dívida pública. De acordo com as contas da Auditoria Cidadã da Dívida, em 2012, até o dia 2 de agosto, a dívida consumiu R$ 566 bilhões, ou seja, 52% do gasto federal.

E foi para pagar a dívida que o governo quase não investiu em rodovias. Dos R$ 13,661 bilhões autorizados para investimento em rodovias, em 2012, apenas R$ 2,543 bilhões (18,6%) foram gastos até maio. A situação é ainda mais crítica quando se verifica que apenas 7% desse desembolso (R$ 197,4 milhões) diz respeito a despesas do orçamento deste ano. No setor ferroviário a mesma coisa. Dos R$ 2,77 bilhões para injetar na infraestrutura dos trilhos, apenas 8% (R$ 239,7 milhões) do valor foi usado.

Assim como no caso da privatização dos aeroportos brasileiros, não restam dúvidas de que a as “concessões” de Dilma não passam da velha e conhecida “privataria”.

FONTE: OPINIÃO SOCIALISTA

Em carta, associação de professores pede a Dilma reabertura das negociações


O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) protocolou hoje (16) carta no Palácio do Planalto pedindo a Dilma Rousseff a reabertura das negociações com os professores em greve há quase três meses. No documento, o Andes afirma que a presidenta encerrou de maneira unilateral o diálogo e recorda que durante a campanha de 2010 ela havia enfatizado que a postura com os educadores deve ser de abertura à conversa.
A presidenta da entidade, Marinalva Silva Oliveira, que assina a carta, enfatiza que a greve está centrada sobre duas questões básicas: a reestruturação da carreira docente e a garantia de boas condições de trabalho nas instituições federais de ensino superior, ambas, na visão da categoria, não abordadas nas conversas com os representantes dos ministérios do Planejamento e da Educação. A queixa é de que deve haver uma melhoria nas condições técnicas para o trabalho e um avanço na contratação de quadros, hoje insuficientes.
O governo, por sua vez, argumenta que todas as propostas devem estar aprovadas até 31 de agosto, prazo para votação do Orçamento de 2013 no Congresso. O reajuste salarial encaminhado ao Legislativo varia de 25% a 40%, de acordo com a categoria docente, até 2015. No dia 3, o Ministério do Planejamento assinou termo de acordo com a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), sindicato que representa uma minoria dos professores. Dentro da base do Proifes algumas instituições decidiram pela manutenção da greve.
As outras três entidades representativas rejeitaram o acordo. “É importante dizer que a categoria docente se posicionou de maneira contrária a ambas as propostas do MEC, uma vez que elas mantêm e aprofundam as distorções da carreira, não corrigem a inflação e retiram direitos”, lembra o Andes no documento encaminhado a Dilma. 
FONTE: REDE BRASIL ATUAL

Cristovam Buarque lamenta números da educação e aponta ‘apagão intelectual’


Em pronunciamento nesta quinta-feira (16), o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) saudou o lançamento de programa oficial para recuperação da infraestrutura física do país, mas lamentou que a presidente Dilma Rousseff não tenha convocado “todas as forças nacionais” para debater a crise na “infraestrutura intelectual” e a educação brasileira, que ele classificou de “depredada, podre, reprovada e falida para as exigências dos tempos atuais”.
- O Brasil vive um apagão intelectual – disse Cristovam.
Ele se referiu ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado pelo governo no último dia 14. O índice atribuiu as notas 3,8 e 3,9 às escolas públicas, em relação ao ensino médio e fundamental, e média 6 às escolas particulares.
- Abaixo de quatro, isso se chama reprovação. Abaixo de cinco já é reprovação, e as próprias escolas particulares têm média seis, que é uma nota medíocre, sofrível, permite passar, mas passa ali, arrastando. Não se constrói um grande profissional com média seis. Não se constrói um país com media seis nas escolas particulares, que são consideradas as melhores – afirmou.
Cristovam observou que a “tragédia’ na educação repete-se há muitos anos, tanto quando se divulga o Ideb quanto o 88º lugar que o Brasil ocupa no ranking da educação da Organização das Nações Unidas (ONU), além do resultado do exame Pisa, que avalia a educação em 56 países “e o Brasil é o penúltimo e não se convoca o Conselho da República”, lamentou.
O senador pelo Distrito Federal disse ainda que “o pior” foi ele ter visto, “chocado”, o resultado do Ideb ter sido apresentado pelo Ministério da Educação como uma “grande vitória”.
- A tragédia não é culpa dele [o ministro da Educação, Aloizio Mercadante], que tem menos tempo no ministério do que eu fiquei. [Mas] ele não ajuda a educação ao comemorar com euforia um resultado trágico. O Brasil não pode se transformar em grande economia tirando nota seis, na escola particular, e média 3,8 nas escolas de pobres – afirmou.
Cristovam observou que “é muito preocupante ver que o governo comemorou a tragédia, comemorou a vergonha, em vez de assumir perante a opinião pública que em cinco séculos não se conseguiu resolver os problemas e construir uma economia baseada em mão de obra qualificada, não se conseguiu fazer a educação igual para todos, única forma possível de acabar com o atraso no país”.
- Avançamos ficando para trás. Coréia do Sul, Índia, China e Irlanda, que há trinta anos atrás estavam em situação pior que o Brasil, hoje estão melhor, pois fizeram o dever de casa. O nosso dever de casa é fazer com que as 300 melhores escolas do Ideb sejam transformadas em duzentas mil – afirmou.
Cristovam também defendeu a federalização da educação e disse que “deixar a responsabilidade da educação sob os ombros das prefeituras municipais, que são desiguais, é manter a desigualdade, e a igualdade só viria com a União assumindo a responsabilidade”.
O senador também cobrou a criação de uma carreira nacional do magistério público, “pagando muito bem, identificando vocações, quebrando a idéia de estabilidade plena”, e oferecendo escola de qualidade para ali os professores exercerem suas aptidões.
- Isso é possível, absolutamente necessário, extremamente urgente de ser iniciado, mesmo que [o resultado] leve 20 anos – afirmou.
Cristovam disse ainda que o que faz uma economia é a capacidade de inovar e de oferecer novos bens e serviços ao mercado, e esses só virão se o Brasil tiver alta base educacional, incorporada ao setor privado.
- Ninguém vai construir uma economia com ótimas estradas, portos, ferrovias e aeroportos se não tiver uma boa educação. Todas essas obras são necessárias, mas serão poucas diante das exigências crescentes de ciência e tecnologia na economia - afirmou.
Cristovam avaliou ainda que o programa de apoio à infraestrutura física lançado pelo governo “traz o carimbo da própria Dilma e do PT”, ao defender a idéia de que “a infraestrutura não deve ser uma questão estatal, mas do setor privado, com incentivos obviamente estatais”.
Ele observou que o anúncio do programa “demorou muito”, tendo em vista que a lei das parceiras com o setor privado tem quase 10 anos. Avaliou ainda que o lançamento do programa ocorre em um “momento lamentável, não por culpa do governo, mas da recessão mundial, que vai dificultar a vinda de capital e o aporte de recursos dos empresários brasileiros”.
FONTE: Agência Senado

Cotas sociais e raciais democratizam a educação, afirmam autoridades

As reservas de cotas nas universidades para estudantes oriundos de escolas públicas são instrumentos absolutamente necessários numa sociedade que trata a todos como se tivessem as mesmas oportunidades, a mesma informação, a mesma educação escolar. A afirmação é da deputada federal, Nice Lobão, autora do projeto de Lei nº180/2008 que reserva 50% das vagas em universidades e escolas técnicas federais para estudantes, que concluíram o ensino médio em escolas públicas.
Em discurso proferido por ocasião da aprovação do projeto, Nice Lobão afirma que é preciso implementar ideias inovadoras que facilitem o acesso de grupos menos favorecidos às instâncias de representatividade social e político comumente alcançadas somente por quem tem dinheiro. “Temos que lutar por políticas universalistas para o conjunto da população e aumentar o acesso e a permanência de estudantes pobres nas universidades brasileiras”, ressalta.

A deputada acredita que a desigualdade enfrentada pela população brasileira será superada com a aplicação de um conjunto de ações afirmativas que objetivem a igualdade de oportunidades. A ideia é que o Projeto de Lei atue como uma orientação para os órgãos executivos responsáveis pela educação no Brasil.
“A ação afirmativa pode ser uma iniciativa pública ou privada, voluntária ou obrigatória, com o objetivo de corrigir efeitos negativos de tratamento de indivíduos. Os afrodescendentes sofrem duplo preconceito. São pobres e negros”, afirma.
Segundo pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população negra do Brasil compõe 70% dos pobres no Brasil. “É mais que justa e oportuna à adoção de políticas específicas para sua reinserção na sociedade”, declara.
Outras opiniões

As cotas raciais e sociais devem fazer parte de um conjunto de políticas de fortalecimento da universidade pública, de qualificação e valorização do ensino e integrar políticas de Estado que visem o crescimento econômico, criação de empregos, distribuição de renda e diminuição do índice de violência. 

Hédio Silva Júnior, advogado e diretor executivo do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade (CEERT) acredita que o projeto de Lei 180/2008 tem o mérito de incluir um maior número de jovens à educação pública superior e assegurar a aplicação da ação afirmativa por aquelas instituições que ainda não adotaram o princípio em seus processos seletivos.
Segundo Hédio, a medida confere perenidade e segurança jurídica para a iniciativa de algumas instituições que por leis estaduais ou decisões próprias já tinham adotado o exercício pleno da política de cotas. 

Para ele, o Ministério da Educação tem um papel primordial nesse processo de implementação, por ser a instituição responsável pelo cumprimento de programas de incentivos e permanência desses alunos nas universidades pelo período integral de realização do curso até sua entrada no mercado de trabalho.
O deputado federal, Edson Santos, afirma que a lei aprovada é muito bem-vinda à medida em que atende a uma realidade já consagrada. Segundo ele, hoje existem no Brasil 98 universidades públicas, entre federais e estaduais, das quais 70 já oferecem algum tipo de ação afirmativa para o ingresso em seus cursos de graduação, 40 delas considerando o recorte racial.  “Com a aprovação, o Senado reconheceu a importância das políticas de reparação, também conhecidas como políticas de ação afirmativa, para reduzir o enorme abismo social que ainda separa negros e brancos em nosso país”, declara. “É mais um passo para o resgate da dívida histórica do Brasil para com o segmento negro de sua população”, afirma.

José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, acredita que a aprovação do projeto ajuda a democratizar o ensino, porque disponibilizará para as camadas menos favorecidas o acesso ao ensino superior público e gratuito.
Ele reforça o papel das universidades quanto sua capacidade de regulamentar e gerir suas responsabilidades e interesses.  “A autonomia de uma universidade tem que estar direcionada aos interesses nacionais, as instituições superiores devem utilizar sua autonomia para atender as demandas e necessidades sociais, não para impedir que sejam alcançados e superados”.

A lei só entrará em vigor após a sanção da presidente Dilma Rousseff. De acordo com a Constituição, Dilma tem até 15 dias úteis para sancionar o texto.  Caso a presidenta sancione o texto sem vetos, a lei afirma que as instituições terão quatro anos para se adequar à nova regra.  Isso quer dizer que a cota de 50% só deverá ser implantada por todas as universidades e institutos federais até o segundo semestre de 2016.
No entanto, a lei exige que, até lá, as instituições apliquem pelo menos 25% da reserva de vagas prevista no texto a cada ano. Isso significa que, a partir de 2013, uma instituição com 1.000 vagas abertas deverá reservar 12,5% delas para estudantes de escolas públicas, sendo que 7,25% das vagas serão para estudantes de escola pública com renda familiar de até 1,5 salário mínimo per capita e uma porcentagem definida de acordo com o censo do IBGE para estudantes de escola pública que se autodeclarem pretos, pardos ou indígenas.
FONTE: FUNDAÇÃO PALMARES
LEIA TAMBÉM: A MESCLA DE COTAS SOCIAIS E COTAS PARA A POPULAÇÃO NEGRA!     http://guebala.blogspot.com.br/2012/08/a-mescla-de-cotas-sociais-e-cotas-para.html

                      Professor da UnB diz que Lei das Cotas é um retrocesso http://guebala.blogspot.com.br/2012/08/professor-da-unb-diz-que-lei-das-cotas.html 


terça-feira, agosto 14, 2012

Professor da UnB diz que Lei das Cotas é um retrocesso

















José Jorge de Carvalho diz que lei dividiu movimento negro

O projeto de Lei aprovado pelo Senado que criou cotas sócio-raciais e que deverá ser sancionado pela Presidente Dilma Rousseff, representa um enorme retrocesso ao dividir a comunidade negra após o Supremo Tribunal Federal (STF), a mais alta Corte do país, reconhecer que “não precisa dividir” porque ser negro no Brasil representa, por si só, uma desvantagem.
A opinião é do professor José Jorge de Carvalho, do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília e pesquisador do CNPq, autor, juntamente com a professora Rita Segatto, do Programa de Ações Afirmativas da UnB) instituído em 2004 e que recentemente foi julgado constitucional pelo Supremo.
Cotas Sócio-Raciais
O projeto aprovado pelo Senado cria as chamadas cotas sócio-raciais, ao reservar 50% das vagas para estudantes oriundos da escola pública; destes 50% devem ser reservadas aos estudantes de famílias com renda per capita de 1,5 salários mínios; e os outros 50% entre negros e indígenas proporcionalmente à presença de cada um desses segmentos em cada Estado da Federação, de acordo com o Censo do IBGE 2010.
“A Lei é anacrônica. A estória vai responsabilizar as lideranças negras que participaram desse retrocesso. Como é que o senador Paim, que tem assessores parlamentares afinados com esse tema, não lutou para desvincular as cotas sociais? Sarney virou paladino dos negros brasileiros? A elite branca racista brasileira entregou o anel para não entregar os dedos”, ironizou.
Medida de contenção
Segundo ele, a principal função da Lei “é conter a parte mais poderosa, a vanguarda do Movimento Negro”. “Simplesmente, a Lei conteve a parte mais poderosa do Movimento, decapitou a comunidade negra. Os filhos dos empresários da Fiesp estudam na USP (Universidade de S. Paulo), na Universidade de Campinas (Unicamp). Os filhos dos empresários da Firjan, do Rio, também estudam nas melhores universidades públicas. Nossa luta sempre foi para que os filhos do Pelé tivessem os mesmos direitos dos filhos da faxineira e todos pudessem estudar”, acrescenta.
José Jorge também critica o fato do Senado ter ignorado, durante a tramitação da Lei, a experiência acumulada por 129 universidades que já adotam ações afirmativas por decisão dos seus próprios órgãos internos. Citou o caso das 51 que adotam cotas e lembrou que, destas, 46 instituições têm modelos diferentes.
“Das 51 universidades federais que tem cotas, 46 tem modelo diferente. Cada universidade que aprovou procurou a fazer de forma diferente das anteriores. Foi resultado sempre de uma negociação por parte dos Conselhos. Uma variedade de sistemas. A Lei simplifica o raciocínio. A massa crítica que gerou a luta pelas ações afirmativas não pôde influenciar o Congresso. Todas as audiências foram inúteis, foram inférteis, dissociadas de reflexão. Toda a inteligência gerada pela sociedade foi desprezada, considerada irrelevante”, frisa.
Dar poder aos negros
De acordo com o professor da UnB, a luta por cotas é uma luta política. “Para que lutamos durante mais de uma década? Para que existissem cotas para negros, para empoderar a comunidade negra. A luta por cotas raciais é uma luta política. A opção de colocar negros de baixa renda ou negros da escola pública é uma medida de contenção da comunidade negra. Querem dizer que apenas aceitam apoiar, reconhecem direito à proteção pelo Estado da parte mais frágil da comunidade negra”, salientou.


FONTE: CAROS AMIGOS

Governo aplica R$ 6,2 bilhões em esporte nos últimos 4 anos

No último ciclo olímpico, de 2009 a junho de 2012, o governo federal destinou R$ 6,2 bilhões ao esporte brasileiro, nas manifestações de rendimento, educacional e de participação. Esses recursos foram provenientes do Orçamento Geral da União (R$ 3,9 bilhões), Lei Agnelo/Piva (R$ 578,3 milhões), Lei de Incentivo (R$ 523,4 milhões), Empresas Estatais (R$ 771,3 milhões) e Timemania (R$ 390,9 milhões). Para este balanço foi desconsiderado o exercício de 2008, quando ainda estavam sendo pagas despesas referentes aos Jogos Panamericanos e à Olimpíada de Pequim.

Do total de verba pública para o esporte, as modalidades olímpicas receberam R$ 1,4 bilhão no período analisado. Cerca de 10% deste valor, R$ 142,9 milhões, foram para as atividades paralímpicas.

A principal fonte de financiamento do esporte é o Orçamento Geral da União, com R$ 3,9 bilhões. Neste valor está incluído todo o dispêndio do Ministério do Esporte e parcelas afins de outras pastas. Por exemplo, a da Defesa com a contratação de atletas para reforçar a equipe nos Jogos Mundiais Militares que ainda são mantidos como oficiais das Forças Armadas. Já o esporte de rendimento em geral, inclusive as modalidades não-olímpicas (futevôlei, caratê, boliche etc.) foi contemplado com R$ 1,8 bilhão.  Porém, para as modalidades olímpicas, especificamente, o Orçamento Geral da União destinou R$ 120 milhões, enquanto as paralímpicas receberam R$ 22,1 milhões. Os dados constam do SIAFI (Sistema Integrado de Administração Financeira).

Outras fontes

A segunda principal fonte pública de financiamento do esporte são os patrocínios das empresas estatais, com investimento de R$ 771,3 milhões. Desse total, R$ 601,4 milhões foram para o esporte de rendimento, inclusive o automobilismo, e R$ 509,3 milhões para as modalidades olímpicas. O montante inclui o patrocínio da Eletrobrás ao Vasco da Gama. O valor foi considerado, porque o futebol, mesmo com gestão própria através da CBF, é esporte do calendário dos Jogos.

Outra fonte de recursos públicos, a terceira em valor, é a Lei Agnelo Piva (n° 10.264/2001), que destina 2% das loterias federais aos esportes olímpicos e paralímpicos. No último ciclo essa participação foi de R$ 578,3 milhões. Para o desporto olímpico, especificamente, foram destinados R$ 416,2 milhões, além de R$ 57,8 milhões para o desporto escolar e R$ 28,9 para o universitário.  Já o Comitê Paralímpico Brasileiro recebeu R$ 75,2 milhões dessa Lei.

A quarta fonte mais relevante de verba pública é a Lei de Incentivo, que registrou captação de R$ 523,4 milhões no período, sendo R$ 374,8 para o rendimento. Esse valor contemplou projetos olímpicos de R$ 324,4 milhões, e paralímpicos de R$ 7,4 milhões. A Confederação Brasileira de Judô – quatro medalhas em Londres, sendo uma de ouro –, por exemplo, captou R$ 1,8 milhão na Lei de Incentivo para o projeto “Eventos Internacionais”. Outro exemplo de importância de aplicação dessa fonte é o Minas Tênis Clube, tradicional clube de Belo Horizonte, que captou R$ 6,7 bilhões para o projeto “Formação de Atletas”.

Da mesma forma, no total da Lei de Incentivo estão projetos de futebol, modalidade olímpica medalha de prata nos Jogos de Londres. O São Paulo Futebol Clube é exemplo de utilização da Lei, ao captar R$ 1,7 milhão para o projeto de “Formação de Atletas de Alta Performance e Aprimoramento de Jovens Atletas”.

A quinta e última fonte de recursos públicos para o esporte é a Timemania, loteria federal que destina 22% de sua arrecadação ao abatimento das dívidas dos clubes de futebol para com a Receita Federal, INSS e FGTS. Novamente o futebol, esporte olímpico, é beneficiado pela verba oficial tendo recebido R$ 390,9 milhões entre 2009 e junho deste ano.

A evolução dos recursos federais para o esporte

Nos últimos nove anos, a partir da criação do Ministério do Esporte em 2003, os recursos federais para o desporto cresceram significativamente, ampliando sua participação no Orçamento Geral da União (OGU) e no Produto Interno Bruto (PIB). Em 2003, o total pago pelo Ministério do Esporte representou apenas 0,017% do OGU e 0,009% do PIB. Em 2011, os percentuais passaram a ser de 0,051% (OGU) e 0,020% (PIB). Ao longo do período considerado o maior valor anual despendido (R$ 1.238,1 milhões em valores correntes) ocorreu em 2007, ano da realização dos Jogos Pan-americanos na cidade do Rio de Janeiro. Em 2011, em valores correntes, foram efetivamente pagos R$ 832,6 milhões. Em termos reais, de 2003 para 2011, o orçamento da Pasta cresceu 3,5 vezes. Em valores constantes, o total pago em 2003 foi de R$ 246,7 milhões, enquanto em 2011 atingiu a R$ 864,2 milhões.

FONTE: CONTAS ABERTAS

A MESCLA DE COTAS SOCIAIS E COTAS PARA A POPULAÇÃO NEGRA!

NOTA DO QUILOMBO RAÇA E CLASSE




O Senado aprovou, no dia 8 de Agosto, o projeto de lei (PLC) 180/2008, que determina políticas de ações afirmativas em todas as universidades e escolas técnicas federais do país. A lei, que já havia sido aprovada pelos deputados e agora só depende da sanção da presidente Dilma, é uma mescla de cotas sociais e raciais (população negra). A lei prevê que 50% das vagas destas instituições deverão ser reservadas para alunos que cursaram todo o ensino médio em escolas públicas. Dessa porcentagem, metade será destinada a estudantes que tenham renda familiar de até um salário mínimo e meio (R$ 933,00). 

Dentro deste universo de vagas destinadas a alunos que vieram das escolas públicas, também serão aplicados critérios raciais: estudantes autodeclarados negros, “pardos” e indígenas terão cotas proporcionais à porcentagem da população de cada grupo nos estados em que vivem, de acordo com os dados do IBGE, não importando a renda per capita do aluno, contanto que ele ou ela tenha cursado escola pública.

A Polêmica das Cotas!

A aprovação pelo Senado causou um enorme impacto particularmente entre os ativistas do movimento negro que sabem muito bem há quanto tempo e o quanto se têm lutado por cotas neste país. Iniciada antes mesmo do golpe militar, a luta por ações afirmativas ganhou destaque já no período da democratização, quando o movimento negro se reorganizou.

De lá pra cá, e particularmente a partir do final dos anos 1980, o debate cumpriu um papel fundamental ao provocar a discussão sobre o racismo no Brasil, questão sempre negada (ou amenizada, chegando a ser chamado de “cordial”), em função dos lamentáveis danos provocados pelo mito-farsa da “democracia racial”.

A polêmica foi alimentada de diversas formas. Por um lado, houve a reação irada de intelectuais de direita, dos setores mais conservadores e racistas da sociedade, que saíram a público defendendo que não há racismo no Brasil ou que cotas violariam o princípio de “igualdade” previsto na constituição. Por outro, dentro da esquerda e no interior dos movimentos sindical, popular e estudantil e, inclusive, do movimento negro, não faltaram setores que também por não enxergarem o racismo como um elemento estrutural de nossa sociedade, rejeitaram a proposta, com argumentos de que isto “dividiria a classe”, na medida que não considerava os brancos pobres.

Além do refluxo que deu após a capitulação de grande maioria dos dirigentes do movimento negro pelo governo de frente popular, os quais se burocratizaram nos estafes de governo, abandonando a luta e as bandeiras da população negra.

13 anos, se passaram!

Um passo a frente que foi dado, mas cercado de contradições. A primeira contradição está no simples fato de que a lei só tenha sido aprovada 13 anos desde que começou a tramitar, dez dos quais o PT esteve no governo. Nesse “meio tempo”, as mobilizações dos movimentos negro e estudantil independentes do governo arrancaram cotas raciais em várias universidades do país, como a UERJ primeira universidade a implementar a política de cotas, a UNEB, UFBA, entre outras, e a Federal do Rio Grande do Sul, onde recentemente uma mobilização do movimento negro e estudantil, com ocupação da reitoria, impediu uma manobra do Conselho Universitário que visava atacar o sistema.

Enquanto isso, o governo do PT, apesar de muitas promessas, falatório e conferência, pouco ou nada fez para que a medida fosse implementada. Aliás, contribuiu concretamente para que ela fosse adiada, o que ficou evidente na votação do Estatuto da Igualdade Racial. Aprovado em 2010, o Estatuto teve as reivindicações históricas do movimento negro (que constavam de sua versão original) retalhadas por um vergonhoso acordo entre Paulo Paim (PT-RS), a SEPPIR (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) e senador Demóstenes Torres (DEM-GO) – ele mesmo, o lacaio de Cachoeira – que resultou na retirada de qualquer referência às cotas, à regularização das terras quilombolas e até mesmo aos termos raça, escravidão e identidade negra.

Da mesma forma que o Estatuto ficou muito aquém do que o movimento defendia a proposta aprovada esta semana também está longe do que os setores mais consequentes do movimento sempre defenderam. Como também, vale lembrar que a covardia política do governo foi jogada sob os holofotes depois que o movimento negro impôs uma vitória, também parcial, anterior: a aprovação, pelo Supremo Tribunal Federal, da constitucionalidade das cotas, o que minou o centro das desculpas que o governo, os reitores e seus aliados estavam utilizando para não aprovar qualquer política de ação afirmativa. 

Projeto ainda limitado!

Em termos raciais, assim como o Quilombo Raça e Classe (movimento negro que é filiado a CSP-Conlutas), e várias organizações sempre defenderam a aplicação de cotas diretamente proporcionais há população negra e totalmente desvinculadas das cotas sociais.

O PLC, no entanto, reduz a um quarto a representação à qual negros e negras têm direito, na medida em que, na prática, a porcentagem será considerada em relação à metade da metade das vagas. Vale lembrar, também, que a lei, ao mesmo tempo que prevê que a medida será aplicada apenas por dez anos (prazo duvidoso para eliminar o enorme abismo que existe entre negros e brancos no interior das universidades), também dá um prazo de quatro anos para que as universidades se adaptem ao sistema.

Além disso, o projeto não prevê mecanismos de permanência (como bolsa de alimentação e transporte) nem políticas de nivelamento acadêmico (que possam amenizar as deficiências da escola pública, enormemente sucateada exatamente em função das políticas neoliberais do governo). 

Para os negros e negras e todos aqueles que atuam com uma perspectiva de “raça e classe”, o projeto é ainda mais limitado. Primeiro, porque não está inserido num projeto global de “reparações” para a população negra. Da mesma forma que sempre defendemos as cotas como uma medida paliativa no combate aos absurdos efeitos do racismo na educação, também defendemos que a luta por ações afirmativas deva ser parte de uma luta mais ampla tanto contra o racismo quanto pela destruição do sistema que dele se beneficia.

Afinal, ter uma legislação que prevê uma maior entrada de negros e pobres nas universidades pode se transformar em letra morta, já que são estes mesmos setores que estão sujeitos a situações a condições sociais tão precárias que fazem com que os portões das universidades pareçam uma miragem cercada por obstáculos dos mais diversos.

Obstáculos instransponíveis como o desemprego crônico, os salários miseráveis, a falta de acesso à saúde e moradia e tantos outros, inclusive a eliminação física, tanto em função das péssimas condições de vida quanto pela crescente política de genocídio, capitaneada por agentes do Estado.

Bombardeio contra o ensino público!

Um exemplo de que o governo está tendo uma política a conta-gotas no que se refere ao combate ao racismo, particularmente na Educação, é sua completa falta de iniciativa (reafirmada pelo projeto aprovado) de impor políticas de ações afirmativas exatamente onde se encontram a enorme maioria (cerca de 80%) das instituições de ensino: as privadas, onde há grande número de estudantes negros e pobres.

Como também, o projeto se cala por completo em relação às políticas racistas e elitistas de algumas das principais universidades do país, as estaduais, como a Universidade de S. Paulo (que resiste ferozmente a qualquer tipo de ação afirmativa) e a Unicamp entre tantas outras, que mantém políticas que resultam em ínfimas porcentagens de negros e estudantes oriundos de escolas públicas em seus projetos de “inclusão”.

Nos últimos dez anos, com ímpeto ainda maior do que aquele utilizado para barrar uma política de cotas, o governo promoveu um bombardeio contra o ensino público deste país. Prova disto é a amplitude e garra da greve nas universidades federais, que há meses tem mobilizado professores, estudantes e funcionários em defesa de melhores condições de trabalho e estudo.

A intransigência com a qual Dilma e o ministro Aloysio Mercadante têm enfrentado o movimento é apenas um dos capítulos mais lamentáveis da série de ataques que o governo promoveu à educação, afetando, particularmente, os mesmos setores que, agora, são alvos da política de cotas. Afinal, ao retirar verbas da educação, e favorecer o ensino privado e sucatear a rede federal, atacando condições de ensino e trabalho, os governos de Lula e Dilma têm contribuído, em muito, para manter negros e negras, estudantes de escolas públicas fora das universidades e institutos federais.

Como também não pode ser desconsiderado que o projeto de cotas irá ser implementado dentro de um projeto mais global que, se depender da vontade do governo, na prática, irá jogar contra ele, na medida em que pode piorar ainda mais a já caótica situação das universidades onde as cotas serão aplicadas.

É isto que está previsto, caso o movimento não consiga avançar na luta pela implementação da Lei 10.639 (institui o ensino da história e da cultura da África nas escolas) e barrar a implementação de dois projetos já aprovados pelo governo Dilma e o mesmo Congresso que acaba de aprovar as ações afirmativas: que são a aplicação de 10% do PIB para a Educação somente (e talvez) em 2023 e o Plano Nacional de Educação (PNE).

A negação em destinar mais verbas para um sistema já agonizante é uma contradição aberta com qualquer política realmente coerente para garantir acesso à educação de qualidade, principalmente para os setores mais marginalizados da sociedade. Como também a política de cotas não podem servir como cortina de fumaça para um PNE que, através de medidas como o Reuni, precariza ainda mais as instituições federais.

Só a luta, traz vitórias!

Assim como a votação sobre o orçamento para a educação foi uma tentativa de desmobilizar o movimento estudantil, que se encontra em Ascenso país afora, a aprovação das cotas também pode ser vista à crescente mobilização do movimento negro, impulsionado exatamente pelo acirramento do racismo, um resultado direto do desprezo com qual o governo tem tratado a questão, sem negociar com os ativistas. 

Não se pode menosprezar, de forma alguma, que a medida foi aprovada, não só depois de décadas de lutas, mas também particularmente em um momento em que estamos vendo a série de mobilizações promovidas pelo “Comitê contra o genocídio da juventude negra”, em S. Paulo; a forte reação aos ataques às terras quilombolas, no MA, RS, RJ, MG, PE, SC e Bahia, por exemplo; a formação país afora de “frentes pró-cotas”, coletivos ou núcleos de discussão nas universidades e a indignação generalizada contra a violência policial e racista.

Exatamente por isso, é preciso que o movimento negro responda à aprovação do PLC da mesma forma que os setores combativos dos movimentos sindical e estudantil – têm feito: organizando-se de forma independente do governo e patrões e intensificando a luta, até que conquistemos o que negros e negras e a população pobre em geral precisa.

Elemento positivo, com limites e contradições!

E, apesar de todas as contradições e limites que apontamos, vemos um elemento radicalmente positivo na aprovação da lei. Não há como não saudar a entrada de um setor mais amplo da classe trabalhadora e dos oprimidos e marginalizados nas universidades, pois temos certeza que, exatamente pela sua origem, eles não demorarão a perceber, de dentro das salas de aula, a necessidade de se organizar e lutar pela universidade e a sociedade que realmente precisamos. Uma universidade composta e voltada para os interesses da maioria da população; uma sociedade livre do racismo, da exploração e da mercantilização do ensino. Uma universidade de e para os trabalhadores. Uma sociedade socialista. 

Contudo, os setores mais combativos do movimento negro e aqueles que defendem, como nós do Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe, uma política que combine, permanentemente, raça e classe, não pararam de lutar (com diferentes políticas e perspectivas, vale destacar) por políticas de ações afirmativas, conseguindo levar o debate para todos os cantos.

Foi isto que garantiu, por exemplo, que, muito antes da votação do Senado, algum tipo de cota tenha sido conquistado em várias instituições de ensino. Por isso mesmo, não causa surpresa o entusiasmo dos ativistas com a aprovação do projeto.

Entretanto, mesmo que reconheçamos esta importante vitória, é preciso apontar seus limites e contradições. Principalmente para que não se caia no discurso dos setores governistas que, com a certeza da sanção da presidente, estão prestes a entronar Dilma como uma nova Princesa Isabel!

Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe

segunda-feira, agosto 13, 2012

Servidores em greve têm duas reuniões com o Ministério do Planejamento nesta terça

Professores federais tentam formar uma frente parlamentar para defender a reabertura das negociações com o governo; 
policiais federais protestam em São Paulo

Entidades representativas dos servidores públicos federais em greve têm duas reuniões confirmadas com o Ministério do Planejamento amanhã (14). A primeira, marcada para as 10h, vai debater a possibilidade de equiparação salarial entre diferentes categorias do funcionalismo público e a segunda, às 14h, avaliará reivindicações específicas do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
O Ministério do Planejamento afirmou à Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Condsef) que irá agendar novas reuniões com os servidores ao longo desta semana, de acordo com a entidade. Para aguardar o posicionamento do governo, servidores públicos ficarão acampados na Esplanada dos Ministérios de amanhã até sexta-feira (17).

A primeira reunião irá tratar especificamente sobre a Lei 12.277, de 2010, que criou uma tabela salarial diferenciada para cinco cargos do serviço público federal: estatístico, engenheiro, geólogo, economista e arquiteto. Os servidores pedem a equiparação com os demais cargos de nível superior. Na quarta-feira (15) haverá uma marcha unificada dos servidores federais em Brasília (DF), que reunirá, inclusive, professores de universidades federais, em greve há 86 dias.

Professores universitários

Os professores federais terão uma reunião nesta quinta-feira (16) com parlamentares de Brasília para formar uma frente que defenda a reabertura das negociações com o Ministério do Planejamento. Elas foram encerradas em 3 de agosto, quando a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), uma das entidades que representa os docentes, assinou a proposta do governo, mesmo com a rejeição do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), que congrega cerca de 300 campi dos institutos federais de educação técnica, e do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), que representa 51 universidades federais. A Proifes reúne oito universidades federais, mais professores de 21 instituições, espalhados em 77 campi.

Amanhã os professores fazem novo ato em frente ao Ministério do Planejamento, reivindicando a reabertura das negociações. Na manhã de hoje foi feito ato em frente ao Ministério da Educação (MEC). Depois do protesto, o Andes entrou em contato com o MEC e foi informado de que ainda não há data prevista para uma nova reunião.

A instituição orientou as universidades a realizarem novas assembleias ao longo desta semana para deliberarem sobre que pontos da proposta do governo são passíveis de negociação. Ao todo, 61 das 62 instituições de ensino e 34 dos 38 institutos federais de educação aderiram à greve.

Em paralelo, entidades representativas dos servidores públicos em greve formalizaram uma denúncia à Organização Internacional do Trabalho (OIT) contra práticas consideradas antissindicais por parte do governo federal na última quinta-feira (9). Os servidores reclamam da falta de negociações e do corte de ponto.

Policiais  

Policiais federais, em greve há seis dias, fizeram na manhã de hoje manifestação em frente ao prédio da Superintendência da Polícia Federal, na capital paulista. Amanhã os grevistas farão uma doação de sangue no Hemocentro de São Paulo e, para quinta-feira (16), os policiais programaram uma operação-padrão no Aeroporto Internacional de Guarulhos, a partir das 16h30.
 
Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Federal do Estado de São Paulo, Alexandre Sally, 70% dos 900 servidores que trabalham no prédio aderiram à greve, mas parte deles está colaborando no trabalho de escolta de presos que estão sendo trazidos de outro estado. “Não estamos radicalizando o movimento e entendemos certas necessidades do departamento, por isso colaboramos.”
 
Sally avaliou a paralisação como positiva e disse que a preocupação maior era deixar claro à população os motivos da greve. “Estamos vendo que as pessoas estão entendendo as diferenças entre os cargos, a defasagem salarial que estamos sofrendo e a necessidade de reestruturação de carreira.”
 
O presidente do sindicato reforçou que a emissão de passaportes não foi atingida em São Paulo porque a maioria dos funcionários é formada por terceirizados e não por policiais federais. Segundo Sally, São Paulo é onde existe o maior número de trabalhadores nessa situação em todo o país. “Em um posto de passaporte no shopping há um policial e 12 contratados [terceirizados]. Aqui na sede, são dois policiais e 30 contratados. E nós vamos respeitá-los”, disse.
 
De acordo com Sally, o sindicato vem negociando com o governo há três anos e nesse período foram colocados dois prazos que não foram cumpridos. “Um acordo assinado para abril desde ano e para apresentarem uma proposta concreta em julho. Como nada disso foi cumprido, entramos em greve.” 
 
Os servidores pedem reajuste salarial, reestruturação da carreira, realização de novos concursos e aumento do efetivo, além do aumento dos auxílios alimentação, saúde, creche e transporte. 
 
Portos e aeroportos
 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) começou a processar os pedidos de liberação de produtos farmacêuticos retidos em portos, aeroportos e entrepostos comerciais fiscalizados pela autarquia, cujos servidores estão em greve. O movimento completa um mês nesta semana. A liberação, contudo, é bem lenta.
 
De acordo com a Anvisa, os servidores da unidade de Portos e Aeroportos da agência no Rio de Janeiro “voltaram 100% ao trabalho na última sexta-feira (10). A liberação dos produtos foi retomada; em pouco tempo, todos os produtos estocados estarão liberados”.
 
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) havia entrado com dois mandados de segurança coletivos na Justiça Federal em nome, respectivamente, do Centro Industrial do Rio de Janeiro (Cirj) e do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado (Sinfar), e obteve liminares favoráveis, nos últimos dias 6 e 7, que determinavam a liberação dos produtos retidos.
 
As liminares foram concedidas pelos juízes Alfredo de Almeida Lopes, da 24ª Vara Federal, beneficiando os laboratórios associados ao Cirj, e Marianna Carvalho Bellotti, da 20ª Vara Federal, para o Sinfar.
 
A advogada-chefe da Divisão Tributária da Firjan, Cheryl Berno, disse que até agora apenas um laboratório conseguiu liberar uma licença de importação. “A cada contrato desses laboratórios, dessas indústrias, há uma licença de importação. Então, a informação que nós temos, no momento, é que está lento ainda esse processo de verificação e inspeção para efetiva liberação. Até agora, nós conseguimos uma liberação.”

Na última sexta-feira, diante das dificuldades enfrentadas para a liberação dos produtos farmacêuticos pela Anvisa, o Sistema Firjan informou à Justiça Federal que a determinação judicial ainda não tinha sido cumprida.
 
 FONTE: Informações da Agência Brasil

Duas novas brasileiras se unem ao grupo feminista internacional Femen


G1 acompanhou 'ritual de iniciação' de paulistana candidata a ativista.
Movimento criado na Ucrânia, em 2008, faz fama com protestos seminus.

Depois da recente estreia da paulista Sara Winter, de 20 anos, no Femen – grupo internacional de feministas que começou na Ucrânia, em 2008, e ficou famoso por suas integrantes lutarem seminuas pelos direitos das mulheres –, agora é a vez de outras duas jovens brasileiras se juntarem ao movimento.
A estudante de direito paulistana Bruna Themis, de 21 anos, entrou para o Femen há três semanas e já fez seu protesto inaugural, no dia 29 de julho, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), a favor da descriminalização do aborto e de melhorias na saúde pública."Na hora, não fiquei nervosa, foi de boa. De manhã, eu estava mais tensa. Só não sabia o que fazer quando os caras passaram. Tive vontade de retrucar, mas me segurei", disse Lari, apelido de Larissa. 
Ao contrário de Bruna, que não passou por nenhuma "prova de fogo" antes de expor os seios pela primeira vez, a nova candidata a militante do Femen Brazil, a estudante de gastronomia paulistana Lari Bärin, de 22 anos, foi testada na noite deste sábado (11) em uma pequena e sossegada rua do bairro Bela Vista, região central de São Paulo.
A tranquilidade do "ritual de iniciação" foi quebrada por duas vezes, quando o mesmo carro cheio de homens, ouvindo funk no volume máximo, passou e depois voltou para ofender Lari.Ela, que estudou em colégio alemão e adotou o nome Bärin ("urso", no idioma), acabou escolhendo a Rua dos Alemães por acaso, por estar vazia naquele horário – algo totalmente oposto ao que deve encontrar pela frente nas manifestações. Entre os temas já levantados nos mais de 30 países onde o Femen está presente estão o turismo e a exploração sexuais, a sociedade patriarcal, o machismo, a prostituição, a homofobia e o preconceito racial.

"A gente não pode reagir, para não perder a razão. Quando a polícia chega e parte para cima, aí tentamos nos livrar", explicou Sara. O sobrenome de batismo, italiano, ela trocou pelo inglês Winter, para se parecer com a cantora e vionilista americana Emilie Autumn, de quem é fã. Já Bruna escolheu Themis por causa da deusa grega da Justiça.
Com a presença e o apoio das amigas – a quem conheceu pessoalmente há apenas três semanas –, Lari se sentiu mais calma para fazer topless. Antes de fazer pose, ficar séria e com a cabeça levantada, as colegas escreveram "Go Femen BR" no corpo da iniciante, elogiaram os seios dela e lhe deram uma tiara de flores.
"A gente que faz. Mas as flores estão tão caras, fui lá na 25 de Março comprar. Tem menina já ligando para saber onde tem. Acho que no começo do Femen na Ucrânia também era assim, mas agora elas têm um fornecedor", disse Bruna.Esse arco ao redor da cabeça, como explica Sara, é usado também pelas ativistas ucranianas, por ter sido no passado um símbolo de pureza e virgindade. Hoje, virou "arma de combate".


"O porteiro deve ter visto tudo", disse Sara. As três riram e foram embora. Passados apenas alguns minutos de "intervenção" seminua, Lari se vestiu e as três comemoraram o "batismo" da novata. Logo perceberam que havia uma câmera de segurança na entrada do prédio onde pararam, posicionada diretamente para a menina seminua.
Novas integrantes 
Desde 1º de abril, Sara Winter se dedica exclusivamente à militância feminista. Na última Virada Cultural de São Paulo, tentou invadir o palco da cantora Gretchen, mas foi barrada pelos seguranças. Após o show, ela subiu no palco e falou por três minutos, segurando um cartaz com a frase: "A cada cinco minutos, uma mulher é espancada no Brasil".

"Queremos o Brasil inteiro, não vamos parar de fazer essas avaliações. Quanto mais, melhor. Quero que as meninas do Nordeste se manifestem mais, porque lá é o berço do turismo sexual de crianças e adolescentes", destacou.Sara também criou uma página no Facebook e agora recruta jovens como ela e as duas amigas que queiram levantar essa bandeira. A paulista contou que já há "processos seletivos" em andamento em vários estados do Brasil, com interessadas em Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Maranhão.
Para participar do Femen, Sara disse que a mulher precisa ser corajosa, ter disponibilidade e vontade de lutar. Também deve estar preparada para enfrentar a família e os amigos. Este último item foi, por exemplo, o que mais pesou para a primeira menina que passou pela iniciação antes de Lari. Por receio da reação do pai, ela acabou desistindo. "Meus pais já sabem e foi muito ruim. Não apoiaram, não curtiram", revelou a estudante de gastronomia, que é filha única.
"Minha ideia é concentrar a coordenação do grupo aqui em São Paulo. Mas pretendo ir uma vez para cada um desses núcleos para ensinar tudo o que as ucranianas me passaram. Isso inclui como se organizar, escolher tópicos de protesto e se preparar para enfrentar a polícia", enumerou Sara.

As jovens que se entusiasmarem com a ideia não precisam ficar preocupadas em serem bonitas ou terem um corpo atraente, segundo Sara. Essa é uma característica que tem sido o padrão das ativistas do Femen pelo mundo, mas a paulista disse que não é um critério fundamental para ser admitida.


"Isso serve para a menina ver como se comporta com todo mundo vendo, ter um feedback do próprio corpo. É um protesto individual, ou 'monoprotest', como a gente chama", disse Sara. O ideal é que a iniciante segure um cartaz com algum tema, mas Lari fez sem, porque as outras duas meninas esqueceram. A primeira fase da escolha é mandar uma foto de topless para ela e passar por uma espécie de entrevista virtual, pelo Facebook ou Skype. Assim que a candidata for aprovada, é marcado um dia para a estreia.
Perfil das ativistas brasileiras
Nesta terça-feira (14), mais uma interessada em entrar para o grupo, Luma Oliveira, de 20 anos, deve passar por sua "prova de fogo".
As três primeiras jovens brasileiras que se dispõem a fazer parte do Femen têm características físicas e psicológicas muito diferentes, apesar da causa em comum. Bruna mora em Moema, Zona Sul de São Paulo, e gosta de Chico Buarque. Sara vive em São Carlos, no interior, e diz que curte músicas que fazem seu coração bater, como rockabilly. Já Lari é da Zona Oeste da capital e ouve punk rock e heavy metal.
Bruna e Sara gostam de se maquiar; Lari, não – mas abriu uma exceção para sua estreia e apareceu com sombra, base e blush. "Muitos grupos a quem contatamos têm preconceito conosco, porque acham que só somos mulheres bonitas que apóiam o sexismo. Mas nos arrumamos para nós mesmas também, não para atrair homens", destacou Sara.
Outra coisa que varia entre as ativistas é a opção sexual. Segundo Sara, pelo fato de muitas militantes na Ucrânia, por exemplo, serem contra o que os homens fazem com as mulheres, acabam virando bissexuais ou lésbicas.
Logo Femen Brazil (Foto: Femen Brazil/Divulgação)
Femen Brazil já tem seu próprio logo, que deve ser
pintado nos seios (Foto: Femen Brazil/Divulgação)
Futuras ações

As jovens querem criticar o julgamento de três cantoras russas da banda punk Pussy  Riot acusadas de vandalismo por causa de uma música intitulada "Maria, mãe de Deus, tire Putin", contra o presidente Vladimir Putin. O veredito sobre a prisão ou não delas deve sair na sexta-feira (17).
"Estamos fazendo contato com grupos punks, skinheads antifascistas, anarcofeministas, afrofeministas e outros coletivos para se juntarem a nós", disse Sara.
Elas já estão ensaiando o que dizer nessa data, em russo. Cada uma deve representar uma das cantoras julgadas, Nadejda Tolokonnikova, Maria Alyokhina e Yekaterina Samutsevish. Elas querem falar: "Eu sou Nadejda, eu sou Maria, eu sou Yekaterina. Liberdade à Pussy Riot!".
"Particularmente, nem gosto do som da banda, acho as meninas ruins, mas vamos protestar contra essa atitude do governo russo. As ucranianas não se envolveram nisso, porque estão focadas nas Olimpíadas", explicou Sara.
O jeito, então, foi arriscar uma carona de carro até Kiev, com dois jovens desconhecidos que estavam indo acompanhar a Eurocopa. O veículo acabou quebrando duas vezes na estrada, e o percurso de 12 horas levou quase o dobro.
Viagem à Ucrânia

"Não queriam me dar o visto para eu cruzar a fronteira, porque não entendiam o que uma brasileira estava fazendo lá. Aí falei Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Cafu, Pelé. A hora em que eu disse Pelé, pronto, o cara pensou: 'É lógico'. Preciso agradecer a cada um desses jogadores", brincou Sara, que ficou duas semanas no país e acabou sendo detida por quatro horas durante um protesto na Eurocopa.
"A Ucrânia e a Polônia estavam incentivando abertamente o turismo sexual. Em um mapa que vi em Varsóvia, havia vários endereços de bordéis", lembrou Sara, cuja ida foi coberta em parte pelo Femen (que doou US$ 1 mil), por contribuições no Facebook e por ela mesma.
Além das ativistas, o grupo internacional tem o apoio de cerca de 500 voluntários, entre designers, jornalistas, fotógrafos, assessores de imprensa e advogados, segundo a paulista, que compara os ucranianos com os brasileiros. "Eles são tão acomodados quanto nós. Mas também são receptivos, só não tanto quanto a gente", ressaltou.
FONTE: G1 / Luna D'Alama
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